Adhyaya 5
Purva BhagaAdhyaya 550 Verses

Adhyaya 5

अविद्या-पञ्चक, नवसर्ग-क्रमः, प्रजापति-प्रसवः (Vibhaga 1, Adhyaya 5)

Sūta narra que, quando Svayambhū (Brahmā) intenta criar, surge um véu de avidyā em cinco formas—tamas, moha, mahāmoha, tāmisra e andha—fazendo com que a criação mais antiga seja ‘primária’, porém espiritualmente infrutífera. Em seguida, o capítulo enumera o sistema graduado de sarga (prakṛta e vaikṛta), desde os elementos e as evoluções sensoriais até as criações divina, humana e dos Kumāras, traçando como a consciência se corporifica. A partir desse arcabouço cosmológico, Brahmā gera os Kumāras e os grandes Prajāpatis, e a narrativa passa às linhagens: os filhos de Śatarūpā, os casamentos de Ākūti e Prasūti, e as filhas de Dakṣa dadas a Dharma e a outros ṛṣis. Satī é apresentada como filha nascida da mente, associada a Śiva, e Brahmā ordena a Dakṣa que a entregue a Rudra, introduzindo as múltiplas formas de Rudra e o simbolismo feminino/masculino (strī-liṅga/puṁ-liṅga) que antecipa a teologia do Liṅga. O capítulo encerra detalhando a descendência de Dharma e a prole dos sábios, preparando a continuidade para os temas śaivas seguintes sobre Rudra, votos e culto voltado à libertação.

Shlokas

Verse 1

सूत उवाच यदा स्रष्टुं मतिं चक्रे मोहश्चासीन्महात्मनः द्विजाश् च बुद्धिपूर्वं तु ब्रह्मणो ऽव्यक्तजन्मनः

Sūta disse: Quando o magnânimo Brahmā—nascido do Inmanifesto—decidiu iniciar a criação, ergueu-se um véu de ilusão; então os dvija, guiados pelo discernimento, buscaram compreender a intenção do Criador.

Verse 2

तमो मोहो महामोहस् तामिस्रश्चान्धसंज्ञितः अविद्या पञ्चधा ह्येषा प्रादुर्भूता स्वयम्भुवः

Trevas, ilusão, grande ilusão, a escuridão cegante (tāmisra) e o que se chama ‘cegueira’: assim a ignorância (avidyā) manifesta-se em cinco formas, surgidas de Svayambhū, o Auto-nascido. Por elas, o paśu (alma vinculada) é velado e mantido no pāśa (laço), até voltar-se para Pati, o Senhor Śiva, em busca de libertação.

Verse 3

अविद्यया मुनेर्ग्रस्तः सर्गो मुख्य इति स्मृतः असाधक इति स्मृत्वा सर्गो मुख्यः प्रजापतिः

A criação tomada pela ignorância (avidyā) é lembrada como ‘mukhya’, a criação primária; e é entendida como não conducente à realização verdadeira (asādhaka). Por isso é chamada criação primária, pertencente a Prajāpati, o Progenitor.

Verse 4

अभ्यमन्यत सो ऽन्यं वै नगा मुख्योद्भवाः स्मृताः त्रिधा कण्ठो मुनेस्तस्य ध्यायतो वै ह्यवर्तत

Então concebeu outra intenção. Dessa contemplação surgiram as montanhas mais excelsas, assim se recorda. E, enquanto aquele sábio prosseguia em meditação, a região de sua garganta manifestou-se em forma tríplice, desdobrando-se conforme sua visão interior.

Verse 5

प्रथमं तस्य वै जज्ञे तिर्यक्स्रोतो महात्मनः ऊर्ध्वस्रोतः परस्तस्य सात्त्विकः स इति स्मृतः

Daquele Senhor de grande alma (Pati) surgiu primeiro a corrente dos seres que se movem horizontalmente — a linhagem animal e os estados inferiores. Depois, d’Ele nasceu a corrente que flui para o alto, a ordem sāttvika; assim se recorda.

Verse 6

अर्वाक्स्रोतो ऽनुग्रहश् च तथा भूतादिकः पुनः ब्रह्मणो महतस्त्वाद्यो द्वितीयो भौतिकस् तथा

Do Grande Princípio (Mahat) associado a Brahmā descrevem-se duas correntes primordiais: a primeira, a criação que flui para baixo e o ato de graça (anugraha); e, de novo, o início dos elementos (bhūtādi), sendo a segunda a manifestação elementar (bhautikā).

Verse 7

सर्गस्तृतीयश्चैन्द्रियस् तुरीयो मुख्य उच्यते तिर्यग्योन्यः पञ्चमस्तु षष्ठो दैविक उच्यते

«O terceiro é a criação sensorial (aindriya-sarga). O quarto é dito a criação principal. O quinto é a criação dos ventres animais (tiryag-yoni). O sexto é declarado a criação divina.»

Verse 8

सप्तमो मानुषो विप्रा अष्टमो ऽनुग्रहः स्मृतः नवमश्चैव कौमारः प्राकृता वैकृतास्त्विमे

Ó brâmanes, a sétima é a criação humana. A oitava é lembrada como a criação nascida da graça (anugraha). E a nona é, de fato, a criação Kaumāra. Estes são os modos de manifestação: o natural (prākṛta) e o modificado/derivado (vaikṛta).

Verse 9

पुरस्तादसृजद्देवः सनन्दं सनकं तथा सनातनं मुनिश्रेष्ठा नैष्कर्म्येण गताः परम्

No princípio, o Senhor fez surgir Sananda, Sanaka e Sanātana—os mais excelsos dos sábios—que, pelo estado de realização sem ação (naiṣkarmya), alcançaram o Supremo.

Verse 10

मरीचिभृग्वङ्गिरसः पुलस्त्यं पुलहं क्रतुम् दक्षमत्रिं वसिष्ठं च सो ऽसृजद्योगविद्यया

Pelo poder do conhecimento ióguico, ele fez surgir Marici, Bhṛgu, Aṅgiras, Pulastya, Pulaha, Kratu, Dakṣa, Atri e Vasiṣṭha—rishis primordiais que levam adiante a obra da manifestação conforme o Senhor, o Pati.

Verse 11

नवैते ब्रह्मणः पुत्रा ब्रह्मज्ञा ब्राह्मणोत्तमाः ब्रह्मवादिन एवैते ब्रह्मणः सदृशाः स्मृताः

Estes nove são filhos de Brahmā—conhecedores de Brahman, os mais eminentes entre os brāhmaṇas. São, de fato, proclamadores de Brahman, e são lembrados como semelhantes ao próprio Brahmā em natureza.

Verse 12

संकल्पश्चैव धर्मश् च ह्य् अधर्मो धर्मसंनिधिः द्वादशैव प्रजास्त्वेता ब्रह्मणो ऽव्यक्तजन्मनः

Saṅkalpa (volição), Dharma, Adharma e a “Presença/Morada do Dharma”—estes são, de fato, os doze princípios progenitores (prajā) de Brahmā, cuja origem provém do Não‑Manifesto. Assim o cosmos se desdobra como lei ordenadora e sua negação, enquanto o Senhor, Pati, permanece como testemunha interior além de toda manifestação.

Verse 13

ऋभुं सनत्कुमारं च ससर्जादौ सनातनः तावूर्ध्वरेतसौ दिव्यौ चाग्रजौ ब्रह्मवादिनौ

No início, o Eterno (Sanātana) fez surgir Ṛbhu e Sanatkumāra. Esses dois—divinos, nascidos primeiro, e firmes no voto da energia vital que ascende—foram proclamadores de Brahman, devotados à verdade suprema.

Verse 14

कुमारौ ब्रह्मणस् तुल्यौ सर्वज्ञौ सर्वभाविनौ वक्ष्ये भार्याकुलं तेषां मुनीनामग्रजन्मनाम्

Os dois Kumāras, iguais a Brahmā—oniscientes e conhecedores de todas as disposições—são mencionados. Agora descreverei os lares, com suas esposas, daqueles munis, os sábios nascidos primeiro entre os ascetas.

Verse 15

समासतो मुनिश्रेष्ठाः प्रजासम्भूतिमेव च शतरूपां तु वै राज्ञीं विराजमसृजत्प्रभुः

Em resumo, ó melhor dos sábios, o Senhor fez surgir Prajāsambhūti e também a rainha Śatarūpā; e o poderoso Virāj foi igualmente manifestado por esse Soberano.

Verse 16

स्वायम्भुवात्तु वै राज्ञी शतरूपा त्वयोनिजा लेभे पुत्रद्वयं पुण्या तथा कन्याद्वयं च सा

De Svāyambhuva Manu, a rainha Śatarūpā—nascida sem ventre—virtuosa e meritória, gerou dois filhos, e também duas filhas.

Verse 17

उत्तानपादो ह्यवरो धीमाञ्ज्येष्ठः प्रियव्रतः ज्येष्ठा वरिष्ठा त्वाकूतिः प्रसूतिश्चानुजा स्मृता

Dentre eles, diz-se que Uttānapāda é o mais novo, enquanto o sábio Priyavrata é o mais velho. Entre as filhas, Ākūti é lembrada como a primogénita e a mais eminente, e Prasūti é tida como a irmã mais nova.

Verse 18

उपयेमे तदाकूतिं रुचिर्नाम प्रजापतिः प्रसूतिं भगवान्दक्षो लोकधात्रीं च योगिनीम्

Então o Prajāpati chamado Ruci tomou Ākūti por esposa; e o venerável Dakṣa tomou Prasūti—sustentadora dos mundos, uma Yoginī—como sua consorte.

Verse 19

दक्षिणासहितं यज्ञम् आकूतिः सुषुवे तथा दक्षिणा जनयामास दिव्या द्वादश पुत्रिकाः

Ākūti também deu à luz Yajña juntamente com Dakṣiṇā; e Dakṣiṇā, resplandecente em seu poder divino, gerou doze filhas celestiais.

Verse 20

प्रसूतिः सुषुवे दक्षाच् चतुर्विंशतिकन्यकाः श्रद्धां लक्ष्मीं धृतिं पुष्टिं तुष्टिं मेधां क्रियां तथा

De Dakṣa, Prasūti deu à luz vinte e quatro filhas—Śraddhā (fé), Lakṣmī (fortuna), Dhṛti (firmeza), Puṣṭi (nutrição), Tuṣṭi (contentamento), Medhā (inteligência) e Kriyā (ação sagrada), entre outras.

Verse 21

बुद्धिं लज्जां वपुःशान्तिं सिद्धिं कीर्तिं महातपाः ख्यातिं शान्तिं च सम्भूतिं स्मृतिं प्रीतिं क्षमां तथा

E fez surgir (como dádivas divinas) Buddhi (intelecto), Lajjā (pudor), Vapuḥ-Śānti (serenidade do porte), Siddhi (realização), Kīrti (fama), Mahā-Tapā (grande austeridade), Khyāti (renome), Śānti (paz), Sambhūti (prosperidade nascente), Smṛti (memória sagrada), Prīti (amor jubiloso) e Kṣamā (clemência).

Verse 22

संनतिं चानसूयां च ऊर्जां स्वाहां सुरारणिम् स्वधां चैव महाभागां प्रददौ च यथाक्रमम्

E, na devida ordem, concedeu (em casamento/designação) as donzelas bem-aventuradas—Sannati, Anasūyā, Ūrjā, Svāhā, Surāraṇī e a ilustre Svadhā—cada qual segundo sua justa condição.

Verse 23

श्रद्धाद्याश्चैव कीर्त्यन्तास् त्रयोदश सुदारिकाः धर्मं प्रजापतिं जग्मुः पतिं परमदुर्लभाः

De Śraddhā até Kīrti, treze nobres donzelas aproximaram-se de Dharma, o Prajāpati, e alcançaram-no como seu Pati, Senhor supremamente raro de obter.

Verse 24

उपयेमे भृगुर्धीमान् ख्यातिं तां भार्गवारणिम् सम्भूतिं च मरीचिस्तु स्मृतिं चैवाङ्गिरा मुनिः

O sábio ṛṣi Bhṛgu desposou Khyāti, a ilustre filha da linhagem Bhārgava; Marīci tomou Sambhūti por esposa, e o muni Aṅgiras igualmente se uniu a Smṛti.

Verse 25

प्रीतिं पुलस्त्यः पुण्यात्मा क्षमां तां पुलहो मुनिः क्रतुश् च संनतिं धीमान् अत्रिस्तां चानसूयकाम्

Pulastya, de alma meritória, tomou Prīti; o sábio Pulaha tomou Kṣamā; Kratu tomou Saṃnati; e o prudente Atri tomou Anasūyā, a amada da virtude sem inveja.

Verse 26

ऊर्जां वसिष्ठो भगवान् वरिष्ठो वारिजेक्षणाम् विभावसुस् तथा स्वाहां स्वधां वै पितरस् तथा

Também louvaram o Senhor Supremo como Ūrjā; como o bem-aventurado Vasiṣṭha, o mais excelente; como Aquele de olhos de lótus; como Vibhāvasu, o Fogo radiante; como Svāhā e Svadhā; e, de fato, também como os Pitṛs, as potências ancestrais.

Verse 27

पुत्रीकृता सती या सा मानसी शिवसम्भवा दक्षेण जगतां धात्री रुद्रमेवास्थिता पतिम्

Essa Satī—aceita como filha por Dakṣa—era nascida da mente e proveniente de Śiva; embora chamada sustentadora dos mundos, escolheu somente Rudra como seu Senhor (Pati) e nele permaneceu firmemente estabelecida.

Verse 28

अर्धनारीश्वरं दृष्ट्वा सर्गादौ कनकाण्डजः विभजस्वेति चाहादौ यदा जाता तदाभवत्

Na aurora da criação, Brahmā, nascido do ouro, contemplou Ardhanārīśvara, o Senhor que é metade Mulher. Logo no princípio proferiu: «Divide‑Te!»; e nesse instante Śakti se manifestou, e a distinção ficou estabelecida.

Verse 29

तस्याश्चैवांशजाः सर्वाः स्त्रियस्त्रिभुवने तथा एकादशाविधा रुद्रास् तस्य चांशोद्भवास् तथा

Todas as mulheres, por todo o tríplice mundo, nascem de fato da porção dela; do mesmo modo, os onze Rudras também surgem das manifestações parciais dele.

Verse 30

स्त्रीलिङ्गमखिलं सा वै पुंलिङ्गं नीललोहितः तं दृष्ट्वा भगवान् ब्रह्मा दक्षमालोक्य सुव्रताम्

Ela tornou-se por inteiro o emblema feminino (yoni, o princípio de Śakti), e Nīlalohita tornou-se o emblema masculino (liṅga, o princípio de Śiva). Vendo isso, o bem-aventurado Senhor Brahmā—após olhar para Dakṣa e para a virtuosa—(procedeu conforme tal revelação).

Verse 31

भजस्व धात्रीं जगतां ममापि च तवापि च पुन्नाम्नो नरकात्त्राति इति पुत्रीत्विहोक्तितः

Adora a Sustentadora dos mundos, por mim e também por ti. Pois aqui se declara que uma filha, pelo simples fato de ser filha, livra (sua linhagem) do inferno chamado Punnāma.

Verse 32

प्रशस्ता तव कान्तेयं स्यात् पुत्री विश्वमातृका तस्मात् पुत्री सती नाम्ना तवैषा च भविष्यति

Ó amado, esta tua filha será sumamente auspiciosa: ela se tornará a Mãe do universo. Por isso, esta tua filha será conhecida pelo nome Satī.

Verse 33

एवमुक्तस्तदा दक्षो नियोगाद्ब्रह्मणो मुनिः लब्ध्वा पुत्रीं ददौ साक्षात् सतीं रुद्राय सादरम्

Assim instruído, então o sábio Dakṣa—agindo segundo a determinação de Brahmā—tendo obtido sua filha, entregou pessoalmente e com reverência Satī a Rudra.

Verse 34

धर्मस्य पत्न्यः श्रद्धाद्याः कीर्तिता वै त्रयोदश तासु धर्मप्रजां वक्ष्ये यथाक्रममनुत्तमम्

As esposas de Dharma —começando por Śraddhā— foram de fato proclamadas como treze. Agora, dentre elas, descreverei na devida ordem a progênie insuperável nascida de Dharma.

Verse 35

कामो दर्पो ऽथ नियमः संतोषो लोभ एव च श्रुतस्तु दण्डः समयो बोधश्चैव महाद्युतिः

Desejo (kāma), orgulho (darpa), disciplina (niyama), contentamento (santoṣa) e também cobiça (lobha); a Śruti (revelação sagrada), o daṇḍa (poder de punir), o samaya (ordenação correta) e o bodha (entendimento espiritual) — tudo isso se manifesta igualmente como o Grande Esplendor, Mahādyuti.

Verse 36

अप्रमादश् च विनयो व्यवसायो द्विजोत्तमाः क्षेमं सुखं यशश्चैव धर्मपुत्राश् च तासु वै

Ó melhor entre os duas-vezes-nascidos, dessas disciplinas virtuosas surgem a vigilância (apramāda), a humildade (vinaya) e o esforço firme (vyavasāya). E delas nascem, de fato, o bem-estar (kṣema), a felicidade (sukha) e a boa fama (yaśas) — estes são os verdadeiros filhos de Dharma.

Verse 37

धर्मस्य वै क्रियायां तु दण्डः समय एव च अप्रमादस् तथा बोधो बुद्धेर्धर्मस्य तौ सुतौ

Na esfera de Dharma manifestado como ação correta (kriyā), estabelecem-se o daṇḍa (poder de castigar) e o samaya (ordenação devida). Do mesmo modo, a vigilância (apramāda) e o verdadeiro discernimento (bodha) são declarados os dois filhos nascidos de Buddhi em favor de Dharma.

Verse 38

तस्मात्पञ्चदशैवैते तासु धर्मात्मजास्त्विह भृगुपत्नी च सुषुवे ख्यातिर्विष्णोः प्रियां श्रियम्

Portanto, delas surgiram aqui estes quinze filhos justos. E Khyāti, esposa de Bhṛgu, deu à luz Śrī—amada de Viṣṇu—cujo esplendor é sustentado pela graça de Pati (Śiva), mesmo no desdobrar da criação.

Verse 39

धातारं च विधातारं मेरोर्जामातरौ सुतौ प्रभूतिर्नाम या पत्नी मरीचेः सुषुवे सुतौ

Da esposa de Marīci, chamada Prabhūti, nasceram dois filhos—Dhātā e Vidhātā—que mais tarde se tornaram genros de Meru. Assim, no desdobrar da criação, o Senhor como Pati ordena as linhagens e suas alianças, prendendo os seres encarnados (paśu) na teia da ordem mundana (pāśa) até que se voltem a Śiva para a libertação.

Verse 40

पूर्णमासं तु मारीचं ततः कन्याचतुष्टयम् तुष्टिर्ज्येष्ठा च वै दृष्टिः कृषिश्चापचितिस् तथा

De Marīci nasceu Pūrṇamāsa; e depois manifestou-se um grupo de filhas—Tuṣṭi, Jyeṣṭhā, Dṛṣṭi, Kṛṣi e também Apaciti—como śaktis, potências criadoras no desdobrar da emanação. Assim, as almas vinculadas (paśu) entram numa experiência ordenada, pois o Senhor (Pati) atua por meio dessas śaktis.

Verse 41

क्षमा च सुषुवे पुत्रान् पुत्रीं च पुलहाच्छुभाम् कर्दमं च वरीयांसं सहिष्णुं मुनिसत्तमाः

Ó melhor dos sábios, Kṣamā deu à luz filhos e também uma filha auspiciosa de Pulaha—Kardama, o excelente Sahiṣṇu e a bela filha chamada Śubhā.

Verse 42

तथा कनकपीतां स पीवरीं पृथिवीसमाम् प्रीत्यां पुलस्त्यश् च तथा जनयामास वै सुतान्

Do mesmo modo, Pulastya—movido por afeição—gerou filhos em Prīti, de tonalidade dourada, de corpo pleno e vasta como a terra.

Verse 43

दत्तोर्णं वेदबाहुं च पुत्रीं चान्यां दृषद्वतीम् पुत्राणां षष्टिसाहस्रं संनतिः सुषुवे शुभा

A auspiciosa Saṃnati deu à luz Dattorṇa e Vedabāhu, e também outra filha, Dṛṣadvatī; e gerou sessenta mil filhos—assim estendendo a linhagem no desdobrar da criação sob a ordenação do Senhor (Pati).

Verse 44

क्रतोस्तु भार्या सर्वे ते वालखिल्या इति श्रुताः सिनीवालीं कुहूं चैव राकां चानुमतिं तथा

Da esposa de Kratu nasceram aqueles seres de que se ouve falar como os Vālakhilyas; e também se manifestaram Sinīvālī, Kuhū, Rākā e Anumatī.

Verse 45

स्मृतिश् च सुषुवे पत्नी मुनेश्चाङ्गिरसस् तथा लब्धानुभावमग्निं च कीर्तिमन्तं च सुव्रता

E Smṛti, a virtuosa esposa do sábio Aṅgiras, deu à luz Agni—dotado de poder já alcançado—e também Kīrtimat, ela de votos firmes.

Verse 46

अत्रेर्भार्यानसूया वै सुषुवे षट्प्रजास्तु याः तास्वेका कन्यका नाम्ना श्रुतिः सा सूनुपञ्चकम्

Anasūyā, esposa de Atri, de fato deu à luz seis descendentes. Entre eles havia uma donzela chamada Śruti, e ela gerou um grupo de cinco filhos.

Verse 47

सत्यनेत्रो मुनिर्भव्यो मूर्तिरापः शनैश्चरः सोमश् च वै श्रुतिः षष्ठी पञ्चात्रेयास्तु सूनवः

Ele é de olhos de Verdade; Ele é o Sábio; Ele é o Auspicioso. Sua forma corporificada são as Águas; Ele é Śanaiścara (Saturno); e Ele é Soma (a Lua). Ele é, de fato, Śruti (o Veda); Ele é o Sexto; e Ele é os cinco filhos de Atri.

Verse 48

ऊर्जा वसिष्ठाद्वै लेभे सुतांश् च सुतवत्सला ज्यायसी पुण्डरीकाक्षान् वासिष्ठान् वरलोचना

Ūrjā, a esposa mais velha, afetuosa para com os filhos e de belo olhar, deu a Vasiṣṭha filhos—os Vāsiṣṭhas—renomados como Puṇḍarīkākṣas. Assim, a linhagem prosseguiu em ordem sob Pati, o Senhor que sustenta o dharma.

Verse 49

रजः सुहोत्रो बाहुश् च सवनश्चानघस् तथा सुतपाः शुक्र इत्येते मुनेर्वै सप्त सूनवः

Rajaḥ, Suhotra, Bāhu, Savana e, do mesmo modo, Anagha, Sutapā e Śukra—estes são, em verdade, os sete filhos daquele sábio.

Verse 50

यश्चाभिमानी भगवान् भवात्मा पैतामहो वह्निरसुः प्रजानाम् स्वाहा च तस्मात्सुषुवे सुतानां त्रयं त्रयाणां जगतां हिताय

E aquele Senhor que preside—consciente de Si (abhimānī), de natureza Bhava (Śiva), Fogo ancestral (Vahni) e sopro vital dos seres—por meio de Svāhā gerou três filhos, para o bem dos três mundos.

Frequently Asked Questions

They are tamas, moha, mahāmoha, tāmisra, and andha—five obscurations that condition creation and bind beings to misapprehension.

A structured sequence of creations spanning elemental (bhūtādi), sensory (aindriya), primary (mukhya), animal (tiryak), divine (daivika), human (mānuṣa), anugraha, and kumāra streams—classified as prakṛta and vaikṛta to show graded manifestation.

Satī is identified as Śiva-sambhavā and is given by Dakṣa to Rudra by Brahmā’s injunction, turning genealogical cosmology into an explicit Shaiva axis that later supports Linga theology and liberation practice.