Adhyaya 246
Prabhasa KhandaPrabhasa Kshetra MahatmyaAdhyaya 246

Adhyaya 246

Īśvara instrui Devī a seguir para Piṅgalī, o rio Piṅgā, destruidor de pecados, situado a oeste de Ṛṣi-tīrtha e que corre até o oceano. O ensinamento apresenta sua eficácia em graus rituais: o simples avistamento (sandarśana) concede mérito equivalente a um grande rito ancestral; o banho (snāna) duplica esse fruto; o tarpaṇa o quadruplica; e o śrāddha produz resultado imensurável. A origem do nome é explicada por um episódio antigo: sábios que chegaram desejando o darśana de Somēśvara—descritos como de aspecto meridional e de tez escura/forma pouco bela—banham-se num excelente āśrama junto ao rio e observam uma transformação para a beleza, tornando-se “kāma-sadṛśa” (comparáveis ao ideal de atratividade). Admirados, declaram que, por terem alcançado “piṅgatva” (uma qualidade de tom dourado-acastanhado), o rio passará a chamar-se Piṅgā. Segue-se uma afirmação social e ética: quem se banhar aqui com devoção suprema não terá descendentes feios em sua linhagem. O capítulo conclui com os sábios distribuindo-se pela margem e instituindo tīrthas, marcados por austeridade ascética—apenas com o yajñopavīta—reforçando que a santidade se estabelece pela presença disciplinada e pela nomeação ritual.

Shlokas

Verse 1

ईश्वर उवाच । ततो गच्छेन्महादेवि पिंगलीं पापनाशिनीम् । ऋषितीर्थात्पश्चिमतो नदीं सागरगामिनीम्

Disse Īśvara: Então, ó Mahādevī, deve-se ir ao rio Piṅgalī, destruidor do pecado, que fica a oeste de Ṛṣi-tīrtha e corre em direção ao oceano.

Verse 2

तस्याः संदर्शनाद्देवि रूपवाञ्जायते नरः । पुरा महर्षयः प्राप्ताः सोमेश्वरदिदृक्षया

Ó Devī, apenas ao contemplá-la (Piṅgalī), o homem torna-se possuidor de beleza. Outrora, grandes ṛṣi chegaram, desejosos de ver Someśvara.

Verse 3

प्रभासं क्षेत्रमासाद्य नदीतीरे व्यवस्थिताः । दाक्षिणात्या महादेवि कृष्णवर्णा विरूपकाः

Tendo alcançado o kṣetra sagrado de Prabhāsa, permaneceram na margem do rio. Ó Mahādevī, aqueles ṛṣi do sul eram de tez escura e de aparência pouco formosa.

Verse 4

तत्राश्रमवरे स्नात्वा पश्यन्तो रूपमात्मनः । कामेन सदृशं सर्वे विस्मयं परमं गताः

Ali, tendo-se banhado naquele excelente āśrama, contemplaram a própria forma—cada qual semelhante a Kāma, o deus da beleza—e todos foram tomados do mais alto assombro.

Verse 5

ततस्ते सहिताः सर्वे विस्मयोत्फुल्ललोचनाः । अत्र स्नाता वयं सर्वे यतः पिंगत्वमागताः । अतः प्रभृति नामास्यास्ततः पिंगा भविष्यति

Então, todos juntos, com os olhos arregalados de espanto, disseram: “Aqui nos banhámos todos, e assim alcançámos um fulgor dourado. Portanto, de agora em diante, o seu nome será ‘Piṅgā’.”

Verse 6

येत्र स्नानं करिष्यन्ति भक्त्या परमया युताः । न तेषामन्वये कश्चिद्भविष्यति कुरूपवान्

Aqueles que aqui se banharem, dotados da devoção suprema—em sua linhagem jamais haverá alguém de forma feia.

Verse 7

दर्शनात्पितृमेधस्य लप्स्यते मानवः फलम् । स्नानेन द्विगुणं पुण्यं तर्पणेन चतुर्गुणम्

Pelo simples darśana (visão sagrada), a pessoa obtém o fruto do sacrifício Pitṛmedha. Pelo banho, o mérito duplica; e pelo tarpaṇa (libações aos ancestrais), quadruplica.

Verse 8

असंख्यातं फलं तस्य योऽत्र श्राद्धं करिष्यति । एवमुक्त्वा ततः सर्व ऋषयो वरवर्णिनि

O mérito daquele que aqui realizar o rito de Śrāddha é incalculável. Tendo dito isso, então todos os ṛṣis (dirigindo-se à dama de tez clara) …

Verse 9

व्यभजंस्तन्नदीतीरं सर्वे ते मुनिसत्तमाः । यज्ञोपवीतमात्राणि चक्रुस्तीर्थानि सर्वतः

Então todos esses munis excelentíssimos se espalharam pela margem do rio, e por toda parte estabeleceram tīrthas—cada um apenas da medida de um yajñopavīta (cordão sagrado).

Verse 246

इति श्रीस्कांदे महापुराण एकाशीतिसाहस्र्यां संहितायां सप्तमे प्रभासखण्डे प्रथमे प्रभासक्षेत्रमाहात्म्ये पिंगा नदीमाहात्म्यवर्णनंनाम षट्चत्वारिंशदुत्तरद्विशततमोऽध्यायः

Assim termina o capítulo duzentos e quarenta e seis, chamado “A Descrição da Grandeza do Rio Piṅgā”, no Prabhāsa Khaṇḍa—dentro do Prabhāsa Kṣetra Māhātmya—do venerável Skanda Mahāpurāṇa, na Saṃhitā de oitenta e um mil versos.