
Vastrapatha Kshetra Mahatmya
This section situates its māhātmya within the Prabhāsa sacred zone, focusing on the kṣetra called Vastrāpatha. The site is presented as a pilgrimage node (tīrtha-complex) where darśana of Bhava/Śiva is framed as exceptionally potent, and where ancillary rites—such as dāna (gifting), feeding of brāhmaṇas, and piṇḍadāna (memorial offerings)—are integrated into the devotional economy of the landscape.
19 chapters to explore.

दामोदरतीर्थ-रैवतकक्षेत्रमाहात्म्यम् (Damodara Tīrtha and Raivataka-Kṣetra Māhātmya)
O Capítulo 1 inicia com Īśvara descrevendo o “kṣetra-garbha” (a santidade interior) de Vastrāpatha, identificando Raivataka-giri, o rio Suvarṇarevā e kuṇḍas que geram mérito, sobretudo Mṛgīkuṇḍa, onde o śrāddha concede satisfação intensificada aos ancestrais. Devī pede maiores detalhes, e Īśvara apresenta uma história antiga: numa região sagrada à margem do Gaṅgā, o rei Gaja e sua esposa Saṅgatā buscam purificação e culto. Bhadrarṣi chega com outros ascetas, e o rei pergunta como alcançar um céu “akṣaya” (imperecível) por meio do tempo, do lugar e do rito corretos. Bhadrarṣi transmite uma tradição de Nārada que lista méritos mensais em tīrthas famosos, culminando na afirmação de que nenhum tīrtha se iguala a Damodara. O mês de Kārttika—especialmente Dvādaśī e o período de Bhīṣmapañcaka—produz resultados extraordinários pelo banho nas águas de Damodara. O capítulo então delineia a geografia de Vastrāpatha perto de Somnātha e Raivataka, descrevendo solo mineralizado, flora e fauna sagradas e o motivo de libertação pelo contato. Cataloga doadores exemplares e atos rituais—ofertas de folha/flor/água, alimentação, doação de lâmpadas, construção de templos, instalação de estandartes—com phalaśruti graduada. Integra ainda uma ética devocional dupla: adorar Hari (Damodara) e Bhava (Śiva) conduz igualmente a moradas excelsas. Por fim, narra-se a peregrinação de Kārttika do rei Gaja, seus muitos yajñas e austeridades com praticantes diversos, a chegada de vimānas celestes e sua ascensão. A phalaśruti conclusiva promete purificação e a realização suprema aos que recitam ou escutam este capítulo.

Vastrāpathakṣetre Bhavadarśana–Yātrāphala (वस्त्रापथक्षेत्रे भवदर्शन–यात्राफल)
Este capítulo traz uma instrução breve, teológico-topográfica, em que Īśvara orienta Mahādevī a respeito do kṣetra chamado Vastrāpatha, em Prabhāsa. Afirma-se ali Bhava/Śiva como o Senhor primordial, criador e destruidor direto, que permanece nesse lugar como presença auto-manifestada. O texto enumera as práticas de peregrinação e seus frutos: realizar a yātrā mesmo uma única vez, banhar-se nos tīrtha locais e prestar culto conforme o rito concede completude ritual e mérito pleno. O darśana de Bhava é comparado aos frutos de sítios célebres como Vārāṇasī, Kurukṣetra e o rio Narmadā, declarando eficácia mais rápida e elevada. Indica-se também a sacralidade do tempo: o darśana nos meses de Caitra e Vaiśākha é ligado à libertação do renascimento. Acrescentam-se observâncias ético-rituais—go-dāna (doação de vacas), alimentar brāhmaṇas e realizar piṇḍadāna—como atos duradouros que asseguram a satisfação dos ancestrais. Ao final, em tom de phalaśruti, afirma-se que ouvir este māhātmya mitiga o pecado e concede resultados semelhantes aos de grandes sacrifícios.

Vastrāpathakṣetre Tīrtha-Saṅgrahaḥ (Catalogue of Tīrthas in Vastrāpatha)
Este adhyāya apresenta uma enumeração concisa e autorizada, proferida na voz de Īśvara. Inicia reconhecendo a superabundância de tīrthas em Vastrāpatha (“por koṭis”) e estabelece um princípio editorial: o orador declarará o “sāra” (a essência), como um mapa destilado dos locais mais significativos. Identifica-se o rio Dāmodarā, também lembrado como Suvarṇarekhā, e situa-se o Brahmakuṇḍa junto ao santuário de Brahmeśvara. Em seguida, listam-se outros centros śaivas—Kālamēgha, Bhava/Dāmodara, Kālikā (a dois gavyūtis de distância), Indreśvara, e as montanhas Raivata e Ujjayanta—seguindo-se Kumbhīśvara e Bhīmeśvara. A extensão do kṣetra é quantificada em cinco gavyūtis, e Mṛgīkuṇḍa é destacado por sua função de destruir pecados. O verso final enquadra o relato como um resumo deliberado e observa a associação da região com depósitos de minerais e ratnas (gemas), unindo a topografia sagrada à topografia dos recursos em registro de caráter arquivístico.

Dunnāvilla–Pātāla-vivara and the Sixteen Siddha-sthānas (दुन्नाविल्ले पातालविवरं सिद्धस्थानानि च)
O capítulo 4 é apresentado como instrução de Īśvara a Devī, delineando uma breve peregrinação até o local chamado Dunnāvilla, situado a um yojana a oeste de Maṅgala-sthiti. O ensinamento fixa essa região numa memória sagrada em camadas, integrando-a ao mapa do kṣetra. Relata-se um episódio envolvendo Bhīma e o nome “Dunnaka”, descrito como algo que outrora foi consumido e depois abandonado, servindo de marco etiológico para a notoriedade do lugar. Em seguida, menciona-se uma “abertura divina” (divya-vivara), caracterizada como grande via para pātāla, inserindo a geografia cosmológica no itinerário do santuário. O texto cita ainda que esse relato ligado a pātāla foi “ensinado anteriormente” numa compilação prévia (pātāla-uttara-saṅgraha), indicando continuidade intertextual. Ali há muitos liṅgas e dezesseis siddha-sthānas, formando um denso conjunto sagrado śaiva. Por fim, registra-se que o lugar foi outrora uma mina de ouro e recomenda-se que as pessoas o visitem movidas pelo desejo de “bhūti” (prosperidade/realização), acolhendo fins mundanos dentro de um percurso consagrado.

गंगेश्वरमाहात्म्यवर्णनम् (Gangeśvara Māhātmya—Account of the Glory of Gangeśvara)
Este capítulo apresenta a instrução de Īśvara a Devī sobre uma peregrinação rumo ao oeste a partir do marco anterior chamado “Maṅgala”. O peregrino é conduzido a um curso de água sagrado, o “Gaṅgā-srota”, e a um liṅga digno de veneração, com menção especial a “Surārka”. O núcleo é de caráter ritual e metódico: quem busca o fruto da peregrinação (yātrā-phala) deve aproximar-se desses locais segundo o vidhi prescrito, realizar o banho purificador (snāna), completar as oferendas de piṇḍa e, em seguida, praticar a generosidade alimentando brāhmaṇas (anna-dāna) com dakṣiṇā. A conclusão, em estilo de phalaśruti, declara que as glórias dos tīrthas narrados são auspiciosas e destroem os acúmulos de faltas da era de Kali (kali-pāpa-augha); ler ou recitar o texto também remove agregados de pecado. Por fim, há uma nota protetora: não se deve transmiti-lo aos de má disposição (durbuddhi), e ele deve ser ouvido conforme a devida injunção, ressaltando transmissão controlada e recepção correta.

Vastrāpatha Pilgrimage Circuit and the Etiology of the Deer-Faced Woman (वस्त्रापथ-तीर्थपरिक्रमा तथा मृगमुखी-आख्यान-प्रस्ताव)
O capítulo 6 inicia-se com Īśvara delineando uma sequência de peregrinação rumo ao oeste a partir de Maṅgala: o darśana de Siddheśvara, concedente de realizações; Cakratīrtha, explicitamente apresentado como gerador do fruto de “crores de tīrthas”; e Lokeśvara como um liṅga svayambhū, auto-manifesto. O percurso segue para Yakṣavana, onde Yakṣeśvarī é descrita como deusa que realiza desejos, e retorna a Vastrāpatha com uma extensão ao monte Raivataka, proclamado como contendo inúmeros tīrthas (incluindo Mṛgīkūṇḍa e outros pontos nomeados) e múltiplas presenças divinas: Ambikā, Pradyumna, Sāmba e outros sinais śaivas. O diálogo muda quando Pārvatī enumera os grandes rios sagrados e as cidades que concedem libertação já ouvidas, e pergunta por que Vastrāpatha é tida como especialmente significativa e como Śiva ali se estabelece como svayambhū. Īśvara introduz a explicação prometida por meio de uma narrativa etiológica: em Kānyakubja, o rei Bhoja captura, entre um rebanho, uma misteriosa mulher de rosto de cervo; ela permanece muda até que sacerdotes o encaminham ao asceta Sārasvata. Por consagração ritual (abhiṣeka) e procedimentos moldados por mantras, sua fala e memória retornam, e ela passa a relatar uma longa história kármica através de nascimentos sucessivos (realeza, viuvez, renascimentos animais, motivos de morte violenta), culminando em Raivataka/Vastrāpatha, afirmando esse kṣetra como chave de purificação e libertação.

Mṛgīmukhī-ākhyāna and the Vastrāpatha–Swarnarekhā Tīrtha Discourse (मृगीमुखी-आख्यानम्)
O capítulo 7 se desenrola como um diálogo sobre a causalidade do karma, a transformação do corpo e a eficácia dos tīrtha. Um rei interroga uma jovem que aparece com rosto de corça, perguntando sua origem. Ela narra um episódio de concepção às margens do Gaṅgā, ligado ao asceta Uddālaka: um acontecimento fortuito envolvendo um vīrya-bindu e uma corça torna-se a explicação para sua condição—humana em identidade, mas com face de cervo. Em seguida, o discurso passa ao acerto ético: a mulher relaciona sua castidade através de muitos nascimentos com a antiga falha do rei em cumprir o kṣatriya-dharma, acumulando pecado e exigindo expiação, com alusões ao motivo da autoimolação. Apresenta-se um catálogo de mortes e atos meritórios: morrer no campo de batalha, alimentar e fazer caridade diariamente, e morrer em tīrthas nomeados, incluindo Vastrāpatha em Prabhāsa. Uma voz incorpórea (aśarīriṇī) enquadra a sequência kármica do rei: primeiro experimentar o fruto do pecado, depois alcançar o céu. Dá-se uma instrução prática: se o rei lançar uma cabeça/efígie nas águas da Swarnarekhā em Vastrāpatha, o rosto dela se tornará humano. Um mensageiro/porteiro é enviado; a cabeça é encontrada na floresta e liberada ritualmente no tīrtha; a jovem observa por um mês o voto de Cāndrāyaṇa e, ao fim, transforma-se numa beleza humana descrita como divina. O capítulo conclui com um elogio, em voz de Īśvara, ao kṣetra: declarado supremo entre regiões e florestas, habitado por deuses e seres semidivinos, com Śiva (Bhava) estabelecido para sempre; banho sagrado, sandhyā, tarpaṇa, śrāddha e culto com flores concedem libertação do devir mundano e ascensão ao céu.

Suvarṇarekhā-tīrthotpatti and the Brahmā–Viṣṇu–Śiva Theological Discourse (Chapter 8)
O Capítulo 8 inicia-se com o rei Bhoja pedindo um relato detalhado sobre Vastrāpatha-kṣetra, o monte Raivataka e, sobretudo, a origem (utpatti) e o poder purificador das águas de peregrinação chamadas Suvarṇarekhā. Ele pergunta quem, entre Brahmā, Viṣṇu e Śiva, é estabelecido como supremo neste contexto, por que os deuses se reúnem no tīrtha e de que modo se diz que Nārāyaṇa chega pessoalmente. Sārasvata responde que a própria audição dessa narrativa diminui as faltas, e situa a história do tīrtha num quadro cosmogônico: ao fim de um “dia de Brahmā”, Rudra recolhe o mundo; a tríade é descrita como temporariamente unificada e depois diferenciada por funções—Brahmā como criador, Hari como preservador e Rudra como dissolutor. Em seguida, surge um conflito de precedência entre Brahmā e Rudra no Kailāsa, mediado por Viṣṇu. O ensinamento de Viṣṇu enfatiza um Mahādeva anterior e único, que transcende o cosmos; então Brahmā louva Śiva com epítetos de tom védico, e Śiva concede uma graça, preparando o terreno para os detalhes posteriores sobre a origem do tīrtha.

Vastrāpatha Tīrtha-Foundation and the Dakṣa-Yajña Cycle (वस्त्रापथतीर्थप्रतिष्ठा तथा दक्षयज्ञप्रसङ्गः)
O capítulo 9 tece uma narrativa teológica em várias etapas para explicar como o Tīrtha de Vastrāpatha se torna um lugar sagrado estabilizado na paisagem de Prabhāsa. O discurso começa com o ato criador ritual de Brahmā, pela recitação do Atharvaveda, e com a manifestação de Rudra, incluindo sua divisão em múltiplos Rudras, estabelecendo uma base cosmológica para a pluralidade śaiva. Em seguida, passa ao conflito Dakṣa–Satī–Śiva: Satī é dada a Rudra, o desrespeito de Dakṣa se intensifica até a autoimolação de Satī, e as consequências incluem um ciclo de maldições e a posterior restauração de Dakṣa. O episódio da destruição do yajña por Vīrabhadra e pelos gaṇas retrata o fracasso ritual como resultado de excluir do culto o “digno” e de violar as normas éticas de reverência. Depois vem a reconciliação doutrinal: Śiva e Viṣṇu são descritos como não diferentes em essência, ao mesmo tempo em que se oferecem orientações práticas para a devoção no kali-yuga—como o mérito de dar esmolas à forma ascética de Śiva e o modo de culto dos chefes de família. A narrativa se estende ainda aos conflitos com Andhaka e à integração das formas da Deusa, culminando na localização da presença divina: Bhava é estabelecido em Vastrāpatha, Viṣṇu em Raivataka e Ambā no cume da montanha; o rio Suvarṇarekhā é definido como purificador. A phalaśruti final afirma que ouvir/recitar concede purificação e alcance do céu; banhar-se e realizar sandhyā/śrāddha em Suvarṇarekhā e adorar Bhava produz frutos elevados.

वस्त्रापथकथानुक्रमः — Counsel to the King on Pilgrimage, Renunciation, and Household Restraint
O Adhyāya 10 se desenvolve como um discurso teológico conduzido por perguntas. Pārvatī primeiro manifesta admiração pelo māhātmya do tīrtha, do Monte Raivataka, de Bhava (Śiva) e de Vastrāpatha, estabelecendo o enquadramento: a geografia sagrada é confirmada pela palavra divina. Em seguida, ela pergunta sobre as ações de um rei terreno—Bhojarāja/Janeśvara—após obter um cervo e encontrar o sábio Sārasvata, deslocando o foco da glória do lugar para uma narrativa ética. Īśvara responde com uma exposição normativa da ética das relações sociais: a mulher ideal é descrita como virtuosa e auspiciosa, e os papéis de parentesco são apresentados como deveres estabilizadores para ambos os sexos. O rei, satisfeito por ter alcançado tal esposa, louva Sārasvata, atribuindo-lhe poder ascético e conhecimento revelador. Depois, o rei recita a fama de Saurāṣṭra, Raivataka e Vastrāpatha, mencionando assembleias divinas em Ujjayanta e motivos míticos ligados a Vāmana e Bali. Ele declara a intenção de renunciar ao reinado e empreender peregrinação rumo a mundos cada vez mais elevados, culminando na morada de Śiva. O sábio, porém, preocupa-se e o contém, ensinando que a presença divina e as exigências rituais podem ser honradas também no lar, e que o impulso de viajar longe deve ser regulado por bom conselho e firmeza no dharma.

Vastrāpatha Yātrāvidhi and Kṣetra-Pramāṇa (वस्त्रापथ-यात्राविधिः क्षेत्रप्रमाणं च)
Este capítulo é estruturado como instrução procedimental a partir da pergunta do rei. Depois de ouvir as palavras anteriores do sábio, o monarca pede um relato conciso e prático da peregrinação: o que aceitar ou renunciar, o que oferecer em dāna, regras de jejum, banho ritual, ritos do crepúsculo (sandhyā), adoração, sono e japa noturno. Sārasvata responde situando a yātrā em Saurāṣṭra, perto do monte Revataka/Ujjayanta, e descreve os protocolos de partida conforme o tempo auspicioso—força dos planetas, considerações lunares e bons presságios. Em seguida, apresenta-se um calendário ritual com meses e tithis geralmente adequados, destacando Aṣṭamī, Caturdaśī, o fim do mês, Pūrṇimā, saṅkrānti e os eclipses como ocasiões especiais para o culto de Bhava (Śiva). Acrescenta-se uma camada etiológica: no décimo quinto dia de Vaiśākha, Bhava teria se manifestado, acompanhado pelo surgimento purificador do rio Suvarṇarekhā e de águas sagradas associadas a Ujjayanta. O texto define então o kṣetra-pramāṇa de Vastrāpatha por limites direcionais e medidas em yojanas, apresentando-o como uma zona que concede bem-estar mundano e libertação. Por fim, enumera disciplinas ascéticas graduadas de viagem—caminhar, dietas restritas, austeridades e resistência às dificuldades—e proclama uma phalāśruti vigorosa: elevação dos ancestrais, imagem de condução celeste e libertação até mesmo para quem carrega graves transgressões, fruto de devoção regrada e lembrança de Śiva dentro do kṣetra.

Vastrāpatha Tīrtha: Ritual Offerings, Śrāddha Protocols, and Ethical Restraints (वस्त्रापथतीर्थ-विधि-श्राद्ध-नियमाः)
Este capítulo, proferido por Sarasvata, delineia um programa de peregrinação e rito centrado na prática do tīrtha e em seus pré-requisitos éticos. Inicia com um catálogo de materiais auspiciosos a levar e oferecer—água do Gaṅgā, mel, ghee, sândalo, aguru, açafrão, guggulu, folhas de bilva e flores—e descreve a disciplina do peregrino (caminhar, pureza). Após o banho sagrado, deve-se contemplar e honrar Śiva, Viṣṇu e Brahmā; por meio do darśana e da oferenda correta, afirma-se a libertação dos vínculos. Em seguida, descreve-se a peregrinação em comunidade e a confecção e instalação de uma imagem divina num carro, ungida com substâncias fragrantes, acompanhada de música, dança, lâmpadas e dádivas: ouro, vacas, água, alimento, tecido, combustível e palavras agradáveis. O texto passa então à correção ritual: aceitar a instrução dos brāhmaṇas, realizar a sandhyā, usar darbha–tila e alimentos havis, e especificar itens de oferenda como tulasī, lótus de cem pétalas, cânfora e śrīkhaṇḍa. Apresenta-se um quadro calendárico para a eficácia do saṅkalpa e do śrāddha—ayana, viṣuva, saṅkrānti, eclipses, fim de mês e dias kṣaya—com forte ênfase nos ritos ancestrais em rios e grandes tīrthas. O śrāddha é ligado à satisfação dos pitṛs e à auspiciosidade do lar (vṛddhi-śrāddha). Enumeram-se vícios a evitar—desejo, ira, cobiça, ilusão, intoxicação, inveja, calúnia, negligência, traição, preguiça, adultério, roubo etc.—e declara-se que o abandono das faltas concede o fruto pleno do tīrtha: snāna, japa, homa, tarpaṇa, śrāddha e pūjā tornam-se eficazes. Conclui com um amplo catálogo de tīrthas e uma soteriologia inclusiva: até seres não humanos que ali morrem alcançam gozos celestes e, depois, a libertação; a simples lembrança do tīrtha destrói o pecado, e adverte-se a não perder a oportunidade de culto e darśana.

Dāna-Śīla and Gṛhastha-Niyama: Ethical Guidelines and Merit of Gifts (Chapter 13)
O Capítulo 13 é um discurso prescritivo de Sārasvata, que apresenta um programa prático para os chefes de família (gṛhastha) em busca de purificação e progresso auspicioso. De início, afirma-se que é difícil transcender a mistura kármica do favorável e do desfavorável (śubha/aśubha) sem ação virtuosa contínua. Em seguida, enumeram-se deveres diários e periódicos: banhos repetidos, culto a Hari–Hara, fala verdadeira e benéfica, caridade conforme a capacidade; evitar calúnia e má conduta sexual; e refrear-se de intoxicantes, jogo, conflito e violência. Ressalta-se que ritos bem executados—snāna, dāna, japa, homa, deva-pūjā e dvija-arcana—tornam-se “imperecíveis” em seus frutos. Grande parte do capítulo cataloga tipos de doação: vaca, touro, cavalo, elefante, casa, ouro, prata, perfumes, alimentos, materiais rituais, utensílios, vestes, auxílio de viagem e a oferta contínua de comida; cada um é associado a um quadro de phala: libertação do pecado, veículos celestes e proteção no caminho de Yama (Yama-path). O texto também codifica a etiqueta do śrāddha—qualificações dos convidados, necessidade de śraddhā (fé) e honra a ascetas e hóspedes—e encerra com a transição para um futuro “yātrā-vidhi” (procedimento de peregrinação).

Somēśvara-liṅga-prādurbhāva and Vastrāpatha Puṇya (सोमेश्वरलिङ्गप्रादुर्भावः)
Este adhyāya desenvolve dois fios narrativos entrelaçados que convergem para a autoridade ritual de Vastrāpatha. Sarasvata narra a austeridade de Vasiṣṭha à margem do rio Suvarṇarekhā; Rudra aparece e concede uma dádiva: Śiva permanecerá ali “enquanto durarem a lua e as estrelas”, assegurando contínua destruição do pecado (pāpa-kṣaya) aos que se banham e o veneram. Em seguida, o texto passa ao pano de fundo político-teológico: Bali detém a soberania universal, e Nārada se mostra descontente com um mundo sem a turbulência da guerra e do sacrifício. Sua retórica provoca Indra, mas Bṛhaspati aconselha estratégia e a convocação de Viṣṇu. A narrativa então conduz à encarnação de Vāmana: chegando a Surāṣṭra, Vāmana decide adorar primeiro Somēśvara, cumprindo observâncias intensas até que Śiva se manifeste como um liṅga. Vāmana pede que esse liṅga svāyambhu permaneça diante dele. A phalāśruti promete libertação de pecados gravíssimos—incluindo brahmahatyā e outros mahāpātakas—por uma adoração de mente única, e após a morte a ascensão por reinos divinos até Rudraloka. O capítulo conclui afirmando que ouvir este relato de origem, por si só, produz pāpa-kṣaya.

श्रीदामोदरमाहात्म्यवर्णनम् (Glorification of Dāmodara at Raivataka and the Suvarṇarekhā Tīrtha)
Este capítulo (no discurso de Sārasvata) acompanha Vāmana, um brāhmaṇa que, após obter o conhecimento ritual para o culto, atravessa uma floresta exuberante em Raivataka. O texto apresenta um longo catálogo de árvores e de “árvores de sombra auspiciosas”, cuja simples visão é dita capaz de promover a destruição do pecado (pāpa-kṣaya). Ao aproximar-se do cume, ele encontra cinco kṣetrapālas (guardiões territoriais) de iconografia terrível. Pelo poder de sua ascese, Vāmana percebe sua natureza divina e aprende que Mahādeva os instituiu para regular o acesso e proteger a zona sagrada. Os guardiões se identificam—Ekāpāda, Giridāruṇa, Meghānāda, Siṃhanāda, Kālamegha—concedem uma graça e aceitam permanecer instalados em locais determinados (encosta, cume, área de Bhavānī–Śaṅkara, frente de Vastrāpatha e margem do Suvarṇarekhā) para o bem-estar universal. Em seguida, o capítulo se volta ao Dāmodara-māhātmya: o rio Suvarṇarekhā é proclamado “encarnação de todos os tīrthas”, concedendo bhukti–mukti e purificando doença e pobreza. Prescrevem-se a disciplina de Kārttika e as observâncias do Bhīṣma-pañcaka: banho sagrado, doação de lâmpadas (dīpa-dāna), oferendas, ritos no templo, vigília devocional (jāgaraṇa), śrāddha e alimentação de brāhmaṇas e dos vulneráveis. A phalaśruti afirma com vigor que até grandes transgressores são libertos de pecados maiores por meio do banho, do darśana de Dāmodara e da devoção em vigília; já o negligente não alcança o reino de Hari. O capítulo conclui confirmando os frutos salvíficos para quem lê ou ouve este relato purânico.

Adhyāya 16: Narasiṃha-Guardianship, Ujjayanta Ascent, and Śivarātri Vrata Protocols at Vastrāpatha
O capítulo 16 se desenrola como um itinerário narrativo com instruções inseridas. O rei pergunta sobre as ações solitárias de Vāmana na floresta; Sārasvata relata sua ida a Raivataka, o banho no rio Suvarṇarekhā e o culto com oferendas. Numa mata vibrante e ao mesmo tempo temível, Vāmana recorda Hari no coração; Narasiṃha manifesta-se, concede proteção e é suplicado a guardar eternamente os residentes dos tīrtha e a permanecer postado diante da deidade Dāmodara. Em seguida, Vāmana honra Dāmodara e Bhava (Śiva), segue para Vastrāpatha e contempla o monte Ujjayanta, refletindo sobre os “dharmas sutis” que produzem grandes frutos por meio de pequenos atos éticos e atenção devocional. Ele sobe a montanha, encontra a Devī como Ambā, mãe de Skanda, venerada no cume, e recebe a visão de Bhava/Śaṅkara. Śiva concede dádivas—crescimento de influência, domínio do Veda e das artes performáticas, eficácia estável—e instrui Vāmana a examinar os tīrtha de Vastrāpatha. Rudra mapeia santuários por direções: um lago divino e uma área de floresta jāli com um liṅga de argila que destrói a culpa de brahmahatyā pelo simples darśana; outros liṅga ligados a Kubera/Dhanada, Heramba-gaṇa, Citragupta (Citraguptīśvara) e Kedāra estabelecido por Prajāpati. O capítulo inclui o episódio de Indra e do caçador na Śivarātri: a vigília do caçador lhe rende honra celeste; Indra, Yama e Citragupta respondem com reverência, vão ao local, e uma fonte perene surge da pegada de Airāvata em Ujjayanta. A conclusão torna-se um manual prático do voto de Śivarātri: observância anual ou condensada; regras de jejum e banho; proibições (banho de óleo, intoxicantes, jogo); oferenda de lâmpadas, vigília noturna com recitação e performance, culto ao amanhecer, alimentação de ascetas e brahmacārins, e doações finais—vacas e vasos—com frutos de purificação e prosperidade auspiciosa.

नारद–बलिसंवादः, रैवतकोत्पत्तिः, विष्णुवल्लभव्रतविधानम् (Nārada–Bali Dialogue, Origin of Raivataka, and the Viṣṇuvallabha Vrata)
O capítulo abre com a indagação de um rei e a narração de um sábio, conduzindo ao movimento estratégico de Nārada rumo à corte de Bali, motivado pela iminente vinda do avatāra Vāmana e pelo dilema político‑ético de haver conflito sem violar o respeito ao guru. Bali é retratado entre as elites daitya, que criticam a distribuição cósmica do amṛta, das joias (ratnas) e dos privilégios do svarga; o texto recorda ainda o episódio de Mohinī para ilustrar a estratégia divina e a regulação social (protocolo da autoescolha e advertências contra a transgressão). Nārada aconselha Bali sobre (1) a ética de honrar e sustentar os brāhmaṇas, (2) a arte de governar por meio de um catálogo de virtudes reais, e (3) o direcionamento da atenção à geografia sagrada de Raivataka. A narrativa segue com a lenda de origem de Raivataka/Revati‑kuṇḍa e a reconfiguração da estrela Revati, culminando na instituição de um voto ligado ao lugar: o Viṣṇuvallabha‑vrata. Prescreve-se jejum no Ekādaśī da quinzena clara de Phālguna, banho ritual, adoração com flores, vigília noturna com escuta de kathā, circunambulação com frutos, oferenda de lâmpadas e alimentação regrada. Por fim, retorna às consequências políticas: o conflito daitya‑deva, presságios no reino de Bali após a chegada de Vāmana e a recomendação de um yajña expiatório de “doação total” para apaziguar as perturbações, unindo rito, realeza e mudança cósmica num só ensinamento.

वामनयोगोपदेशः, तत्त्वनिर्णयः, बलियज्ञ-त्रिविक्रमप्रसंगश्च (Vāmana’s Yogic Instruction, Tattva Taxonomy, and the Bali–Trivikrama Episode)
O capítulo 18 começa com a indagação de um rei sobre as ações de Vāmana ao chegar ao grande campo sagrado de Vastrāpatha. Sārasvata narra sua disciplina: banhar-se nas águas de Svarṇarekhā, adorar Bhava (Śiva) e firmar-se em yoga sentado—padmāsana, contenção dos sentidos, silêncio e regulação do alento. Em seguida, o texto formaliza a terminologia do prāṇāyāma (pūraka, recaka, kumbhaka) e relaciona o saber ióguico à purificação das faltas acumuladas. Depois vem uma instrução teológica: Īśvara expõe uma taxonomia de tattva ao modo do Sāṅkhya, culminando no 25º princípio, puruṣa, e aponta para a realização do Ser supremo além de toda enumeração. Com a chegada de Nārada, a narrativa se amplia para uma visão cosmológica das funções divinas e das sequências de avatāra (de Matsya a Narasiṃha e além), incluindo o episódio de Prahlāda e Hiraṇyakaśipu como exemplo de bhakti inabalável e visão metafísica. Por fim, o capítulo se volta ao yajña de Bali: seu voto de generosidade, a advertência de Śukra, o pedido de Vāmana por três passos e o surgimento da imagem de Trivikrama. O arco doutrinal culmina nos motivos das águas sagradas—Gaṅgā como a água do pé de Viṣṇu—e encerra enfatizando purificação, culto e libertação por meio do conhecimento e da prática disciplinada.

वामन-त्रिविक्रमसंवादः, बलिसुतलबन्धनं, दीपोत्सव-प्रशंसा (Vāmana/Trivikrama Dialogue, Bali in Sutala, and the Praise of a Lamp-Festival)
O Adhyāya 19 se desenrola como um diálogo teológico. A partir de uma pergunta régia, Sarasvata narra como Hari (Vāmana/Trivikrama) completa a ordem do yajña: após o sacrifício, Bali é interpelado sobre uma “dívida” (ṛṇa) pendente no terceiro passo, entendida como exigência ética de cumprir integralmente a dádiva prometida. Bāṇa, filho de Bali, questiona a correção de tomar um terceiro passo em forma cósmica depois de ter pedido como anão, levantando temas de troca veraz e da conduta esperada dos sādhus. Janārdana responde com defesa ponderada: o pedido foi feito com medida e aceito; o ato beneficia Bali, concedendo-lhe morada em Sutala/Mahātala e um estatuto futuro (inclusive um papel de Indra num manvantara vindouro). Trivikrama então instrui Bali a habitar em Sutala, prometendo presença constante no coração de Bali e proximidade renovada. O capítulo ainda anuncia uma festividade auspiciosa ligada às lâmpadas (dīpa) e ao culto comunitário, associando a celebração devocional ao nome de Bali e ao bem-estar social. A phalaśruti final afirma que recordar, ouvir e recitar reduz pecados, firma a devoção a Śiva e a Kṛṣṇa, recomenda o devido patrocínio ao recitador (dāna) e adverte contra partilhar o “segredo” com os irreverentes, como marco ético da transmissão purânica.
Vastrāpatha is portrayed as a central and beloved locus of Prabhāsa where Bhava/Śiva is directly present; the site’s glory is anchored in the immediacy of divine darśana and the completeness (kṛtakṛtyatā) attributed to pilgrimage there.
Merits include rapid accrual of tīrtha-fruit through bathing and visitation, equivalence to major pan-Indian pilgrimages, and soteriological benefits such as release from adverse post-mortem states when devotion and rites are performed with steadiness.
Rather than a multi-episode legend cycle in this excerpt, the section’s core narrative claim is theological: Bhava as the self-born lord stationed at Prabhāsa, with Vastrāpatha identified as a privileged site for encountering that presence.