
Restaurar a ordem auspiciosa: afrouxar o pecado e a má‑sorte, assegurar concórdia e prosperidade, e fortalecer objetivos sociais por meio de encantamentos de consagração e proteção. Subtemas: libertação dos laços de Varuṇa e expiação; remoção de sonhos maus; mérito da dádiva e do sacrifício e consagração ao modo de abhiṣeka para um destino ascendente; saumanasa — unanimidade e harmonia da assembleia; auspiciosidade baseada no tempo e nos nakṣatra (bhadrāham); paustika — prosperidade e quinhão legítimo (Bhaga); bhaiṣajya — expulsão da doença e de influências nocivas.
Este hino de quatro versos é uma prece de desatamento e expiação: pede a Varuṇa que afrouxe os seus pāśas jurídicos (grilhões de culpa, violação de juramento e constrangimento) e que afaste duṣvapnya (sonhos maus) e durita (desgraça). Ao remover vínculos ominosos e restaurar a ordem correta, visa à saúde, ao avanço sem impedimentos pelos «caminhos» da vida e a uma passagem segura para a sukṛta-loka (o mundo alcançado pelo mérito).
Este hino entrelaça a ética do dāna (doação), o «fio» ascendente do mérito ancestral e o ímpeto do yajña que conduz ao céu, culminando numa consagração ao modo do abhiṣeka, na qual se pede a Indra-com-os-Maruts que conceda o benefício desejado. Sua força está em alinhar a ação sócio-religiosa (dar, mediação sacerdotal, sacrifício) com um ato consagratório (aspersão) que sela prosperidade, proteção e posição auspiciosa. Assim, a sukta funciona como um encanto paustika-saṃskāra: autoriza o êxito aqui e um caminho seguro além, sob a tutela ritual bramânica.
Este breve hino distribui e estabiliza a saumanasa — boa vontade partilhada, unanimidade e concórdia de ânimo aprazível — entre um grupo reunido, interpelado como «companheiros de um mesmo assento» (sadhásthaḥ). Agni Jātavedas é concebido como o portador divino que traz o «tesouro» da concórdia, enquanto deuses e ancestrais são invocados para ancorar a continuidade da identidade e da ordem social. O movimento final busca uma sanção «régia» (rājan) do domínio elevado, assegurando favor à comunidade e o reconhecimento de seus dons meritórios (pūrta).
Este breve encanto atharvânico contraria Nirṛti — infortúnio, definhamento e mortandade — por meio de águas purificadoras, de uma restauração sustentada por Agni e de uma fala ritual amparada pelo mérito. Ele trata o ominoso «contato» (um fruto que cai ou um toque vindo do ar) como uma impureza removível, lavada do corpo e da veste, e então sela a pessoa na prosperidade, no brilho e numa auspiciosidade que concede descendência.
Este breve hino de prosperidade marcial consagra o carro de guerra do guerreiro, invocando Vanaspati (o senhor divino da madeira/das árvores) e identificando o ratha com a força de Indra, semelhante ao vajra. Os mantras entrelaçam madeira, poder do gado, vigor das águas e a potência divina do combate, para que o lutador montado alcance a vitória e os «ganhos» (o despojo), enquanto o veículo permanece firme, protegido e eficaz.
Este breve hino marcial consagra a dundubhi (tambor de guerra) como uma força viva, semelhante ao sopro, cujo trovão anima o cosmos e, à distância, lança pânico sobre os poderes hostis. Aliado a Indra, o tambor torna-se uma arma apotropaica: afasta o durita (mal / mau presságio), reúne as próprias tropas e sela a vitória dos combatentes de carro.
Este breve hino curativo de tradição atharvânica é um encanto médico direto que ordena que Yakṣma (doença consumptiva) e condições mórbidas afins —abscesso (vidradha), balāsa‑fleuma, inflamação «vermelha» e visalpaka (erupção que se espalha)— sejam totalmente erradicadas, sem deixar resíduo. O hino confere poder a uma planta medicinal (Oṣadhi/Vanaspati) e a um remédio nomeado (cīpudru) para «arrancar» a doença de locais específicos do corpo e banir o Yakṣma oculto (ajñāta) para baixo e para bem longe.
Este breve encanto atharvavédico suplica ao rei dos Nakṣatra, Śakadhūma, e às potências reguladoras do tempo —Dia/Noite e Sol/Lua— que convertam o momento presente em «bhadrāham», um dia auspicioso e portador de êxito. Ele atua ao alinhar ritualmente um empreendimento humano (especialmente uma ação régia ou pública) com a ordem cósmica, apaziguando sinais temporais adversos e garantindo fortuna estável ao longo de todo o ciclo dia-noite.
Este breve hino paustika invoca Bhaga — a fortuna como a «parte» devida por direito — com a força dadivosa de Indra, para assegurar prosperidade e tornar o recitador «afortunado, detentor de parte» (bhagin). Ele faz emergir a prosperidade do domínio vegetal (das árvores, especialmente do śāṃśapa) e, ao mesmo tempo, expulsa as arātis — mal-intencionados, rivais e obstrutores — que impediriam o ganho. O poder do mantra está em alinhar o praticante com a parte recorrente, até mesmo oculta, de Bhaga e selá-la por meio de uma expulsão apotropaica.
AV 6.130 é um compacto encanto amoroso atharvânico que «envia» Smara (Kāma) por meio das Apsaras e dos deuses, para que a pessoa desejada fique doente de amor, inquieta e ardendo de saudade e anseio pelo oficiante. O hino combina fascinação e sujeição (vaśīkaraṇa) com a exclusão de rivais—ordenando que o alvo se lembre apenas do executante e esqueça todos os outros. Seu poder é apresentado como um envio divino: os deuses fazem partir Smara, enquanto os Maruts e Agni intensificam o frenesi interior do alvo.
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