
Tema principal: Assegurar a inteireza e a vantagem por meio de poderes lunares de fertilidade, médicos divinos e alianças que guardam a vitória. Subtemas: Concepção, parto seguro e estabelecimento da descendência (Sinīvālī); restauração/reparação de lesões corporais e da fertilidade (Rākā); eficácia ritual e distribuição de riqueza na lua nova (Kuhū); cura e purificação por médicos divinos (Soma–Rudra); vitória, precedência e ruptura de tramas hostis (Indra; Indra–Viṣṇu); pacificação social.
Este breve hino de dois mantras invoca Suparṇa/Śyena — a ave divina, veloz e de olhar penetrante — como portador benfazejo que vence ermos, águas e regiões inferiores para chegar de modo auspicioso em aliança com Indra. Ele funciona como um encanto apotropaico de «condução bem-sucedida»: garante a chegada segura do poder/dádiva desejado(a) e a restituição dos bens levados, com a sanção estável dos ancestrais (Pitṛ).
AV 7.42 é um encanto conciso de cura e purificação em dois versos, que invoca as potências emparelhadas Soma e Rudra como médicos divinos. Pede‑se que afastem a aflição errante (doença/influência maléfica), banam Nirṛti (calamidade/destruição) para bem longe e afrouxem a força que ata o enas (culpa cometida), tida como aderente ao corpo e à casa. O poder do hino está em sua dupla ação: expulsar o infortúnio e desatar interiormente o pecado como uma restrição corporal tangível.
Este hino de um só verso dirige-se a Vāc (a Fala) como um poder que pode manifestar-se tanto de modo auspicioso quanto inauspicioso, e pede que prevaleça a sua forma graciosa. Ele reflete a teoria atharvânica do mantra ao localizar múltiplas «vozes» no interior da pessoa e ao buscar uma liberação disciplinada do som, para que a enunciação se torne protetora, e não nociva.
Este encanto atharvavédico de um só verso invoca o poder conjunto de Indra e Viṣṇu como conquistadores inconquistados, garantindo a vitória e impedindo a derrota total ou a perda. Ele também apresenta a prosperidade como uma «distribuição tríplice» ordenada e divinamente sancionada de um «milhar» (despojos, gado, força ou recursos), posta em movimento por sua energia competitiva.
Este breve hino de dois mantras é um encanto de cura social que trata a īrṣyā (ciúme/inveja) como uma força ardente e nociva e invoca um bheṣaja (remédio/contra-agente) para neutralizá-la. O locutor “busca” o contra-agente de longe — simbolicamente da esfera humana partilhada e até do Sindhu — e então ordena que a inveja seja extraída e apagada como um tição, restaurando ao beneficiário a paz social e a proteção.
Este breve hino doméstico da tradição atharvavédica invoca Sinīvālī como a patrona divina da concepção, do parto seguro e do estabelecimento estável da descendência no seio da casa. Por meio de simples oferendas de āhuti e de louvor direto, busca remover a esterilidade, assegurar «muitos filhos» e alinhar a prosperidade conjugal (um pati digno) com a fertilidade e o êxito florescente (rādhas).
Este breve hino paustika invoca Kuhū — o poder lunar auspicioso associado à noite de lua nova — para tornar eficaz o sacrifício e «atribuir» ao sacrificante uma riqueza abrangente e escolhida. Por meio do chamado repetido (johavīmi) e do pedido para que ela aceite o havis, a sukta visa rāyas-poṣa (aumento da prosperidade) e a dádiva de um filho-herói vigoroso (vīra). Sua força está em alinhar a oferenda doméstica com o aspecto receptivo e portador de fertilidade de Kuhū, para que abundância e linhagem sejam asseguradas conjuntamente.
Este breve hino atharvânico invoca Rākā, o poder da lua cheia de restauração e fertilidade, para que «costure» o que foi perfurado ou cortado e torne o corpo novamente inteiro. No mesmo fôlego, pede-lhe que conceda um filho-herói vigoroso e prosperidade, apresentando a plenitude lunar como modelo de integridade corporal e de incremento da casa.
AV 7.49 invoca as Devapatnīs — as consortes dos grandes deuses — como uma força protetora coletiva para que nos « guardem adiante » no ataque, no confronto e na conquista do prêmio. Ao convocar tanto divindades femininas sem nome quanto as nomeadas (Indrāṇī, Agneyī, Varuṇānī, Aśvinī), o hino busca uma paz-abrigo (śarma) e a ativação de uma ordem auspiciosa, incluindo o tempo correto (ṛtu) para as mulheres, dentro de um recinto cósmico que abrange a terra e as águas.
Este hino é um encanto de vitória e prosperidade: reúne vantagem de todas as direções, desfaz artimanhas hostis e assegura precedência em contextos régios ou competitivos. Ele acopla a força conquistadora de Indra Puruhūta aos poderes que a tudo sustentam (viśve) e também convoca Bhaga, o distribuidor da fortuna, para que riqueza e ganhos «venham para a mão». Visa explicitamente a má sorte — tramas de má intenção, fome e a vantagem «feita» do adversário (kṛta) — convertendo-as em proveito do patrono.
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