Mahabharata Adhyaya 39
Vana ParvaAdhyaya 3984 Verses

Adhyaya 39

Arjuna’s Himalayan Departure and the Commencement of Severe Tapas (Janamejaya’s Inquiry; Sages Approach Śiva)

Upa-parva: Kirātārjunīya / Arjuna’s Tapas for Divine Weapons (Śiva–Indra Anugraha Arc)

The chapter opens with Janamejaya requesting a detailed account of how Arjuna (Pārtha, Dhanaṃjaya), renowned for unwearied action, entered a remote, humanless forest and what he accomplished there, including how Śiva (Sthāṇu/Tryambaka) and Indra (Devarāja/Śakra) were satisfied. Vaiśaṃpāyana agrees to narrate the extraordinary divine encounter sequence and frames Arjuna’s mission as undertaken by Yudhiṣṭhira’s directive. Arjuna departs northward toward Himavat carrying a divine bow and sword for the sake of accomplishing the objective. The narrative describes the forest’s beauty and liminal grandeur—flowers, birds, rivers—contrasting with its human absence, then shifts to Arjuna’s progressive austerities: first subsisting on fruits, then reducing intake by temporal intervals, then consuming fallen leaves, and finally becoming ‘air-fed’ while standing in a severe posture. His ascetic intensity draws cosmic notice (celestial sounds, flower-rain imagery), prompting sages to report to Śiva that Arjuna’s tapas is distressing the worlds. Śiva responds that he understands Arjuna’s inner intention, notes the absence of selfish desire for heaven, sovereignty, or lifespan, and promises to grant what Arjuna seeks; the sages return to their hermitages, setting the stage for the forthcoming encounter and bestowal narrative.

Chapter Arc: तपस्वी महात्माओं के चले जाने के बाद एकांत वन में अर्जुन का तप-तेज और लक्ष्य—दिव्यास्त्र-प्राप्ति—एक नई परीक्षा को आमंत्रित करता है; तभी एक अद्भुत किरात-वेषधारी पुरुष का आगमन होता है। → किरात (वास्तव में भगवान शंकर) और अर्जुन के बीच शिकार/अधिकार और वीर-गौरव का टकराव बढ़ता है। दोनों अपने-अपने धनुष उठाते हैं, विषधर-समान बाण सजाते हैं, और गांडीव की टंकार से वन-गिरि गूँज उठते हैं। अर्जुन उस तेजस्वी पुरुष से प्रश्न करता है—‘तुम कौन हो, इस शून्य वन में स्त्रियों से घिरे क्यों विचरते हो?’—और संवाद धीरे-धीरे द्वंद्व में बदल जाता है। → अर्जुन और किरात का घोर युद्ध—तेज, वीर्य और कौशल की चरम सीमा—ऐसा कि स्वयं शंकर कहते हैं: ‘आज तुम्हारा तेज और पराक्रम मेरे समान सिद्ध हुआ।’ यह क्षण अर्जुन के तप की सिद्धि और अहं की परीक्षा—दोनों का शिखर है। → अर्जुन को बोध होता है कि यह साधारण किरात नहीं; वह महादेव हैं। वह साहसवश हुए अपराध के लिए क्षमा माँगता है, शरणागति करता है और स्तुति करता है। प्रसन्न भगवान हर अर्जुन को आलिंगन देकर सांत्वना देते हैं—यह स्वीकारोक्ति कि अर्जुन योग्य है और उसका तप फलित हुआ। → महादेव की प्रसन्नता के बाद अर्जुन के लिए दिव्यास्त्र-प्राप्ति का द्वार खुलता है—अब कौन-सा वर/अस्त्र मिलेगा और आगे देव-लोक की यात्रा कैसे घटेगी?

Shlokas

Verse 1

अपना स२ (0 अवज असल एकोनचत्वारिशोड ध्याय: भगवान्‌ शंकर और अर्जुनका युद्ध

Vaiśampāyana disse: Ó rei Janamejaya, quando todos aqueles ascetas magnânimos já haviam partido, o Bem-aventurado Hara—com o arco Pināka em mãos, removedor de todo pecado—(com a intenção de provar Arjuna) surgiu, assumindo o disfarce de um Kirāta. Seu fulgor divino ardia como uma árvore de ouro, e seu corpo parecia vasto e brilhante, como outro Monte Meru.

Verse 2

कैरातं वेषमास्थाय काठ्चनद्रुमसंनिभम्‌ । विभ्राजमानो विपुलो गिरिमेंरुरिवापर:

Vaiśampāyana disse: Depois que aqueles sábios ascetas partiram, Śaṅkara—destruidor do pecado, portador do arco Pināka—assumiu o traje de um Kirāta (caçador das montanhas). Com um esplendor divino como o de uma árvore de ouro, ele resplandeceu: vasto e ardente, como outro Monte Meru. A cena ressalta que o divino pode tomar formas humildes para provar, guiar e sustentar o dharma, sem perder a suprema majestade.

Verse 3

श्रीमद्‌ धनुरुपादाय शरांश्चवाशीविषोपमान्‌ । निष्पपात महावेगो दहनो देहवानिव,वे एक शोभायमान धनुष और सर्पोके समान विषाक्त बाण लेकर बड़े वेगसे चले। मानो साक्षात्‌ अग्निदेव ही देह धारण करके निकले हों

Vaiśampāyana disse: Empunhando seu arco esplêndido e flechas tão venenosas quanto serpentes mortais, ele irrompeu com velocidade tremenda—como se o próprio Fogo, encarnado, se precipitasse à ação. O verso intensifica a tensão moral do episódio: poder e prontidão marcial surgem como forças assombrosas que, uma vez soltas, podem queimar a contenção e trazer consequências imediatas.

Verse 4

देव्या सहोमया श्रीमान्‌ समानव्रतवेषया । नानावेषधरै्ष्टेर्भूतिरनुगतस्तदा

Vaiśampāyana disse: Então o ilustre Senhor seguiu adiante acompanhado da deusa Umā, cujo voto e vestes eram semelhantes aos seus; e, atrás dele, vinham alegremente hostes de bhūtas, trajando muitos disfarces. Assim, Śiva, oculto sob a aparência de um Kirāta, mostrava-se esplêndido, cercado por numerosas mulheres; e, ó descendente de Bharata, aquela região tornava-se extraordinariamente bela com o movimento de todo o séquito.

Verse 5

किरातवेषसंच्छन्न: स्त्रीभिश्वापि सहस्रश: । अशोभत तदा राजन्‌ स देशोडतीव भारत

Vaiśampāyana disse: “Ó rei, naquele tempo o ilustre Senhor (Śiva), oculto sob o disfarce de um Kirāta, resplandecia—cercado por milhares de mulheres. E, ó descendente de Bharata, toda aquela região tornou-se extraordinariamente bela com o movimento e a presença daquele séquito.”

Verse 6

क्षणेन तद्‌ वनं सर्व नि:शब्दम भवत्‌ तदा । नाद: प्रस्रवणानां च पक्षिणां चाप्युपारमत्‌,एक ही क्षणमें वह सारा वन शब्दरहित हो गया। झरनों और पक्षियोंतककी आवाज बंद हो गयी

Vaiśampāyana disse: “Num só instante, toda a floresta caiu em completo silêncio. Cessou o murmúrio das fontes, e até o canto das aves parou—uma quietude funesta desceu sobre o lugar, como se a própria natureza tivesse sido tomada por súbito temor ou presságio.”

Verse 7

स संनिकर्षमागम्य पार्थस्याक्लिष्टकर्मण: । मूक नाम दनो: पुत्र ददर्शाद्भुतदर्शनम्‌

Vaiśampāyana disse: “Aproximando-se de Pārtha (Arjuna), cujos feitos não conhecem cansaço, Śaṅkara avistou o ser prodigioso e terrível—Mūka, filho de Danu. Tendo assumido a forma de um javali, ele tramava um meio de abater o radiante Arjuna.”

Verse 8

वाराहं रूपमास्थाय तर्कयन्तमिवार्जुनम्‌ । हन्तुं परं दीप्पमानं तमुवाचाथ फाल्गुन:

Vaiśampāyana disse: “Assumindo a forma de um javali, aquele ser ardia em energia feroz, como se tramasse como matar Arjuna. Então Phālguna (Arjuna) dirigiu-se a ele, enfrentando a ameaça de modo direto.”

Verse 9

गाण्डीवं धनुरादाय शरांश्वाशीविषोपमान्‌ | सज्यं धनुर्वरं कृत्वा ज्याघोषेण निनादयन्‌

Vaiśaṃpāyana disse: “Tomando o arco Gāṇḍīva e flechas terríveis como serpentes venenosas, Arjuna encordoou aquele excelente arco e, com o trovão da corda, fez ressoar os quatro quadrantes—sinal de que estava pronto para enfrentar o perigo com valor disciplinado, não com medo nem precipitação.”

Verse 10

यन्मां प्रार्थयसे हन्तुमनागसमिहागतम्‌ । तस्मात्‌ त्वां पूर्वमेवाहं नेताद्य यमसादनम्‌,“अरे! तू यहाँ आये हुए मुझ निरपराधको मारनेकी घातमें लगा है, इसीलिये मैं आज पहले ही तुझे यमलोक भेज दूँगा”

“Já que procuras matar-me — embora eu seja inocente e tenha vindo aqui sem hostilidade — por isso, neste mesmo dia, enviarei a ti primeiro à morada de Yama.”

Verse 11

दृष्टवा तं॑ प्रहरिष्यन्तं फाल्गुनं दृढ्धन्विनम्‌ । किरातरूपी सहसा वारयामास शड्कर:,सुदृढ़ धनुषवाले अर्जुनको प्रहारके लिये उद्यत देख किरातरूपधारी भगवान्‌ शंकरने उन्हें सहसा रोका

Vaiśampāyana disse: Vendo Phālguna (Arjuna), o arqueiro de arco firme, prestes a golpear, Śaṅkara—tendo assumido a forma de um Kirāta—conteve-o de súbito.

Verse 12

मयैष प्रार्थित: पूर्वमिन्द्रकीलसमप्रभ: । अनादृत्य च तद्‌ वाक्यं प्रजहाराथ फाल्गुन:

Ele disse: “Este javali, brilhante como o monte Indrakīla, eu já havia reclamado antes como meu alvo; portanto, não o mates.” Contudo, Phālguna (Arjuna), desprezando as palavras do Kirāta, desferiu-lhe o golpe mesmo assim.

Verse 13

किरातश्न सम॑ तस्मिन्नेकलक्ष्ये महाद्युति: । प्रमुमोचाशनिप्रख्यं शरमग्निशिखोपमम्‌,साथ ही महातेजस्वी किरातने भी उसी एकमात्र लक्ष्ययर बिजली और अग्निशिखाके समान तेजस्वी बाण छोड़ा

Vaiśampāyana disse: Então o radiante Kirāta, mirando o mesmo alvo único, disparou uma flecha—forte como um raio e brilhante como a crista de uma chama.

Verse 14

तौ मुक्तौ सायकौ ताभ्यां सम॑ तत्र निपेततुः । मूकस्य गात्रे विस्तीर्णे शैलसंहनने तदा,उन दोनोंके छोड़े हुए वे दोनों बाण एक ही साथ मूक दानवके पर्वत-सदृश विशाल शरीरमें लगे

Vaiśampāyana disse: As duas flechas disparadas por aqueles dois caíram ali no mesmo instante, cravando-se no corpo amplo do demônio Mūka—imenso e de compleição rochosa como uma montanha.

Verse 15

यथाशनेविंनिर्घोषो वज्रस्येव च पर्वते । तथा तयो: संनिपात: शरयोरभवत्‌ तदा,जैसे पर्वतपर बिजलीकी गड़गड़ाहट और वज्रपातका भयंकर शब्द होता है, उसी प्रकार उन दोनों बाणोंके आघातका शब्द हुआ

Vaiśampāyana disse: “Assim como o bramido do trovão e o golpe estrondoso do vajra ressoam sobre uma montanha, assim também, naquele momento, ergueu-se um som terrível do choque das flechas dos dois guerreiros.”

Verse 16

स विद्धो बहुभिर्बाणैर्दीप्तास्यै: पन्नगैरिव । ममार राक्षसं रूप॑ भूय: कृत्वा विभीषणम्‌

Vaiśampāyana disse: “Atingido por muitas flechas, como uma serpente de boca em brasa, o demônio—assumindo mais uma vez a terrível forma de rākṣasa—tombou e morreu.”

Verse 17

स ददर्श ततो जिष्णु: पुरुषं काउचनप्रभम्‌ । किरातवेषसंच्छन्नं सत्रीसहायममित्रहा

Então Jiṣṇu (Arjuna), o matador de inimigos, avistou um homem radiante, brilhando como ouro, que se ocultara sob o disfarce de um Kirāta (caçador das montanhas) e vinha acompanhado de mulheres. Ao ver aquela cena estranha na floresta solitária, Arjuna—com o coração satisfeito—falou como que sorrindo, perguntando quem era ele para vagar ali cercado por mulheres.

Verse 18

तमब्रवीत्‌ प्रीतमना: कौन्तेय: प्रहसन्निव । को भवानटते शून्ये वने स्त्रीगणसंवृत:

Então o filho de Kuntī, satisfeito e como que sorrindo, dirigiu-se a ele: “Quem és tu, que vagueias nesta floresta deserta, cercado por um grupo de mulheres?”

Verse 19

न त्वमस्मिन्‌ वने घोरे बिभेषि कनकप्रभ । किमर्थ च त्वया विद्धो वराहो मत्परिग्रह:

Vaiśampāyana disse: “Ó tu, de brilho dourado, não temes esta floresta terrível? E por que razão feriste aquele javali—que já era minha presa e estava sob minha reivindicação?”

Verse 20

मयाभिपन्नः पूर्व हि राक्षमो5यमिहागत: । कामात्‌ परिभवाद्‌ वापि न मे जीवन्‌ विमोक्ष्यसे

Vaiśampāyana disse: “Este rākṣasa veio aqui antes, e eu já o havia subjugado. Quer tenhas matado este javali por desejo, quer para me insultar, de todo modo não te deixarei partir com vida.”

Verse 21

न होष मृगयाधर्मो यस्त्वयाद्य कृतो मयि । तेन त्वां भ्रंशयिष्यामि जीवितात्‌ पर्वताश्रयम्‌

“Isto não é o dharma da caça, nem a conduta que hoje mostraste para comigo. Por essa ofensa, ainda que habites nas montanhas, eu te lançarei para fora da própria vida.”

Verse 22

इत्युक्त: पाण्डवेयेन किरात: प्रहसन्निव । उवाच श्लक्ष्णया वाचा पाण्डवं सव्यसाचिनम्‌

Vaiśampāyana disse: Assim interpelado pelo filho de Pāṇḍu, o Kirāta —sorrindo como quem se diverte— falou a Arjuna, o Pāṇḍava célebre como Savyasācin, com palavras suaves e bem medidas.

Verse 23

न मत्कृते त्वया वीर भी: कार्या वनमन्तिकात्‌ । इयं भूमि: सदास्माकमुचिता वसतां वने,“वीर! तुम हमारे लिये वनके निकट आनेके कारण भय न करो। हम तो वनवासी हैं, अतः हमारे लिये इस भूमिपर विचरना सदा उचित ही है

Vaiśampāyana disse: “Ó herói, não temas por nossa causa por teres vindo para perto da floresta. Somos habitantes dos bosques; para nós, mover-nos por esta terra é sempre próprio e natural.”

Verse 24

त्वया तु दुष्कर: कस्मादिह वास: प्ररोचित: । वयं तु बहुसत्त्वेडस्मिन्‌ निवसामस्तपोधन

Vaiśampāyana disse: “Mas por que escolheste aqui esta morada difícil? Ó tu, rico em austeridades, nós, por nossa parte, vivemos continuamente nesta floresta, apinhada de muitas espécies de seres vivos.”

Verse 25

भवांस्तु कृष्णवर्त्माभ: सुकुमार: सुखोचित: । कथं शून्यमिमं देशमेकाकी विचरिष्यति

Disse Vaiśampāyana: “Tu pareces radiante, como uma senda de luz de tonalidade escura, e teus membros parecem brilhar como se estivessem acesos pelo fogo. És delicado e pareces talhado para o conforto e a tranquilidade. Como vagarás sozinho por esta região deserta—e por que razão andas aqui sem companhia?”

Verse 26

अजुन उवाच गाण्डीवमाश्रयं कृत्वा नाराचां श्वाग्निसंनिभान्‌ । निवसामि महारण्ये द्वितीय इव पावकि:

Arjuna disse: “Tomando refúgio no arco Gāṇḍīva e confiando em flechas que ardem como o fogo da estrela do Cão, habito nesta vasta floresta—sem temor e formidável, como se fosse o próprio Fogo em duplicidade.”

Verse 27

एष चापि मया जसन्तुर्मगरूपं समाश्रित: । राक्षसो निहतो घोरो हन्तुं मामिह चागत:,यह प्राणी हिंसक पशुका रूप धारण करके मुझे ही मारनेके लिये यहाँ आया था, अतः इस भयंकर राक्षसको मैंने मार गिराया है

Arjuna disse: “Este terrível rākṣasa, de nome Jasantu, assumiu a forma de um crocodilo e veio até aqui com a intenção de me matar. Por isso eu o derrubei e o matei, esse ser pavoroso.”

Verse 28

किरयात उवाच मयैष धन्वनिर्मुक्तैस्ताडित: पूर्वमेव हि । बाणैरभिहत: शेते नीतश्न॒ यमसादनम्‌

O Kirāta disse: “De fato, eu já o havia atingido antes com flechas disparadas do meu arco. Ferido por minhas flechas, agora jaz imóvel—levado à morada de Yama.”

Verse 29

ममैष लक्ष्यभूतो हि मम पूर्वपरिग्रह: । ममैव च प्रहारेण जीविताद्‌ व्यपरोपित:

“Foi a este que primeiro marquei como meu alvo; portanto, o direito anterior sobre ele é meu. E foi pelo meu próprio golpe que ele foi privado da vida.”

Verse 30

दोषान्‌ स्वान्‌ नार्हसे<न्यस्मै वक्तुं स्‍्वबलदर्पित: । अवलिप्तो$सि मन्दात्मन्‌ न मे जीवन विमोक्ष्यसे

“Não tens o direito de lançar as tuas próprias faltas sobre outro, embriagado como estás pelo orgulho da tua força. És arrogante e de espírito mesquinho; por isso não escaparás de mim com vida, ó estúpido!”

Verse 31

स्थिरो भवस्व मोक्ष्यामि सायकानशनीनिव । घटस्व परया शक्‍्त्या मुज्च त्वमपि सायकान्‌

Disse o Kirāta: “Mantém-te firme. Lançarei flechas como raios. Esforça-te com todo o teu poder para vencer-me; tu também, solta os teus dardos contra mim.”

Verse 32

तस्य तद्‌ वचन श्रुत्वा किरातस्यार्जुनस्तदा । रोषमाहारयामास ताडयामास चेषुभि:,किरातकी वह बात सुनकर उस समय अर्जुनको बड़ा क्रोध हुआ। उन्होंने बाणोंसे उसपर प्रहार आरम्भ किया

Ao ouvir aquelas palavras do Kirāta, Arjuna inflamou-se de ira. Recolhendo a cólera no peito, começou a atingir o caçador com saraivadas de flechas.

Verse 33

ततो हृष्टेन मनसा प्रतिजग्राह सायकान्‌ | भूयो भूय इति प्राह मन्दमन्देत्युवाच ह

Então, com o coração jubiloso, ele recebeu as flechas. Repetidas vezes dizia: “Mais, mais”, e também continuava a dizer: “De leve, de leve”.

Verse 34

प्रहरस्व शरानेतान्‌ नाराचान्‌ मर्मभेदिन: । तब किरातने प्रसन्नचित्तसे अर्जुनके छोड़े हुए सभी बाणोंको पकड़ लिया और कहा --“ओ मूर्ख! और बाण मार और बाण मार

O Kirāta disse: “Ataca! Dispara estas flechas — estes nārācas que trespassam os pontos vitais.” Ao ouvir isso, Arjuna soltou de súbito uma chuva de flechas.

Verse 35

ततस्तौ तत्र संरब्धौ राजमानौ मुहुर्मुहुः । शरैराशीविषाकारैस्ततक्षाते परस्परम्‌,तदनन्तर वे दोनों क्रोधमें भरकर बारंबार सर्पाकार बाणोंद्वारा एक-दूसरेको घायल करने लगे। उस समय उन दोनोंकी बड़ी शोभा होने लगी

Então, ali no campo, os dois—incendiados de ira—refulgiam vez após vez com esplendor feroz, enquanto se feriam mutuamente com flechas em forma de serpentes venenosas. A cena exibia uma radiância sombria: bravura e cólera entrelaçadas, e cada ferida respondida por outra ferida.

Verse 36

ततोडअर्जुन: शरवर्ष किराते समवासृजत्‌ | तत्‌ प्रसन्नेन मनसा प्रतिजग्राह शड्कर:,तत्पश्चात्‌ अर्जुनने किरातपर बाणोंकी वर्षा प्रारम्भ की; परंतु भगवान्‌ शंकरने प्रसन्नचित्तसे उन सब बाणोंको ग्रहण कर लिया

Então Arjuna desencadeou sobre o Kirāta uma densa chuva de flechas. Śaṅkara (Śiva), porém, com ânimo sereno e satisfeito, recebeu-as todas—mostrando que o Senhor não é vencido pela força, e que o valor do devoto é, por fim, provado e guiado pela graça divina mais do que pela mera agressão.

Verse 37

मुहूर्त शरवर्ष तत्‌ प्रतिगृह्ा पिनाकधृक्‌ । अक्षतेन शरीरेण तस्थौ गिरिरिवाचल:

Por um breve momento, o portador de Pināka absorveu em si toda aquela chuva de flechas. Com o corpo inteiramente ileso, permaneceu imóvel—firme como uma montanha—exibindo uma compostura invencível e um domínio soberano em meio à violência.

Verse 38

स दृष्टवा बाणवर्ष तु मोघीभूतं धनंजय: । परम विस्मयं चक्रे साधु साध्विति चाब्रवीत्‌,अपनी की हुई सारी बाण-वर्षा व्यर्थ हुई देख धनंजयको बड़ा आश्चर्य हुआ। वे किरातको साधुवाद देने लगे और बोले--

Ao ver que sua chuva de flechas se tornara inútil, Dhanañjaya (Arjuna) foi tomado de profundo assombro. Elogiou o Kirāta e repetiu: “Muito bem! Muito bem!”—reconhecendo a destreza superior do outro e a retidão de honrar a excelência mesmo no confronto.

Verse 39

अहो<यं सुकुमाराज़ो हिमवच्छिखराश्रय: । गाण्डीवमुक्तान्‌ नाराचान प्रतिगृह्नात्यविह्लल:

“Ah! Este Kirāta, que habita os picos do Himālaya, embora seu corpo pareça delicado, apanha sem vacilar as flechas agudas disparadas do Gāṇḍīva, sem a menor perturbação.”

Verse 40

को<यं देवो भवेत्‌ साक्षाद्‌ रुद्रो यक्ष: सुरोडसुर: । विद्यते हि गिरिश्रेष्ठे त्रिदशानां समागम:

Disse o Kirāta: “Quem é este ser? Poderia ser o próprio Senhor Rudra em pessoa—talvez um Yakṣa, um deus, ou até um Asura? Pois nesta montanha, a mais excelsa, há de fato frequente reunião e passagem dos trinta e três deuses.”

Verse 41

न हि मद्बाणजालानामुत्सृष्टानां सहस्रश: । शक्तो<न्य: सहितुं वेगमृते देवं पिनाकिनम्‌,“मैंने सहस्नों बार जिन बाण-समूहोंकी वृष्टि की है, उनका वेग पिनाकधारी भगवान्‌ शंकरके सिवा दूसरा कोई नहीं सह सकता

“De fato, das incontáveis saraivadas de flechas que lancei repetidas vezes, ninguém tem poder para suportar o seu ímpeto—ninguém, exceto o divino Senhor que porta o Pināka (Śiva).”

Verse 42

देवो वा यदि वा यक्षो रुद्रादन्यो व्यवस्थित: । अहमेनं शरैस्तीक्ष्णैनयामि यमसादनम्‌,“यदि यह रुद्रदेवसे भिन्न व्यक्ति है तो यह देवता हो या यक्ष--मैं इसे तीखे बाणोंसे मारकर अभी यमलोक भेजता हूँ

“Se ele for alguém que não Rudra—seja deus ou yakṣa—eu o abaterei com flechas agudas e o enviarei de pronto à morada de Yama.”

Verse 43

ततो हृष्टमना जिष्णु्नाराचान्‌ मर्मभेदिन: । व्यसृजच्छतथा राजन्‌ मयूखानिव भास्कर:

Então Arjuna, com o ânimo elevado por alegria e firme propósito—ó Rei—disparou flechas nārāca que trespassavam pontos vitais, assim como o Sol espalha seus raios em incontáveis feixes.

Verse 44

तान्‌ प्रसन्नेन मनसा भगवॉल्लोकभावन: । शूलपाणि: प्रत्यगृह्नाच्छिलावर्षमिवाचल:

Mas, com mente serena e graciosa, o Senhor Bem-aventurado—benfeitor dos mundos—Śūlapāṇi, o portador do tridente, recebeu e absorveu aqueles projéteis sem perturbação, como uma montanha acolhe uma chuva de pedras.

Verse 45

क्षणेन क्षीणबाणो<थ संवृत्त: फाल्गुनस्तदा | भीश्वैनमाविशत्‌ तीव्रा तं दृष्टवा शरसंक्षयम्‌

Num só instante, Phālguna (Arjuna) viu esgotar-se o seu estoque de flechas. Ao perceber essa súbita falta de projéteis, um medo cortante apoderou-se dele — um abalo interior diante da perspectiva de ficar sem armas em meio ao perigo.

Verse 46

चिन्तयामास जिष्णुस्तु भगवन्तं हुताशनम्‌ । पुरस्तादक्षयौ दत्तौ तूणौ येनास्थ खाण्डवे

Então Jiṣṇu (Arjuna) recordou o bem-aventurado deus do Fogo, Agni, que outrora lhe aparecera na floresta de Khāṇḍava e lhe concedera duas aljavas inesgotáveis. Essa lembrança ressalta gratidão e reverência pela ajuda divina recebida no passado e enquadra a determinação presente de Arjuna como dever amparado por dádiva sagrada, não por mera proeza pessoal.

Verse 47

कि नु मोक्ष्यामि धनुषा यन्मे बाणा: क्षयं गता: । अयं च पुरुष: को5पि बाणान्‌ ग्रसति सर्वश:

Disse o Kīrāta: “Que poderei eu agora disparar do meu arco, se as minhas flechas se esgotaram? E este homem—seja quem for—parece engolir todas as minhas flechas por inteiro.” (No contexto, o caçador, frustrado pela inutilidade do ataque, desvia-se do combate de projéteis para uma intenção mais áspera de curta distância, revelando como a ira e o orgulho podem levar de uma disputa medida a uma resolução destrutiva.)

Verse 48

हत्वा चैनं धनुष्कोट्या शूलाग्रेणेव कुज्जरम्‌ । नयामि दण्डधारस्य यमस्य सदन प्रति

Disse o Kīrāta: “Tendo-o golpeado e morto com a ponta do meu arco—como um elefante ferido pela ponta de uma lança—eu o enviarei à morada de Yama, o portador do bastão.” A fala transmite a feroz determinação do caçador de encerrar o encontro de modo decisivo, enquadrando a morte como consequência sob a autoridade de Yama, e não como simples vingança pessoal.

Verse 49

प्रगृह्या थ धनुष्कोट्या ज्यापाशेनावकृष्य च | मुष्टिभिश्चापि हतवान्‌ वज्रकल्पैर्महाद्युति:

Com tal intento, o herói radiante agarrou-o pela ponta do arco e, com a corda como um laço, puxou-o para perto; então começou a golpeá-lo com punhos duros como trovões. A cena ressalta a determinação feroz e a perícia disciplinada de Arjuna no combate, ao mesmo tempo que testa a fronteira entre a força justa e a ira descontrolada.

Verse 50

सम्प्रयुद्धों धनुष्कोट्या कौन्तेय: परवीरहा । तदप्यस्य धर्नुर्दिव्यं जग्राह गिरिगोचर:

No combate corpo a corpo, Arjuna—filho de Kuntī, célebre por abater os campeões inimigos—golpeou com a própria ponta do arco. Contudo, o Kirāta, errante das montanhas, apoderou-se até do arco divino de Arjuna, como se o absorvesse em sua mão.

Verse 51

ततोड्डर्जुनो ग्रस्तधनु: खड्गपाणिरतिष्ठत । युद्धस्यान्तम भी प्सन्‌ वै वेगेनाभिजगाम तम्‌

Então Arjuna, tendo o arco sido-lhe tomado, manteve-se firme com a espada na mão. Desejando pôr termo ao combate, arremeteu contra ele com ímpeto veloz, decidido a concluir o encontro.

Verse 52

तस्य मूर्थ्नि शितं खड्गमसक्तं पर्वतेष्वपि | मुमोच भुजवीर्येण विक्रम्प कुरुनन्दन:

O príncipe dos Kuru, Arjuna, reunindo toda a força dos braços, avançou e desferiu sobre a cabeça do Kirāta o golpe de sua espada afiada—uma lâmina tão cortante que não perderia o fio nem contra montanhas.

Verse 53

तस्य मूर्धानमासाद्य पफालासिवरो हि सः । ततो वृक्ष: शिलाभिश्न योधयामास फाल्गुन:,परंतु उसके मस्तकसे टकराते ही वह उत्तम तलवार टूक-टूक हो गयी। तब अर्जुनने वृक्षों और शिलाओंसे युद्ध करना आरम्भ किया

Mas, ao atingir-lhe a cabeça, aquela excelente espada estilhaçou-se em pedaços. Então Arjuna (Phālguna), sem se abalar, continuou a lutar, arremessando árvores e rochedos.

Verse 54

तदा वृक्षान्‌ महाकाय: प्रत्यगृह्नादथो शिला: । किरातरूपी भगवांस्तत: पार्थो महाबल:

Então aquele ser de corpo enorme e grande poder apanhou também as árvores e as rochas. O Senhor Bem-aventurado, assumindo a forma de um Kirāta (caçador das montanhas), tomou-as todas; ao ver isso, Pārtha (Arjuna), de braços poderosos, dominado pela ira, começou a golpear o Senhor Śiva nessa temível aparência de Kirāta com punhos pesados como maças. Naquele momento, parecia sair fumaça do rosto de Arjuna, tamanha era a fúria.

Verse 55

मुष्टिभि्वज्ञसंकाशैर्धूममुत्पादयन्‌ मुखे । प्रजहार दुराधर्षे किरातसमरूपिणि

Arjuna, o poderoso filho de Kuntī, ao ver que até árvores e rochedos haviam sido tomados por Ele e tornados inúteis, lançou-se contra o Senhor invencível que assumira a forma de um Kirāta, caçador das montanhas. Com punhos como raios, e com fumaça a erguer-se de sua boca no calor da ira, Arjuna golpeou sem recuar, provando não apenas a força, mas a disciplina e a firmeza que sustentam o poder justo.

Verse 56

ततः शक्राशनिसमैर्मुष्टिभिर्भुशदारुणै: । किरातरूपी भगवानर्दयामास फाल्गुनम्‌,तदनन्तर किरातरूपी भगवान्‌ शिव भी अत्यन्त दारुण और इन्द्रके वज़के समान दुःसह मुक्कोंसे मारकर अर्जुनको पीड़ा देने लगे

Então o Senhor Bem-aventurado, na forma de Kirāta, começou a golpear Phālguna (Arjuna) com punhos terríveis, pesados e insuportáveis, como o vajra de Indra. Nessa prova feroz, Arjuna foi levado a suportar dor e humilhação para que seu orgulho fosse quebrado e para que sua dignidade de receber a graça divina e armas mais elevadas fosse testada e refinada.

Verse 57

ततश्नट्चटाशब्द: सुघोर: समपद्यत । पाण्डवस्य च मुष्टीनां किरातस्य च युध्यत:

Então, quando o Pāṇḍava (Arjuna) e o Kirāta (Śiva em forma de caçador) lutaram corpo a corpo, ergueu-se um terrível som de “chat-chat” do impacto de seus punhos cerrados golpeando os corpos um do outro—sinal da intensidade do confronto e da prova da firmeza do herói.

Verse 58

सुमुहूर्त तु तद्‌ युद्धमभभवल्लोमहर्षणम्‌ | भुजप्रहारसंयुक्तं वृत्रवासवयोरिव,वृत्रासुर और इन्द्रके समान उन दोनोंका वह रोमांचकारी बाहुयुद्ध दो घड़ीतक चलता रहा

Por um breve momento, aquele combate tornou-se arrebatador e de arrepiar—uma troca de golpes poderosos com os braços—semelhante à célebre luta entre Vṛtra e Vāsava (Indra). A comparação realça a intensidade do valor e da resistência no corpo a corpo e evoca, pelo mito, a escala e o peso moral que as batalhas épicas podem sugerir.

Verse 59

जघानाथ ततो जिष्णु: किरातमुरसा बली । पाण्डवं च विचेष्ट॑ तं किरातो5प्यहनद्‌ बली

Então o poderoso Jiṣṇu (Arjuna) golpeou o Kirāta com força no peito. E o Kirāta, igualmente poderoso, revidou, atingindo aquele Pāṇḍava que se esforçava em mover-se e contra-atacar—assim o duelo se intensificou, força encontrando força, em firme determinação.

Verse 60

तयोर्भुजविनिष्पेषात्‌ संघर्षणोरसोस्तथा । समजायत गात्रेषु पावको5ड्रारधूमवान्‌,उन दोनोंकी भुजाओंके टकराने और वक्षःस्थलोंके संघर्षसे उनके अंगोंमें धूम और चिनगारियोंके साथ आग प्रकट हो जाती थी

Do impacto esmagador de seus braços e do atrito do choque de seus peitos, parecia irromper um fogo sobre seus corpos—acompanhado de fumaça e brasas incandescentes—tão feroz era a força do combate.

Verse 61

तत एनं महादेव: पीड्य गात्रै: सुपीडितम्‌ । तेजसा व्यक्रमद्‌ रोषाच्चेतस्तस्य विमोहयन्‌

Então Mahādeva o pressionou com os próprios membros, esmagando-o duramente. Com energia fulgurante e ira feroz, toldou a mente de Arjuna num torpor quase desfalecido, e o grande deus exibiu seu poder.

Verse 62

ततो<5भिपीडितैगरत्रि: पिण्डीकृत इवाबभौ । फाल्गुनो गात्रसंरुद्धो देवदेवेन भारत,भारत! तदनन्तर देवाधिदेव महादेवजीके अंगोंसे अवरुद्ध हो अर्जुन अपने पीड़ित अवयवोंके साथ मिट्टीके लोंदे-से दिखायी देने लगे

Então Phālguna (Arjuna), com os membros dolorosamente comprimidos e contidos, pareceu como se tivesse sido compactado num só bloco. Seu corpo estava preso pelo Senhor dos deuses, Mahādeva, ó Bhārata.

Verse 63

निरुच्छवासो5 भवच्चैव संनिरुद्धों महात्मना । पपात भूम्यां निश्चेष्टो गतसत्त्व इवाभवत्‌

Tão completamente contido por aquele grande-souled, ficou sem fôlego. Caiu ao chão, imóvel, como se sua força vital o tivesse abandonado.

Verse 64

स मुहूर्त तथा भूत्वा सचेता: पुनरुत्थितः । रुधिरेणाप्लुताड़स्तु पाण्डवो भृशदु:खित:

Depois de ficar por um breve tempo naquela condição, Arjuna recobrou a consciência e se ergueu. Então todo o corpo do Pāṇḍava estava encharcado de sangue, e uma dor intensa o dominou.

Verse 65

शरण्यं शरणं गत्वा भगवन्तं पिनाकिनम्‌ | मृण्मयं स्थण्डिलं कृत्वा माल्येनापूजयद्‌ भवम्‌

Buscando refúgio no verdadeiro Refúgio, ele se aproximou do bem-aventurado Pinākin (Śiva). Moldando um simples altar de terra, venerou Bhava com uma guirlanda—mostrando que a devoção sincera e as oferendas humildes, feitas em espírito de entrega, são aceitas pelo Senhor compassivo que protege os que nele se abrigam.

Verse 66

तच्च माल्यं तदा पार्थ: किरातशिरसि स्थितम्‌ | अपश्यत्‌ पाण्डवश्रेष्ठो हर्षेण प्रकृतिं गत:

Então Pārtha (Arjuna) viu aquela mesma guirlanda—antes oferecida a Śiva—repousando sobre a cabeça do Kirāta. Ao vê-la, o melhor dos Pāṇḍavas encheu-se de alegria e recuperou a compostura, reconhecendo o sinal divino por trás do disfarce do caçador.

Verse 67

पपात पादयोस्तस्य ततः प्रीतो5भवद्‌ भव: । उवाच चैनं वचसा मेघगम्भीरगीर्हर: । जातविस्मयमालोक्य तप:ःक्षीणाड्रसंहतिम्‌

Ele caiu aos seus pés; então Bhava (Śiva) se agradou. E Hara, cuja voz era profunda como nuvens de trovão, dirigiu-lhe palavras—ao vê-lo tomado de assombro e com o corpo gasto e emagrecido pela austeridade.

Verse 68

भव उवाच भो भो: फाल्गुन तुष्टोडस्मि कर्मणाप्रतिमेन ते । शौर्येणानेन धृत्या च क्षत्रियो नास्ति ते सम:

Bhava (Śiva) disse: “Ó Phālguna, estou grandemente satisfeito com este teu feito sem igual. Por tal valor e firme coragem, não há kṣatriya que te seja semelhante.”

Verse 69

सम॑ तेजश्न वीर्य च ममाद्य तव चानघ । प्रीतस्तेडहं महाबाहो पश्य मां भरतर्षभ,अनघ! तुम्हारा तेज और पराक्रम आज मेरे समान सिद्ध हुआ है। महाबाहु भरतश्रेष्ठ! मैं तुमपर बहुत प्रसन्न हूँ। मेरी ओर देखो

Bhava disse: “Ó irrepreensível, hoje o teu esplendor e o teu valor tornaram-se iguais aos meus. Ó de braços poderosos, touro entre os Bhāratas, estou grandemente satisfeito contigo—olha para mim.”

Verse 70

ददामि ते विशालाक्ष चक्षु: पूर्वऋषिर्भवान्‌ । विजेष्यसि रणे शत्रूनपि सर्वान्‌ दिवौकस:

Bhava disse: “Ó tu de olhos largos, concedo-te a visão divina. Na verdade, és o antigo sábio conhecido como Nara. Na batalha, vencerás os teus inimigos — ainda que sejam todos os habitantes do céu.”

Verse 71

प्रीत्या च ते5हं दास्यामि यदस्त्रमनिवारितम्‌ । त्वं हि शक्तो मदीयं तदस्त्रं धारयितुं क्षणात्‌

Movido pelo meu afeto por ti, conceder-te-ei essa arma irresistível. Pois és capaz—sim, num instante—de suportar e manejar essa arma que é minha. Este dom não é apenas poder, mas uma confiança depositada: só quem provou disciplina e merecimento pode receber aquilo que, uma vez lançado, já não pode ser detido.

Verse 72

वैशम्पायन उवाच ततो देव महादेवं गिरिशं शूलपाणिनम्‌ | ददर्श फाल्गुनस्तत्र सह देव्या महाद्युतिम्‌,वैशम्पायनजी कहते हैं-जनमेजय! तदनन्तर अर्जुनने शूलपाणि महातेजस्वी महादेवजीका देवी पार्वती-सहित दर्शन किया

Vaiśampāyana disse: Então Arjuna (Phālguna) viu ali o grande deus Mahādeva—senhor das montanhas, portador do tridente—resplandecente de imenso esplendor, junto com a Deusa (Pārvatī). A cena enquadra a busca de Arjuna como fundada em reverência e devoção disciplinada: o poder divino não se aborda pela força nem por pretensão, mas pela humildade e pela reta conduta; e a visão assinala a legitimidade moral do seu intento.

Verse 73

स जानुभ्यां महीं गत्वा शिरसा प्रणिपत्य च । प्रसादयामास हरं पार्थ: परपुरंजय:,शत्रुओंकी राजधानीपर विजय पानेवाले कुन्तीकुमारने उनके आगे पृथ्वीपर घुटने टेक दिये और सिरसे प्रणाम करके शिवजीको प्रसन्न किया

Então Pārtha—renomado como conquistador de fortalezas inimigas—ajoelhou-se na terra e, inclinando a cabeça em plena prostração, buscou alcançar a graça de Hara (Śiva). A cena ressalta que até o mais poderoso dos guerreiros se volta à humildade e à devoção disciplinada quando procura um poder justo e a sanção divina.

Verse 74

अजुन उवाच कपर्दिन्‌ सर्वदेवेश भगनेत्रनिपातन । देवदेव महादेव नीलग्रीव जटाधर

Arjuna disse: “Ó Kāpardin, senhor de todos os deuses, tu que derrubaste o olho de Bhaga! Ó deus dos deuses, Grande Deus—de garganta azul, portador das madeixas emaranhadas—” Assim Arjuna iniciou sua reverente súplica, louvando os feitos assombrosos e a majestade ascética de Śiva, antes de pedir auxílio divino.

Verse 75

कारणानां च परम॑ जाने त्वां त्रयम्बकं विभुम्‌ | देवानां च गतिं देव त्वत्प्रसूतमिदं जगत्‌

Ó Senhor! Sei que Tu és a causa suprema entre todas as causas—Tryambaka, o de três olhos, o Onipenetrante. És o amparo de todos os deuses. Ó Deva, ó Prabhu! Deste universo inteiro, Tu és a origem.

Verse 76

अजेयस्त्वं त्रिभिलोंकै: सदेवासुरमानुषै: । शिवाय विष्णुरूपाय विष्णवे शिवरूपिणे

Tu és inconquistável—nem mesmo os três mundos, com deuses, asuras e humanos, podem derrotar-te. Reverência a ti, que és Śiva na forma de Viṣṇu e Viṣṇu na forma de Śiva.

Verse 77

दक्षयज्ञविनाशाय हरिरुद्राय वै नमः । ललाटाक्षाय शर्वाय मीढुषे शूलपाणये

Saudações, de fato, a Hari-Rudra, que levou à destruição do sacrifício de Dakṣa. Homenagem ao Senhor cujo terceiro olho brilha na fronte; a Śarva, o dissolvedor dos mundos; a Mīḍhuṣa, que faz chover as dádivas desejadas pelos devotos; e ao portador do tridente.

Verse 78

पिनाकगोपष्जरे सूर्याय मंगल्याय च वेधसे । प्रसादये त्वां भगवन्‌ सर्वभूतमहेश्वर

Saudações a ti—guardião do Pināka, radiante como o Sol, fonte de auspício e Ordenador do cosmos. Ó Bhagavān, Grande Senhor de todos os seres, busco agradar-te e alcançar a tua graça.

Verse 79

गणेशं जगत: शम्भुं लोककारणकारणम्‌ | प्रधानपुरुषातीतं परं सूक्ष्मतरं हरम्‌

Eu me inclino diante de Śambhu, Senhor de todos os seres, benfazejo regente do universo—Ele é a causa até mesmo das causas do mundo. Transcendendo Prakṛti e Puruṣa, Ele é o Supremo, mais sutil que o mais sutil, e o removedor dos pecados dos devotos.

Verse 80

व्यतिक्रमं मे भगवन्‌ क्षन्तुमहसि शंकर । भगवन्‌ दर्शनाकाडुक्षी प्राप्तोडस्मीम॑ं महागिरिम्‌,कल्याणकारी भगवन्‌! मेरा अपराध क्षमा कीजिये। भगवन्‌! मैं आपहीके दर्शनकी इच्छा लेकर इस महान्‌ पर्वतपर आया हूँ

Arjuna disse: “Ó Senhor bem-aventurado Śaṅkara, perdoa a minha transgressão. Ó Senhor, ansiando pela tua visão divina, vim a esta grande montanha.”

Verse 81

दयितं तव देवेश तापसालयमुत्तमम्‌ | प्रसादये त्वां भगवन्‌ सर्वलोकनमस्कृतम्‌

“Ó Senhor dos deuses, este cume é o mais excelente eremitério dos ascetas e também a tua morada querida. Senhor, o mundo inteiro se prostra aos teus pés. Suplico-te que te agrades de mim.”

Verse 82

न मे स्थादपराधो5यं महादेवातिसाहसात्‌ | कृतो मयायमज्ञानाद विमर्दो यस्त्वया सह | शरणं प्रतिपन्नाय तत्‌ क्षमस्वाद्य शंकर

Arjuna disse: “Que isto não permaneça como ofensa da minha parte — esta temerária ousadia diante de Mahādeva. Por ignorância causei este confronto contigo. Agora que vim buscar refúgio, perdoa-o hoje, ó Śaṅkara.”

Verse 83

महादेव! अत्यन्त साहसवश मैंने जो आपके साथ यह युद्ध किया है, इसमें मेरा अपराध नहीं है। यह अनजानमें मुझसे बन गया है। शंकर! मैं अब आपकी शरणमें आया हूँ। आप मेरी उस धृष्टताको क्षमा करें ।।

Arjuna disse: “Mahādeva! Por excesso de ousadia lutei contigo; não é culpa minha, pois isso ocorreu sem intenção, por ignorância. Ó Śaṅkara, agora venho buscar refúgio; perdoa a minha insolência.” Vaiśampāyana disse: “Ó Janamejaya, então o Senhor de grande esplendor—Śiva, cujo estandarte traz o touro—sorriu e, tomando o belo braço de Arjuna, disse a Phālguna: ‘Eu já te perdoei.’”

Verse 84

परिष्वज्य च बाहुभ्यां प्रीतात्मा भगवान्‌ हर: । पुन: पार्थ सान्त्वपूर्वमुवाच वृषभध्वज:

Então o Bem-aventurado Hara (Rudra), de coração jubiloso, abraçou Arjuna com ambos os braços e apertou-o contra o peito. E o Senhor do estandarte do touro voltou a falar ao filho de Kuntī com palavras de consolo.

Frequently Asked Questions

The chapter implicitly balances the pursuit of extraordinary martial capability with the requirement of ethical legitimacy: power is sought for a defined duty-bound objective, yet must be acquired through restraint and divine sanction rather than personal ambition.

The text presents disciplined perseverance and diminishing attachment as prerequisites for higher capability: resolve is demonstrated through graduated self-limitation, indicating that inner governance precedes effective outer action.

No explicit phalaśruti formula appears here; instead, the chapter provides meta-validation through Śiva’s statement that he knows Arjuna’s intention and will grant the desired end, functioning as narrative authorization for the spiritual efficacy of the tapas.

Read Mahabharata in the Vedapath app

Scan the QR code to open this directly in the app, with audio, word-by-word meanings, and more.

Continue reading in the Vedapath app

Open in App