
O Chhandogya Upanishad é um dos Upanishads principais (mukhya) associados ao Sama Veda. Ele não rejeita por completo o ritual védico; antes, o reinterpreta como suporte para a contemplação interior (upāsanā) e o conhecimento (vidyā). Com estrutura de adhyāya–khaṇḍa, apresenta meditações simbólicas sobre Oṃ, o canto Sāman, o prāṇa, o sol e o espaço, orientadas à compreensão de Brahman. Seu ensinamento mais célebre aparece no diálogo entre Uddālaka Āruṇi e Śvetaketu: “tat tvam asi” (“Tu és Isso”). ‘Sat’ (o Ser puro) é descrito como causa e fundamento do mundo, enquanto a diversidade de nome e forma (nāma-rūpa) é entendida como manifestação dependente de uma única realidade sutil e onipresente. A analogia do sal dissolvido na água ilustra um Brahman invisível, porém presente em tudo. Outros temas centrais incluem a pañcāgni-vidyā (doutrina dos cinco fogos), os dois caminhos após a morte (devayāna e pitṛyāna) e a dahara-vidyā (Brahman no “pequeno espaço” do coração). A ética—veracidade, autocontrole, austeridade e disciplina—é enfatizada como condição para o conhecimento supremo. Em última instância, o texto afirma o núcleo do Vedānta: a libertação é alcançada pelo reconhecimento direto da identidade entre Ātman e Brahman.
Start ReadingBrahman as Sat (pure Being) and the ground of all nāma-rūpa (name-and-form)
Mahāvākya “tat tvam asi”: identity of Ātman and Brahman as liberating knowledge
Upāsanā (meditative worship) as an interiorization of Vedic ritual and cosmic correspondences
Oṃ and Sāman contemplation: sound as a support for realizing the absolute
Pañcāgni-vidyā (five-fire doctrine): cosmology, rebirth, and moral causality
Devayāna and Pitṛyāna (two paths after death): knowledge/renunciation vs ritual merit
Dahara-vidyā: Brahman realized in the “small space” within the heart
Ethical disciplines (satya, dama, tapas, brahmacarya) as prerequisites for higher knowledge
Gradation of teachings: from symbolic identifications to non-dual realization (jñāna)
The teacher–student transmission (śruti-based pedagogy) as the means of right understanding
This Upanishad is organized into 8 adhyayas.
O primeiro capítulo do Chhandogya Upanishad trata da meditação na sílaba Om (Udgitha) como a essência do Sama Veda e símbolo direto de Brahman. Começa explicando que o Udgitha é o som primordial de onde surgem os cantos sama. Depois narra a história dos Devas e Asuras que competiram através dos sentidos e sopros vitais; os Devas prevaleceram ao se refugiar no Prana, o princípio imortal interior. O texto instrui a meditar no Udgitha como o Sol, o Olho, o Prana e todos os suportes cósmicos. Ritmo, melodia e entonação correta carregam potência espiritual. O capítulo traça um esquema gradual de meditação do físico ao vital, ao cósmico e ao transcendente.
Esta seção do Chhandogya Upanishad apresenta meditações sobre Om (Udgitha) e Sāman. A sílaba Om é identificada com a respiração, a fala e o olho. A palavra Sāman deriva de Sādhu (bom), ensinando que tudo o que é auspicioso é Sāman. Os cinco membros do canto Sāman são mapeados para os mundos, elementos e corpo humano, revelando a unidade do macrocosmos e microcosmos. Nidhana (dissolução) é honrado como a meta de todo canto.
O terceiro capítulo do Chandogya Upanishad ensina a doutrina do mel (Madhu Vidya), onde o sol (Aditya) é concebido como o mel ou a essência de todas as divindades. O céu é a viga transversal, a atmosfera a colmeia, os raios solares as abelhas, e os Vedas as flores. Os raios orientais correspondem ao Rig Veda, os do sul ao Yajur Veda, e os do oeste ao Sama Veda. Cada direção gera uma essência específica que retorna ao sol formando suas cores. Estes ensinamentos revelam a interconexão universal entre os Vedas, os elementos cósmicos e os seres vivos.
O rei Jānaśruti, conhecido por sua generosidade, ouviu cisnes celestiais discutindo um humilde puxador de carroça chamado Raikva, que possuía o conhecimento espiritual supremo. Intrigado, o rei encontrou Raikva sentado sob uma carroça. Apesar da rejeição inicial, ofereceu sua filha e grande riqueza. Raikva ensinou-lhe o Samvarga Vidya, explicando como o fogo, o sol, a respiração e a água absorvem tudo em si mesmos.
Esta seção do Chhandogya Upanishad estabelece a supremacia de Prana (o sopro vital) entre todas as faculdades humanas. Prana é declarado o mais velho e o melhor; a fala é Vasishtha (a mais excelente); a visão é Pratishtha (o fundamento); a audição é Sampad (a prosperidade); e a mente é Ayatana (a morada). Quando as faculdades disputaram superioridade e deixaram o corpo, apenas a partida de Prana causou a dissolução total, provando sua supremacia. Todas as faculdades reconheceram Prana como o ser mais íntimo de tudo e buscaram refúgio nele.
O início do sexto adhyāya apresenta Śvetaketu Āruṇeya. Seu pai, Uddālaka Āruṇi, o envia para viver o brahmacarya e estudar os Vedas, advertindo que, em sua linhagem, ninguém deve permanecer “sem aprender” e tornar-se apenas um “brahma-bandhu”: brâmane só de nome. Śvetaketu estuda por doze anos e retorna aos vinte e quatro após dominar os Vedas. Contudo, sua erudição vem acompanhada de orgulho: ele volta presunçoso, rígido e convencido de sua própria grandeza. Percebendo essa falta interior, o pai se prepara para testá-lo com perguntas. O texto sugere que a educação verdadeira não é apenas acumular recitações, mas amadurecer por dentro: humildade e prontidão para conhecer o Real. Assim, estes dois versos funcionam como limiar para o Vedānta: iniciam a busca por um conhecimento superior, além do saber livresco, que traz plenitude autêntica ao reconhecer a Realidade última.
Nesta seção do Chandogya Upanishad, Sanatkumara ensina a Narada que a meditação (dhyana) é superior ao pensamento (chitta). Todo o universo permanece em meditação. Aqueles que alcançam a grandeza possuem uma porção de meditação.
Esta seção descreve o pequeno espaço dentro do coração, a cidade de Brahma. Neste espaço estão contidos o céu, a terra, o fogo, o ar, o sol, a lua e as estrelas. O Atman está livre da velhice, morte, tristeza, fome e sede. É imortal e realizador de desejos verdadeiros.
629 verses with Sanskrit text, transliteration, and translation.
Verse 1.1.1
ओमित्येतदक्षरमुद्गीथमुपासीत। ओमिति ह्युद्गायति तस्योपव्याख्यानम् ॥
Deve-se adorar a sílaba Om como o Udgītha. Pois entoa-se começando com Om. Esta é a sua explicação.
Pranava (Om) as BrahmanVerse 1.1.2
एषां भूतानां पृथिवी रसः पृथिव्या अपो रसः। अपामोषधयो रस ओषधीनां पुरुषो रसः पुरुषस्य वाग्रसो वाच ऋग्रस ऋचः साम रसः साम्न उद्गीथो रसः ॥
Dentre estes seres, a terra é a essência; da terra, as águas são a essência; das águas, as ervas são a essência; das ervas, a pessoa humana é a essência; da pessoa humana, a fala é a essência; da fala, o Ṛg Veda é a essência; do Ṛg Veda, o Sāma Veda é a essência; do Sāma Veda, o Udgītha é a essência.
Rasa (Essence) - Hierarchical manifestation of BrahmanVerse 1.1.3
स एष रसानां रसतमः परमः परार्ध्योऽष्टमो यदुद्गीथः ॥
Este Udgītha é a essência das essências, o supremo, o mais elevado, o oitavo.
Rasatama (Essence of Essences) - Supreme BrahmanVerse 1.1.4
कतमा कतमर्क् कतमत्कतमत् साम कतमः कतम उद्गीथ इति विमृष्टं भवति ॥
Qual é o Rk? Qual é o Sāma? Qual é o Udgītha? Assim se torna investigado.
Vichara (Inquiry into the nature of Vedic components)Verse 1.1.5
वागेवर्क् प्राणः सामोमित्येतदक्षरमुद्गीथः। तद्वा एतन्मिथुनं यद्वाक्च प्राणश्चर्क्च साम च ॥
A fala certamente é o Rk, o Prāṇa é o Sāma, e esta sílaba Om é o Udgītha. Ora, este é um par, aquilo que é fala e Prāṇa, o Rk e o Sāma.
Mithuna (Divine Pairing of Speech and Breath)Verse 1.1.6
तदेतन्मिथुनमोमित्येतस्मिन्नक्षरे संसृज्यते यदा वै मिथुनौ समागच्छत आपयतो वै तावन्योन्यस्य कामम् ॥
Ora, este par se une nesta sílaba Om. Pois sempre que um par se encontra, eles certamente realizam o desejo um do outro.
Samsarga (Union in Om)Verse 1.1.7
आपयिता ह वै कामानां भवति य एतदेवं विद्वानक्षरमुद्गीथमुपास्ते ॥
Aquele se torna realizador dos desejos, quem, conhecendo assim, medita sobre a sílaba como o Udgītha.
Omkara - the power of the sacred syllable Om to fulfill desiresVerse 1.1.8
तद्वा एतदनुज्ञाक्षरं यद्धि किंचानुजानात्योमित्येव तदाहैषो एव समृद्धिर्यदनुज्ञा समर्धयिता ह वै कामानां भवति य एतदेवं विद्वानक्षरमुद्गीथमुपास्ते ॥
Ora, esta é a sílaba de assentimento, pois sempre que alguém concede permissão, diz apenas 'Om'. Esta é certamente a prosperidade, aquele assentimento. Aquele se torna quem realiza os desejos, quem, conhecendo assim, medita sobre a sílaba como o Udgītha.
Anujna - the power of divine assent embodied in OmVerse 1.1.9
तेनेयं त्रयीविद्या वर्तते ओमित्याश्रावयत्योमिति शꣳसत्योमित्युद्गायत्येतस्यैवाक्षरस्यापचित्यै महिम्ना रसेन॥
Por isto, o conhecimento védico tríplice prossegue. Com 'Om' invoca-se, com 'Om' louva-se, com 'Om' entoa-se em voz alta, em reverência a esta mesma sílaba, com sua grandeza e essência.
Trayi Vidya - the threefold Vedic knowledge unified in OmVerse 1.1.10
तेनोभौ कुरुतो यश्चैतदेवं वेद यश्च न वेद। नाना तु विद्या चाविद्या च यदेव विद्यया करोति श्रद्धयोपनिषदा तदेव वीर्यवत्तरं भवतीति खल्वेतस्यैवाक्षरस्योपव्याख्यानं भवति ॥
Portanto, ambos realizam o ritual, aquele que conhece assim e aquele que não conhece. Contudo, conhecimento e ignorância são diferentes. Aquilo que se realiza com conhecimento, fé e visão upanixádica, isso se torna mais potente. Assim certamente é a exposição desta sílaba.
Vidyā (Spiritual Knowledge) and its transformative power in ritual and spiritual practiceVerse 1.2.1
देवासुरा ह वै यत्र संयेतिरे उभये प्राजापत्यास्तद्ध देवा उद्गीथमाजह्रुरनेनैनानभिभविष्याम इति ॥
Os Devas e os Asuras, ambos descendentes de Prajāpati, contenderam entre si. Então os Devas adotaram o Udgītha (Om), pensando: 'Com isto nós os superaremos.'
Cosmic struggle between Devas (divine forces) and Asuras (demonic forces) and the power of Om as spiritual weaponVerse 1.2.2
ते ह नासिक्यं प्राणमुद्गीथमुपासांचक्रिरे तꣳ हासुराः पाप्मना विविधुस्तस्मात्तेनोभयं जिघ्रति सुरभि च दुर्गन्धि च पाप्मना ह्येष विद्धः ॥
Eles adoraram o sopro vital no nariz como o Udgītha. Os Asuras o perfuraram com o mal. Portanto, com ele se cheiram tanto odores fragrantes quanto fétidos, pois foi perfurado pelo mal.
Prāṇa (vital breath) as object of meditation and the duality inherent in sense perceptionVerse 1.2.3
अथ ह वाचमुद्गीथमुपासांचक्रिरे तां हासुराः पाप्मना विविधुस्तस्मात्तयोभयं वदति सत्यं चानृतं च पाप्मना ह्येषा विद्धा ॥
Então eles adoraram a fala como o Udgītha. Os Asuras a perfuraram com o mal. Portanto, ela fala tanto a verdade quanto a mentira, pois está perfurada pelo mal.
Vak (Speech) and its dual natureVerse 1.2.4
अथ ह चक्षुरुद्गीथमुपासांचक्रिरे तद्धासुराः पाप्मना विविधुस्तस्मात्तेनोभयं पश्यति दर्शनीयं चादर्शनीयं च पाप्मना ह्येतद्विद्धम् ॥
Então eles adoraram o olho como o Udgītha. Os Asuras o perfuraram com o mal. Portanto, ele vê tanto o visível quanto o invisível, pois está perfurado pelo mal.
Chakshu (Eye/Sight) and perceptionVerse 1.2.5
अथ ह श्रोत्रमुद्गीथमुपासांचक्रिरे तद्धासुराः पाप्मना विविधुस्तस्मात्तेनोभयं शृणोति श्रवणीयं चाश्रवणीयं च पाप्मना ह्येतद्विद्धम् ॥
Então eles adoraram a audição como o Udgītha. Os Asuras a perfuraram com o mal. Portanto, ela ouve tanto o que é digno de ser ouvido quanto o que não é digno, pois está perfurada pelo mal.
Shrotra (Hearing) and auditory perceptionVerse 1.2.6
अथ ह मन उद्गीथमुपासांचक्रिरे तद्धासुराः पाप्मना विविधुस्तस्मात्तेनोभयं संकल्पते संकल्पनीयं च चासंकल्पनीयं च पाप्मना ह्येतद्विद्धम्
Então eles adoraram a mente como o Udgītha. Os Asuras a perfuraram com o mal. Portanto, através dela se resolve tanto o que deve ser resolvido quanto o que não deve ser resolvido. Pois esta mente está perfurada pelo mal.
Manas (Mind) and its dual nature under the influence of AdharmaVerse 1.2.7
अथ ह य एवायं मुख्यः प्राणस्तमुद्गीथमुपासांचक्रिरे तं हासुरा ऋत्वा विदध्वंसुर्यथाश्मानमाखणमृत्वा विध्वंसेतैवम्
Então eles adoraram o sopro vital principal (mukhya prāṇa) como o Udgītha. Os Asuras, tendo-o golpeado, o destruíram, assim como se destruiria uma pedra golpeando-a com uma pedra.
Mukhya Prana (Chief Vital Breath) and its vulnerabilityVerse 1.2.8
यथाश्मानमाखणमृत्वा विध्वंसत एवं हैव स विध्वंसते य एवंविदि पापं कामयते यश्चैनमभिदासति स एषोऽश्माखणः
Assim como se destrói uma pedra golpeando-a com uma pedra, do mesmo modo ele destrói, aquele que, conhecendo isto, deseja o mal ou amaldiçoa outro. Ele é de fato um esmagador de pedras.
Power of knowledge misused and the destructive nature of negative intentionsVerse 1.2.9
नैवैतेन सुरभि न दुर्गन्धि विजानात्यपहतपाप्मा ह्येष तेन यदश्नाति यत्पिबति तेनेतरान्प्राणानवति एतमु एवान्ततोऽवित्त्वोत्क्रमति व्याददात्येवान्तत इति॥
Por este [Vāyu], não se conhece nem fragrância agradável nem odor fétido. Este está de fato livre do pecado. Pelo que se come e bebe, sustenta-se os outros sopros vitais. Tendo realizado apenas este, parte-se do corpo. No fim, ele [Vāyu] protege sozinho.
Vāyu as Prāṇa - the vital air principle and its role in liberationVerse 1.2.10
तं हाङ्गिरा उद्गीथमुपासांचक्र एतमु एवाङ्गिरसं मन्यन्तेऽङ्गानां यद्रसः॥
Angiras meditou sobre este [Vāyu] como o Udgītha. Consideram apenas este como Angiras - ele é a essência dos membros.
Udgītha as Vāyu - the sacred OM identified with the vital airVerse 1.2.11
तेन तं ह बृहस्पतिरुद्गीथमुपासांचक्र एतमु एव बृहस्पतिं मन्यन्ते वाग्घि बृहती तस्या एष पतिः॥
Portanto, Bṛhaspati meditou sobre isto como Udgītha. Eles consideram apenas isto como Bṛhaspati, pois a fala é verdadeiramente grande (bṛhatī), e este é o seu senhor (pati).
Bṛhaspati as Vāyu - the vital air as lord of speechVerse 1.2.12
तेन तं हायास्य उद्गीथमुपासांचक्र एतमु एवायास्यं मन्यन्त आस्याद्यदयते ॥१.२.१२॥
Com esse conhecimento do Akshara, ele se aproximou de Ayasya para o Udgitha. Eles pensaram que este próprio Ayasya cantaria para eles, pois ele obteria o que desejava.
Akshara (Imperishable Brahman)Verse 1.2.13
तेन तंह बको दाल्भ्यो विदांचकार। स ह नैमिशीयानामुद्गाता बभूव स ह स्मैभ्यः कामानागायति ॥१.२.१३॥
Com isso, Baka Dalbhya veio a conhecer o Akshara. Ele se tornou o Udgata, o cantor, para os Naimishiyas. Ele costumava cantar os objetos de seus desejos para eles.
Udgata - The Enlightened ChanterVerse 1.2.14
आगाता ह वै कामानां भवति य एतदेवं विद्वानक्षरमुद्गीथमुपास्त इत्यध्यात्मम् ॥१.२.१४॥
De fato, aquele que, conhecendo assim, medita sobre o Akshara como o Udgitha torna-se um realizador de desejos. Esta é a explicação Adhyatma, a explicação espiritual.
Upasana - Meditation on Akshara as UdgithaVerse 1.3.1
अथाधिदैवतं य एवासौ तपति तमुद्गीथमुपासीतोद्यन्वा एष प्रजाभ्य उद्गायति। उद्यन्स्तमो भयमपहन्त्यपहन्ता ह वै भयस्य तमसो भवति य एवं वेद ॥
Agora, quanto ao aspecto divino: deve-se meditar sobre o Sol que brilha como o Udgeetha. De fato, ao nascer, ele canta para todos os seres. Ao nascer, ele dissipa a escuridão e o medo. Aquele que assim conhece torna-se um dissipador da escuridão e do medo.
Adhidaiva - the cosmic aspect of Brahman manifest as Surya (Sun)Verse 1.3.2
समान उ एवायं चासौ चोष्णोऽयमुष्णोऽसौ स्वर इतीममाचक्षते स्वर इति प्रत्यास्वर इत्यमुं तस्माद्वा एतमिमममुं चोद्गीथमुपासीत ॥
Este aqui e aquele lá são iguais. Este é quente, aquele é quente. Eles chamam este de Svara, som ou luz, e aquele de Pratyasvara, eco ou som refletido. Portanto, deve-se meditar sobre este e aquele como o Udgeetha.
Svara-Pratyasvara - the correspondence between earthly fire and cosmic Sun as manifestations of one BrahmanVerse 1.3.3
अथ खलु व्यानमेवोद्गीथमुपासीत यद्वै प्राणिति स प्राणो यदपानिति सोऽपानः। अथ यः प्राणापानयोः संधिः स व्यानो यो व्यानः सा वाक्। तस्मादप्राणन्ननपानन्वाचमभिव्याहरति ॥
Agora, deve-se meditar sobre Vyana como o Udgitha. Aquilo pelo qual se expira é Prana; aquilo pelo qual se inspira é Apana. Ora, aquilo que é a junção entre Prana e Apana é Vyana. Aquilo que é Vyana é a fala. Portanto, sem expirar ou inspirar, fala-se.
Prana-Vyana-Apana (Vital Breath Trilogy)Verse 1.3.4
या वाक्सर्क्तस्मादप्राणन्ननपानन्नृचमभिव्याहरति यर्क्तत्साम तस्मादप्राणन्ननपानन्साम गायति यत्साम स उद्गीथस्तस्मादप्राणन्ननपानन्नुद्गायति ॥
Aquela fala que é o Rig Veda, dessa, expirando e inspirando, recita-se os versos Rich. Aquilo que é Rig, isso é Sama; disso, expirando e inspirando, canta-se o Sama. Aquilo que é Sama, isso é Udgitha; disso, expirando e inspirando, canta-se o Udgitha.
Prana-Vak-Sama ConnectionVerse 1.3.5
अतो यान्यन्यानि वीर्यवन्ति कर्माणि यथाग्नेर्मन्थनमाजेः सरणं दृढस्य धनुष आयमनमप्राणन्ननपानꣳस्तानि करोत्येतस्य हेतोर्व्यानमेवोद्गीथमुपासीत्॥
Portanto, quaisquer outras ações vigorosas que existam, como o acender do fogo por fricção, a corrida de uma corrida, o esticar de um arco forte, realiza-se expirando e inspirando. Por esta razão, deve-se adorar apenas Vyana como o Udgitha.
Vyana as UdgithaVerse 1.3.6
अथ खलूद्गीथाक्षराण्युपासीतोद्गीथ इति प्राण एवोत्प्राणेन ह्युत्तिष्ठति वाग्गीर्वाचो ह गिर इत्याचक्षतेऽन्नं थमन्ने हीदꣳसर्वꣳस्थितम्॥
Agora, deve-se adorar as sílabas do Udgitha. Udgitha: Prana é a sílaba ut, pois por Prana ergue-se. A fala é gi, pois a fala é chamada gira. O alimento é tham, pois no alimento tudo isto está estabelecido.
Udgitha as Syllable-MeditationVerse 1.3.7
द्यौरेवोदन्तरिक्षं गीः पृथिवी थमादित्य एवोद्वायुर्गीरग्निस्थं सामवेद एवोद्यजुर्वेदो गीरृग्वेदस्थं दुग्धेऽस्मै वाग्दोहं यो वाचो दोहोऽन्नवानन्नादो भवति य एतान्येवं विद्वानुद्गीथाक्षराण्युपास्त उद्गीथ इत...
O céu, na verdade, é o Ut, a região intermediária é o Gīḥ, a terra é o Tham. O sol, na verdade, é o Ut, o vento é o Gīḥ, o fogo é o Tham. O Sāmaveda, na verdade, é o Ut, o Yajurveda é o Gīḥ, o Ṛgveda é o Tham. Para ele, a fala produz leite, o leite da fala. Aquele que possui o leite da fala torna-se possuidor de alimento e comedor de alimento. Assim, aquele que conhece estas sílabas do Ud-gītha desta maneira deve adorá-las como Ud-gītha.
Ud-gītha (Om) as Cosmic SyllableVerse 1.3.8
अथ खल्वाशीःसमृद्धिरुपसरणानीत्युपासीत येन साम्ना स्तोष्यन्स्यात्तत्सामोपधावेत्॥१.३.८॥
Agora, verdadeiramente, a realização dos desejos, estes são os meios de aproximação, assim deve-se adorar. Com qualquer Sāman que se pretenda louvar, deve-se aproximar daquele Sāman.
Sāman as Vehicle of FulfillmentVerse 1.3.9
यस्यामृचि तामृचं यदार्षेयं तमृषिं यां देवतामभिष्टोष्यन्स्यात्तां देवतामुपधावेत् ॥१.३.९॥
Qualquer Ṛc (verso do Ṛgveda) com que se pretenda louvar, dessa Ṛc deve-se aproximar. Qualquer Ṛṣi (vidente) a ele associado, desse Ṛṣi deve-se aproximar. Qualquer divindade que se pretenda louvar, dessa divindade deve-se aproximar.
Triadic Correspondence in Vedic InvocationVerse 1.3.10
येन छन्दसा स्तोष्यन् स्यात् तच्छन्द उपधावेत् । येन स्तोमेन स्तोष्यमाणः स्यात् तं स्तोमम् उपधावेत् ॥१.३.१०॥
Com qualquer metro (chandas) com o qual ele estivesse prestes a louvar, ele deve se aproximar daquele metro; com qualquer arranjo hímico (stoma) pelo qual ele estivesse sendo louvado, ele deve se aproximar daquele arranjo hímico.
Upāsanā (meditative identification with ritual/sonic forms)Verse 1.3.11
यां दिशम् अभिष्टोष्यन् स्यात् तां दिशम् उपधावेत् ॥१.३.११॥
Em direção a qualquer direção que ele estivesse prestes a louvar, em direção àquela direção ele deve se aproximar.
Saṅkalpa and deśa-dhyāna within upāsanā (intentional orientation)Verse 1.3.12
आत्मानम् अन्ततः उपसृत्य स्तुवीत, कामं ध्यायन्, अप्रमत्तः । अभ्याशो ह यदस्मै स कामः समृध्येत, यत्कामः स्तुवीतेति, यत्कामः स्तुवीतेति ॥१.३.१२॥
Tendo finalmente se aproximado do Si-mesmo, ele deve louvar, meditando sobre um desejo, sendo vigilante. Na verdade, próximo está o cumprimento de que aquele desejo possa prosperar para ele, o desejo pelo qual ele louva, o desejo pelo qual ele louva.
Upasana: the singer's meditation on the supports of the chant, ending with his own self (ātman); the power of attentive praise to fulfil the desire held in mindVerse 1.4.1
ओमित्येतदक्षरमुद्गीथमुपासीतोमिति ह्युद्गायति तस्योपव्याख्यानम् ॥१.४.१॥
Deve-se meditar sobre Om, esta sílaba, como o Udgītha. Pois certamente ele canta [o Sāma] começando com Om. Disso, [segue agora] a exposição.
Omkara as Udgitha (Pranava Upasana)Verse 1.4.2
देवा वै मृत्योर्बिभ्यतस्त्रयीं विद्यां प्राविशन् । ते छन्दोभिरच्छादयन् यदेभिरच्छादयन् तच्छन्दसां छन्दस्त्वम् ॥१.४.२॥
Os deuses, com medo da Morte, entraram no tríplice saber sagrado (o Veda). Cobriram-se com os metros; e aquilo com que se cobriram—isso é a “metrialidade” dos metros.
Amṛtatva (immortality) through Vedic knowledge; protective power of ChandasVerse 1.4.3
तानु तत्र मृत्युर्यथा मत्स्यमुदके परिपश्येदेवं पर्यपश्यदृचि साम्नि यजुषि। ते नु विदित्वोर्ध्वा ऋचः साम्नो यजुषः स्वरमेव प्राविशन्॥
Então a Morte os observou ali, como se observa um peixe na água; assim os perscrutou no Ṛc, no Sāman e no Yajus. Eles, compreendendo isso, elevaram-se acima do Ṛc, do Sāman e do Yajus e entraram apenas no Svara.
Svara (Supreme Tone/Sun) as refuge from DeathVerse 1.4.4
यदा वा ऋचमाप्नोत्योमित्येवातिस्वरत्येवं सामैवं यजुरेष उ स्वरो यदेतदक्षरमेतदमृतमभयं तत्प्रविश्य देवा अमृता अभया अभवन् ॥१.४.४॥
Quando alguém alcança o Ṛc, ultrapassa-o entoando “Om”; assim com o Sāman, assim com o Yajus. Este, de fato, é o Svara—esta sílaba—imortal e sem temor. Entrando nela, os deuses tornaram-se imortais e destemidos.
Praṇava (Om) as Akṣara; Amṛta and Abhaya; essence of Veda and gateway beyond deathVerse 1.4.5
स य एतदेवं विद्वानक्षरं प्रणौति, एतदेवाक्षरं स्वरममृतमभयं प्रविशति। तत्प्रविश्य यदमृता देवास्तदमृतो भवति॥१.४.५॥
Aquele que, sabendo assim, entoa a sílaba imperecível, entra nessa mesma sílaba imperecível — o som, imortal e sem temor. Tendo nela entrado, torna-se imortal, como imortais são os deuses imortais.
Akṣara (Oṃ) as Brahman; Amṛtatva (immortality) through upāsanā/vidyāVerse 1.5.1
अथ खलु य उद्गीथः स प्रणवः। यः प्रणवः स उद्गीथः। इत्यसौ वा आदित्य उद्गीथः। एष प्रणवः—ओमिति ह्येष स्वरन्नेति॥१.५.१॥
Agora, de fato, o Udgītha é o Praṇava; o Praṇava é o Udgītha. Assim, aquele Sol lá é o Udgītha; este é o Praṇava, 'Om', pois ele soa (ressoa) assim.
Praṇava/Oṃ as Udgītha; Āditya-upāsanā (Sun as cosmic sound/Brahman-support)Verse 1.5.2
एतमु एवाहमभ्यगासिषं, तस्मान्मम त्वमेकोऽसीति ह कौषीतकिः पुत्रमुवाच। रश्मींस्त्वं पर्यावर्तय; बहवो वै ते भविष्यन्तीति—अधिदैवतम्॥१.५.२॥
“A este mesmo eu me aproximei”, assim Kauṣītaki disse a seu filho; “por isso, tu és o meu único. Faz voltar os raios; muitos, de fato, serão teus” — isto é dito com referência ao aspecto divino (adhidaivata).
Adhidaivata-upāsanā; solar symbolism (rays) as powers/offspring; efficacy of vidyā for prosperity and expansionVerse 1.5.3
अथाध्यात्मं य एवायं मुख्यः प्राणस्तमुद्गीथमुपासीत । ओमिति ह्येष स्वरन्नेति ॥ १.५.३ ॥
Agora, quanto ao Si mesmo: deve-se meditar neste sopro vital supremo (prāṇa) como o Udgītha; pois ele, ao ressoar, é verdadeiramente “Om”.
Prāṇa as a symbol/support (ālambana) for Om/Udgītha; inner upāsanāVerse 1.5.4
एतमु एवाहमभ्यगासिषं तस्मान्मम त्वमेकोऽसीति ह कौषीतकिः पुत्रमुवाच प्राणाꣳस्त्वं भूमानमभिगायताद्बहवो वै मे भविष्यन्तीति ॥
Atingi precisamente isto; por isso, tu és o único que me pertence. Assim disse Kauṣītaki ao seu filho: “Canta às prāṇas como o Bhūman, a Plenitude; então muitos serão meus”.
Bhūmā (Infinite Fullness) and PrāṇaVerse 1.5.5
अथ खलु य उद्गीथः स प्रणवः । यः प्रणवः स उद्गीथ इति । होतृषदनाद्धैवापि दुरुद्गीथमनुसमाहरतीत्यनुसमाहरतीति ॥ १.५.५ ॥
Agora, de fato, o Udgītha é o Praṇava; e o Praṇava é o Udgītha. Do assento do Hotṛ, além disso, ele corrige (traz à ordem adequada) até mesmo um Udgītha defeituoso, assim (se diz), assim (se diz).
Praṇava (Oṃ) as the essence of Udgītha; corrective/ordering power of sacred soundVerse 1.6.1
इयमेव ऋगग्निः साम। तदेतदेतस्याम् ऋच्यध्यूढं साम। तस्माद् ऋच्यध्यूढं साम गीयते। इयमेव साग्निरम् अस् तत्साम॥१.६.१॥
Este, de fato, é o Ṛc (ṛk) e Agni é o Sāman. Este próprio Sāman está montado sobre este Ṛc. Portanto, o Sāman que está montado sobre o Ṛc é cantado. Este, de fato, é aquele Sāman: Agni é seu 'am'.
Brahman as manifest in sacred sound (nāda/śabda) and cosmic correspondences (bandhu)Verse 1.6.2
अन्तरिक्षमेव ऋग्वायुः साम। तदेतदेतस्याम् ऋच्यध्यूढं साम। तस्माद् ऋच्यध्यूढं साम गीयते। अन्तरिक्षमेव स वायुरम् अस् तत्साम॥१.६.२॥
O espaço intermediário (atmosfera), de fato, é o Ṛc; Vāyu (Vento) é o Sāman. Este próprio Sāman está montado sobre este Ṛc. Portanto, o Sāman montado sobre o Ṛc é cantado. Este, de fato, é aquele Sāman: Vāyu é seu 'am'.
Cosmic correspondences (bandhu) as contemplative upāsanā; prāṇa principle hinted through VāyuVerse 1.6.3
द्यौरेव ऋगादित्यः साम। तदेतदेतस्याम् ऋच्यध्यूढं साम। तस्माद् ऋच्यध्यूढं साम गीयते। द्यौरेव स आदित्योऽमस् तत्साम॥१.६.३॥
O céu, de fato, é o Ṛc; Āditya (o Sol) é o Sāman. Este próprio Sāman está montado sobre este Ṛc. Portanto, o Sāman montado sobre o Ṛc é cantado. Este, de fato, é aquele Sāman: Āditya é seu 'amas'.
Brahman contemplated through solar symbolism; unity of speech, chant, and cosmic order (ṛta)Verse 1.6.4
नक्षत्राण्येव ऋक्, चन्द्रमाः साम। तदेतदेतस्यामृच्यध्यूढं साम। तस्मादृच्यध्यूढं साम गीयते। नक्षत्राण्येव सा, चन्द्रमा अमः; तत्साम॥१.६.४॥
As estrelas, de fato, são o Ṛc (o verso do Ṛg); a lua é o Sāman (o canto). Este é o Sāman apoiado nesse Ṛc; por isso o Sāman é entoado como apoiado num Ṛc. As estrelas são o “sā” (a sílaba inicial), e a lua é o “ama” (as sílabas finais): isso é o Sāman.
Upasana (symbolic meditation on cosmic correspondences leading toward Brahman-knowledge)Answers come straight from the texts, with the shlokas they draw on. Ask in your own words.
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