Bala KandaPrakarana 1820 Verses

Prakarana 18

सोपान-प्रवेश: ‘आदि-अविद्या’ से ‘श्रद्धा’ की ओर। बालकाण्ड में कथा का जन्म नहीं, साधक की दृष्टि का जन्म होता है—जहाँ जगत-व्यवहार (राजधर्म, भय, मित्रता, छल) के भीतर छिपी ‘दैवी-व्यवस्था’ (भावी/विधि) और ‘नाम-भक्ति’ की अनिवार्यता उद्घाटित होती है। यह चरण बताता है कि मुक्ति-पथ का पहला पायदान बाह्य-घटना नहीं, अंतःकरण का संस्कार है: गुरु-वचन, श्राप-फल, और कर्म-न्याय के बीच मन का शरणागति-गमन।

Esta passagem une adbhuta com bhayānaka, mas seu fruto moral inclina-se para śānta. A narrativa eleva-se de um episódio real a um sacerdote familiar enganoso, uma voz do céu, a maldição de um brāhmaṇa, e finalmente ao nascimento da linhagem de Rāvaṇa, colocando na raiz da história a lei do karma e a ordem do Divino. Tulsīdās demonstra a inevitabilidade de bhāvī (destino, o decreto da Providência): até mesmo um rei inocente é triturado na roda de uma maldição, pois dentro da estrutura do dharma social a maldição de um brāhmaṇa funciona como um átomo moral. Ao mesmo tempo, o relato de Rāvaṇa e Vibhīṣaṇa torna claro que dentro de uma mesma linhagem nascem juntos tamas (Rāvaṇa), rajas (Kumbhakarṇa) e sattva (a devoção de Vibhīṣaṇa): a libertação depende não do nascimento externo, mas da disposição interior. Esta seção volta o buscador da incerteza do mundo para a certeza do amor pelos pés do Senhor.

Verses

Chaupai 170.1-4

सयन कीन्ह नृप आयसु मानी।आसन जाइ बैठ छलग्यानी।।

श्रमित भूप निद्रा अति आई।सो किमि सोव सोच अधिकाई।।

कालकेतु निसिचर तहँ आवा।जेहिं सूकर होइ नृपहि भुलावा।।

परम मित्र तापस नृप केरा।जानइ सो अति कपट घनेरा।।

तेहि के सत सुत अरु दस भाई।खल अति अजय देव दुखदाई।।

प्रथमहि भूप समर सब मारे।बिप्र संत सुर देखि दुखारे।।

तेहिं खल पाछिल बयरु सँभरा।तापस नृप मिलि मंत्र बिचारा।।

जेहि रिपु छय सोइ रचेन्हि उपाऊ।भावी बस न जान कछु राऊ।।

sayana kīnha nṛpa āyasu mānī.āsana jāi baiṭha chala-gyānī..

śramita bhūpa nidrā ati āī.so kimi sova soca adhikāī..

kālaketu nisi-cara tahaṁ āvā.jehiṁ sūkāra hoi nṛpahi bhulāvā..

parama mitra tāpasa nṛpa kerā.jānai so ati kapaṭa ghanerā..

tehi ke sata suta aru dasa bhāī.khala ati ajaya deva dukhadāī..

prathamahĩ bhūpa samara saba māre.bipra santa sura dekhi dukhāre..

tehiṁ khala pāchila bayaru saṁbharā.tāpasa nṛpa mili mantra bicārā..

jehi ripu chaya soi racenhĩ upāū.bhāvī basa na jāna kachu rāū..

O rei obedeceu à ordem e deitou-se para dormir, enquanto o mestre do engano foi sentar-se em seu assento. Um sono profundo caiu sobre o rei fatigado; mas como poderia dormir o outro, cuja ansiedade era tão grande? Então o demônio Kalaketu chegou ali, o mesmo que havia tomado a forma de um javali e desviado o rei. Ele era o amigo muito próximo do rei eremita, e conhecia uma grande quantidade de truques de engano. Tinha cem filhos e dez irmãos, malvados ao extremo, quase invencíveis, e um tormento para os deuses. Antes, o rei os havia matado a todos em batalha, ao ver os brâmanes, santos e deuses afligidos por eles. Aquele malvado lembrou-se da antiga inimizade, e uniu-se ao rei eremita para conceber um plano. Tramaram um plano pelo qual seu inimigo seria destruído; mas o rei, sob o domínio do destino, nada sabia disso.

Doha 170

रिपु तेजसी अकेल अपि लघु करि गनिअ न ताहु।अजहुँ देत दुख रबि ससिहि सिर अवसेषित राहु।।⁠170।।

ripu tejasī akela api laghu kari gani-a na tāhu |ajahũ det dukha rabi sasihi sira avaseṣita rāhu ||⁠170||

Um inimigo possuidor de poder, embora esteja sozinho, nunca deve ser considerado insignificante. Mesmo agora, o remanescente de Rāhu atormenta o Sol e a Lua nos céus.

Chaupai 171.1-4

तापस नृप निज सखहि निहारी।हरषि मिलेउ उठि भयउ सुखारी।।

मित्रहि कहि सब कथा सुनाई।जातुधान बोला सुख पाई।।

अब साधेउँ रिपु सुनहु नरेसा।जौं तुम्ह कीन्ह मोर उपदेसा।।

परिहरि सोच रहहु तुम्ह सोई।बिनु औषध बिआधि बिधि खोई।।

कुल समेत रिपु मूल बहाई।चौथे दिवस मिलब मैं आई।।

तापस नृपहि बहुत परितोषी।चला महाकपटी अतिरोषी।।

भानुप्रतापहि बाजि समेता।पहुँचाएसि छन माझ निकेता।।

नृपहि नारि पहिं सयन कराई।हयगृहँ बाँधेसि बाजि बनाई।।

tāpasa nṛpa nija sakhahi nihārī |haraṣi mileu uṭhi bhayu sukhārī ||

mitrahi kahi saba kathā sunāī |jātudhāna bolā sukha pāī ||

aba sādheuṁ ripu sunahu naresā |jauṁ tumha kīnha mora upadesā ||

parihari soca rahahu tumha soī |binu auṣadha biādhi bidhi khoī ||

kula sameta ripu mūla bahāī |cauthē divasa milaba maiṁ āī ||

tāpasa nṛpahi bahuta paritoṣī |calā mahā-kapaṭī ati-roṣī ||

bhānu-pratāpahi bāji sametā |pahuṁcāesi chana mājha niketā ||

nṛpahi nāri paiṁ sayana karāī |haya-gṛhaṁ bāṁdhesi bāji banāī ||

O rei asceta, ao ver seu amigo, levantou-se com alegria, abraçou-o e ficou feliz. Contou a seu amigo toda a história, e o demônio, satisfeito, respondeu. «Agora já tratei do seu inimigo. Ouça, ó rei, se seguir meu conselho. Deixe de lado sua preocupação e descanse em paz; a Providência eliminou sua doença sem remédio algum. Arrancarei seu inimigo com toda a sua família, pela raiz, e virei encontrá-lo no quarto dia.» Tendo tranquilizado muito o rei asceta, o grande enganador, cheio de fúria, partiu. Num instante levou Bhanupratap, junto com seu cavalo, ao seu palácio. Deitou o rei para dormir ao lado de sua esposa, e amarrou o cavalo devidamente no estábulo.

Doha 171

राजा के उपरोहितहि हरि लै गयउ बहोरि।लै राखेसि गिरि खोह महुँ मायाँ करि मति भोरि।।⁠171।।

rājā ke uparohitahi hari lai gayau bahori |lai rākhēsi giri khoha mahũ māyā̃ kari mati bhori ||⁠171||

Então o demônio levou o sacerdote da família do rei, e tendo confundido sua mente com magia, o tomou e o manteve escondido numa caverna nas montanhas.

Chaupai 172.1-4

आपु बिरचि उपरोहित रूपा।परेउ जाइ तेहि सेज अनूपा।।

जागेउ नृप अनभएँ बिहाना।देखि भवन अति अचरजु माना।।

मुनि महिमा मन महुँ अनुमानी।उठेउ गवँहि जेहि जान न रानी।।

कानन गयउ बाजि चढ़ि तेहीं।पुर नर नारि न जानेउ केहीं।।

गएँ जाम जुग भूपति आवा।घर घर उत्सव बाज बधावा।।

उपरोहितहि देख जब राजा।चकित बिलोकि सुमिरि सोइ काजा।।

जुग सम नृपहि गए दिन तीनी।कपटी मुनि पद रह मति लीनी।।

समय जानि उपरोहित आवा।नृपहि मते सब कहि समुझावा।।

āpu biraci uparohita rūpā |pareu jāi tehi seja anūpā ||

jāgeu nṛpa anabhaẽ bihānā |dekhi bhavana ati acaraju mānā ||

muni mahimā mana mahũ anumānī |uṭheu gavãhi jehi jāna na rānī ||

kānana gayau bāji caṛhi tehĩ |pura nara nāri na jāneu kehī̃ ||

gaẽ jāma juga bhūpati āvā |ghara ghara utsava bāja badhāvā ||

uparohitahi dekha jaba rājā |cakita biloki sumiri soi kājā ||

juga sama nṛpahi gae dina tīnī |kapaṭī muni pada raha mati līnī ||

samaya jāni uparohita āvā |nṛpahi mate saba kahi samujhāvā ||

Ele mesmo assumiu a forma do sacerdote real, e foi deitar-se naquela cama incomparável. O rei despertou antes do amanhecer, e ficou muito admirado ao ver o palácio. Ponderando em sua mente a grandeza do sábio, levantou-se em silêncio para que a rainha não soubesse. Montou um cavalo e foi à floresta, e nenhum homem nem mulher da cidade soube disso. Quando duas vigílias do dia haviam passado, o rei retornou; em cada casa havia festa, com música e congratulações. Quando o rei viu o sacerdote, olhou-o com assombro, lembrando-se daquele mesmo assunto. Os três dias passaram para o rei como eras, pois sua mente permanecia absorta nos pés do falso sábio. Sabendo que o tempo havia chegado, o sacerdote chegou, e contando tudo ao rei, o fez compreender.

Doha 172

नृप हरषेउ पहिचानि गुरु भ्रम बस रहा न चेत।बरे तुरत सत सहस बर बिप्र कुटुंब समेत।।⁠172।।

nṛpa haraṣeu pahicāni guru bhrama-basa rahā na ceta |bare turata sata sahasa bara bipra kuṭumba sameta ||⁠172||

O rei regozijou-se ao reconhecer seu guru, mas, dominado pelo delírio, permaneceu sem presença de espírito. Imediatamente convidou cem mil excelentes brâmanes, junto com suas famílias.

Chaupai 173.1-4

उपरोहित जेवनार बनाई।छरस चारि बिधि जसि श्रुति गाई।।

मायामय तेहिं कीन्ह रसोई।बिंजन बहु गनि सकइ न कोई।।

बिबिध मृगन्ह कर आमिष राँधा।तेहि महुँ बिप्र माँसु खल साँधा।।

भोजन कहुँ सब बिप्र बोलाए।पद पखारि सादर बैठाए।।

परुसन जबहिं लाग महिपाला।भै अकासबानी तेहि काला।।

बिप्रबृंद उठि उठि गृह जाहू।है बड़ि हानि अन्न जनि खाहू।।

भयउ रसोईं भूसुर माँसू।सब द्विज उठे मानि बिस्वासू।।

भूप बिकल मति मोहँ भुलानी।भावी बस आव मुख बानी।।

uparohita jevanāra banāī |charasa cāri bidhi jasi śruti gāī ||

māyāmaya tehiṁ kīnha rasoī |biṁjana bahu gani sakai na koī ||

bibidh mṛganha kara āmiṣa rā̃dhā |tehi mahuṁ bipra mā̃su khala sā̃dhā ||

bhojana kahuṁ saba bipra bolāe |pada pakhāri sādara baiṭhāe ||

parusana jabahiṁ lāga mahi-pālā |bhai ākāsa-bānī tehi kālā ||

bipra-bṛṁda uṭhi uṭhi gṛha jāhū |hai baṛi hāni anna jani khāhū ||

bhayau rasoīṁ bhūsura mā̃sū |saba dvija uṭhe māni bisvāsū ||

bhūpa bikala mati mohaṁ bhulānī |bhāvī basa āva mukha bānī ||

O sacerdote da família preparou o banquete, com os seis sabores em quatro tipos de pratos, como descrevem os Vedas. Ele preparou a refeição por magia, com tantos pratos saborosos que ninguém poderia contá-los. Ele cozinhou a carne de muitos tipos de animais, e o malvado misturou nela a carne de um brâmane. Convidou todos os brâmanes para a refeição, lavou-lhes os pés e os sentou com respeito. Quando o rei começou a servir a comida, uma voz do céu falou naquele momento. Companhia de brâmanes, levantai-vos, levantai-vos e ide para vossas casas. Há um grande mal aqui; não comais esta comida. A refeição foi preparada com carne de brâmane. Acreditando na voz, todos os duas vezes nascidos se levantaram. O rei ficou consternado, sua mente perdida em confusão; sob o domínio do destino nenhuma palavra saiu de sua boca.

Doha 173

बोले बिप्र सकोप तब नहिं कछु कीन्ह बिचार।जाइ निसाचर होहु नृप मूढ़ सहित परिवार।।⁠173।।

bole bipra sa-kopa taba nahiṁ kachu kīnha bicāra |jāi nisācara hohu nṛpa mūṛha sahita parivāra ||⁠173||

Então o brâmane, inflamado de cólera e sem um momento de reflexão, pronunciou sua sentença fatídica: "Vai, torna-te um rākṣasa errante da noite, ó rei insensato, junto com toda a tua casa."

Chaupai 174.1-4

छत्रबंधु तैं बिप्र बोलाई।घालै लिए सहित समुदाई।।

ईस्वर राखा धरम हमारा।जैहसि तैं समेत परिवारा।।

संबत मध्य नास तव होऊ।जलदाता न रहिहि कुल कोऊ।।

नृप सुनि श्राप बिकल अति त्रासा।भै बहोरि बर गिरा अकासा।।

बिप्रहु श्राप बिचारि न दीन्हा।नहिं अपराध भूप कछु कीन्हा।।

चकित बिप्र सब सुनि नभबानी।भूप गयउ जहँ भोजन खानी।।

तहँ न असन नहिं बिप्र सुआरा।फिरेउ राउ मन सोच अपारा।।

सब प्रसंग महिसुरन्ह सुनाई।त्रसित परेउ अवनीं अकुलाई।।

chatra-bandhu taiṁ bipra bolāī.ghālai liye sahita samudāī..

īsvara rākhā dharama hamārā.jaihasī taiṁ sameta parivārā..

saṁbata madhya nāsa tava hoū.jala-dātā na rahihi kula koū..

nṛpa suni śrāpa bikala ati trāsā.bhai bahori bara girā akāsā..

biprahu śrāpa bicāri na dīnhā.nahiṁ aparādha bhūpa kachu kīnhā..

cakita bipra saba suni nabha-bānī.bhūpa gayau jahaṁ bhojana khānī..

tahaṁ na asana nahiṁ bipra suārā.phireu rāu mana soca apārā..

saba prasaṅga mahisuranha sunāī.trasita pareu avanīṁ akulāī..

«Ó mísero xátria, convidaste os brâmanes e os chamaste aqui para destruí-los, junto com toda a companhia.» «Deus protegeu a nossa retidão; tu mesmo perecerás, junto com a tua família.» «Dentro de um ano sobrevirá a tua destruição, e ninguém da tua linhagem restará para oferecer água aos mortos.» Quando o rei ouviu a maldição, ficou profundamente aflito e aterrorizado. Então uma bela voz veio do céu. «Ó brâmanes, pronunciastes esta maldição sem a devida reflexão; o rei não cometeu ofensa alguma.» Todos os brâmanes ficaram pasmados ao ouvir a voz do céu. O rei foi ao lugar onde a comida era preparada. Lá não havia comida nem cozinheiro brâmane. O rei voltou, com a mente cheia de ansiedade sem limites. Contou toda a história aos brâmanes e, aterrorizado e desesperado, caiu ao chão.

Doha 174

भूपति भावी मिटइ नहिं जदपि न दूषन तोर।किएँ अन्यथा होइ नहिं बिप्रश्राप अति घोर।।⁠174।।

bhūpati bhāvī miṭai nahiṃ jadapi na dūṣana tora |kieṃ anyathā hoi nahiṃ bipra-śrāpa ati ghora ||⁠174||

Ó Rei, o que está ordenado não pode ser apagado, embora não haja culpa tua. Por nenhum artifício pode ser alterado, a maldição do brâmane é de fato terrível.

Chaupai 175.1-4

अस कहि सब महिदेव सिधाए।समाचार पुरलोगन्ह पाए।।

सोचहिं दूषन दैवहि देहीं।बिचरत हंस काग किय जेहीं।।

उपरोहितहि भवन पहुँचाई।असुर तापसहि खबरि जनाई।।

तेहिं खल जहँ तहँ पत्र पठाए।सजि सजि सेन भूप सब धाए।।

घेरेन्हि नगर निसान बजाई।बिबिध भाँति नित होई लराई।।

जूझे सकल सुभट करि करनी।बंधु समेत परेउ नृप धरनी।।

सत्यकेतु कुल कोउ नहिं बाँचा।बिप्रश्राप किमि होइ असाँचा।।

रिपु जिति सब नृप नगर बसाई।निज पुर गवने जय जसु पाई।।

asa kahi saba mahideva sidhāe |samācāra pura-loganha pāe ||

sochahiṁ dūṣana daivahi dehīṁ |bicarata haṁsa kāga kiya jehīṁ ||

uporohitahi bhavana pahuṁcāī |asura tāpasahi khabari janāī ||

tehiṁ khala jahã-tahã patra paṭhāe |saji-saji sena bhūpa saba dhāe ||

gherenhi nagara nisāna bajāī |bibidha bhāṁti nita hoī larāī ||

jūjhe sakala subhaṭa kari karanī |bandhu sameta pareu nṛpa dharanī ||

satyaketu kula kou nahiṁ bāṁcā |bipraśrāpa kimi hoi asāṁcā ||

ripu jiti saba nṛpa nagara basāī |nija pura gavane jaya jasu pāī ||

Assim dizendo, todos os brâmanes partiram, e o povo da cidade recebeu a notícia. Afligiram-se e lançaram a culpa sobre o Destino, que se propusera a fazer um cisne e em vez disso fizera um corvo. O demônio levou o sacerdote da família de volta a sua casa, e deu ao eremita notícia de tudo o que havia acontecido. Esse malvado enviou cartas de um lado para outro, e todos os reis, armando suas tropas, apressaram-se a acudir. Fizeram soar seus tambores e cercaram a cidade, e a batalha foi travada todos os dias de muitas maneiras. Todos os seus guerreiros lutaram e caíram após realizar feitos de valor, e o rei com seu irmão caiu sobre o solo. Ninguém da família de Satyaketu sobreviveu; como poderia a maldição de um brâmane revelar-se falsa? Tendo conquistado o inimigo, todos os reis repovoaram a cidade, e alcançaram vitória e fama, e retornaram às suas próprias cidades.

Doha 175

भरद्वाज सुनु जाहि जब होइ बिधाता बाम।धूरि मेरुसम जनक जम ताहि ब्यालसम दाम।।⁠175।।

bharadvāja sunu jāhi jaba hoi bidhātā bāma |dhūri meru-sama janaka jama tāhi byāla-sama dāma ||⁠175||

Escuta, Bharadvaja: quando o Destino se volta contra um homem, a poeira se torna para ele tão pesada quanto o monte Meru, seu próprio pai se torna como Yama, o deus da morte, e uma corda se torna como uma serpente.

Chaupai 176.1-4

काल पाइ मुनि सुनु सोइ राजा।भयउ निसाचर सहित समाजा।।

दस सिर ताहि बीस भुजदंडा।रावन नाम बीर बरिबंडा।।

भूप अनुज अरिमर्दन नामा।भयउ सो कुंभकरन बलधामा।।

सचिव जो रहा धरमरुचि जासू।भयउ बिमात्र बंधु लघु तासू।।

नाम बिभीषन जेहि जग जाना।बिष्नुभगत बिग्यान निधाना।।

रहे जे सुत सेवक नृप केरे।भए निसाचर घोर घनेरे।।

कामरूप खल जिनस अनेका।कुटिल भयंकर बिगत बिबेका।।

कृपा रहित हिंसक सब पापी।बरनि न जाहिं बिस्व परितापी।।

kāla pāi muni sunu soi rājā |bhayau nisācara sahita samājā ||

dasa sira tāhi bīsa bhujadaṇḍā |rāvan nāma bīra baribaṇḍā ||

bhūpa anuj arimardana nāmā |bhayau so kumbhakarana baladhāmā ||

saciva jo rahā dharmaruci jāsū |bhayau bimātra bandhu laghu tāsū ||

nāma bibhīṣana jehi jaga jānā |biṣṇubhagata bigyāna nidhānā ||

rahe je suta sevaka nṛpa kere |bhae nisācara ghora ghanere ||

kāmarūpa khala jinasa anekā |kuṭila bhayaṅkara bigata bibekā ||

kṛpā rahita hiṁsaka saba pāpī |barani na jāhiṁ bisva paritāpī ||

Escuta, ó sábio: no devido tempo, esse mesmo rei nasceu como um demônio, junto com toda a sua companhia. Ele tinha dez cabeças e vinte braços poderosos, e seu nome era Ravana, um guerreiro de imensa força. O irmão mais novo do rei, chamado Arimardana, nasceu como Kumbhakarna, verdadeira morada da força. O ministro que havia sido Dharmaruchi nasceu como seu meio-irmão mais novo. Seu nome era Vibhishana, conhecido em todo o mundo, devoto de Vishnu e tesouro de sabedoria e conhecimento. Os filhos e servidores do rei nasceram como demônios em grande número, todos eles terríveis. Eram perversos, capazes de assumir qualquer forma que desejassem, de muitos tipos, astutos e aterrorizantes, desprovidos de discernimento. Todos eram sem misericórdia, violentos e pecadores, algozes do mundo, indescritíveis.

Doha 176

उपजे जदपि पुलस्त्यकुल पावन अमल अनूप।तदपि महीसुर श्राप बस भए सकल अघरूप।।⁠176।।

upaje jadapi pulastya-kula pāvana amala anūpa |tadapi mahīsura śrāpa basa bhae sakala agha-rūpa ||⁠176||

Embora nascidos na linhagem de Pulastya, puros, sem mancha e sem igual, contudo, impelidos pela maldição de um santo sábio, todos eles se tornaram verdadeiras encarnações do pecado.

Chaupai 177.1-4

कीन्ह बिबिध तप तीनिहुँ भाई।परम उग्र नहिं बरनि सो जाई।।

गयउ निकट तप देखि बिधाता।मागहु बर प्रसन्न मैं ताता।।

करि बिनती पद गहि दससीसा।बोलेउ बचन सुनहु जगदीसा।।

हम काहू के मरहिं न मारें।बानर मनुज जाति दुइ बारें।।

एवमस्तु तुम्ह बड़ तप कीन्हा।मैं ब्रह्माँ मिलि तेहि बर दीन्हा।।

पुनि प्रभु कुंभकरन पहिं गयऊ।तेहि बिलोकि मन बिसमय भयऊ।।

जौं एहिं खल नित करब अहारू।होइहि सब उजारि संसारू।।

सारद प्रेरि तासु मति फेरी।मागेसि नीद मास षट केरी।।

kīnha bibidh tapa tīn'ihu bhāī.parama ugra nahiṁ barani so jāī..

gayau nikaṭa tapa dekhi bidhātā.māgahu bara prasanna maiṁ tātā..

kari binatī pada gahi dasasīsā.boleu bacana sunahu jagadīsā..

hama kāhū ke marahiṁ na mārẽ.bānara manuja jāti dui bārẽ..

evam-astu tumha baṛa tapa kīn'hā.maiṁ brahmā̃ mili tehi bara dīn'hā..

puni prabhu kumbhakaraṇa pahiṁ gayau.tehi biloki mana bisamaya bhayau..

jaũ ehiṁ khala nita karaba ahārū.hoihi saba ujāri saṁsārū..

sārada preri tāsu mati pherī.māgesi nīda māsa ṣaṭ kerī..

Os três irmãos realizaram muitos tipos de austeridades, tão excessivamente severas que não podem ser descritas. Brahma, o Criador, vendo sua penitência, aproximou-se e disse: «Peça uma graça, meu filho; estou satisfeito». Ravana fez uma humilde súplica, abraçou-lhe os pés e falou: «Escuta, Senhor do mundo». «Que não morramos pela mão de ninguém. Dos macacos e dos homens, estas duas raças deixei de lado». «Assim seja. Realizaste uma grande penitência.» Brahma e eu juntos lhe concedemos essa graça. Depois o Senhor foi até Kumbhakarna, e ao vê-lo, o espanto surgiu em sua mente. «Se este malvado comer todos os dias, o mundo inteiro será devastado». Impulsionando Sarasvati, ele mudou a mente de Kumbhakarna, e este pediu sono de seis meses.

Doha 177

गए बिभीषन पास पुनि कहेउ पुत्र बर मागु।तेहिं मागेउ भगवंत पद कमल अमल अनुरागु।।⁠177।।

gae bibhīṣana pāsa puni kaheu putra bara māgu |tehiṁ māgeu bhagavaṁta pada-kamala amala anurāgu ||⁠177||

Então Brahma foi até Vibhishana e disse: "Filho, pede uma graça." E ele pediu amor puro e imaculado pelos pés de lótus do Senhor abençoado.

Chaupai 178.1-4

तिन्हि देइ बर ब्रह्म सिधाए।हरषित ते अपने गृह आए।।

मय तनुजा मंदोदरि नामा।परम सुंदरी नारि ललामा।।

सोइ मयँ दीन्हि रावनहि आनी।होइहि जातुधानपति जानी।।

हरषित भयउ नारि भलि पाई।पुनि दोउ बंधु बिआहेसि जाई।।

गिरि त्रिकूट एक सिंधु मझारी।बिधि निर्मित दुर्गम अति भारी।।

सोइ मय दानवँ बहुरि सँवारा।कनक रचित मनिभवन अपारा।।

भोगावति जसि अहिकुल बासा।अमरावति जसि सक्रनिवासा।।

तिन्ह तें अधिक रम्य अति बंका।जग बिख्यात नाम तेहि लंका।।

tinhi dei bara brahma sidhāe |haraṣita te apane gṛha āe ||

maya tanujā mandodari nāmā |parama suṃdarī nāri lalāmā ||

soi mayã dīnhi rāvanahi ānī |hoihi jātudhāna-pati jānī ||

haraṣita bhayau nāri bhali pāī |puni dou baṃdhu biāhesi jāī ||

giri trikūṭa eka siṃdhu majhārī |bidhi nirmita durgama ati bhārī ||

soi maya dānavã bahuri saṃvārā |kanaka racita mani-bhavana apārā ||

bhogāvatī jasi ahi-kula bāsā |amarāvatī jasi sakra-nivāsā ||

tinh teṃ adhika ramya ati baṃkā |jaga bikhyāta nāma tehi laṅkā ||

Após conceder-lhes dádivas, Brahma partiu, e eles regressaram aos seus lares, cheios de alegria. Maya tinha uma filha chamada Mandodari, uma mulher de beleza suprema, a joia das mulheres. Esse mesmo Maya a trouxe e a deu a Ravana, sabendo que ele se tornaria o senhor dos demônios. Ele ficou feliz por obter uma boa esposa, e depois foi e casou também seus dois irmãos. No meio do oceano erguia-se o monte Trikuta, criado por Brahma, extremamente difícil de acessar. O demônio Maya então adornou aquele monte, construindo nele ilimitados palácios de ouro cravejados de joias. Tal como Bhogavati, morada da raça das serpentes, e tal como Amaravati, morada de Indra. Mais encantadora que aquelas e de extremo esplendor, aquela cidade cujo nome, Lanka, é célebre no mundo.

Doha 178(क)-(ख)

खाईं सिंधु गभीर अति चारिहुँ दिसि फिरि आव॥

कनक कोट मनि खचित दृढ़ बरनि न जाइ बनाव॥⁠178(क)॥

हरिप्रेरित जेहिं कलप जोइ जातुधानपति होइ॥

सूर प्रतापी अतुलबल दल समेत बस सोइ॥⁠178(ख)॥

khāīṁ sindhu gabhīra ati cārihuṁ disi phiri āva |kanaka koṭ mani khacita dṛṛha barani na jāi banāva ||⁠178(ka)||

hari-prerita jehiṁ kalapa joi jātudhāna-pati hoi |sūra pratāpī atula-bala dala sameta basa soi ||⁠178(kha)||

O oceano profundo forma o seu fosso, fluindo ao redor pelos quatro lados; suas muralhas de ouro estão cravejadas de joias e firmemente construídas, e a beleza de sua feitura não pode ser descrita. Em qualquer idade, quem quer que seja movido por Hari para se tornar senhor dos demônios, um herói valente e glorioso de força incomparável, habita ali com seu exército.

Chaupai 179.1-4

रहे तहाँ निसिचर भट भारे।ते सब सुरन्ह समर संघारे।।

अब तहँ रहहिं सक्र के प्रेरे।रच्छक कोटि जच्छपति केरे।।

दसमुख कतहुँ खबरि असि पाई।सेन साजि गढ़ घेरेसि जाई।।

देखि बिकट भट बड़ि कटकाई।जच्छ जीव लै गए पराई।।

फिरि सब नगर दसानन देखा।गयउ सोच सुख भयउ बिसेषा।।

सुंदर सहज अगम अनुमानी।कीन्हि तहाँ रावन रजधानी।।

जेहि जस जोग बाँटि गृह दीन्हे।सुखी सकल रजनीचर कीन्हे।।

एक बार कुबेर पर धावा।पुष्पक जान जीति लै आवा।।

rahe tahā̃ nisi-cara bhaṭ bhāre |te saba suranha samara saṅghāre ||

aba tahā̃ rahahĩ sakra ke prere |racchaka koṭi jacchapati kere ||

dasamukha katahũ khabari asi pāī |sena sāji gaṛha gheresi jāī ||

dekhi bikaṭa bhaṭ baṛi kaṭakāī |jaccha jīva lai gae parāī ||

phiri saba nagara dasānana dekhā |gayu socha sukha bhayu biseṣā ||

sundara sahaja agama anumānī |kīnha tahā̃ rāvana rajadhānī ||

jehi jasa joga bā̃ṭi gṛha dīnhe |sukhī sakala rajanīcara kīnhe ||

ek bāra kubera para dhāvā |puṣpaka jāna jīti lai āvā ||

Ali haviam vivido poderosos guerreiros demônios, mas os deuses os haviam matado a todos na batalha. Agora ali habitavam, enviados por Indra, dez milhões de guardas pertencentes ao senhor dos yakshas. Em algum lugar Ravana soube disso; reuniu seu exército, foi e cercou a fortaleza. Ao ver os ferozes guerreiros e a grande hoste, os yakshas abandonaram suas vidas e fugiram. Então Ravana percorreu e observou toda a cidade; sua preocupação o deixou e sua alegria foi imensa. Considerando-a bela e naturalmente inexpugnável, estabeleceu ali Ravana sua capital. Ele dividiu as casas e as distribuiu a cada um conforme seu mérito, e fez felizes todos os demônios. Uma vez ele se lançou contra Kubera, e tendo-o vencido, levou consigo o carro aéreo Pushpaka.

Doha 179

कौतुकहीं कैलास पुनि लीन्हेसि जाइ उठाइ।मनहुँ तौलि निज बाहुबल चला बहुत सुख पाइ।।⁠179।।

kautukahī̃ kailāsa puni līnhesi jāi uṭhāi |manahũ tauli nija bāhubala calā bahuta sukha pāi ||⁠179||

Então, por mero esporte, foi e ergueu o monte Kailasa; e como se tivesse aferido a força dos próprios braços, partiu muito satisfeito.

Frequently Asked Questions

परंपरा में इसे ‘अनर्थ-निवारक’ पाठ माना जाता है: माया-छल, कुटिल-मित्र, और अनिष्ट-शत्रु से सावधानी का विवेक जगता है; साथ ही विभीषण-वृत्तांत के कारण शरणागति-भाव पुष्ट होता है—‘भगवत्पद-अनुराग’ की सिद्धि का संस्कार मिलता है।

सामान्य मानस-परंपरा में रक्षा/शरणागति हेतु ‘राम’ नाम-संपुट या ‘श्रीराम जय राम जय जय राम’ का जप-संपुट जोड़ा जाता है; विभीषण-भाव को लक्ष्य कर ‘रामचरण-शरणं’ प्रकार का संकल्प/स्मरण भी कुछ परंपराओं में किया जाता है।

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