
Tema principal: estabilizar a força vital e a ordem social — da concepção e do matrimónio até à cura e a uma realeza firmemente estabelecida. Subtemas: Garbhādhāna (rito de concepção) e proteção do útero; Jāyākāmanā (atrair uma esposa adequada) e integração no lar; expulsão de doenças de definhamento (apaciti, yákṣma) e da dor interior; libertação de Nirṛti (calamidade, maus presságios, infortúnio que prende); consolidação paustika da soberania por meio da “fixação” cósmica (dhruva); cultivo de prīti (afeição) e arrefecimento…
Este breve hino atarvavédico é um encanto de garbhādhāna (concepção) e putrakāmyā (desejo de um filho): ele estabelece e protege o útero para que um embrião viável possa ser nele colocado e levado a termo. Invoca um poder protetor, que estabelece limites (parihasta), para afastar os rakṣas (seres/influências nocivas), ao mesmo tempo assegurando a descendência e a prosperidade do lar.
Este breve hino atharvavédico é um encanto matrimonial (jāyākāmanā) destinado a atrair para a vida e para a casa do recitador uma esposa adequada. Ele vincula o casamento humano desejado a precedentes divinos arquetípicos —a condução nupcial de Sūryā pelos Aśvins e o poder irresistível e doador de riquezas de Indra—, para que fortuna, consentimento e êxito social convirjam na obtenção de uma noiva.
Este breve hino bhaiṣajya expulsa a aflição consumidora (Apaciti), fazendo‑a «voar para longe» do seu assento, e estabelece uma cura solar‑lunar como contraforça restauradora. Ele atua por: (1) uma imagética vívida de banimento (a doença como ave enxotada), (2) a nomeação e o encaminhamento para longe de múltiplos agentes de doença para evitar recaída, e (3) o selamento do ato com uma fórmula de oblação que garante a eficácia ritual.
Este breve encanto atharvânico é um «desatar de Nirṛti», voltado a expulsar o poder da calamidade e a desfazer os grilhões que prendem o sofredor ao infortúnio, à doença ou a presságios de morte. Ao oferecer no assento terrível de Nirṛti e ao nomear seu duplo aspecto como Bhūmi (a Terra absorvente) e como Nirṛti (a Negação dissolvente), o hino força o corte dos laços de ferro e restitui o paciente à vida — ou, se a morte for irreversível, confia a pessoa a Yama e aos Pais para uma ascensão segura.
AV 6.85 é um encanto de cura conciso, voltado a expulsar yákṣma (definhamento/consunção) e a impedir seu retorno mediante o estabelecimento de um limite protetor de «contenção» ao redor do paciente. Ele combina o poder da planta (Varana como Vanaspati) com a força autoritativa da Palavra divina (Indra–Mitra–Varuṇa e todos os Deuses) e com o calor purificador e constritor de Agni Vaiśvānara. Uma analogia mítica (Vṛtra refreando as Águas) é mobilizada para «conter» a propagação e o movimento da doença no corpo.
Este breve hino atharvavédico é um encanto paustika de «estabilidade régia» que concentra a soberania e a preeminência masculina num único sujeito ritual (tipicamente o rei). Ao alinhá‑lo com senhorios cósmicos —o poder taurino de Indra, o comando do oceano sobre os fluxos, o domínio de Agni sobre a terra e o governo da lua sobre as estrelas—, procura torná‑lo o ekavṛṣa («o Touro único, sem rival»), isto é, aquele que não tem par nem concorrente em autoridade e em vigor gerador.
Este breve encanto régio «cerca» o rei numa soberania firme e imóvel, para que o reino não lhe escape e o povo permaneça voluntariamente alinhado. Ele estabiliza a realeza ao fixar o rei «como uma montanha», tomando Indra como modelo, e ao selar o ato com a firmeza sacrificial (dhruva), endossada por Soma e por Brahmaṇaspati.
Este breve hino paustika «fixa» a realeza ao alinhar o governante com os suportes imóveis do cosmos — céu, terra e montanhas — para que o reino permaneça inabalável. Invoca Dhruva (firmeza) e os sustentadores soberanos Varuṇa, Bṛhaspati, Indra e Agni para estabilizar o rāṣṭra, derrotar rivais hostis e conduzir a assembleia e as direções à unanimidade.
AV 6.89 é um encanto atharvânico conciso para gerar prīti (afeição/concordância) e, ao mesmo tempo, «secar» o “ardor do coração” psicossomático (hārdi) e a aflição mental. Ele atua pela transferência ritual de uma potência fortalecida por Soma para a pessoa (notadamente a cabeça) e pela imagem do vento/fumaça como veículo que puxa a mente do outro em direção ao praticante, culminando num encontro socialmente sancionado sob Mitra–Varuṇa e Sarasvatī.
Este breve hino terapêutico do Atharvaveda trata a dor interna aguda como a «flecha» de Rudra, cravada nos membros e no coração, e, por meio do mantra, a extrai e a torna inofensiva. Ele combina a linguagem da extração (vi vṛh-) com a purificação dos canais (dhāmanī-) e termina apaziguando Rudra com repetidas homenagens ao projétil em cada etapa do seu voo, prevenindo a recorrência.
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