
O Niralamba Upanishad (associado ao Atharvaveda) integra o conjunto dos Upanishads de saṃnyāsa: um texto breve, porém incisivo, de orientação advaita. “Nirālamba” significa “sem apoio”: abandonar todo suporte externo (bens, status, identidade social) e também suportes internos mais sutis (objeto de meditação, experiências extraordinárias, apego conceitual) para permanecer no Ātman/Brahman auto-luminoso. O saṃnyāsa é entendido sobretudo como renúncia ao senso de agência e fruição, e não apenas como mudança social. Em espírito próximo ao “neti-neti”, o Upanishad afirma que o Si não é corpo, sentidos, prāṇa, mente ou intelecto, mas a consciência-testemunha incondicionada. Quando a dualidade se aquieta, surgem naturalmente equanimidade, desapego e destemor. A libertação (mokṣa) não é produzida pela ação; é o reconhecimento direto (aparokṣa-jñāna) que se revela quando caem os apoios da ignorância.
Start Reading- Nirālamba (supportless) realization: abiding as Ātman/Brahman without reliance on objects
concepts
or identities
- Saṃnyāsa as inner renunciation: dropping doership/enjoyership and the sense of possession
not merely changing external life
- Advaita ontology: Brahman alone is real; the world is experienced through māyā/avidyā and superimposition (adhyāsa)
- Neti-neti dis-identification: the Self is distinct from body
senses
prāṇa
mind
and intellect; it is the witnessing consciousness
- Aparokṣa-jñāna: liberation through immediate knowledge
not through ritual action or accumulated merit
- Asanga (non-attachment) and samatā (equanimity): the liberated stance amid pleasure/pain
honor/dishonor
- Fearlessness (abhaya) as a mark of realization: when the second (dvaita) is negated
fear dissolves
- Guru–śiṣya instruction and śravaṇa–manana–nididhyāsana: hearing
reflection
and contemplative assimilation leading to steady abidance
- Renunciation of subtle supports: letting go of siddhis
visions
and even meditative “objects” to rest in pure awareness
40 verses with Sanskrit text, transliteration, and translation.
Verse 1
ॐ नमः शिवाय गुरवे सच्चिदानन्दमूर्तये । निष्प्रपञ्चाय शान्ताय निरालम्बाय तेजसे ॥ निरालम्बं समाश्रित्य सालम्बं विजहाति यः । स संन्यासी च योगी च कैवल्यं पदमश्नुते ॥१॥
Om. Reverência a Śiva, ao Guru cuja forma é Existência–Consciência–Bem-aventurança; Àquele que está além da proliferação fenomênica, pacífico, sem apoio (nirālamba) e luminoso. Quem, refugiando-se no Sem-Apoio, abandona tudo o que é apoiado (todas as dependências), esse é ao mesmo tempo renunciante e iogue; alcança o estado de kaivalya, a solidão absoluta/libertação.
Nirālamba Brahman (supportless Absolute) as the basis of sannyāsa, yoga, and kaivalya/mokṣaVerse 2
एषामज्ञानजन्तूनां समस्तारिष्टशान्तये । यद्यद्बोद्धव्यमखिलं तदाशङ्क्य ब्रवीम्यहम् ॥२॥
Para a pacificação de todos os infortúnios destes seres mergulhados na ignorância, eu, Āśaṅkya, declaro—após ponderar—tudo quanto deve ser conhecido por inteiro.
Ajñāna as the root of suffering; teaching (upadeśa) aimed at śānti through knowledgeVerse 3
किं ब्रह्म । क ईश्वरः । को जीवः । का प्रकृतिः । कः परमात्मा । को ब्रह्मा । को विष्णुः । को रुद्रः । क इन्द्रः । कः शमनः । कः सूर्यः । कश्चन्द्रः । के सुराः । के असुराः । के पिशाचाः । के मनुष्याः । काः...
Śaṅkya perguntou: “O que é Brahman? Quem é Īśvara? Quem é o jīva? O que é prakṛti? Quem é o Paramātman? Quem é Brahmā? Quem é Viṣṇu? Quem é Rudra? Quem é Indra? Quem é Yama? Quem é o Sol? Quem é a Lua? Quem são os deuses? Quem são os asuras? Quem são os piśācas? Quem são os seres humanos? Quem são as mulheres? Quem são os animais e os demais? O que é o imóvel? Quem são os brāhmaṇas e os demais? O que é a casta (jāti)? O que é ação (karma)? O que é não-ação? O que é conhecimento? O que é ignorância? O que é felicidade? O que é sofrimento? O que é céu? O que é inferno? O que é cativeiro? O que é libertação? Quem deve ser adorado? Quem é o discípulo? Quem é o sábio? Quem é o iludido? O que é demoníaco? O que é austeridade (tapas)? Qual é o estado supremo? O que deve ser aceito? O que não deve ser aceito? Quem é o renunciante (saṃnyāsin)?”—assim perguntou. Ele respondeu: “Brahman.”
Sarva-prapañca as reducible to Brahman; non-dual resolution of all categories (tattva-vicāra culminating in Brahman)Verse 4
स होवाच— महदहङ्कारपृथिव्यप्तेजोवाय्वाकाशत्वेन बृहद्रूपेणाण्डकोशेन कर्मज्ञानार्थरूपतया भासमानम् अद्वितीयम् अखिलोपाधिविनिर्मुक्तं तत् सकलशक्त्युपबृंहितम् अनाद्यनन्तं शुद्धं शिवं शान्तं निर्गुणम् इत्यादि...
Ele disse: Essa Consciência, Brahman—também chamada Īśvara—é aquilo que, aparecendo como o grande princípio (mahat), como a egoidade (ahaṅkāra), como terra, água, fogo, ar e espaço, e como a vasta forma do ovo cósmico, e ainda como as formas da ação, do conhecimento e de seus objetos, resplandece; e, no entanto, é não-dual, livre de todos os upādhis (adjuntos limitadores), pleno de todas as potências, sem começo e sem fim, puro, auspicioso, pacífico, sem atributos; designável por tais termos e, contudo, em última instância, indizível: a Consciência que é Brahman.
Brahman/Īśvara as non-dual Consciousness; upādhi-vinirmukti; nirguṇa-svarūpaVerse 5
ब्रह्मैव स्वशक्तिं प्रकृत्यभिधेयामाश्रित्य लोकान् सृष्ट्वा प्रविश्यान्तर्यामित्वेन ब्रह्मादीनां बुद्धीन्द्रियनियन्तृत्वाद् ईश्वरः॥ जीव इति च ब्रह्मविष्ण्वीशानेन्द्रादीनां नामरूपद्वारा स्थूलोऽहमिति मिथ...
Somente Brahman, apoiando-se em Seu próprio poder chamado Prakṛti, cria os mundos e, tendo neles entrado, é chamado Īśvara por ser o Regente interior (antaryāmin) e o controlador do intelecto e dos sentidos de Brahmā e dos demais. E ‘jīva’ é assim denominado por força da falsa superimposição: por meio de nomes e formas como Brahmā, Viṣṇu, Īśāna, Indra e outros, surge a noção ilusória ‘eu sou o corpo grosseiro’. Embora o ‘Eu’ seja um só, torna-se muitos jīvas devido às diferenças dos corpos e de seus princípios constitutivos.
Īśvara (antaryāmin) and jīva as adhyāsa; ekātman appearing as manyVerse 6
प्रकृतिरिति च ब्रह्मणः सकाशान् नानाविचित्रजगन्निर्माणसामर्थ्यबुद्धिरूपा ब्रह्मशक्तिरेव प्रकृतिः॥६॥
E ‘Prakṛti’ é, de fato, a própria potência de Brahman: uma força de natureza inteligível/potencial, pela qual há a capacidade de construir o universo múltiplo e multiforme, procedente de Brahman.
Prakṛti/Māyā as Brahma-śakti; śakti-śaktimat relationVerse 7
परमात्मेति च देहादेः परतरत्वाद् ब्रह्मैव ॥७॥
Ele é o Paramātman, transcendente ao corpo e a tudo o que dele procede; e é, em verdade, o próprio Brahman.
Atman–Brahman identity; transcendence of upādhis (body etc.)Verse 8
परमात्मा स ब्रह्मा स विष्णुः स इन्द्रः स शमनः स सूर्यः स चन्द्रः । ते सुरास्ते असुरास्ते पिशाचास्ते मनुष्यास्ताः स्त्रियस्ते पश्वादयः । तत्स्थावरं ते ब्राह्मणादयः । सर्वं खल्विदं ब्रह्म नेह नानास्ति क...
O Paramātman é Brahmā, é Viṣṇu, é Indra, é Yama, é o Sol, é a Lua; Ele é os deuses e os asuras, os piśācas, os seres humanos, as mulheres, os animais e demais, o imóvel e o fixo, os brâmanes e os outros. Em verdade, tudo isto é Brahman; aqui não há diversidade alguma.
Non-duality (advaita); sarvaṃ brahma; unity underlying names and formsVerse 9
परमात्मा स ब्रह्मा स विष्णुः स इन्द्रः स शमनः स सूर्यः स चन्द्रः । ते सुरास्ते असुरास्ते पिशाचास्ते मनुष्यास्ताः स्त्रियस्ते पश्वादयः । तत्स्थावरं ते ब्राह्मणादयः । सर्वं खल्विदं ब्रह्म नेह नानास्ति क...
O Paramātman é Brahmā, é Viṣṇu, é Indra, é Yama, é o Sol, é a Lua; Ele é os deuses e os asuras, os piśācas, os seres humanos, as mulheres, os animais e demais, o imóvel e o fixo, os brâmanes e os outros. Em verdade, tudo isto é Brahman; aqui não há diversidade alguma.
Non-duality (advaita); Brahman as the sole reality underlying all categoriesVerse 10
जातिरिति च। न चर्मणो न रक्तस्य न मांसस्य न चास्थिनः। न जातिरात्मनो जातिर्व्यवहारप्रकल्पिता॥१०॥
E quanto à “jāti” (casta): não é da pele, nem do sangue, nem da carne, nem dos ossos. O Si (Ātman) não tem casta; a casta é uma construção forjada para os tratos do mundo.
Ātman as non-physical and beyond social identity (adhyāropa/apavāda; dehātma-buddhi negation)Verse 11
कर्मेति च—क्रियमाणेन्द्रियैः कर्मण्यहं करोमीत्यध्यात्मनिष्ठतया कृतं कर्मैव कर्म। अकर्मेति च—कर्तृत्वभोक्तृत्वाद्यहङ्कारतया बन्धरूपं जन्मादिकारणं नित्यनैमित्तिकयागव्रततपोदानादिषु फलाभिसन्धानं यत्तदकर्म...
E quanto a “karma” (ação): só é ação verdadeira aquela realizada—enquanto os sentidos executam o ato—com firmeza interior no Espírito (adhyātma-niṣṭhā), como consciência de “eu ajo” nesse agir. E quanto a “akarma” (não-ação): aquilo que, pela noção egoica de ser agente e desfrutador e afins, torna-se laço e causa de nascimento e demais consequências—isto é, a busca de frutos em ritos obrigatórios e ocasionais, votos, austeridades, doações e semelhantes—isso é chamado não-ação.
Karma vs akarma; doership (kartṛtva) and bondage; niṣkāma-karma oriented to adhyātma-niṣṭhāVerse 12
कर्मेति च—क्रियमाणेन्द्रियैः कर्मण्यहं करोमीत्यध्यात्मनिष्ठतया कृतं कर्मैव कर्म। अकर्मेति च—कर्तृत्वभोक्तृत्वाद्यहङ्कारतया बन्धरूपं जन्मादिकारणं नित्यनैमित्तिकयागव्रततपोदानादिषु फलाभिसन्धानं यत्तदकर्म...
E quanto a “karma” (ação): só é ação verdadeira aquela realizada—enquanto os sentidos executam o ato—com firmeza interior no Espírito (adhyātma-niṣṭhā), como consciência de “eu ajo” nesse agir. E quanto a “akarma” (não-ação): aquilo que, pela noção egoica de ser agente e desfrutador e afins, torna-se laço e causa de nascimento e demais consequências—isto é, a busca de frutos em ritos obrigatórios e ocasionais, votos, austeridades, doações e semelhantes—isso é chamado não-ação.
Karma vs akarma; doership (kartṛtva) and bondage; niṣkāma-karma oriented to adhyātma-niṣṭhāVerse 13
ज्ञानमिति च देहेन्द्रियनिग्रहसद्गुरूपासनश्रवणमनननिदिध्यासनैर्यद्यदृग्दृश्यस्वरूपं सर्वान्तरस्थं सर्वसमं घटपटादिपदार्थमिवाविकारं विकारेषु चैतन्यं विना किञ्चिन्नास्तीति साक्षात्कारानुभवो ज्ञानम् ॥१३॥
“Conhecimento” — assim se diz — é a realização direta (sākṣātkāra), como experiência imediata, de que, por meio do domínio do corpo e dos sentidos, da devoção ao verdadeiro guru e das disciplinas de escuta, reflexão e contemplação profunda, tudo o que é da natureza do que vê e do que é visto é o habitante interior de todos, igual em todos, imutável como objetos tais como pote e tecido; e que, em todas as modificações, nada existe de modo algum separado da Consciência.
Jñāna (ātma-brahma-sākṣātkāra); dṛg-dṛśya-viveka; caitanya as the substratum of all vikārasVerse 14
अज्ञानमिति च रज्जौ सर्पभ्रान्तिरिवाद्वितीये सर्वानुस्यूते सर्वमये ब्रह्मणि देवतिर्यङ्नरस्थावरस्त्रीपुरुषवर्णाश्रमबन्धमोक्षोपाधिनानात्मभेदकल्पितं ज्ञानमज्ञानम् ॥१४॥
“Ignorância” — assim se diz — é a cognição que, como a ilusão de uma serpente numa corda, no Brahman não-dual — entretecido em tudo e constituído de tudo — imagina diferenças do não-Eu por meio de adjuntos limitadores (upādhis), tais como: deus, animal, humano, imóvel (planta/inanimado), mulher, homem, casta e estágio de vida, servidão e libertação.
Avidyā/Māyā; adhyāsa (superimposition); upādhi-kalpita bheda in nondual BrahmanVerse 15
सुखमिति च सच्चिदानन्दस्वरूपं ज्ञात्वा आनन्दरूपा या स्थितिः सैव सुखम् ॥१५॥
“Felicidade” — assim se diz — é aquele estado que é da própria natureza da bem-aventurança, após conhecer (realizar) a essência cuja natureza é Ser, Consciência e Bem-aventurança (sat-cit-ānanda).
Ānanda as Brahman/Ātman-svarūpa; sukha as abiding (sthiti) in realized sat-cit-ānandaVerse 16
दुःखमिति अनात्मरूपः विषयसङ्कल्प एव दुःखम् ॥१६॥
“Sofrimento”: assim, a própria construção mental (saṅkalpa) dos objetos, que assume a forma do não‑Si, é sofrimento.
Anātman / saṅkalpa (object-construction) as the basis of duḥkha; avidyāVerse 17
स्वर्ग इति च सत्संसर्गः स्वर्गः । नरक इति च असत्संसारविषयजनसंसर्ग एव नरकः ॥१७॥
E “céu” é a convivência com o Bem (sat); e “inferno” é, de fato, a convivência com o irreal e o vil — pessoas presas ao saṃsāra e aos objetos dos sentidos.
Saṅga (association) as a determinant of saṃsāra vs. sādhana; sat/ asat vivekaVerse 18
बन्ध इति च अनाद्यविद्यावासनया जातोऽहमित्यादिसङ्कल्पो बन्धः ॥१८॥
E “cativeiro” é a construção mental que começa com “eu” e semelhantes, surgida das tendências latentes (vāsanā) da ignorância sem começo.
Bandha as ahaṃkāra/adhyāsa rooted in anādi avidyā and vāsanāVerse 19
पितृमातृसहोदरदारापत्यगृहारामक्षेत्रममता संसारावरणसङ्कल्पो बन्धः ॥१९॥
O saṅkalpa, a construção volitiva que constitui o véu do saṃsāra—isto é, a possessividade (mamatā) para com pai, mãe, irmãos, cônjuge, filhos, casa, jardim e terras—é servidão, é cativeiro.
Bandha (bondage) as mamatā/ahaṅkāra-based saṅkalpa; saṃsāra-āvaraṇa (veil of transmigration)Verse 20
कर्तृत्वाद्यहङ्कारसङ्कल्पो बन्धः ॥२०॥
A servidão é o saṅkalpa do ego (ahaṅkāra): a construção volitiva que começa com o sentido de autoria e de ser o agente (kartṛtva) e afins.
Ahaṅkāra and kartṛtva as the root of bandha; saṅkalpa as cognitive construction sustaining avidyāVerse 21
अणिमाद्यष्टैश्वर्याशासिद्धसङ्कल्पो बन्धः ॥२१॥
A servidão é o saṅkalpa “realizado” (siddha) como desejo (āśā) pelos oito poderes (aiśvarya), começando por aṇimā.
Siddhi-vāsanā as bandha; renunciation of aiśvarya-desire; mokṣa beyond powersVerse 22
देवमनुष्याद्युपासना-कामसङ्कल्पो बन्धः ॥२२॥
A construção volitiva (saṅkalpa) do desejo de adorar deuses, seres humanos e semelhantes é servidão e cativeiro.
Bandha (bondage) through saṅkalpa (mental volition) and kāma (desire)Verse 23
यमाद्यष्टाङ्गयोगसङ्कल्पो बन्धः ॥२३॥
A construção volitiva (saṅkalpa) do yoga de oito membros, começando por yama, é servidão e cativeiro.
Saṅkalpa as the root of bondage; transcendence of doership (kartṛtva) even in yogic practiceVerse 24
वर्णाश्रमधर्मकर्मसङ्कल्पो बन्धः ॥२४॥
A construção volitiva (saṅkalpa) de agir segundo os deveres de varṇa e āśrama (dharma-karma) é servidão e cativeiro.
Karma-bandha; transcendence of dharma-karma as ultimate through ātma-jñāna; saṅkalpa as the binding factorVerse 25
आज्ञाभयसंशयात्मगुणसङ्कल्पो बन्धः ॥२५॥
A construção volitiva (saṅkalpa), composta de autoridade/mandamento (ājñā), medo, dúvida e da atribuição de qualidades ao Si—isso é cativeiro.
Bandha (bondage) through saṅkalpa and ātma-guṇa-adhyāsa (superimposition of attributes on the Self)Verse 26
यागव्रततपोदानविधिविधानज्ञानसम्भवो बन्धः ॥२६॥
Cativeiro é aquilo que nasce do “conhecimento” (jñāna) de injunções e prescrições—sobre sacrifício, votos, austeridades e dádivas.
Karma-kāṇḍa–based bandha; doership (kartṛtva) sustained by vidhi-jñāna (knowledge of injunctions)Verse 27
केवलमोक्षापेक्षासङ्कल्पो बन्धः ॥२७॥
Cativeiro é o saṅkalpa, a construção volitiva que consiste unicamente na expectativa e no desejo de libertação (mokṣa).
Mokṣa as ever-attained (nitya-mukta) vs. desire-based seeking; subtle bandha through mokṣa-icchāVerse 28
सङ्कल्पमात्रसम्भवो बन्धः ॥२८॥
O cativeiro nasce unicamente da construção mental (saṅkalpa), e nada mais.
Bandha (bondage) as saṅkalpa/kalpanā; Māyā as superimposition (adhyāsa)Verse 29
मोक्ष इति च नित्यानित्यवस्तुविचारादनित्यसंसारसुखदुःखविषयसमस्तक्षेत्रममताबन्धक्षयो मोक्षः ॥२९॥
E “libertação” é: pela discriminação entre o eterno e o não eterno, a destruição do vínculo de possessividade (mamatā) em relação a todo o campo de objetos — prazeres e dores — do saṃsāra impermanente; isso é mokṣa.
Mokṣa; viveka (nityānitya-vastu-vicāra); mamatā-tyāga; kṣetra/kṣetrajña discriminationVerse 30
उपास्य इति च सर्वशरीरस्थचैतन्यब्रह्मप्रापको गुरुरुपास्यः ॥३०॥
E “aquele a ser venerado/meditado” é o Guru, o meio de alcançar o Brahman-Consciência que habita em todos os corpos.
Guru as upāsya; Brahman as sarva-śarīra-stha-caitanya; means to brahma-prāpti (jñāna-upadeśa)Verse 31
शिष्य इति च विद्याध्वस्तप्रपञ्चावगाहितज्ञानावशिष्टं ब्रह्मैव शिष्यः ॥३१॥
E «discípulo» é aquele em quem, por um conhecimento que penetrou o mundo fenomênico e o dissolveu, resta somente Brahman; esse, de fato, é o discípulo.
Moksha (jñāna-nivṛtti of prapañca; Brahma-niṣṭhā)Verse 32
विद्वानिति च सर्वान्तरस्थस्वसंविद्रूपविद्विद्वान् ॥३२॥
E «conhecedor» é o sábio que conhece — e é — a forma da autoconsciência (svasaṃvid) que habita no íntimo de todos.
Ātman/Brahman as svasaṃvid (self-luminous consciousness)Verse 33
मूढ इति च कर्तृत्वाद्यहङ्कारभावारूढो मूढः ॥३३॥
E «iludido» é aquele que se elevou — isto é, se enraizou — no sentimento de ego, como a noção de ser o agente (fazedor) e semelhantes.
Ahaṅkāra / kartṛtva as avidyā (bondage)Verse 34
आसुरमिति च ब्रह्मविष्ण्वीशानेन्द्रादीनामैश्वर्यकामनया निरशनजपाग्निहोत्रादिष्वन्तरात्मानं सन्तापयति चात्युग्ररागद्वेषविहिंसादम्भाद्यपेक्षितं तप आसुरम् ॥३४॥
«Austeridade asúrica» é aquela em que, desejando a soberania como a de Brahmā, Viṣṇu, Īśāna, Indra e outros, a pessoa atormenta o Si interior por meio de jejum, japa, oferendas ao fogo e semelhantes, acompanhada de paixão e ódio extremamente ferozes, violência, hipocrisia e defeitos afins.
Tapas (austerity) and its sattvic/rajasic/tamasic (asuric) orientation; bondage through desire for aiśvaryaVerse 35
तप इति च ब्रह्म सत्यं जगन्मिथ्येत्यपरोक्षज्ञानाग्निना ब्रह्माद्यैश्वर्याशासिद्धसङ्कल्पबीजसन्तापं तपः ॥३५॥
«Austeridade» é queimar, pelo fogo do conhecimento direto — «Brahman é real; o mundo é falso» — a semente da volição egoica, amadurecida pela esperança de soberania como a de Brahmā e outros.
Aparokṣa-jñāna (direct knowledge), brahma-satya/jagat-mithyā, destruction of saṅkalpa-bīja (seed of volition)Verse 36
परमं पदमिति च प्राणेन्द्रियाद्यन्तःकरणगुणादेः परतरं सच्चिदानन्दमयं नित्यमुक्तब्रह्मस्थानं परमं पदम् ॥३६॥
«A suprema morada» é aquilo que está além do prāṇa, dos sentidos e das qualidades do instrumento interno (antaḥkaraṇa) e do restante; constituído de Existência, Consciência e Bem-aventurança, a estação de Brahman eternamente livre — isso é a suprema morada.
Paramapada (supreme state), Saccidānanda Brahman, transcendence of prāṇa-indriya-antaḥkaraṇa; nitya-muktiVerse 37
ग्राह्यमिति च देशकालवस्तुपरिच्छेदराहित्यचिन्मात्रस्वरूपं ग्राह्यम् ॥३७॥
“Apreensível” é aquilo cuja natureza é somente Consciência pura, livre de toda limitação por lugar, tempo e objeto; isso é, em verdade, o apreensível.
Brahman/Ātman as pure consciousness (cinmātra) beyond deśa-kāla-vastu limitationsVerse 38
अग्राह्यमिति च स्वस्वरूपव्यतिरिक्तमायामयबुद्धीन्द्रियगोचरजगत्सत्यत्वचिन्तनमग्राह्यम् ॥३८॥
“Não apreensível” é a contemplação da realidade do mundo, que está no alcance do intelecto e dos sentidos, constituído de māyā e distinto da própria natureza essencial; isso é o “não apreensível”.
Māyā and jagat-mithyātva; rejection of object-world as ultimate reality; viveka between Self and non-SelfVerse 39
संन्यासीति च सर्वधर्मान्परित्यज्य निर्ममो निरहङ्कारो भूत्वा ब्रह्मेष्टं शरणमुपगम्य ‘तत्त्वमसि’, ‘अहं ब्रह्मास्मि’, ‘सर्वं खल्विदं ब्रह्म’, ‘नेह नानास्ति किञ्चन’ इत्यादिमहावाक्यार्थानुभवज्ञानाद् ‘ब्रह्...
“Renunciante (sannyāsin)” é aquele que, abandonando todos os deveres, torna-se sem possessividade e sem ego, e, tomando Brahman como refúgio amado, alcança o conhecimento experiencial do sentido das grandes sentenças como “Tu és Isso”, “Eu sou Brahman”, “Tudo isto, de fato, é Brahman”, “Aqui não há pluralidade alguma”; e, certo de que “somente Brahman eu sou”, o mendicante move-se livremente, estabelecido no nirvikalpa-samādhi. Ele é renunciante; é liberto; é digno de veneração; é yogin; é paramahaṃsa; é avadhūta; é brāhmaṇa—assim.
Saṃnyāsa as jñāna-niṣṭhā; mokṣa through Mahāvākya-anubhava; nirvikalpa-samādhi; jīvanmuktiVerse 40
इदं निरालम्बोपनिषदं योऽधीते गुर्वनुग्रहतः सोऽग्निपूतो भवति स वायुपूतो भवति। न स पुनरावर्तते न स पुनरावर्तते। पुनर्नाभिजायते पुनर्नाभिजायत इत्युपनिषत्॥४०॥
Aquele que estuda esta Niralamba Upaniṣad pela graça do mestre torna-se purificado pelo fogo; torna-se purificado pelo vento. Não retorna novamente, não retorna novamente. Não nasce de novo, não nasce de novo—assim (conclui) a Upaniṣad.
Moksha (freedom from punarāvṛtti/punarjanma) through Upaniṣadic knowledge under guru’s grace