
Sukta 1.110
Ṛbhavaḥ (primary); verse frames sacrificial craft and satisfaction of the artisan-deities
Jagatī (probable; longer cadence typical of Ṛbhu hymns)
Este hino louva os Ṛbhus —os irmãos artesãos divinos—, celebrando seu poder de aperfeiçoar, medir e renovar a obra sacrificial, transformando-a numa oferenda «doce» e inspirada. Por imagens de vasos trabalhados, espaço medido e satisfação ao svāhā, pede aos Ṛbhus (e a Indra como ṛbhumān) que concedam dádivas radiantes, fama e plenitude. No fecho, a bênção se amplia para um coro cósmico — Mitra-Varuṇa, Aditi, Sindhu, a Terra e o Céu —, para que o sacrifício seja universalmente amparado.
Mantra 1
ततं मे अपस्तदु तायते पुनः स्वादिष्ठा धीतिरुचथाय शस्यते । अयं समुद्र इह विश्वदेव्यः स्वाहाकृतस्य समु तृप्णुत ऋभवः ॥
A obra que estendi — de fato, estende-se de novo e de novo; o mais doce pensamento inspirado é proclamado para o hino da recitação. Aqui está o oceano, neste campo todo-divino; ó Ṛbhus, saciai-vos plenamente do que é oferecido com o brado «svāhā».
Mantra 2
आभोगयं प्र यदिच्छन्त ऐतनापाकाः प्राञ्चो मम के चिदापयः । सौधन्वनासश्चरितस्य भूमनागच्छत सवितुर्दाशुषो गृहम् ॥
Buscando o amplo gozo e a plenitude, os imaturos (mas aspirantes) avançaram; e algumas das minhas águas também correram para fora. Então os Saudhanvanas, os Ṛbhus, pela vastidão do seu caminho consumado, chegaram à casa de Savitar, o Doador, que recebe a oferenda.
Mantra 3
तत्सविता वोऽमृतत्वमासुवदगोह्यं यच्छ्रवयन्त ऐतन । त्यं चिच्चमसमसुरस्य भक्षणमेकं सन्तमकृणुता चतुर्वयम् ॥
Esse Savitar insuflou em vós a imortalidade, coisa oculta, quando saístes, tornando manifesto o ouvir (da Verdade). E esse único cálice — o vaso de fruição do Asura — vós, sendo um só, o fizestes de forma quádrupla.
Mantra 4
विष्ट्वी शमी तरणित्वेन वाघतो मर्तासः सन्तो अमृतत्वमानशुः । सौधन्वना ऋभवः सूरचक्षसः संवत्सरे समपृच्यन्त धीतिभिः ॥
Tendo encontrado o justo lugar de repouso e, pelo poder de atravessar para além, os cantores — embora mortais — alcançaram a imortalidade. Os Ribhus, filhos de Sūdhanvan, de olhos solares, no ciclo do ano, ficaram perfeitamente unidos às suas iluminações (dhīti).
Mantra 5
क्षेत्रमिव वि ममुस्तेजनेनँ एकं पात्रमृभवो जेहमानम् । उपस्तुता उपमं नाधमाना अमर्त्येषु श्रव इच्छमानाः ॥
Como se mede um campo, assim mediram com a corda de medir aquele único vaso trêmulo. Louvados, esforçando-se rumo à semelhança suprema, desejavam a glória imperecível entre os Imortais.
Mantra 6
आ मनीषामन्तरिक्षस्य नृभ्यः स्रुचेव घृतं जुहवाम विद्मना । तरणित्वा ये पितुरस्य सश्चिर ऋभवो वाजमरुहन्दिवो रजः ॥
Com saber, oferecemos — como manteiga clarificada na concha do sacrifício — a riqueza luminosa do nosso pensamento inspirado aos varões da região intermédia (Antarikṣa). Esses Ṛbhus que, pelo poder da travessia, se apegaram ao Pai, montaram o Vāja e elevaram-se ao domínio resplendente do espaço celeste.
Mantra 7
ऋभुर्न इन्द्रः शवसा नवीयानृभुर्वाजेभिर्वसुभिर्वसुर्ददिः । युष्माकं देवा अवसाहनि प्रियेऽभि तिष्ठेम पृत्सुतीरसुन्वताम् ॥
Que Ṛbhu seja para nós um Indra, sempre mais novo em força; que Ṛbhu, por plenitudes e riquezas, nos conceda o tesouro verdadeiro. Ó deuses, pelo vosso auxílio no dia querido da batalha, que permaneçamos acima dos ímpetos hostis daqueles que não prensam o Soma.
Mantra 8
निश्चर्मण ऋभवो गामपिंशत सं वत्सेनासृजता मातरं पुनः । सौधन्वनासः स्वपस्यया नरो जिव्री युवाना पितराकृणोतन ॥
Da pele, ó Ṛbhus, moldastes a Vaca; reunida de novo com o seu bezerro, restituístes outra vez a Mãe. Ó Saudhanvanas, homens de obra perfeita, pelo vosso artifício tornastes jovens de novo os dois pais — Jivrī e o outro.
Mantra 9
वाजेभिर्नो वाजसातावविड्ढ्यृभुमाँ इन्द्र चित्रमा दर्षि राधः । तन्नो मित्रो वरुणो मामहन्तामदितिः सिन्धुः पृथिवी उत द्यौः ॥
Com os poderes da plenitude, na conquista da plenitude, socorre-nos; ó Indra, rico na força dos Ribhus, mostra-nos o dom radiante. Que Mitra e Varuna o engrandeçam para nós — Aditi, o Rio do ser, a Terra e também o Céu.
The Ṛbhus are divine artisan-deities praised for extraordinary skill—measuring, shaping, and renewing sacred forms. In this hymn they are invited to accept the offering and bless the sacrificer with prosperity and fame.
The imagery teaches that the sacrifice must be made with right measure and precision. The Ṛbhus’ craftsmanship becomes a symbol for perfecting the ritual so it can yield lasting, ‘immortal’ results.
Svāhā marks the oblation as properly offered into the fire. The hymn explicitly asks the Ṛbhus to be fully satisfied with what is ‘svāhā-made,’ meaning correctly consecrated and ritually complete.
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