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Indra-stuti como liturgia de prosperidade e proteção: Indra, exaltado pelo soma, é invocado como o vencedor irresistível que concede vāja (êxito premiado), riqueza e segurança ao grupo que o invoca. O soma aparece como energizador do poder divino e da eficácia ritual; o vāja e a vitória em competições (raṇe, samarye) são afirmados como objetivo religioso; a soberania régia e a força «rompedora de fortalezas» (purandara) servem como imagem protetora; stoma/uktha/gīr são concebidos como forças «lançadas» que constrangem a divindade a conceder dádivas e proteção.
AV 20.51 é uma breve Indra-stuti em triṣṭubh de proveniência ṛgvedica que ativa a prosperidade por meio do louvor: o próprio stotra é tratado como o instrumento operante que atrai para os cantores e os prensadores de Soma os «belos dons» de Indra. Indra é retratado como Maghavan, que recompensa os panegiristas como que «mil vezes», e como o protetor irresistível cujas armas e força se avolumam entre patronos generosos quando o Soma o alegrou.
AV 20.52 é um curto hino a Indra em triṣṭubh, de proveniência rigvédica da liturgia do Soma, centrado em firmar a presença concreta de Indra junto ao escoamento da Soma filtrada, onde os cantores se sentam em assistência ordenada. Ele convoca o Vṛtrahan a vir «para casa» ao rito, beber o Soma prensado e conceder rápido prêmio de vitória e riqueza em gado, ligando o correto arranjo ritual (barhis, pavitra, círculo dos stotṛ) à prosperidade e à proteção.
Este breve hino em triṣṭubh invoca Indra, exaltado pelo Soma, como o poder irresistível que fende fortalezas, impossível de ser contido ou retardado uma vez chamado. Ao recordar a prontidão bélica de Indra e o seu vagar imparável durante a prensagem do Soma, o sukta funciona como modelo de quebra de obstáculos: a mesma força que despedaça «fortalezas» é redirecionada para romper impedimentos ao êxito, à proteção e à vitória do recitador.
AV 20.54 é uma indra-stuti concisa de proveniência rigvédica que forja a presença de Indra como o rei conquistador paradigmático—nascido para a soberania e a vitória em todas as disputas. Por meio do louvor coletivo e do paradigma do Soma, ela «faz Indra ressoar», garantindo que o hino alcance o seu ouvido e retorne ao patrono como ojas (vigor, força), samūti (auxílio reunido) e domínio sobre forças hostis.
AV 20.55 é um curto stotra a Indra derivado do Ṛgveda, empregado no Atharvaveda com intenção paustika (de prosperidade): ele invoca repetidamente Indra, o Vajrin, como protetor irresistível que torna auspiciosos todos os caminhos para riqueza e êxito. O hino pede a Indra que transfira as «ajudas brilhantes como o céu» para longe dos poderes hostis (Asuras/Paṇis) e para o sacrificante que o louva e seus aliados rituais, e que estabeleça no patrono — e não no entesourador — uma parte imperecível de gado, cavalos e quinhão.
AV 20.56 é uma reutilização yajñika de material rigvédico de louvor a Indra, destinada a exaltar Indra com soma prensado e, assim, fazer descer para o sacrificante força, proteção, riqueza em gado e abundância de bens valiosos. O hino apresenta repetidamente Indra como aquele que amplia até recursos escassos em fartura, exortando-o a «agarrar» as riquezas com ambas as mãos e trazê-las para perto do patrono ritual.
AV 20.57 é um hino a Indra extraído de material recensional do Ṛgveda, reaproveitado no contexto atharvavédico como recitação de proteção e de prosperidade. Ele chama Indra de perto e de longe para ficar diante do sacrificante, manter o mal por trás e colocar o auspicioso à frente, ao mesmo tempo em que insiste em ganho rápido, rico em gado, e em vitória.
AV 20.58 é um breve hino de louvor, derivado do Rigveda, que liga a prosperidade e a estabilidade social ao poder visível, portador da verdade, da ordem solar e à soberania benfazeja de Indra. A riqueza e as dádivas são apresentadas como «partilhas/quotas» (bhāga) devidamente distribuídas sob supervisão divina; ao mesmo tempo, afirma-se a grandeza avassaladora (mahimā) de Sūrya/Āditya como força apotropaica que dissipa a fraqueza, a obscuridade e a hostilidade.
Este breve hino atharvavédico derivado do Rigveda «lança» o louvor como força atuante: stomas doces e velozes erguem-se como carros para conquistar o prêmio de riqueza e vitória. Em seguida, o êxito é colocado sob a proteção de Indra: garante-se a parte legítima do vencedor, frustram-se rivais hostis e, na ação sacrificial, estabelece-se um mantra ininterrupto e bem assentado, pelo qual os obstáculos são transpostos.
Este breve hino a Indra afirma, pela repetição de «eva hi» («assim é, de fato»), a natureza heroica constante de Indra — vitoriosa, firme e realizadora do propósito. Ao louvar Indra como doador confiável, cuja «sūnṛtā» (fala veraz e benfazeja / favor) amadurece para o doador como um ramo maduro, o hino visa tornar as intenções do patrono «rādhya» (certamente alcançáveis) em força, riqueza e sucesso.
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