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सीतानिवर्तनप्रयत्नः · Rama’s Attempt to Dissuade Sita from Forest Exile
अयोध्याकाण्ड
No Sarga 28, Rāma responde às súplicas de Sītā com um discurso persuasivo e, a princípio, recusa levá-la ao exílio na floresta. Reconhecido como dharmajña e dharmavatsala, ele pondera as dificuldades concretas do araṇyavāsa e apresenta sua recusa como prudência protetora, não como rejeição. Instrui Sītā a permanecer em Ayodhyā e a seguir seu svadharma, afirmando que sua obediência lhe trará paz interior. Em seguida, Rāma enumera, como prova, as adversidades da mata: sons aterradores de cachoeiras e leões, animais ferozes, rios lamacentos infestados de crocodilos, trilhas espinhosas e sem água, o dormir austero em leitos de folhas, a subsistência de frutos caídos e o jejum, vestes de casca de árvore e cabelos emaranhados. Menciona ainda os deveres rituais para com deuses, ancestrais e hóspedes, as abluções três vezes ao dia e as oferendas védicas com flores colhidas por si, além da escassez de alimento, escuridão, vento, fome, répteis e serpentes, e insetos que mordem. Conclui com um juízo: a floresta é “bahudoṣatara”, repleta de faltas e imprópria para Sītā. O verso final assinala a não conformidade de Sītā e sua resposta tomada de tristeza, abrindo caminho para seu contra-argumento no trecho seguinte.
Verse 1
स एवं ब्रुवतीं सीतां धर्मज्ञो धर्मवत्सलः।न नेतुं कुरुते बुद्धिं वने दुःखानि चिन्तयन्।।2.28.1।।
Embora Sītā falasse assim, Rāma—conhecedor do dharma e devotado a ele—ponderou os sofrimentos da vida na floresta e não se decidiu a levá-la consigo.
Verse 2
सान्त्वयित्वा पुनस्तां तु बाष्पदूषितलोचनाम्।निवर्तनार्थे धर्मात्मा वाक्यमेतदुवाच ह।।2.28.2।।
Tendo consolado Sītā, cujos olhos estavam turvados de lágrimas, Rāma, de alma justa, tornou a dizer estas palavras, desejando dissuadi-la de segui-lo à floresta.
Verse 3
सीते महाकुलीनाऽसि धर्मे च निरता सदा।इहाऽचर स्वधर्मं त्वं मे यथा मनसस्सुखम्।।2.28.3।।
Ó Sītā, nasceste em nobre linhagem e estás sempre dedicada ao dharma. Permanece aqui e cumpre o teu dever justo, para que minha mente esteja em paz.
Verse 4
सीते यथा त्वां वक्ष्यामि तथा कार्यं त्वयाऽबले। वने हि बहवो दोषा वदतस्तान्निबोध मे।।2.28.4।।
Ó Sītā, ó meiga e frágil—faz exatamente como te digo. Na floresta há, de fato, muitos sofrimentos; escuta com atenção enquanto eu tos explico.
Verse 5
सीते विमुच्यतामेषा वनवासकृता मतिः।बहुदोषं हि कान्तारं वनमित्यभिधीयते।।2.28.5।।
Ó Sītā, abandona esta decisão de viver na floresta. Pois o ermo é chamado ‘floresta’ justamente por estar repleto de muitos perigos e dificuldades.
Verse 6
हितबुद्ध्या खलु वचो मयैतदभिधीयते।सदा सुखं न जानामि दुःखमेव सदा वनम्।।2.28.6।।
É com intenção de teu bem que te digo estas palavras. Não conheço felicidade duradoura na floresta; ali, a floresta é sempre apenas sofrimento.
Verse 7
गिरिनिर्झरसम्भूता गिरिकन्दर वासिनाम्।सिंहानां निनदा दुःखा श्श्रोतुं दुःखमतो वनम्।।2.28.7।।
Os sons—nascidos das quedas-d’água das montanhas e dos rugidos dos leões que habitam grutas rochosas—são dolorosos e aterradores de ouvir; por isso, a vida na floresta é sofrimento.
Verse 8
क्रीडमानाश्च विस्रब्धा मत्ता श्शून्ये महामृगाः।दृष्ट्वा समभिवर्तन्ते सीते दुःखमतो वनम्।।2.28.8।।
Na floresta solitária, grandes feras—destemidas e como que embriagadas de liberdade—brincam; e, ao verem alguém, avançam para atacar. Por isso, ó Sita, a floresta é sofrimento.
Verse 9
सग्राहा स्सरितश्चैव पङ्कवत्यस्सु दुस्तराः। मत्तैरपि गजैर्नित्यमतो दुःखतरं वनम्।।2.28.9।।
Os rios, povoados de crocodilos e carregados de lama, são dificílimos de atravessar, mesmo para elefantes em cio; por isso, a vida na floresta é sempre mais perigosa e penosa.
Verse 10
लताकण्टकसङ्कीर्णाः कृकवाकूपनादिताः।निरपाश्च सुदुर्गाश्च मार्गा दुःखमतो वनम्।।2.28.10।।
Os caminhos estão tomados por trepadeiras espinhosas, ecoam com os clamores das aves selvagens, são sem água e dificílimos de atravessar; por isso a floresta é lugar de sofrimento.
Verse 11
सुप्यते पर्णशय्यासु स्वयं भग्नासु भूतले।रात्रिषु श्रमखिन्नेन तस्माद्दुःखतरं वनम्।।2.28.11।।
À noite, exausto pelo labor, dorme-se no chão nu, sobre leitos de folhas caídas por si mesmas; por isso a floresta é ainda mais penosa.
Verse 12
अहोरात्रं च सन्तोषः कर्तव्यो नियतात्मना।फलैर्वृक्षावपतितै स्सीते दुःखमतो वनम्।।2.28.12।।
Dia e noite, com a alma disciplinada, é preciso manter contentamento, vivendo dos frutos que caem das árvores, ó Sītā; por isso a floresta é uma vida de sofrimento.
Verse 13
उपवासश्च कर्तव्यो यथा प्राणेन मैथिलि।जटाभारश्च कर्तव्यो वल्कलाम्बरधारिणा।।2.28.13।।
Cumpre também observar o jejum conforme a própria força vital, ó Maithilī; e quem veste a roupa de casca de árvore deve igualmente suportar o peso dos cabelos emaranhados em jaṭā.
Verse 14
देवतानां पित्रूणां कर्तव्यं विधिपूर्वकम्।प्राप्तानामतिथीनां च नित्यशः प्रतिपूजनम्।।2.28.14।।
Deve-se cumprir, segundo o rito, o culto devido aos deuses e aos antepassados; e também honrar continuamente os hóspedes que chegam.
Verse 15
कार्यस्त्रिरभिषेकश्च काले काले च नित्यशः।चरता नियमेनैव तस्माद्धुःखतरं वनम्।।2.28.15।।
Vivendo sob disciplina rigorosa enquanto se caminha, é necessário realizar as abluções três vezes ao dia, nos tempos devidos; por isso, a vida na floresta é ainda mais penosa.
Verse 16
उपहारश्च कर्तव्यः कुसुमै स्स्वयमाहृतैः।आर्षेण विधिना वेद्यां बाले दुःखमतो वनम्।।2.28.16।।
Cumpre ainda oferecer no altar, segundo o rito dos ṛṣis, flores colhidas pelas próprias mãos; por isso, ó inocente, a vida na floresta é dura.
Verse 17
यथालब्धेन कर्तव्यः सन्तोषस्तेन मैथिलि।यताहारैर्वनचरै र्नित्यं दुःखमतो वनम्।।2.28.17।।
Ó Maithilī, os que habitam a floresta, de alimento restrito, devem contentar-se com o que se obtém; por isso a vida na mata é aflição constante.
Verse 18
अतीव वातास्तिमिरं बुभुक्षा चात्र नित्यशः।भयानि च महान्त्यत्र ततो दुःखतरं वनम्।।2.28.18।।
Lá há ventos impetuosos, trevas e fome constante, e também grandes perigos; por isso a vida na floresta é sobremodo difícil.
Verse 19
सरीसृपाश्च बहवो बहुरूपाश्च भामिनि।चरन्ति पृथिवीं दर्पात्ततो दुःखतरं वनम्।।2.28.19।।
Ó formosa, muitos répteis, de muitas espécies e formas, percorrem a terra com ferocidade; por isso a vida na floresta é ainda mais perigosa.
Verse 20
नदी निलयना स्सर्पा नदीकुटिलगामिनः।तिषठ्न्त्यावृत्य पन्थानं ततो दुःखतरं वनम्।।.2.28.20।।
Serpentes que habitam os rios e se movem em curvas sinuosas como o curso das águas fecham os caminhos e ficam à espreita; por isso a vida na floresta é duríssima.
Verse 21
पतङ्गा वृश्चिकाः कीटा दंशाश्च मशकै स्सह।बाधन्ते नित्यमबले सर्वं दुःखमतो वनम्।।2.28.21।।
Pássaros, escorpiões, insetos, mosquitos miúdos que mordem e pernilongos atormentam a todos ali sem cessar, ó indefesa; por isso a floresta é puro sofrimento.
Verse 22
द्रुमाः कण्टकिनश्चैव कुशा: काशाश्च भामिनि।वने व्याकुलशाखाग्रास्तेन दुःखतरं वनम्।।2.28.22।।
Ó formosa, na floresta há árvores espinhosas, a relva kuśa e os juncos de kāśa; e as copas têm os ramos enredados. Por isso, a vida na mata é sobremodo difícil.
Verse 23
कायक्लेशाश्च बहवो भयानि विविधानि च।अरण्यवासे वसतो दुःखमेव ततो वनम्।।2.28.23।।
Para quem mora no ermo, surgem muitas aflições do corpo e temores de muitas espécies; por isso, a floresta mostra-se, de fato, puro sofrimento.
Verse 24
क्रोधलोभौ विमोक्तव्यौ कर्तव्या तपसे मतिः।न भेतव्यं च भेतव्ये नित्यं दुःखमतो वनम्।।2.28.24।।
Devem-se abandonar a ira e a cobiça, e firmar a mente na austeridade; mesmo em meio ao que é temível, não se deve ceder ao medo. Por isso, a vida na floresta é penúria incessante.
Verse 25
तदलं ते वनं गत्वा क्षमं न हि वनं तव।विमृशन्निह पश्यामि बहुदोषतरं वनम्।।2.28.25।।
Portanto, basta: não vás à floresta; a vida na floresta não é, de fato, adequada para ti. Refletindo aqui, vejo que o ermo é ainda mais carregado de falhas e perigos.
Verse 26
वनन्तु नेतुं न कृता मतिस्तदाबभूव रामेण यदा महात्मना।न तस्य सीता वचनं चकार तत्ततोऽब्रवीद्राममिदं सुदुःखिता।।2.28.26।।
Quando o magnânimo Rāma não tomou a decisão de levá-la à floresta, Sītā não acatou suas palavras; então, profundamente aflita, falou a Rāma deste modo.
Rāma faces a dharma-sankat between marital companionship and protective duty: whether to permit Sītā to share exile. He chooses refusal based on foreseeable harm, presenting it as dharma-informed care rather than denial of her devotion.
The chapter teaches that dharma includes sober risk-assessment and disciplined living: contentment with minimal resources, control of anger/greed, adherence to ritual obligations, and steady courage. Ethical intention must be matched to practical capacity (kṣamatā), especially in ascetic contexts.
Geographically, the sarga evokes the forest ecology—thorny tracks, waterless routes, rivers with crocodiles, mountain caves, and nocturnal exposure. Culturally, it highlights āśrama-style norms: bark clothing, jaṭā, fasting, thrice-daily ablutions, Vedic altar offerings, and hospitality to unexpected guests.
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