Adhyaya 4
Avatara-lilaAdhyaya 420 Verses

Adhyaya 4

Varāhādy-avatāra-varṇana (Description of Varāha and Other Incarnations)

Agni inicia um ciclo conciso de avatāras, enquadrando a descida divina como restauração do yajña (ordem sacrificial), dos direitos dos devas e do equilíbrio da terra. Primeiro, Hiraṇyākṣa subjuga os devas; Viṣṇu responde como Varāha—explicitamente identificado como Yajñarūpa, a própria forma do sacrifício—matando a ameaça asúrica e assegurando a proteção do Dharma. Em seguida, Hiraṇyakaśipu toma as porções do sacrifício e a autoridade divina; Viṣṇu manifesta-se como Narasiṃha para recolocar os devas em seus postos legítimos. Depois, os devas derrotados buscam refúgio, e Viṣṇu aparece como Vāmana, entrando na arena sacrificial de Bali; por meio do dom de água juridicamente vinculante e do pedido de três passos, expande-se para abranger os três mundos, desloca Bali para Sutala e devolve a soberania a Indra. Por fim, Agni delineia a descida de Paraśurāma para remover o fardo da terra causado por kṣatriyas arrogantes: nascido de Jamadagni e Reṇukā, mata Kārttavīrya, vinga a morte de Jamadagni, pacifica a terra vinte e uma vezes e doa a terra a Kaśyapa. O capítulo encerra com uma phalaśruti: ouvir esses avatāras conduz ao céu, destacando o śravaṇa (a escuta devocional) como disciplina purânica.

Shlokas

Verse 1

रसा तां जगाम ह मोहिनीं प्राप्य मतिमान् स्त्रियः केशामधारयदिति ग, चिह्नितपुस्तकपाठः तत्र तत्र महातीर्थं क्षेत्राणामुत्तमोत्तममिति ग, चिह्नितपुस्तकपाठः अथ चतुर्थो ऽध्यायः वराहाद्यवतारवर्णनं अग्निर् उवाच अवतारं वराहस्य वक्ष्ये ऽहं पापनाशनम् हिरण्याक्षो ऽसुरेशो ऽभूत् देवान् जित्वा दिवि स्थितः

“(Em alguns manuscritos assinalados registram-se leituras variantes:) ‘Rasā foi até lá’; e ‘Tendo obtido Mohinī, o sábio segurou as mulheres pelos cabelos’; e ‘Aqui e ali há grandes tīrthas—cada lugar sagrado é o melhor entre os campos santos’. Agora começa o quarto capítulo: a descrição de Varāha e de outras encarnações. Disse Agni: ‘Descreverei a encarnação de Varāha, destruidora do pecado. Hiraṇyākṣa tornou-se o senhor dos Asuras; tendo vencido os deuses, permaneceu estabelecido no céu’.”

Verse 2

देवैर् गत्वा स्तुतो विष्णुर् यज्ञरूपो वराहकः अभूत्, तं दानवं हत्वा दैत्यैः साकञ्च कण्टकम्

Procurado pelos deuses e louvado, Viṣṇu tornou-se o Javali (Varāha), cuja própria forma era o Yajña (sacrifício). Tendo morto aquele Dānava, destruiu também o “espinho” —a ameaça obstrutiva— juntamente com os Daityas.

Verse 3

धर्मदेवादिरक्षाकृत् ततः सो ऽन्तर्दधे हरिः हिरण्याक्षस्य वै भ्राता हिरण्यकशिपुस् तथा

Tendo assegurado a proteção do Dharma e dos deuses, Hari então desapareceu. E, de fato, Hiraṇyakaśipu era irmão de Hiraṇyākṣa.

Verse 4

जितदेवयज्ञभागः सर्वदेवाधिकारकृत् नारसिंहवपुः कृत्वा तं जघान सुरैः सह

Depois de ter tomado as porções do sacrifício devidas aos deuses e usurpado a autoridade pertencente a todas as divindades, (Viṣṇu), assumindo a forma corpórea de Narasiṃha, matou-o juntamente com os deuses.

Verse 5

स्वपदस्थान् सुरांश् चक्रे नारसिंहः सुरैः स्तुतः देवासुरे पुरा युद्धे बलिप्रभृतिभिः सुराः

Louvado pelos deuses, Narasiṃha restituiu os Devas aos seus próprios lugares. Outrora, na guerra entre Devas e Asuras, os deuses haviam sido subjugados por Bali e outros.

Verse 6

जिताः स्वर्गात्परिभ्रष्टा हरिं वै शरणं गताः सुराणामभयं दत्वा अदित्या कश्यपेन च

Derrotados e expulsos do céu, eles de fato foram a Hari em busca de refúgio; e Aditi, juntamente com Kaśyapa, concedeu aos deuses a destemor (ausência de medo).

Verse 7

स्तुतो ऽसौ वामनो भूत्वा ह्य् अदित्यां स क्रतुं ययौ बलेः श्रीयजमानस्य, राजद्वारे ऽगृणात् श्रुतिं

Assim louvado, tornou-se Vāmana; e, de fato, juntamente com Aditi foi ao rito sacrificial de Bali, o ilustre patrono do yajña, e, à porta real, recitou uma fórmula védica sagrada.

Verse 8

देवान् पठन्तं तं श्रुत्वा वामनं वरदो ऽब्रवीत् निवारितो ऽपि शुक्रेण बलिर् ब्रूहि यद् इच्छसि

Ao ouvir Vāmana recitar invocações aos deuses, o doador de dádivas (Bali) disse: “Ainda que Śukra te detenha, ó Bali, dize o que desejas.”

Verse 9

तत्ते ऽहं सम्प्रदास्यामि, वामनो बलिमब्रवीत् रोभूदिति घ, चिह्नितपुस्तकपाठः सुरान् जित्वेति ख, चिह्नितपुस्तकपाठः सार्धन्तु कण्टकमिति ख, घ, चिह्नितपुस्तकद्वयपाठः हिरण्यकशिपुस्तदेति घ, चिह्नितपुस्तकपाठः हरिन्ते इति ख, ग, घ, चिह्नितपुस्तकत्रयपाठः पदत्रयं हि गुर्वर्थं देहि दास्ये तमब्रवीत्

Bali disse: «Certamente te concederei isso». Então Vāmana falou a Bali: «Dá-me três passos, pois é para um propósito grave e elevado». E ele respondeu: «Eu darei».

Verse 10

तोये तु पतिते हस्ते वामनो ऽभूदवामनः भूर्लोकं स भुवर्लोकं स्वर्लोकञ्च पदत्रयं

Mas quando a água foi derramada em sua mão para confirmar a dádiva, o Anão (Vāmana) deixou de ser anão; e com três passadas abrangeu Bhūrloka (a terra), Bhuvarloka (a região intermediária) e Svargaloka (o céu).

Verse 11

चक्रे बलिञ्च सूतलं तच्छक्राय ददौ हरिः शक्रो देवैर् हरिं स्तुत्वा भुवनेशः सुखी त्वभूत्

Hari (Viṣṇu) colocou Bali em Sutala e concedeu esse reino a Śakra (Indra). Então Śakra, junto com os deuses, louvou Hari e tornou-se feliz como senhor dos mundos.

Verse 12

वक्ष्ये परशुरामस्य चावतारं शृणु द्विज उद्धतान् क्षत्रियान् मत्वा भूभारहरणाय सः

Agora narrarei a descida (avatāra) de Paraśurāma—ouve, ó duas-vezes-nascido. Considerando que os kṣatriyas se tornaram arrogantes, ele encarnou para remover o fardo da terra.

Verse 13

अवतीर्णो हरिः शान्त्यै देवविप्रादिपालकः जमदग्ने रेणुकायां भार्गवः शस्त्रपारगः

Para o estabelecimento da paz, Hari desceu como Bhārgava (Paraśurāma), protetor dos deuses, dos brâmanes e dos demais. Nascido de Jamadagni e Reṇukā, era plenamente consumado na ciência das armas.

Verse 14

दत्तात्रेयप्रसादेन कार्त्तवीर्यो नृपस्त्वभृत् सहस्रबाहुः सर्वोर्वी- पतिः स मृगयां गतः

Pela graça de Dattātreya, ergueu-se o rei Kārttavīrya—conhecido como Sahasrabāhu—senhor soberano de toda a terra; e partiu numa expedição de caça.

Verse 15

श्रान्तो निमन्त्रितो ऽरण्ये मुनिना जमदग्निना कामधेनुप्रभावेण भोजितः सबलो नृपः

Exausto, o rei—com as suas tropas—foi convidado na floresta pelo sábio Jamadagni e foi alimentado pelo poder de Kāmadhenu.

Verse 16

अप्रार्थयत् कामधेनुं यदा स न ददौ तदा हृतवानथ रामेण शिरश्छित्वा निपातितः

Quando pediu Kāmadhenu e o outro não a concedeu, então a tomou à força; depois, Rāma decepou-lhe a cabeça e o abateu.

Verse 17

युद्धे परशुना राजा धेनुः स्वाश्रममाययौ कार्त्तवीर्यस्य पुत्रैस्तु जमदग्निर्निपातितः

Na batalha, o rei foi morto por Paraśu (Paraśurāma) com o seu machado; e a vaca retornou ao seu próprio āśrama. Mas os filhos de Kārttavīrya mataram Jamadagni.

Verse 18

रामे वनं गते वैराद् अथ रामः समागतः पितरं निहतं दृष्ट्वा पितृनाशाभिमर्षितः

Quando Rāma havia ido à floresta, por inimizade ele retornou; e, ao ver o pai morto, foi tomado pela angústia diante da perda do progenitor.

Verse 19

त्रिःसप्तकृत्वः पृथिवीं निःक्षत्रामकरोद्विभुः कुरुक्षेत्रे पञ्च कुण्डान् कृत्वा सन्तर्प्य वै पितॄन्

Vinte e uma vezes, o Poderoso tornou a terra desprovida de kṣatriyas. Depois, em Kurukṣetra, tendo construído cinco fossos de fogo ritual, ele de fato satisfez os Pitṛ, os Pais ancestrais, por meio de oferendas.

Verse 20

मे गुर्वर्थमिति ख, चिह्नितपुस्तकपाठः भ्रान्त इति ख, चिह्नितपुस्तकपाठः अप्रार्थयद्धोमधेनुमिति ख, ग, चिहिनितपुस्तकद्वयपाठः सधेनुश्चाश्रमं ययौ इति ख, घ, ङ, चिह्नितपुस्तकत्रयपाठः काश्यपाय महीं दत्वा महेन्द्रे पर्वते स्थितः कूर्मस्य च वराहस्य नृसिंहस्य च वामनं अवतारं च रामस्य श्रुत्वा याति दिवं नरः

“Para o propósito do meu mestre”—assim lê um manuscrito assinalado; “equivocado”—assim lê um manuscrito assinalado; “ele pediu a vaca sacrificial para o homa”—assim leem dois manuscritos assinalados; “e, com a vaca, foi ao āśrama”—assim leem três manuscritos assinalados. Tendo dado a terra a Kaśyapa e permanecendo no monte Mahendra, o homem que ouve sobre os avatāras—Kūrma, Varāha, Narasiṃha, Vāmana e Rāma—vai ao céu.

Frequently Asked Questions

Varāha is described as Yajñarūpa—Viṣṇu embodying sacrifice itself—so the slaying of Hiraṇyākṣa is framed as restoring yajña, deva-protection, and Dharma rather than merely winning a battle.

The gift is confirmed by the pouring of water into the hand (dāna-saṅkalpa), after which Vāmana’s three strides establish cosmic jurisdiction; the episode links sovereignty, ritual contract, and the reallocation of power (Bali to Sutala; Indra restored).

The narrative explicitly cites Kṣatriya arrogance as destabilizing the world; Paraśurāma’s campaign and subsequent donation of the earth to Kaśyapa function as corrective re-ordering aligned with Dharma and brahminical guardianship.

It concludes that one who hears these avatāra accounts (including Kūrma, Varāha, Narasiṃha, Vāmana, and Rāma) attains heaven, presenting śravaṇa as a meritorious devotional practice.