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Tema principal: reversão e proteção: devolver a hostilidade à sua origem, assegurar a segurança do corpo e estabilizar a vida, o gado e o desejo por meio do fulgor divino, das ervas e da ordem (ṛta). Subtemas: contra-hostilidade e “retorno ao remetente” de feitiçaria (pratiyātu/hetī-nivartanam); proteção luminosa por Sūrya, Candra e as Águas (Āpaḥ) (tejas/haras/arciṣ); ritos apotropaicos e terapêuticos centrados em ervas (Oṣadhi, Pṛśniparṇī); paśu-saṃgraha e proteção da prosperidade (reunião/retensão do gado); āyuṣya: fortalecimento da força vital e da longevidade.
AVŚ 2.21 é um hino compacto de contra‑hostilidade que arma o fulgor de Sūrya—haras (força ardente), arciṣ (raio) e śóciḥ (chama)—para fazer o ódio retornar à sua fonte. Repetindo o refrão «quem nos odeia, a quem odiamos», ele enquadra o calor solar como agente moral‑ritual de retribuição, que queima e repele o agressor enquanto protege o lado do recitador.
Este encanto atharvavédico de seis versos invoca Candra (a Lua) como portador de haras e tejas —potência ardente e luminosa— para reverter a hostilidade e devolvê-la contra o agressor. O hino enquadra repetidamente o ato como retribuição justificada contra «aquele que nos odeia», procurando despojar o inimigo de seu fulgor, de sua força e de sua capacidade de agir com eficácia. Seu poder é concebido como uma força lunar, transferível, que pode ser dirigida de volta (prati-hara) para neutralizar e punir a intenção hostil ou a feitiçaria.
AVŚ 2.23 é um hino conciso de contra‑feitiçaria que convoca as Águas (Āpaḥ) como um poder luminoso e ígneo, capaz de reverter a hostilidade. Ao invocar o arciṣ (radiância), o haraḥ (força que leva/arranca) e o tejas (eficácia) das águas, o encanto «devolve» o dano e priva o agressor de sua potência, ao mesmo tempo em que protege implicitamente a esfera do recitador.
Este hino atharvavédico de contra-feitiçaria devolve a operação hostil ao seu autor, ordenando que os yātus (agentes feiticeiros), o «projétil» lançado (hetí) e as kīmīdinī devoradoras retornem ao seu dono. Seu poder reside no brahman coercitivo, a fala eficaz que nomeia, ata e redireciona o dano para que ele consuma o remetente, e não a vítima visada. Os imperativos em forma de refrão («punaḥ… yantu…», «tam atta…») criam uma reversão jurídica, quase contratual: os agentes devem devorar aquele que os comissionou.
AV 2.25 é um hino conciso, de caráter bhaiṣajya-apotropaico, que entroniza Pṛśniparṇī como uma divindade-erva conquistadora, cujo poder pode incapacitar pessoas hostis, feitiçaria e forças causadoras de aborto espontâneo. Por meio do «corte da cabeça» verbal do mal nomeado e ao imaginar a erva como semelhante a Agni na perseguição, o hino transforma a planta medicinal numa arma de neutralização total e de proteção comunitária.
AV 2.26 é um hino paustika-rakṣā para o paśu-saṃgraha (reunir e resguardar o gado): conclama os bovinos a «afluírem» para o goṣṭha (estábulo/curral), a serem devidamente conduzidos de volta ao lar e, então, a serem firmemente retidos para que não se desviem nem se percam. Ao invocar Bṛhaspati como guia conhecedor, Sinīvālī como a auspiciosa que vai à frente e Anumati como a potência que concede e assegura, o sūkta transforma o curral num centro de prosperidade e proteção ritualmente selado.
AVŚ 2.27 é um encanto curativo e protetor centrado na Erva personificada (Oṣadhi), administrada no momento crítico de comer, para que forças hostis não possam «vencer o bocado». Repetindo a fórmula de «bocado e contra‑bocado», o hino transforma a ingestão num ato de contra‑feitiçaria, tornando impotentes os agressores e os drenadores de essência (arāsaḥ) e garantindo a vitória sobre os inimigos em modo indraico.
AV 2.28 é um hino āyuṣya-bhaiṣajya (de cura e prolongamento da vida) que desvia o adorador de jarā-mṛtyu (velhice-e-morte), colocando o paciente sob a proteção conjunta e ordenadora de Mitra–Varuṇa, com Agni como mediador ritual conhecedor. Ele resguarda prāṇa e apāna, afasta o dano tanto de amigos quanto de inimigos, e culmina numa bênção de vida longa, fulgor corporal e a obtenção da velhice sob Aditi e Todos os Deuses.
AV 2.29 é um encanto beneditivo de longevidade e prosperidade: ele «planta» vida longa no beneficiário e a estabiliza por meio das agências divinas do calor (Agni), da formação (Tvaṣṭṛ) e do impulso auspicioso (Savitar). Ele associa āyuṣya (duração da vida) a prajā (prole segura) e a rāyas-poṣa (florescente aumento da riqueza), selando a bênção com a afirmação de uma força vital restaurada e imperecível (ūrjā) e de um bem-estar radiante (varcas).
Este encanto atharvânico de cinco versos opera por coerção analógica: assim como o Vento revolve e faz rodopiar a relva sobre a terra, assim o operador «bate» e volta o manas (mente) do alvo para si, produzindo anseio e impedindo a partida. Junto com a atração (strīkarman/paustika-abhicārika), o hino também emprega um motivo de expulsão — mandar embora um mal intrusivo como se se extraísse um espinho da sua bainha —, mostrando o hábito atharvânico de emparelhar tecnologias de «atrair» e «expulsar» que atuam sobre mente e corpo.
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