
Tema principal: desatar (mocana) dos vínculos de apreensão/possessão, do pecado (enas) e da dívida (ṛṇa) por meio de ritos purificatórios e jurídico‑morais. Subtemas: cura exorcística da apreensão e do desvario (grāhi, unmāda); prāyaścitta — libertação de faltas conhecidas e desconhecidas na vigília e no sono; liberação da dívida (ānṛṇya) e afrouxamento dos laços de Yama; o jogo como gerador de dívida e culpa (kilbiṣa); segurança alimentar e fruição ordenada sob supervisão do dharma; reparação escatológica — relação correta com a ordem cósmica e moral.
Este breve hino curativo de tradição atharvânica trata o unmāda (desvario/loucura) como uma condição de cativeiro e de tomada hostil, a ser afrouxada pela força purificadora e libertadora de Agni. Ele combina a remoção exorcística (rakṣas, « Apsaras malignas » e a « mácula divina »/deva-enas) com um « trazer de volta » restaurador da mente, da fala e da normalidade sócio-religiosa do paciente, culminando na retomada da porção de oferenda devida (bhāgadheya) a Agni.
AVŚ 6.112 é um compacto encanto atharvânico de desatamento, que toma os «laços/cordas» (pāśa) como imagem ritual de apreensão, constrição e aflição ameaçadora da vida. Agni é invocado como pāśa-mocaka, o libertador perito que sabe cortar o que é «grāhya» (o que agarra/possui), enquanto os Viśve Devāḥ sancionam o ato. O hino amplia a libertação do indivíduo aflito para toda a casa e termina purificando o durita (mal/infortúnio) subjacente que sustenta o vínculo.
Este breve hino de cura e apotropaico rompe um «grāhi» —uma aflição que “agarra” ou uma possessão— ao remover primeiro o enas humano (culpa/poluição) pelo precedente mítico da purificação de Trita. Em seguida, expulsa o pāpmān (o mal personificado) para portadores naturais dispersivos —raios, fumaça, névoa e espuma do rio—, invocando os Viśve Devāḥ e Pūṣan para “apagar” o durita e destruir o que agarra por meio do brahman (poder do mantra).
Este breve hino de prāyaścitta é uma prece de «desvinculação» (unmocana) dirigida aos Ādityas e a todos os deuses, para libertar o sacrificante dos laços gerados por ofensa aos deuses, negligência ritual ou intenção defeituosa. Ele invoca a própria ṛta — «ordem após ordem» — como força restauradora que anula a culpa e restabelece a relação correta entre o adorador, o sacrifício e os deuses.
Este breve hino de prāyaścitta-śānti pede aos Viśve Devāḥ que «desatem» todo enas (falha moral/ritual) cometido consciente ou inconscientemente, em vigília ou no sono. Com metáforas vívidas — libertação de um bloco de madeira, lavagem da sujeira por meio do banho e ghee purificado através de um coador — busca uma purificação completa tanto da conduta exterior quanto da mente interior. Sua força está na remissão divina unânime (sajōṣas) e na passagem do cativeiro à pureza.
Este breve hino paustika assegura um alimento «doce como mel», abundante e ritualmente adequado, ao colocar a vida do alimento sob a jurisdição ordenada do Rei Vaivasvata (Yama). Ele também atua como uma expiação silenciosa: qualquer falta herdada ou oriunda do parentesco (da mãe, do pai, do irmão, do filho ou da intenção da mente) que pudesse manifestar-se como deterioração, perda ou praga sobre as provisões é nomeada e neutralizada. A força do hino está em reenquadrar o alimento como yajñiya (protegido pelo sacrifício) e em apaziguar forças ancestrais ou de além-mundo que impedem a prosperidade.
Este breve Anṛṇya-sūkta é um encanto jurídico-moral e escatológico que busca a libertação do vínculo coercitivo das obrigações não pagas, imaginadas como os laços de Yama. Agni é invocado como purificador, testemunha e desatador de vínculos, que «conhece todos os pāśas», possibilitando o pagamento, a remoção do mal do consumo não quitado e a passagem segura, sem dívidas, através dos mundos.
Este breve hino em anuṣṭubh trata da patologia social e moral do jogo, transferindo ritualmente para longe a dívida (ṛṇa) e a culpa/mancha (kilbiṣa) incorridas pelo jogo de dados e pelo agarrar ávido dos ganhos. Invoca as Apsaras associadas aos dados, Ugrampaśyā e Ugrajit, para que «deixem a dívida seguir embora», e enfrenta a ameaça escatológica de que tal dívida estenda sobre o transgressor a corda/o laço de Yama. O verso final enquadra a resolução da dívida como questão de fala (vāc) autoritativa, amparada pelo divino, sustentando um acordo favorável e a solvência restaurada (ānṛṇya).
AV 6.119 é um breve encanto atharvânico para ānṛṇya — a libertação dos «laços» que prendem a dívida e do emaranhado moral‑jurídico que acompanha as contendas. Invoca Agni Vaiśvānara como senhor da casa, testemunha e purificador, que conhece os nós ocultos da obrigação, os desata e reconduz o suplicante ao «mundo do sukṛta» (mérito e boa reputação/boa posição). O hino também pede purificação do enas (culpa/mancha) contraído ao entrar numa disputa por ignorância ou por esperança desesperada.
Este hino atharvavédico de três versos busca uma ascensão segura à sukṛta-loka («mundo alcançado pelo mérito») ao reparar rupturas contra a família cósmica — Terra, Espaço intermédio e Céu — e contra os próprios pais. Invoca o fogo doméstico (Gārhapatya Agni) como purificador que conduz para o alto e imagina um estado celeste curado e sem mácula, no qual se reencontra com ancestrais e descendentes. O poder do mantra é enquadrado tanto como expiatório (removendo culpa e imprecação) quanto como paustika — garantindo bem-estar, estabilidade e uma colocação auspiciosa após a morte.
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