
Chapter Arc: संजय धृतराष्ट्र को सुनाते हैं—धृष्टद्युम्न के हाथों अतिरथी द्रोणाचार्य के निहत होते ही कौरव-सेना में भगदड़ मचती है और पाण्डवों में विजय-ध्वनि उठती है। उसी क्षण अर्जुन के मन में एक अद्भुत जिज्ञासा जागती है, क्योंकि युद्ध के बीच व्यास का ‘यदृच्छया’ आगमन होता है। → द्रोण-वध के बाद युद्ध का संतुलन बदल चुका है, पर अर्जुन के भीतर प्रश्न और भी तीव्र हो उठता है—ऐसे महाविनाश के बीच कौन-सा आश्रय, कौन-सी परम सत्ता है जो सबको धारण करती है? वह व्यास से शिव-महिमा पूछता है; व्यास कथा-धारा को युद्ध से उठाकर ब्रह्मा-वचन और देव-स्तुति की विराट ऊँचाई पर ले जाते हैं—महादेव के घोर-दीप्त, बहुरूप, सर्वनेत्र, सर्वव्यापी स्वरूप का वर्णन बढ़ता जाता है। → ब्रह्मा द्वारा शिव की परम-स्तुति—‘त्वं यज्ञः… त्वं गतिः… त्वं परायणम्’—और शिव के विश्वरूप का चरम उद्घोष: सहस्र/दशसहस्र नेत्र, सर्वतोऽक्षिमय, भूत-भव्य-भविष्य का उद्गम, तथा वे ही देने वाले और संहार करने वाले—यही अध्याय का शिखर है, जहाँ युद्ध-धूलि के ऊपर ब्रह्माण्डीय सत्य का प्रकाश फूट पड़ता है। → व्यास अर्जुन को यह बोध कराते हैं कि महादेव ही जगत के आधार, यज्ञ के आत्मा, और फलदाता-फलहरणकर्ता हैं; उनके अनेक पूज्य रूप लोक में प्रतिष्ठित हैं। अर्जुन की जिज्ञासा को दिशा मिलती है—विजय का कारण केवल बाहुबल नहीं, परमेश्वर-आश्रय और धर्म-स्थित प्रार्थना भी है। → अर्जुन के भीतर शिव-शरणागति और आगे के युद्ध-कर्तव्य का संकल्प गहराता है—पर द्रोण के पतन के बाद कौरव-पक्ष किस प्रकार प्रतिशोध और नई व्यूह-रचना करेगा, यह अगले प्रसंग की ओर कथा को धकेल देता है।
Verse 1
(दाक्षिणात्य अधिक पाठके २६ लोक मिलाकर कुल १०२३ श्लोक हैं।) #द-3८5>> | मर । >> द्र्याधिकद्विशततमो< ध्याय: व्यासजीका अर्जुनसे भगवान् शिवकी महिमा बताना तथा द्रोणपर्वके पाठ और श्रवणका फल धृतराष्ट उवाच तस्मिन्नतिरथे द्रोणे निहते पार्षतेन वै मामका: पाण्डवाश्वैव किमकुर्वन्नत: परम्
Dhṛtarāṣṭra disse: “Quando Droṇa —o grande guerreiro de carro— foi morto por Pārṣata (Dhṛṣṭadyumna), o que fizeram em seguida meus filhos e os filhos de Pāṇḍu?”
Verse 2
संजय उवाच तस्मिन्नतिरथे द्रोणे निहते पार्षतेन वै कौरवेषु च भग्नेषु कुन्तीपुत्रो धनंजय:
Sañjaya disse: Ó o mais ilustre dos Bharatas, quando Droṇa —contado entre os mais eminentes guerreiros de carro— foi morto pelo filho de Pṛṣata (Dhṛṣṭadyumna) e as forças kauravas se romperam e fugiram, Dhanañjaya (Arjuna), filho de Kuntī, ao ver uma reviravolta assombrosa que trazia a vitória ao seu lado, aproximou-se do sábio Vyāsa, que ali surgira de súbito, e perguntou-lhe a respeito.
Verse 3
दृष्टवा सुमहदाश्चर्यमात्मनो विजयावहम् | यदृच्छया55गतं व्यासं पप्रच्छ भरतर्षभ
Sañjaya disse: Ó touro entre os Bharatas, tendo presenciado um acontecimento grandioso e maravilhoso que prometia a vitória ao seu lado, Arjuna perguntou a Vyāsa, que ali chegara por acaso, a respeito disso.
Verse 4
अजुन उवाच संग्रामे न्यहनं शत्रून् शरौघैर्विमलैरहम् । अग्रतो लक्षये यान्तं पुरुषं पावकप्रभम्
Arjuna disse: “Ó grande ṛṣi, em meio ao combate, enquanto eu abatia os inimigos com as minhas flechas puras em densas saraivadas, vi à minha frente um homem fulgurante como o fogo, caminhando adiante de mim.”
Verse 5
ज्वलन्तं शूलमुद्रम्य यां दिशं प्रतिपद्यते । तस्यां दिशि विदीर्यन्ते शत्रवों मे महामुने,महामुने! वे जलता हुआ शूल हाथमें लेकर जिस ओर जाते उसी दिशामें मेरे शत्रु विदीर्ण हो जाते थे
Arjuna disse: “Ó grande sábio, sempre que ele erguia a lança em chamas e avançava para qualquer direção, naquela mesma direção meus inimigos eram rasgados e estilhaçados. Tal era a força irresistível que se movia com ele, virando a maré da batalha e fazendo cair os injustos diante de um poder que parecia carregado de divindade.”
Verse 6
तेन भग्नानरीन् सर्वान् मद्धग्नान् मन््यते जन: । तेन भग्नानि सैन्यानि पृष्ठतो<नुव्रजाम्पयहम्
Por ele foram postos em fuga todos os guerreiros inimigos; e, no entanto, as pessoas pensam que fui eu quem os abateu. Por ele os exércitos hostis foram despedaçados; eu apenas seguia atrás, no rastro de seus passos—um lembrete de que a fama costuma prender-se ao agente visível, enquanto a causa verdadeira permanece oculta.
Verse 7
भगवंस्तन्ममाचक्ष्व को वै स पुरुषोत्तम: । शूलपाणिम्मया दृष्टस्तेजसा सूर्यसंनिभ:,भगवन्! मुझे बताइये, वे महापुरुष कौन थे? मैंने उन्हें हाथमें त्रिशूल लिये देखा था। वे सूर्यके समान तेजस्वी थे
Arjuna disse: “Ó Senhor bem-aventurado, dize-me com clareza—quem era, de fato, aquele Ser supremo? Eu o vi trazendo um tridente na mão, radiante com um esplendor semelhante ao do sol.”
Verse 8
न पद्भ्यां स्पृशते भूमिं न च शूलं विमुज्चति । शूलाच्छूलसहस्राणि निष्येतुस्तस्य तेजसा
Ele não tocava o chão com os pés, nem jamais largava o tridente. Pelo fulgor de seu tejas, daquele único tridente surgiam milhares de novos tridentes, que desabavam sobre os inimigos.
Verse 9
व्यास उवाच प्रजापतीनां प्रथमं तैजसं पुरुष॑ प्रभुम् । भुवनं भूर्भुव॑ देवं सर्वलोकेश्वरं प्रभुम्
Vyāsa disse: “Arjuna, tu contemplaste Śaṅkara, o Senhor que concede dádivas—o primeiro entre os Prajāpatis, o Purusha supremo nascido do tejas, o regente interior (antaryāmin), plenamente soberano. Os mundos—Bhūḥ, Bhuvaḥ e todos os domínios—estão abrangidos em seu ser; ele é o Senhor divino, governante e dono de todos os mundos. Portanto, toma refúgio nele, o Senhor do universo inteiro.”
Verse 10
ईशान वरदं पार्थ दृष्टटानसि शड्करम् | तं॑ गच्छ शरण देव॑ वरद॑ं भुवनेश्चरम्
Vyāsa disse: “Ó Pārtha (Arjuna), tu contemplaste Śaṅkara—Īśāna, o Senhor que concede dádivas. Vai a Ele em busca de refúgio: a esse divino dispensador de graça, Soberano dos mundos. Em meio ao perigo e ao dever, que tua força se firme na entrega ao Senhor supremo, o único que pode conferir à ação o poder justo.”
Verse 11
महादेवं महात्मानमीशानं जटिलं विभुम् । त्र्यक्षं महाभुजं रुद्रे शिखिनं चीरवाससम्
Vyāsa descreve o Senhor supremo Śiva: o Grande Deus, de grande alma e soberano sobre tudo, onipresente e de cabelos emaranhados. Três-olhos e de braços poderosos, conhecido como Rudra, traz o coque ascético e se adorna com vestes de casca de árvore—forma de renunciante que encarna o poder contido pelo autocontrole e pela devoção.
Verse 12
महादेवं हरं स्थाणुं वरदं भुवनेश्वरम् जगत्प्रधानमजितं जगत्प्रीतिमधी श्वरम्
Vyāsa disse: “Mahādeva—conhecido também como Hara e Sthāṇu—é o Senhor que concede dádivas, soberano de todos os mundos. Ele é o fundamento primordial do cosmos, inconquistável por qualquer um. Dele o mundo recebe amor e bem-estar, e Ele preside como governante supremo sobre tudo.”
Verse 13
जगद्योनिं जगद्वघीजं॑ जयिनं जगतो गतिम् | विश्वात्मानं विश्वसृजं विश्वमूर्ति यशस्विनम्
Vyāsa disse: “Ele é o ventre e a fonte do universo, a semente de que o mundo se ergue; sempre vitorioso, e o refúgio final e o rumo de todos os seres. Ele é o Si em todos, o artífice do cosmos, aquele cuja forma é o universo inteiro, e o Glorioso.”
Verse 14
विश्वेश्वरं विश्वनरं कर्मणामीश्ररं प्रभुम् शम्भुं स्वयम्भुं भूतेशं भूतभव्यभवोद्धवम्
Vyāsa disse: “Ele é o Senhor do universo, a presença interior em todos os seres, o soberano sobre todas as ações e seus frutos, o Mestre supremo. Ele é Śambhu, auto-nascido e auto-existente, regente de todas as criaturas, e a própria fonte de que surgem passado, futuro e presente.”
Verse 15
योगं योगेश्वरं सर्व सर्वलोकेश्वरेश्वरम् । सर्वश्रेष्ठ जगच्छेष्ठं वरिष्ठ परमेछ्ठिनम्
Vyāsa disse: Ele é o próprio Yoga e o Senhor do Yoga; Ele é o Todo, e soberano até mesmo sobre todos os soberanos dos mundos. Ele é o melhor entre todos, o melhor de todo o universo, o mais excelente—de fato, o supremo Ordenador (Parameṣṭhin).
Verse 16
लोकत्रयविधातारमेकं॑ लोकत्रयाश्रयम् । शुद्धात्मानं भवं भीम॑ं शशाडुककृतशेखरम्,तीनों लोकोंके एकमात्र स्रष्टा, त्रिलोकीके आश्रय, शुद्धात्मा, भव, भीम और चन्द्रमाका मुकुट धारण करनेवाले भी वे ही हैं
Vyāsa disse: “Só Ele é o criador dos três mundos e o refúgio dos três mundos—puro em essência; o Senhor Bhava, o terrível Bhīma, e Aquele que traz a lua como crista.”
Verse 17
शाश्वतं भूधरं देवं सर्ववागीश्चरेश्वरम् । सुदुर्जयं जगन्नाथं जन्ममृत्युजरातिगम्
Vyāsa disse: “Ele é o Deus eterno que sustenta a terra, o Senhor supremo até mesmo de todos os senhores da palavra. Ele é inconquistável, Jagannātha, Senhor do universo, e transcende nascimento, morte e a decadência da velhice.”
Verse 18
ज्ञानात्मानं ज्ञानगम्यं ज्ञानश्रेष्ठं सुदुर्विदम् । दातारं चैव भक्तानां प्रसादविहितान् वरान्
Vyāsa disse: Ele é a própria essência do conhecimento, alcançável pelo conhecimento verdadeiro, e supremo entre tudo o que é conhecido—e, ainda assim, é extremamente difícil de compreender. E aos seus devotos Ele é o Doador, que pela graça concede as excelentes dádivas que desejam.
Verse 19
तस्य पारिषदा दिव्या रूपैर्नानाविधैरविंभो: । वामना जटिला मुण्डा हस्वग्रीवा महोदरा:
Vyāsa disse: “Ao seu redor estavam os assistentes divinos, surgindo em muitas formas diferentes—alguns anões, alguns de cabelos emaranhados, alguns de cabeça raspada, alguns de pescoço curto e alguns de grande ventre. Suas aparências variadas e terríveis proclamam o poder avassalador e de outro mundo que acompanha Śaṅkara, lembrando ao observador que o divino não pode ser confinado a uma única forma agradável e que o assombro reverente e a contenção também fazem parte do entendimento justo.”
Verse 20
महाकाया महोत्साहा महाकर्णास्तथापरे | आननैविंकृतै: पादै: पार्थ वेषैश्व वैकृतै:
Disse Vyāsa: «Ó Pārtha, alguns dos assistentes divinos de Śaṅkara aparecem com corpos imensos e ímpeto tremendo; outros têm orelhas enormes. Alguns têm o rosto distorcido e os pés disformes, e até suas vestes são grotescas e inquietantes. Assim, em muitas formas estranhas, o séquito do Senhor se torna visível—tomando a mente de assombro reverente mais do que de beleza comum.»
Verse 21
ईदृशै: स महादेव: पूज्यमानो महेश्वर: । स शिवस्तात तेजस्वी प्रसादाद् याति तेडग्रत:
Disse Vyāsa: «Assim venerado por tais assistentes, aquele Grande Deus—Mahādeva, o Senhor Supremo—move-se à tua frente por sua graça. Meu filho, é o próprio Śiva, radiante nessa forma varonil, quem vai adiante de ti, guiando e protegendo.»
Verse 22
तस्मिन् घोरे सदा पार्थ संग्रामे रोमहर्षणे । दौणिकर्णकृपैर्गुप्तां महेष्वासै: प्रहारिभि:
Disse Vyāsa: «Ó Pārtha—filho de Kuntī—, naquela batalha terrível que fazia arrepiar, o exército dos Kaurava estava protegido por Aśvatthāmā, Karṇa, Kṛpa e outros grandes arqueiros, peritos no golpe. Então, quem, senão Maheśvara de múltiplas formas—o arqueiro supremo—poderia, ainda que em pensamento, destruir aquele exército?»
Verse 23
कस्तां सेनां तदा पार्थ मनसापि प्रधर्षयेत् । ऋते देवान्महेष्वासाद् बहुरूपान्महेश्वरात्
Disse Vyāsa: «Ó Pārtha, quem então poderia, ainda que em pensamento, subjugar aquele exército—protegido por Aśvatthāmā, Karṇa, Kṛpācārya e outros arqueiros poderosos, peritos no golpe—senão Maheśvara de múltiplas formas, o grande arqueiro entre os deuses?»
Verse 24
स्थातुमुत्सहते कश्रिन्न तस्मिन्नग्रतः स्थिते । न हि भूतं सम॑ तेन त्रिषु लोकेषु विद्यते
Disse Vyāsa: «Quando ele se põe diante deles na linha da frente, ninguém ousa manter-se firme. Pois, nos três mundos, não existe ser algum igual a ele—ninguém que possa igualar seu poder e sua presença.»
Verse 25
गन्धेनापि हि संग्रामे तस्य क्रुद्धस्य शत्रव:ः । विसंज्ञा हतभूयिष्ठा वेपन्ति च पतन्ति च,संग्राममें भगवान् शंकरके कुपित होनेपर उनकी गन्धसे भी शत्रु बेहोश होकर काँपने लगते और अधमरे होकर गिर जाते हैं
Disse Vyāsa: Mesmo no meio da batalha, quando o Senhor Śaṅkara se enfurece, os inimigos são dominados apenas por sua própria fragrância; perdem os sentidos, tremem e desabam, como se ficassem meio mortos. A passagem ressalta a assimetria moral entre a guerra humana e a força divina, terrível e incontrolável quando provocada.
Verse 26
तस्मै नमस्तु कुर्वन्तो देवास्तिष्ठन्ति वै दिवि । ये चान्ये मानवा लोके ते च स्वर्ग जितो नरा:
Prestando-lhe homenagem, os deuses permanecem firmemente estabelecidos no céu; e também os demais seres humanos neste mundo—esses homens conquistaram o céu. O verso ressalta que o reconhecimento reverente da verdadeira grandeza (digna de saudação) é, por si, um ato dhármico, portador de fruto espiritual elevado.
Verse 27
उनको नमस्कार करनेवाले देवता सदा स्वर्गलोकमें निवास करते हैं। दूसरे भी जो मानव इस लोकमें उन्हें नमस्कार करते हैं, वे भी स्वर्गलोकपर विजय पाते हैं ।।
Os deuses que lhe prestam reverência habitam sempre o céu. E também os demais homens neste mundo que lhe prestam reverência conquistam o céu. Vyāsa disse: Esses devotos, com ânimo indiviso, veneram continuamente o deus que concede dádivas—Śiva, Rudra, consorte de Umā, Senhor de tudo—e alcançam o mais alto favor divino. Mesmo em meio às lutas do mundo, a devoção firme e a reverência ao supremo deus são apresentadas como caminho para um destino auspicioso e para a obtenção do céu.
Verse 28
नमस्कुरुष्व कौन्तेय तस्मै शान्ताय वै सदा
Vyāsa disse: “Ó filho de Kuntī, inclina-te sempre em reverência diante desse Senhor eternamente sereno. Portanto, ó filho de Kuntī, tu também deves oferecer sempre homenagem ao Senhor Śiva, cuja própria natureza é a paz. Saudações a esse Śiva que é Rudra, o de garganta azul (Nīlakaṇṭha); sutil (ou supremamente radiante), dotado do mais alto esplendor; portador de cabelos emaranhados; de forma terrível; de olhos fulvos; e doador de dádivas a Kubera.”
Verse 29
रुद्राय शितिकण्ठाय कनिष्ठाय सुवर्चसे । कपर्दिने करालाय हर्यक्षवरदाय च
Vyāsa disse: “Ó filho de Kuntī, portanto tu também deves sempre inclinar-te diante do Senhor Śiva, cuja natureza é a paz. Saudações a Rudra; ao de garganta azul (Śitikaṇṭha/Nīlakaṇṭha); ao sutil (ou o mais jovem) e radiante; ao dotado de esplendor excelente; ao portador de cabelos emaranhados; ao de forma terrível; ao de olhos fulvos; e ao doador de dádivas a Kubera.”
Verse 30
याम्यायाव्यक्तकेशाय सद्वृत्ते शड्कराय च | काम्याय हरिनेत्राय स्थाणवे पुरुषाय च
Vyāsa disse: Saudações ao Senhor Supremo—ao próprio Tempo (Kāla), favorável a Yama; aquele cujo “cabelo” é o Inmanifesto (avyakta), a sutil vastidão semelhante ao éter; que está firme na reta conduta e é Śaṅkara, benfeitor de todos; amável e gracioso; de olhos fulvos; Sthāṇu, o Imóvel, o Purusha interior (antar-yāmin) que habita em todos os seres.
Verse 31
हरिकेशाय मुण्डाय कृशायोत्तारणाय च । भास्कराय सुतीर्थाय देवदेवाय रंहसे
Vyāsa disse: Saudações a Mahādeva, o Deus dos deuses—de cabelos fulvo-acastanhados, cabeça raspada, corpo esguio, que faz os seres atravessarem o oceano do saṃsāra; radiante como o sol; tīrtha supremo, vau sagrado para quem busca refúgio; e de poder impetuoso e irresistivelmente veloz.
Verse 32
बहुरूपाय सर्वाय प्रियाय प्रियवाससे । उष्णीषिणे सुवक्त्राय सहस्राक्षाय मीढुषे
Vyāsa disse: Saudações ao Senhor Śaṅkara—aquele que assume muitas formas, que é a realidade que tudo abrange, amado por todos; que se deleita em vestes simples como o pano de casca de árvore; que usa turbante; de rosto belo e auspicioso; de mil olhos em visão onisciente; e benfeitor que concede chuva e graça.
Verse 33
गिरिशाय प्रशान्ताय यतये चीरवाससे । हिरण्यबाहवे राज्ञे उग्राय पतये दिशाम्
Reverente saudação a Śaṅkara: o Senhor das montanhas, que repousa nas alturas; sereno por dentro, autocontido como um asceta, vestido com pano de casca; de braços ornados de ouro (Hiraṇyabāhu), radiante como um rei; terrível em poder, e soberano guardião de todas as direções.
Verse 34
पर्जन्यपतये चैव भूतानां पतये नम: । वृक्षाणां पतये चैव गवां च पतये नम:,जो मेघोंके अधिपति तथा सम्पूर्ण भूतोंके स्वामी हैं, उन्हें नमस्कार है। वृक्षोंके पालक और गौओंके अधिपतिरूप आपको नमस्कार है
Vyāsa disse: Homenagem ao Senhor das nuvens de chuva, e homenagem ao Soberano de todos os seres. Homenagem ao Protetor das árvores, e homenagem ao Senhor do gado.
Verse 35
वृक्षेरावतकायाय सेनान्ये मध्यमाय च । ख्रुवहस्ताय देवाय धन्विने भार्गवाय च
Vyāsa disse: Saudações àquele cujo corpo está velado pelas árvores; que é o comandante do exército e também o “meio” interior (o regulador íntimo nos seres). Saudações àquele que, como sacrificante, traz na mão a concha ritual khruvā; ao Divino, ao guerreiro que porta o arco, ao Bhārgava—manifesto como Paraśurāma.
Verse 36
बहुरूपाय विश्वस्य पतये मुछजवाससे । सहस्रशिरसे चैव सहस्रनयनाय च
Vyāsa disse: “(Saudações) ao Senhor do universo, que assume muitas formas; àquele que se veste de relva muñja como emblema ascético; ao de mil cabeças e, do mesmo modo, ao de mil olhos.”
Verse 37
शरणं गच्छ कौन्तेय वरदं भुवनेश्वरम्
Vyāsa disse: “Ó filho de Kuntī, toma refúgio no Senhor dos mundos, o gracioso doador de dádivas.”
Verse 38
उमापतिं विरूपाक्ष॑ दक्षयज्ञनिबर्हणम् । प्रजानां पतिमव्यग्रं भूतानां पतिमव्ययम्
Vyāsa disse: “(Eu vi/lembro-me) do Senhor de Umā—Virūpākṣa—que destruiu o sacrifício de Dakṣa; o soberano imperturbável das criaturas; o Senhor imperecível de todos os seres.”
Verse 39
कुन्तीनन्दन! तुम उन्हीं वरदायक भुवनेश्वर, उमा वल्लभ, त्रिनेत्रधारी, दक्षयज्ञविनाशक, प्रजापति, व्यग्रतारहित और अविनाशी भगवान् भूतनाथकी शरणमें जाओ ।।
Ó filho de Kuntī! Busca refúgio naquele Senhor imperecível—doador de bênçãos, soberano dos mundos, amado de Umā, o de três olhos, destruidor do sacrifício de Dakṣa, Prajāpati primordial, livre de agitação, Mestre dos seres. Eu me abrigo em Kapardin, de madeixas enredadas e atadas; naquele cujo curso é supremamente elevado; cujo umbigo é esplêndido; cuja bandeira traz o touro; poderoso em força; Senhor do Touro (Dharma); de chifres e majestade taurina—Śiva, a própria encarnação e guardião do dharma, supremo refúgio em meio à calamidade da guerra.
Verse 40
वृषाड्कं वृषभोदारं वृषभं वृषभेक्षणम् | वृषायुधं वृषशरं वृषभूतं वृषेश्चरम्
Vyāsa disse: “Tomo refúgio naquele Senhor que traz o touro como emblema; nobre e firme como um touro; de olhar taurino—amplo e poderoso; cujas armas e flechas são justas; que é a própria encarnação do Dharma; e soberano da retidão.” Em meio à guerra e à crise moral, o verso enquadra a devoção como retorno ao padrão supremo do Dharma, retratando a divindade como símbolo e fonte da ordem ética.
Verse 41
महोदरं महाकायं द्वीपिचर्मनिवासिनम् । लोकेशं वरदं मुण्डं ब्रह्मुण्यं ब्राह्मणप्रियम्
Vyāsa disse: “(Ele era) de grande ventre e corpo imenso, vestido com pele de tigre; senhor do mundo, doador de dádivas, de cabeça raspada, devotado à santidade bramânica e amado pelos brāhmaṇas.”
Verse 42
त्रिशूलपार्णिं वरदं खड्गचर्मधरं प्रभुम् । पिनाकिनं खड्गधरं लोकानां पतिमीश्वरम्
Vyāsa disse: “(Ele contemplou e louvou) o poderoso Senhor que empunha o tridente, o gracioso doador de dádivas, armado com espada e escudo; o portador do arco Pināka, com a espada na mão—Īśvara, soberano e mestre dos mundos.” O verso apresenta a divindade como protetor e governante supremo, evocando reverência em meio à turbulência moral da guerra.
Verse 43
प्रपद्ये शरणं देवं शरण्यं चीरवाससम् | कोटि-कोटि ब्रह्माण्डोंको धारण करनेके कारण जिनका उदर और शरीर विशाल है
Vyāsa diz: “Tomo refúgio em Śiva, o protetor divino, o refúgio digno, o asceta vestido de cascas de árvore. Seu ventre e seu corpo são vastos, como se sustentassem incontáveis ovos cósmicos; ele usa pele de tigre. É o Senhor dos mundos, doador de graças, de cabeça raspada, benfeitor dos brāhmaṇas e querido por eles. Em suas mãos brilham o tridente, o escudo, a espada, o arco Pināka e outras armas. Ele é o doador de bênçãos, o soberano, de bela forma, mestre dos três mundos—o próprio Deus. Nesse Senhor Śiva, vestido de casca, terno com os que se rendem, busco abrigo. “Saudações ao Senhor dos deuses, cujo amigo é Vaiśravaṇa (Kubera). Ó Senhor, tu portas as melhores vestes, os melhores votos e o melhor arco. A ti—arqueiro, curador (Dhanvantari), o próprio arco e mestre da arqueria—saudação. Saudação a Mahādeva, o melhor dos deuses, que empunha armas terríveis.”
Verse 44
सुवाससे नमस्तुभ्यं सुव्रताय सुधन्विने । धनुर्धराय देवाय प्रियधन्वाय धन्विने
Vyāsa oferece reverentes saudações a Śiva, louvando-o como o arqueiro divino: aquele que se veste com as melhores roupas, permanece firme em nobres votos e porta um arco incomparável. Em meio à tensão moral da guerra, o hino apresenta o verdadeiro poder como poder disciplinado e governado pelo voto, digno de devoção—lembrando que vitória e proteção são buscadas pela retidão e pela reverência, não pela força nua.
Verse 45
धन्वन्तराय धनुषे धन्याचार्याय ते नम: । उग्रायुधाय देवाय नम: सुरवराय च
Vyāsa disse: Saudações a ti—senhor do arco, mestre bem-aventurado da arte da arquearia. Saudações ao divino que porta armas terríveis, ao melhor entre os deuses. Neste cenário dilacerado pela guerra, o hino enquadra a força e o armamento sob reverência e contenção: o poder é reconhecido como sagrado e, por isso, deve ser abordado com humildade, não com arrogância.
Verse 46
नमोस्तु बहुरूपाय नमोस्तु बहुधन्विने । नमोअस्तु स्थाणवे नित्यं नमस्तस्मै तपस्विने
Vyāsa oferece um hino reverente a Śiva: saudações ao Senhor de muitas formas; saudações a Rudra, que empunha muitos arcos; saudações sempre a Sthāṇu, o Imóvel e firme; e saudações àquele asceta eternamente austero. No enredo marcado pela guerra, este louvor apresenta Śiva como o yogin supremo e como o formidável poder divino por trás da força marcial—lembrando que força e vitória, em última instância, se subordinam ao tapas disciplinado e à constância inabalável.
Verse 47
नमोस्तु त्रिपुरघ्नाय भगघ्नाय च वै नमः । वनस्पतीनां पतये नराणां पतये नम:,त्रिपुरुनाशक और भभमनेत्रविनाशक भगवान् शिवको बारंबार नमस्कार है। वनस्पतियोंके पति तथा नरपतिरूप महादेवजीको नमस्कार है
Vyāsa disse: Saudações, uma e outra vez, a Śiva, destruidor de Tripura e vencedor de Bhaga. Saudações àquele que é o Senhor das árvores e das plantas; e saudações àquele que é o Senhor dos homens, o soberano supremo. Em meio à guerra e à calamidade, o hino volta a mente para um refúgio mais alto—reconhecendo um poder que subjuga a arrogância e restaura a ordem moral.
Verse 48
मातृणां पतये चैव गणानां पतये नमः । गवां च पतये नित्यं यज्ञानां पतये नम:,मातृकाओंके अधिपति और गणोंके पालक शिवको नमस्कार है। गोपति और यज्ञपति शंकरको नित्य नमस्कार है
Vyāsa disse: Saudações a Śiva, senhor das Mães (Mātṛkās) e senhor dos Gaṇas. Sempre me inclino diante de Śaṅkara, protetor do gado e senhor dos sacrifícios (yajña)—invocando sua guarda e sua ordem auspiciosa em meio ao tumulto da guerra.
Verse 49
अपां च पतये नित्यं देवानां पतये नमः । पूष्णो दन्तविनाशाय त्र्यक्षाय वरदाय च
Vyāsa disse: “Sempre me inclino diante do Senhor das Águas e do Senhor dos deuses. Também me inclino diante daquele que causou a quebra dos dentes de Pūṣan, e diante do Senhor de Três Olhos, doador de dádivas.” Em meio a acontecimentos graves, a narração se volta para a invocação reverente—recordando poderes divinos que regem a ordem cósmica, castigam o erro e concedem proteção—enquadrando a guerra que se desenrola num universo moral vigiado por uma lei superior.
Verse 50
कर्माणि यानि दिव्यानि महादेवस्य धीमत:
Vyāsa disse: “Aqueles feitos divinos do sábio Mahādeva—”
Verse 51
तानि ते कीर्तयिष्यामि यथाप्रज्ञं यथाश्रुतम् । अर्जुन! अब मैं परम बुद्धिमान् महादेवजीके जो दिव्य कर्म हैं, उनका अपनी बुद्धिके अनुसार जैसा मैंने सुन रखा है, वैसा ही तुम्हारे समक्ष वर्णन करता हूँ ।।
Vyāsa disse: “Eu te narrarei esses feitos conforme o alcance do meu entendimento, exatamente como os ouvi. Arjuna, agora descreverei diante de ti—segundo minha capacidade—os atos divinos do sapientíssimo Mahādeva. Neste mundo, nem os deuses nem os asuras, nem os Gandharvas nem os Rākṣasas…”
Verse 52
सुखमेधन्ति कुपिते तस्मिन्नपि गुहागता: । यदि वे कुपित हो जाये तो देवता, असुर, गन्धर्व और राक्षस इस लोकमें अथवा पातालमें छिप जानेपर भी चैनसे नहीं रहने पाते हैं ।।
Vyāsa disse: “Mesmo que se escondam em cavernas, quando ele se enfurece não conseguem permanecer em paz.”
Verse 53
विव्याध कुपितो यज्ञ निर्दयस्त्वभवत् तदा । धनुषा बाणमुत्सृूज्य सघोषं विननाद च
Vyāsa disse: “Enfurecido, ele golpeou o sacrifício; então tornou-se impiedoso. Soltando uma flecha de seu arco, rugiu em alta voz com estrondo retumbante.”
Verse 54
ते न शर्म कुतः शान्तिं लेभिरे सम सुरास्तदा । विद्रुते सहसा यज्ञे कुपिते च महेश्वरे,देवताओंको उस समय कहीं भी सुख और शान्ति नहीं मिली, महेश्वरके कुपित होनेसे सहसा यज्ञमें उपद्रव खड़ा हो गया था
Vyāsa disse: “Então os deuses não encontraram conforto nem paz em lugar algum. Pois, quando o sacrifício foi subitamente lançado na desordem e Maheśvara se enfureceu, a comoção ergueu-se por todos os lados.”
Verse 55
तेन ज्यातलघोषेण सर्वे लोका: समाकुला: । बभूवुर्वशगा: पार्थ निपेतुश्च सुरासुरा:
Vyāsa disse: Por aquele bramido profundo e reverberante da corda do arco, todos os mundos foram lançados em agitação. Ó Pārtha, ficaram sob seu domínio avassalador; até deuses e asuras, igualmente, foram abatidos, caindo por terra—sinal de que a força marcial em sua nudez pode subjugar seres através dos reinos e perturbar a ordem moral da guerra.
Verse 56
आपक्षुक्षुभिरे सर्वाश्चकम्पे च वसुंधरा । पर्वताश्च व्यशीर्यन्त दिशो नागाश्ष मोहिता:
Vyāsa disse: Quando as criaturas aladas foram lançadas ao tumulto, a própria terra tremeu. As montanhas começaram a rachar e a desmoronar, e as direções do céu—junto com as grandes serpentes—ficaram tomadas de perplexidade. A cena assinala uma perturbação cósmica, como se a natureza recuasse diante do peso moral e da violência dos acontecimentos da guerra.
Verse 57
समुद्रके जलमें ज्वार आ गया, धरती काँपने लगी, पर्वत टूट-फूटकर बिखरने लगे और दिग्गज मूर्च्छित हो गये ।।
Vyāsa disse: Quando os mundos foram envolvidos por uma treva terrível, não restou luz em parte alguma. O Senhor Śiva, como se golpeasse a própria claridade, extinguiu o brilho de todos os luminares, até mesmo o do sol—um presságio ominoso de que a ordem moral fora abalada em meio aos horrores da guerra.
Verse 58
चुक्षुभुर्भयभीताश्च शान्तिं चक्रुस्तथैव च । ऋषय: सर्वभूतानामात्मनश्नव सुखैषिण:
Vyāsa disse: Os sábios, abalados pelo medo, ficaram profundamente agitados; e, naquele mesmo momento, empreenderam ritos de apaziguamento. Buscando o bem-estar e a felicidade de todos os seres—e também a sua—começaram os atos de pacificação (como invocações auspiciosas) para conter a perturbação ominosa que surgira no tumulto da guerra.
Verse 59
पूषाणमभ्यद्रवत शड्कर: प्रहसन्निव । पुरोडाशं भक्षयतो दशनान् वै व्यशातयत्,उस समय हँसते हुए-से भगवान् शंकरने पूषापर आक्रमण किया। वे पुरोडाश खा रहे थे। उन्होंने उनके सारे दाँत तोड़ डाले
Vyāsa disse: Sorrindo como se estivesse a divertir-se, Śaṅkara investiu contra Pūṣan. Enquanto Pūṣan comia o bolo sacrificial (puroḍāśa), Śaṅkara esmagou e quebrou todos os seus dentes. O episódio ressalta o perigo da arrogância e de rituais feitos sem reverência—quando a ordem sagrada é violada, até os deuses enfrentam consequência imediata.
Verse 60
ततो निश्चक्रमुर्देवा वेपमाना नता: सम ते । पुनश्न संदधे दीप्तान् देवानां निशिताउशरान्
Então os deuses saíram, tremendo de medo e curvando a cabeça em submissão. Logo em seguida, Śiva tomou-os por alvo e ajustou flechas agudas e flamejantes.
Verse 61
सधूमान् सस्फुलिज्ांश्व विद्युत्तोयदर्संनि भान् । त॑ दृष्टवा तु सुरा: सर्वे प्रणिपत्य महेश्वरम्
Parecia envolta em fumaça, lançando faíscas, e assemelhava-se ao relâmpago, às torrentes de chuva e ao estrondo do trovão. Ao verem aquela manifestação terrível, todos os deuses se prostraram com reverência diante de Maheśvara (Śiva).
Verse 62
रुद्रस्य यज्ञभागं च विशिष्ट ते त्वकल्पयन् | धूम और चिनगारियोंसहित वे बाण बिजलीसहित मेघोंके समान जान पड़ते थे। तब सम्पूर्ण देवताओंने भगवान् महेश्वरको कुपित देख उनके चरणोंमें प्रणाम किया और रुद्रके लिये उन्होंने विशिष्ट यज्ञभागकी कल्पना की ।।
Vyāsa narra que, ao verem Maheśvara (Rudra) enfurecido, todos os deuses, tomados de medo, caíram a seus pés e lhe destinaram uma porção distinta na oferenda do sacrifício. Quando sua ira se aquietou, o sacrifício foi concluído; e desde então os deuses permanecem cautelosos diante de Rudra, lembrando-se de como outrora fugiram em pavor.
Verse 63
तेन चैवातिकोपेन स यज्ञ: संधितस्तदा । भग्नाश्नापि सुरा आसन् भीताश्चाद्यापि त॑ं प्रति
Por aquela cólera extrema, o sacrifício foi então recomposto e levado a termo. E, embora os deuses não tenham perecido, ainda hoje o temem.
Verse 64
असुराणां पुराण्यासंस्त्रीणि वीर्यवर्तां दिवि । आयसं राजतं चैव सौवर्ण परमं महत्
Disse Vyāsa: Em tempos antigos, os poderosos Asuras possuíam três cidades nos céus. Uma era de ferro, outra de prata, e a terceira—imensa e suprema—era de ouro.
Verse 65
सौवर्ण कमलाक्षस्य तारकाक्षस्य राजतम् | तृतीयं तु पुरं तेषां विद्युम्मालिन आयसम्,उनमेंसे सोनेका नगर कमलाक्षके, चाँदीका तारकाक्षके तथा तीसरा लोहेका बना हुआ नगर विद्युन्मालीके अधिकारमें था
Vyāsa disse: Dentre aquelas três fortalezas, a cidade de ouro pertencia a Kamalākṣa, a cidade de prata a Tārakākṣa, e a terceira—feita de ferro—estava sob o senhorio de Vidyunmālin.
Verse 66
न शक्तस्तानि मघवान् भेत्तुं सर्वायुधैरपि । अथ सर्वे सुरा रुद्रं जग्मु: शरणमर्दिता:
Vyāsa disse: Nem mesmo Maghavān (Indra), ainda que empregasse toda espécie de armas, conseguiu romper aquelas cidades fortificadas. Então todos os deuses, aflitos e duramente pressionados por elas, foram a Rudra (Śiva) buscar refúgio.
Verse 67
ते तमूचुर्महात्मानं सर्वे देवा: सवासवा: । ब्रह्मदत्तवरा होते घोरास्त्रिपुरवासिन:
Vyāsa disse: Então todos os deuses, juntamente com Vāsava (Indra), dirigiram-se àquele grande de alma: “Ó tu que recebeste dádivas de Brahmā, os terríveis habitantes de Tripura…”
Verse 68
त्वदृते देवदेवेश नान्य: शक्त: कथंचन
Vyāsa disse: “Fora de ti, ó Senhor dos senhores, não há absolutamente ninguém que seja capaz—em circunstância alguma.”
Verse 69
हन्तुं दैत्यान् महादेव जहि तांस्त्वं सुरद्विष: । 'देवदेवेश्वर महादेव! आपके सिवा दूसरा कोई उन दैत्योंका वध करनेमें समर्थ नहीं है; अतः आप उन देवद्रोहियोंको मार डालिये || ६८ $ ।।
Vyāsa disse: “Ó Mahādeva, mata os Dāityas; abate esses inimigos dos deuses. Fora de ti, ninguém é capaz de destruí-los; portanto, põe fim a esses violadores da ordem divina.”
Verse 70
निपातयिष्यसे चैतानसुरान् भुवनेश्वर । 'भुवनेश्वर! रुद्र! आप जब इन असुरोंका विनाश कर डालेंगे, तबसे सम्पूर्ण यज्ञकर्मोमें जो पशु (यज्ञके साधनभूत उपकरण) होंगे, वे रुद्रके भाग समझे जायूँगे' ।।
Vyāsa disse: “Ó Senhor dos mundos! Tu abaterás estes Asuras. E, ó Rudra—quando tiveres consumado a destruição destes Asuras, então, em todos os ritos sacrificiais, os animais oferecidos (os meios e instrumentos do sacrifício) serão considerados a parte devida a Rudra.” Assim interpelado, respondeu: “Assim seja”, desejando o bem dos deuses.
Verse 71
गन्धमादनविन्ध्यौ च कृत्वा वंशध्वजौ हर: । पृथ्वीं ससागरवनां रथं कृत्वा तु शड्कर:
Vyāsa disse: Hara (Śiva) fez de Gandhamādana e do Vindhya os dois mastros de estandarte do seu carro; e Śaṅkara fez da terra—com seus oceanos e florestas—o próprio carro.
Verse 72
अक्ष॑ कृत्वा तु नागेन्द्रं शेषं नाम त्रिलोचन: । चक्रे कृत्वा तु चन्द्रार्कों देवदेव: पिनाकधृक्
Vyāsa disse: O Senhor de três olhos (Śiva), portador do arco Pināka, fez do rei das serpentes chamado Śeṣa o eixo do seu carro; e moldou a Lua e o Sol como as duas rodas.
Verse 73
अणी कृत्वैलपत्रं च पुष्पदन्तं च ऋयम्बक: । यूपं कृत्वा तु मलयमवनाहं च तक्षकम्
Vyāsa disse: “Ṛyambaka moldou uma ponta afiada e também uma lâmina em forma de folha; e fez também Puṣpadanta. E, tendo feito um poste sacrificial, moldou ainda Malaya, Avanāha e Takṣaka.”
Verse 74
देवताओंके ऐसा कहनेपर भगवान् शिवने “तथास्तु” कहकर उनके हितकी इच्छासे गन्धमादन और विन्ध्याचल इन दो पर्वतोंको अपने रथके दो पार्श्ववर्ती ध्वज बनाये। फिर समुद्र और पर्वतोंसहित समूची पृथ्वीको रथ बनाकर नागराज शेषको उस रथका धुरा बनाया। तत्पश्चात् त्रिनेत्रधारी पिनाकपाणि देवाधिदेव महादेवने चन्द्रमा और सूर्य दोनोंको रथके दो पहिये बनाये। एलपत्रके पुत्र और पुष्पदनन््तको जूएकी कीलें बनाया। फिर त्यम्बकने मलयाचलको यूप और तक्षक नागको जूआ बाँधनेकी रस्सी बना लिया || ७०-- ७३ || योक्त्राड्ानि च सत्त्वानि कृत्वा शर्व: प्रतापवान् | वेदान् कृत्वाडथ चतुरश्षतुरश्चवान् महेश्वर:
Vyāsa disse: Quando os deuses falaram assim, o Senhor Śiva respondeu: “Assim seja”, e, desejando o bem deles, fez dos montes Gandhamādana e Vindhya os dois estandartes laterais do seu carro. Depois, tomando a terra inteira—com oceanos e montanhas—como carro, fez do rei das serpentes Śeṣa o seu eixo. Em seguida, o Mahādeva de três olhos, portador do arco Pināka e senhor dos deuses, fez da Lua e do Sol as duas rodas. Designou o filho de Elāpatra e Puṣpadanta como as cavilhas do jugo; e Tryambaka fez do monte Malaya o yūpa (poste sacrificial) e da serpente Takṣaka a corda que prende o jugo. Do mesmo modo, o poderoso Śarva dispôs outros seres como arreios e rédeas, e fez dos quatro Vedas os quatro cavalos do seu carro—mostrando a ordem cósmica como a força que conduz a vontade divina adiante para o bem dos deuses.
Verse 75
उपवेदान् खलीनांश्व॒ कृत्वा लोकत्रयेश्वर: । गायत्री प्रग्रह कृत्वा सावित्रीं च महेश्वर:,तत्पश्चात् तीनों लोकोंके स्वामी महेश्वरने उपवेदोंको लगाम बनाकर गायत्री और सावित्रीको प्रग्रह बना लिया
Disse Vyāsa: O Grande Senhor, soberano dos três mundos, fez das disciplinas auxiliares dos Vedas o freio de seus cavalos; e, tomando Gāyatrī e Sāvitrī como rédeas, trouxe-os ao domínio. A imagem ensina que o saber sagrado e a recitação disciplinada devem governar o poder e o ímpeto, para que a autoridade se exerça com contenção e justa ordem.
Verse 76
कृत्वोड्कार प्रतोदं च ब्रह्माणं चैव सारथिम् । गाण्डीवं मन्दरं कृत्वा गुणं कृत्वा तु वासुकिम्
Disse Vyāsa: “Ele fez da sílaba sagrada Oṃ o aguilhão, e do próprio Brahmā o cocheiro. Fez do monte Mandara o arco Gāṇḍīva, e de Vāsuki a sua corda.” A imagem apresenta um armamento cósmico: poderes divinos e seres primordiais são reaproveitados como instrumentos de batalha, sugerindo que, quando o dharma está em jogo, as forças do universo são convocadas para sustentar a ordem — e, ainda assim, a grandeza ressalta o grave peso ético da guerra.
Verse 77
विष्णुं शरोत्तमं कृत्वा शल्यमग्निं तथैव च | वायुं कृत्वाथ वाजाभ्यां पुड्खे वैवस्वतं यमम्
Disse Vyāsa: Fazendo de Viṣṇu a flecha suprema, e de Agni a sua ponta ardente, ele pôs Vāyu como asas; e, como penas da cauda, fez Vaivasvata Yama. A passagem intensifica a gravidade moral da guerra ao retratar a arma como fortalecida por forças cósmicas — sugerindo que a destruição em curso não é mera violência humana, mas um acerto de contas fatal, carregado de dharma.
Verse 78
विद्युत् कृत्वाथ निश्राणं मेरुं कृत्वाथ वै ध्वजम् | आरुहा स रथं दिव्यं सर्वदेवमयं शिव:
Disse Vyāsa: Tendo feito do relâmpago um gume agudo (para sua arma) e colocado o monte Meru no lugar do estandarte principal, Śiva — cujo carro era divino e composto dos poderes de todos os deuses — montou aquele veículo celeste para partir à destruição das Tripuras. A cena ressalta uma ordem moral: a força avassaladora não é mera agressão, mas um ato sancionado pelo divino para pôr fim à opressão demoníaca e restaurar a estabilidade.
Verse 79
त्रिपुरस्यथ वधार्थाय स्थाणु: प्रहरतां वर: । असुराणामन्तकर: श्रीमानतुलविक्रम:
Então, para matar Tripura, Sthāṇu — o primeiro entre os que desferem o golpe, glorioso e de poder incomparável, o que traz a morte aos Asuras — preparou-se para aplicar o golpe decisivo. A passagem enquadra a ação de Śiva como restauração da ordem cósmica: a força é empregada não por conquista nem por ódio, mas para pôr fim a poderes destrutivos que ameaçam o equilíbrio sustentado pelos deuses.
Verse 80
स्तूयमान: सुरै: पार्थ ऋषिभिश्न तपोधनै: । स्थान माहेश्वरं कृत्वा दिव्यमप्रतिमं प्रभु:
Ó Pārtha, louvado pelos deuses e pelos rishis ascetas ricos em tapas, o poderoso Senhor estabeleceu uma morada de Maheśvara, divina e sem par.
Verse 81
यदा त्रीणि समेतानि अन्तरिक्षे पुराणि च
Vyāsa disse: “Quando os três se reuniram no meio do céu, e também os antigos presságios…”
Verse 82
पुराणि न च तं शेकुर्दानिवा: प्रतिवीक्षितुम्
Nem mesmo os antigos conseguiram obrigar-se a fitá-lo de frente; tão terrível e avassaladora era a visão.
Verse 83
पुराणि दग्धवन्तं तं देवी याता प्रवीक्षितुम्
Vyāsa disse: A Deusa foi vê-lo—aquele que havia queimado os antigos registros—para examinar o assunto por si mesma.
Verse 84
बालमड्कगतं कृत्वा स्वयं पञ्चशिखं पुन: । जिस समय वे तीनों पुरोंको दग्ध कर रहे थे, उस समय पार्वतीदेवी भी उन्हें देखनेके लिये एक पाँच शिखावाले बालकको गोदमें लेकर वहाँ गयीं ।।
Vyāsa disse: Umā (Pārvatī), tomando em seu colo um menino de cinco topetes, curiosa para saber “quem é este?”, perguntou aos deuses.
Verse 85
असूयतश्च शक्रस्य वज्ेण प्रहरिष्यत: । बाहुं सवज्ं तं तस्य क्रुद्धस्यास्तम्भयत् प्रभु:
Disse Vyāsa: Quando Śakra (Indra), movido pela inveja, estava prestes a golpear com o seu vajra, o Senhor poderoso deteve-lhe o braço enfurecido—com o raio ainda na mão—e conteve o ato antes que se consumasse. A passagem ressalta a necessidade ética de refrear a ira e impedir a violência destrutiva, mesmo quando o poder e as armas estão à disposição.
Verse 86
प्रहस्य भगवांस्तूर्ण सर्वलोकेश्वरो विभु: । पार्वतीदेवीने देवताओंसे पूछा--“पहचानते हो
Então Śakra (Indra), com o braço imobilizado, permaneceu ali cercado pelas hostes dos deuses. O episódio mostra como o orgulho e o ciúme, mesmo entre os divinos, podem inflamar-se em violência, e como o Senhor supremo refreia tais impulsos, protege a ordem cósmica e recorda até aos deuses que o poder deve submeter-se ao dharma e à verdadeira soberania.
Verse 87
जगाम ससुरस्तूर्ण ब्रह्माणं प्रभुमव्ययम् । तदनन्तर स्तम्भित हुई भुजाके साथ ही देवताओंसहित इन्द्र तुरंत ही वहाँसे अविनाशी भगवान् ब्रह्माजीके पास गये ।।
Disse Vyāsa: Então os deuses, juntamente com Indra, apressaram-se de imediato a Brahmā, o Senhor imperecível. Ao chegarem, inclinaram a cabeça em reverência e, com as mãos postas, disseram: “Ó Brahman, no regaço de Pārvatī havia um ser maravilhoso, assumindo a forma de uma criança. Mesmo tendo-o visto, não conseguimos reconhecer quem ele era de verdade.” A passagem realça a humildade ética dos deuses: até os poderosos devem buscar uma sabedoria mais alta diante dos mistérios do divino.
Verse 88
किमप्यड्कगतं ब्रह्मन् पार्वत्या भूतमद्भुतम् । बालरूपधरं दृष्टवा नास्माभिरभिलक्षित:
“Ó Brahman, havia algo maravilhoso no regaço de Pārvatī—um ser extraordinário. Embora o tenhamos visto assumir a forma de uma criança, não conseguimos reconhecer quem ele era de verdade.”
Verse 89
तस्मात् त्वां प्रष्टमिच्छामो निर्जिता येन वै वयम् । अयुध्यता हि बालेन लीलया सपुरंदरा:
Por isso desejamos perguntar-te a respeito dele—por quem fomos de fato subjugados. Pois aquele menino, sem sequer travar combate, venceu-nos com facilidade, a nós os deuses, Indra incluído, como se fosse apenas uma brincadeira.
Verse 90
तेषां तद् वचन श्रुत्वा ब्रह्मा ब्रह्म॒विदां वर: । ध्यात्वा स शम्भुं भगवान् बालं चामिततेजसम्
Ao ouvir as palavras deles, Brahmā—o mais eminente entre os conhecedores do Brahman—entrou em contemplação. Pela meditação, reconheceu Śambhu (Śiva), o Senhor Bem-aventurado, que assumira a forma de uma criança, ardendo com um esplendor incomensurável.
Verse 91
उवाच भगवान् ब्रह्मा शक्रादींश्व॒ सुरोत्तमान् । चराचरस्य जगत: प्रभु: स भगवान् हर:
Então Bhagavān Brahmā dirigiu-se a Indra e aos demais deuses excelsos: “Esse Bhagavān Hara (Śaṅkara) é o Senhor soberano de todo o universo, do que se move e do que não se move. Não há poder mais alto que Mahādeva. A criança de fulgor incomensurável que todos vistes junto de Pārvatī era o próprio Śaṅkara, que tomou forma infantil para alegrar Pārvatī. Vinde, pois—refugiemo-nos todos nele.”
Verse 92
तस्मात् परतरं नान्यत् किंचिदस्ति महेश्वरात् । यो दृष्टो हमुमया सार्ध युष्माभिरमितद्युति:
Portanto, nada existe que seja superior a Maheśvara. A criança de brilho incomensurável que todos vistes junto de Umā era o próprio Bhagavān Śaṅkara. Para deleite de Pārvatī, ele assumiu a forma de uma criança; vinde, pois—tomemos refúgio nele.
Verse 93
स पार्वत्या: कृते शर्व: कृतवान् बालरूपताम् | ते मया सहिता यूय॑ प्रापयध्वं तमेव हि
Por Pārvatī, Śarva (Śiva) assumiu a forma de uma criança. Portanto, vós todos, juntamente comigo, aproximai-vos e tomai refúgio somente nele.
Verse 94
स एष भगवान् देव: सर्वलोकेश्वर: प्रभु: । न सम्बुबुधिरे चैनं देवास्तं भुवनेश्वरम्
Vyāsa disse: “Ele é, de fato, o Senhor Bem-aventurado, o Deus supremo—soberano de todos os mundos, o regente maior. E, no entanto, nem mesmo os deuses o reconheceram verdadeiramente, a esse Senhor do universo.”
Verse 95
अथाश्येत्य ततो ब्रह्मा दृष्टवा स च महेश्वरम्
Então Brahmā aproximou-se e, ao contemplar Maheśvara (Śiva), procedeu conforme o devido—um momento em que a ordem cósmica é reconhecida por meio do encontro reverente com o Senhor supremo.
Verse 96
ब्रह्मोवाच त्वं यज्ञों भुवनस्यास्य त्वं गतिस्त्वं परायणम्
Brahmā disse: “Tu és o próprio sacrifício; tu és o amparo deste universo; tu és o fim e o último refúgio. Tu és Bhava, a fonte de todos os seres; tu és Mahādeva, a morada suprema e o estado mais elevado. Por ti este mundo inteiro—o móvel e o imóvel—está permeado por todos os lados.”
Verse 97
त्वं भवस्त्वं महादेवस्त्वं धाम परमं पदम् | त्वया सर्वमिदं व्याप्तं जगत् स्थावरजड्रमम्
Vyāsa disse: “Tu és Bhava; tu és Mahādeva; tu és a morada suprema e o mais alto destino. Por ti este universo inteiro é permeado—tudo, seja imóvel ou inerte.” O verso apresenta Śiva como a realidade que sustenta tudo, firmando a devoção no reconhecimento de que o divino não está separado do mundo, mas presente em toda parte nele.
Verse 98
भगवन् भूतभव्येश लोकनाथ जगत्पते । प्रसादं कुरु शक्रस्य त्वया क्रोधार्दितस्य वै,भूत, वर्तमान और भविष्यके स्वामी भगवन्! लोकनाथ! जगत्पते! ये इन्द्र आपके क्रोधसे पीड़ित हो रहे हैं। आप इनपर कृपा कीजिये
Vyāsa disse: “Ó Senhor bem-aventurado, soberano do passado e do futuro, protetor dos mundos, Senhor do universo—concede a tua graça a Śakra (Indra). Ele está, de fato, sendo afligido pela ira que se ergueu de ti; portanto, tem compaixão dele.”
Verse 99
व्यास उवाच पद्मयोनिवच: श्रुत्वा ततः प्रीतो महेश्वर: । प्रसादाभिमुखो भूत्वा अट्टहासमथाकरोत्
Vyāsa disse: “Ó Pārtha! Ao ouvir as palavras de Padmayoni (Brahmā), Maheśvara ficou satisfeito. Voltando-se para conceder graça, irrompeu então numa gargalhada alta e ressonante—um sinal auspicioso de que a resposta divina estava prestes a se revelar.”
Verse 100
ततः प्रसादयामासुरुमां रुद्रं च ते सुरा: । अभवच्च पुनर्बाहुर्यथाप्रकृति वच्धिण:,तब देवताओंने पार्वतीदेवी तथा भगवान् शंकरको प्रसन्न किया। फिर वज्रधारी इन्द्रकी बाँह जैसी पहले थी, वैसी हो गयी
Então os deuses buscaram apaziguar Umā e Rudra. E, por essa propiciação, o braço de Indra, o portador do vajra (raio), tornou a ser como antes — restaurado ao seu estado natural.
Verse 101
तेषां प्रसन्नो भगवान् सपत्नीको वृषध्वज: । देवानां त्रिदशश्रेष्ठो दक्षयज्ञविनाशन:,दक्षयज्ञका विनाश करनेवाले देवश्रेष्ठ भगवान् वृषध्वज अपनी पत्नी उमाके साथ देवताओंपर प्रसन्न हो गये
Satisfeito com eles, o Senhor Bem-aventurado Vṛṣadhvaja (Śiva), acompanhado de sua consorte Umā, mostrou-se gracioso para com os deuses — o mais eminente entre os Trinta, aquele que outrora destruiu o sacrifício de Dakṣa.
Verse 102
स वै रुद्र: स च शिव: सोडग्नि: सर्वश्न सर्ववित् । स्चेन्द्रश्नेव वायुश्व सो5श्वचिनौ च स विद्युत:
Vyāsa declara que aquele que é louvado não se limita a uma única forma: ele é Rudra e também Śiva; é Agni, a essência que tudo permeia, e o Onisciente. É Indra e Vāyu; é os gêmeos Aśvins, e até o próprio relâmpago.
Verse 103
स भव: स च पर्जन्यो महादेव: सनातन: । स चन्द्रमा: स चेशान: स सूर्यो वरुणश्व॒ सः,वे ही भव, वे ही मेघ और वे ही सनातन महादेव हैं। चन्द्रमा, ईशान, सूर्य और वरुण भी वे ही हैं
Vyāsa disse: Ele é Bhava; é também Parjanya, o poder que traz a chuva; é o eterno Mahādeva. É a Lua; é Īśāna; é o Sol; e é Varuṇa também.
Verse 104
स काल: सो&न््तको मृत्यु: स यमो रात्र्यहानि तु । मासार्धमासा ऋतव: संध्ये संवत्सरशक्ष॒ सः,वे ही काल, अनाक, मृत्यु, यम, रात्रि, दिन, मास, पक्ष, ऋतु, संध्या और संवत्सर हैं
Vyāsa disse: Ele é o Tempo; é Antaka, o que põe fim; é a Morte; é Yama. É também a noite e o dia, os meses e as quinzenas, as estações, os crepúsculos e o ano.
Verse 105
धाता च स विधाता च विश्वात्मा विश्वकर्मकृत् | सर्वासां देवतानां च धारयत्यवपुर्वपु:
Vyāsa disse: Ele é ao mesmo tempo o Ordenador e o Dispensador, o Si universal e o artífice das obras do universo. Embora Ele próprio não tenha corpo, sustenta e carrega os corpos de todos os deuses.
Verse 106
सर्वदेवै: स्तुतो देव: सैकधा बहुधा च सः । शतधा सहस्रधा चैव भूय: शतसहस्रधा,सम्पूर्ण देवता सदा उनकी स्तुति करते हैं। वे महादेवजी एक होकर भी अनेक हैं। सौ, हजार और लाखों रूपोंमें वे ही विराज रहे हैं
Vyāsa disse: Louvado por todos os deuses, esse Senhor—embora uno—aparece de muitas maneiras. Manifesta-se em centenas, em milhares e, de novo, em centenas de milhares de formas.
Verse 107
द्वे तनू तस्य देवस्य वेदज्ञा ब्राह्मणा विदु: । घोरा चान्या शिवा चान्या ते तनू बहुधा पुनः
Vyāsa disse: Os sábios brâmanes conhecedores dos Vedas entendem que esta divindade tem duas formas: uma terrível e outra auspiciosa. Embora distintas, dessas duas formas surgem, repetidas vezes, muitas outras manifestações.
Verse 108
घोरा तु या तनुस्तस्य सो<नग्निर्विष्णु: स भास्कर: । सौम्या तु पुनरेवास्य आपो ज्योतींषि चन्द्रमा:
Vyāsa explica que o aspecto terrível da divindade é o próprio poder visto como Fogo, Viṣṇu e o Sol; ao passo que o seu aspecto suave e auspicioso se manifesta como Água, as luzes do céu—planetas e estrelas—e a Lua.
Verse 109
वेदा: साज्रोपनिषद: पुराणाध्यात्मनिश्चया: । यदत्र परम गुहां स वै देवो महेश्वर:,वेद, वेदांग, उपनिषद् पुराण और अध्यात्मशास्त्रके जो सिद्धान्त हैं तथा उनमें भी जो परम रहस्य है, वह भगवान् महेश्वर ही हैं
Vyāsa disse: Os Vedas com seus auxiliares e Upaniṣads, as conclusões firmes dos Purāṇas e os ensinamentos sobre o Si—e, de fato, o segredo supremo contido em tudo isso—não é outro senão o divino Senhor Maheśvara.
Verse 110
ईदृशश्व महादेवो भूयांश्न भगवानज: । न हि सर्वे मया शक््या वक्तुं भगवतो गुणा:
Vyāsa disse: “Assim é, de fato, Mahādeva—sempre maior, o Bem-aventurado, o Não-Nascido. Pois não me é possível descrever por completo todas as qualidades desse Senhor.”
Verse 111
अपि वर्षसहस्रेण सततं पाण्डुनन्दन । अर्जुन! यह है अजन्मा भगवान् महादेवका महामहिमस्वरूप। मैं सहस्रों वर्षोतक लगातार वर्णन करता रहूँ तो भी भगवानके समस्त गुणोंका पार नहीं पा सकता ।।
Vyāsa disse: “Ó filho de Pāṇḍu, Arjuna! Este é o Senhor não nascido, Mahādeva, a própria encarnação da suprema majestade. Ainda que eu O descrevesse sem cessar por milhares de anos, mesmo assim não alcançaria a outra margem de todas as qualidades do Senhor.”
Verse 112
आयुरारोग्यमैश्चर्य वित्तं कामांश्व पुष्कलान्
Vyāsa disse: “(Ele concede) longa vida, boa saúde, prosperidade, riqueza e abundantes gozos do desejo.”
Verse 113
सेन्द्रादिषु च देवेषु तस्य चैश्वर्यमुच्यते
Vyāsa disse: “Mesmo entre os deuses chefiados por Indra, declara-se que a soberania Dele prevalece. Porque Ele é o Senhor, permanece atuante no mundo, distribuindo os frutos das ações humanas—auspiciosas e inauspiciosas. Só Ele também é ensinado como o Senhor que concede a realização de todos os desejos.”
Verse 114
स चैव व्यापृतो लोके मनुष्याणां शुभाशुभे । ऐश्वर्याच्चैव कामानामीश्व्रक्ष॒ स उच्यते
Vyāsa disse: “E somente Ele atua no mundo no que diz respeito às ações auspiciosas e inauspiciosas dos homens, dispensando seus frutos. Como a soberania e a realização dos desejos dependem Dele, por isso é chamado o Senhor (Īśvara).”
Verse 115
महेश्वरश्न महतां भूतानामीश्वरश्च॒ सः । बहुभिरबहुधा रूपैर्विश्वं व्याप्रोति वै जगत्
Vyāsa disse: Ele é Mahādeva, o Senhor soberano dos grandes seres e o regente de todas as existências elementares. Assumindo muitas formas de incontáveis maneiras, ele permeia o universo inteiro—ensinando que a realidade suprema não se limita a uma única aparência, mas sustenta e habita toda a criação.
Verse 116
तस्य देवस्य यद् वक्त्रं समुद्रे तदधिषछ्ठितम् । वडवामुखेति विख्यातं पिबत् तोयमयं हवि:,उन महादेवजीका जो मुख है, वह समुद्रमें स्थित है। वह “वडवामुख” नामसे विख्यात होकर जलमय हविष्यका पान करता है
Vyāsa disse: Essa boca do deus—estabelecida no oceano—é conhecida como “Vaḍavāmukha”. Ela bebe continuamente uma oblação feita de água. A imagem transmite um poder cósmico contido: até o que parece consumo sem fim é enquadrado como ato sacrificial, sugerindo que o potencial destrutivo é mantido dentro de uma ordem dhármica, e não solto sem medida.
Verse 117
एष चैव श्मशानेषु देवो वसति नित्यश: । यजन्त्येनं जनास्तत्र वीरस्थान इतीश्वरम्,ये ही महादेवजी श्मशानभूमि (काशीपुरी)-में नित्य निवास करते हैं। वहाँ मनुष्य “वीरस्थानेश्वर” के नामसे इनकी आराधना करते हैं
Vyāsa disse: Este mesmo Senhor habita perpetuamente nos campos de cremação. Ali, as pessoas o veneram como “Vīrasthāneśvara”, o soberano do lugar dos heróis—significando que, mesmo em meio à morte e à impermanência, o divino está presente e é digno de reverente devoção.
Verse 118
अस्य दीप्तानि रूपाणि घोराणि च बहूनि च । लोके यान्यस्य पूज्यन्ते मनुष्या: प्रवदन्ति च,इनके बहुत-से तेजस्वी घोर रूप हैं, जो लोकमें पूजित होते हैं और मनुष्य उनका कीर्तन करते रहते हैं
Vyāsa disse: “Ele tem muitas formas fulgurantes, e muitas também terríveis—formas que, no mundo, os homens veneram e das quais falam e celebram sem cessar.”
Verse 119
नामधेयानि लोकेषु बहुन्यस्य यथार्थवत् । निरुच्यन्ते महत्त्वाच्च विभुत्वात् कर्मणस्तथा,उनकी महत्ता, सर्वव्यापकता तथा कर्मके अनुसार लोकमें इनके बहुत-से यथार्थ नाम बताये जाते हैं
Vyāsa disse: No mundo, muitos nomes lhe são atribuídos com justiça—nomes que de fato lhe cabem—por causa de sua grandeza, de sua soberania que tudo permeia e da natureza de seus feitos. O ensinamento implica que os epítetos divinos não são rótulos arbitrários, mas nascem de qualidades e ações reconhecidas, guiando as pessoas a lembrar e julgar pelo mérito verdadeiro, e não pela mera convenção.
Verse 120
वेदे चास्य समाम्नातं शतरुद्रियमुत्तमम् । नाम्ना चानन्तरुद्रेति हुपस्थानं महात्मन:,यजुर्वेदमें भी परमात्मा शिवकी “शतरुद्रिय” नामक उत्तम स्तुति बतायी गयी है। अनन्तरुद्रनामसे इनका उपस्थान बताया गया है
Vyāsa disse: “No Veda também se preserva, para Ele (esse grande Senhor), o excelente hino chamado Śatarudrīya. E o modo de invocação devocional desse Mahātman é ensinado sob o nome ‘Anantarudra’.”
Verse 121
स कामानां प्रभुर्देवो ये दिव्या ये च मानुषा: । स विभु: स प्रभुर्देवो विश्व व्याप्रोति वै महत्
Vyāsa disse: Ele é o Senhor de todos os gozos e de todos os objetos desejados — sejam celestes, sejam humanos. Esse Deus, todo-poderoso e soberano, permeia este vasto universo; por isso é chamado o Onipenetrante e o Senhor Supremo.
Verse 122
ज्येष्ठ भूतं वदन्त्येनं ब्राह्मणा मुनयस्तथा । प्रथमो होष देवानां मुखादस्यानलो5भवत्
Vyāsa disse: Os brāhmaṇas e os videntes o declaram o mais antigo dos seres. Ele é o primeiro entre os deuses; e de sua boca surgiu Agni, o deus do Fogo.
Verse 123
सर्वथा यत् पशून् पाति तैश्न यद् रमते पुनः । तेषामधिपतिर्यच्च तस्मात् पशुपति: स्मृत:
Vyāsa disse: “Ele é lembrado como ‘Paśupati’ porque, de todas as maneiras, protege os seres vivos, volta a deleitar-se em sua companhia e se ergue como seu senhor e guardião.”
Verse 124
दिव्यं च ब्रह्मचर्येण लिड्रमस्य यथा स्थितम् । महयत्येष लोकांश्व महेश्वर इति स्मृत:,इनका दिव्य लिंग ब्रह्मचर्यसे स्थित है। ये सम्पूर्ण लोकोंको महिमान्वित करते हैं; इसलिये महेश्वर कहे गये हैं
Vyāsa disse: Seu liṅga é divino e permanece estabelecido pelo brahmacarya perfeito (a castidade e a disciplina espiritual). Ele engrandece e sustenta todos os mundos; por isso é lembrado como Maheśvara, o Grande Senhor.
Verse 125
ऋषयश्नैव देवाश्ष गन्धर्वाप्सरसस्तथा । लिज्भमस्यार्चयन्ति सम तच्चाप्यूर्ध्व समास्थितम्,ऋषि, देवता, गन्धर्व और अप्सराएँ इनके ऊर्ध्वलोकस्थित लिंगविग्रह (प्रतीक)-की पूजा करती हैं
Vyāsa disse: Sábios, deuses, Gandharvas e Apsaras, todos veneram este liṅga sagrado—um emblema estabelecido nos mundos superiores. A passagem apresenta a devoção como um ato universal que transcende a sociedade humana, mostrando que a reverência ao divino é sustentada até por seres excelsos.
Verse 126
पूज्यमाने ततस्तस्मिन् मोदते स महेश्वर: । सुखी प्रीतश्न॒ भवति प्रद्ृष्टश्वेव शड्कर:
Quando esse emblema é venerado, o auspicioso Senhor Maheśvara rejubila. Śaṅkara torna-se feliz e, com graça, plenamente satisfeito, como se fosse visto diante dos próprios olhos—mostrando que a devoção sincera traz o favor do deus e o bem-estar interior ao adorador.
Verse 127
यदस्य बहुधा रूप॑ भूतभव्यभवस्थितम् | स्थावरं जज्भमं चैव बहुरूपस्तत: स्मृत:,भूत, भविष्य और वर्तमान--तीनों कालोंमें इनके स्थावर-जंगम बहुत-से रूप स्थित होते हैं; इसलिये इन्हें 'बहुरूप” नाम दिया गया है
Vyāsa disse: “Porque este ser se manifesta em muitas formas—espalhadas pelo passado, pelo futuro e pelo presente—e porque nele habitam incontáveis formas, tanto imóveis quanto móveis, por isso é lembrado pelo nome ‘Bahurūpa’ (o de Muitas Formas).”
Verse 128
एकाक्षो जाज्वतन्नास्ते सर्वतो$क्षिमयो5पि वा । क्रोधाद् यश्चाविशल्लोकांस्तस्मात् सर्व इति स्मृत:
Vyāsa disse: Embora ele possua olhos por todos os lados—e até seja, por assim dizer, feito de olhos—há também um único olho extraordinário, ígneo, que se destaca, sempre ardendo de ira. E porque ele permeia e adentra todos os mundos, é lembrado pelo nome “Sarva”, o Todo.
Verse 129
धूम्ररूपं च यत् तस्य धूर्जटिस्तेन चोच्यते । विश्वेदेवाश्व॒ यत् तस्मिन् विश्वरूपस्तत: स्मृत:
Vyāsa disse: Porque sua forma tem um matiz esfumaçado, ele é chamado Dhūrjaṭi. E como os Viśvedevas estão estabelecidos nele, é lembrado pelo nome Viśvarūpa—aquele em quem os muitos poderes divinos encontram seu fundamento e sua unidade.
Verse 130
तिस्रो देवीर्यदा चैव भजते भुवनेश्वर: । द्यामप: पृथिवीं चैव तःऋरयम्बकश्न ततः स्मृत:
Vyāsa disse: Quando o Senhor dos mundos abraça e sustenta as três formas divinas—o céu, as águas e a terra—protegendo-as como se fossem suas, por isso é lembrado pelo nome Tryambaka, aquele associado às três mães (ou o Senhor de três olhos), guardião destes três suportes do cosmos.
Verse 131
समेधयति यत्नित्यं सर्वार्थान् सर्वकर्मसु । शिवमिच्छन् मनुष्याणां तस्मादेष शिव: स्मृत:
Vyāsa disse: “Ele continuamente faz com que se cumpram com êxito todos os fins desejados em cada empreendimento, buscando o bem-estar dos seres humanos. Por isso é lembrado pelo nome ‘Śiva’—aquele que faz surgir o auspicioso.”
Verse 132
सहस्राक्षोड्युताक्षो वा सर्वतो$क्षिमयो5पि वा । यच्च विश्व महत् पाति महादेवस्तत: स्मृत:
Vyāsa disse: “Ele é chamado ‘o de Mil Olhos’, ou ‘o de Dez Mil Olhos’; e pode-se entendê-lo, de fato, como feito de olhos por todos os lados, sempre vigilante em todas as direções. Porque Mahādeva protege e sustenta este vasto universo, é lembrado pelo nome ‘Mahādeva’—o Grande Deus.”
Verse 133
महत् पूर्व स्थितो यच्च प्राणोत्पत्तिस्थितश्न यत् । स्थितलिडज्ञश्न यन्नित्यं तस्मात् स्थाणुरिति स्मृत:
Vyāsa disse: “Desde os tempos primordiais ele permanece em sua grandeza; é a causa do surgimento e da permanência dos sopros vitais; e seu corpo, de natureza liṅga, mantém-se sempre firme e imóvel. Por isso é lembrado como ‘Sthāṇu’—o Imutável, o que permanece de pé.”
Verse 134
सूर्याचन्द्रमसोलोंके प्रकाशन्ते रुचश्व॒ या: । ता: केशसंज्ञितास्त्रयक्षे व्योमकेशस्तत: स्मृत:
Vyāsa disse: “Os raios que resplandecem do sol e da lua no mundo são chamados os ‘cabelos’ do Senhor de Três Olhos. E porque brilham no vyoma—o céu—por isso ele é lembrado pelo nome ‘Vyomakeśa’, aquele cuja cabeleira é o firmamento.”
Verse 135
भूतं भव्यं भविष्यं च सर्व जगदशेषत: । भव एव ततो यस्माद् भूतभव्यभवोद्धव:,भूत, वर्तमान और भविष्य सम्पूर्ण जगत् भगवान् शंकरसे ही विस्तारको प्राप्त हुआ है; इसलिये वे 'भूतभव्यभवोद्धव” कहे गये हैं
Vyāsa disse: O universo inteiro, em todos os seus aspectos—passado, presente e futuro—surgiu e se expandiu somente a partir de Bhava (Śiva/Śaṅkara). Por isso ele é louvado com o epíteto “Bhūta-bhavya-bhavodbhava”, a fonte de onde procedem o passado, o presente e o porvir.
Verse 136
कपि: श्रेष्ठ इति प्रोक्तो धर्मश्व॒ वृष उच्यते । स देवदेवो भगवान् कीर्त्यतेडतो वृषाकपि:
Vyāsa disse: “Declara-se que a palavra ‘kapi’ significa ‘o excelente (o mais eminente)’, e diz-se que ‘vṛṣa’ é um nome de Dharma. Por isso, esse Senhor Bem-aventurado, o Deus dos deuses—Śaṅkara—é celebrado como ‘Vṛṣākapi’, porque é significado por ‘vṛṣa’ e por ‘kapi’.”
Verse 137
ब्रह्माणमिन्द्रं वरुणं यमं धनदमेव च । निगृहा हरते यस्मात् तस्माद्धर इति स्मृत:,वे ब्रह्मा, इन्द्र वरुण, यम तथा कुबेरको भी काबूमें करके उनसे उनका एऐश्वर्य हर लेते हैं; इसलिये “हर” कहे गये हैं
Vyāsa disse: Porque ele pode conter até mesmo Brahmā, Indra, Varuṇa, Yama e Kubera (senhor das riquezas), e pode lhes retirar o poder soberano, por isso é lembrado pelo nome “Hara” — aquele que arrebata e remove.
Verse 138
निमीलिताभ्यां नेत्राभ्यां बलाद देवो महेश्वर: । ललाटे नेत्रमसृजत् तेन तऋयक्ष: स उच्यते
Vyāsa disse: O deus Maheśvara, fechando à força ambos os olhos, fez surgir um olho em sua testa. Por isso é chamado “Triyakṣa” — o Senhor de Três Olhos.
Verse 139
विषमस्थ: शरीरेषु समश्न प्राणिनामिह । स वायुर्विषमस्थेषु प्राणोडपान: शरीरिषु
Vyāsa disse: Nos corpos dos seres vivos, embora situado em condições desiguais e variadas, esse Vento vital permanece em perfeito equilíbrio. Em todas as criaturas encarnadas que se encontram em estados adversos ou irregulares, é essa mesma força que resplandece como prāṇa e apāna—sustentando a vida por um funcionamento interno equilibrado, ainda que as circunstâncias externas estejam em descompasso.
Verse 140
पूजयेद विग्रहं यस्तु लिड़ं चापि महात्मन: । लिड्/ं पूजयिता नित्यं महतीं श्रियमश्नुते
Disse Vyāsa: Quem venerar a imagem sagrada ou o liṅga do Senhor Śiva, de grande alma, deve ser honrado como devoto. Aquele que cultua o liṅga com regularidade alcança grande prosperidade—ensinando que a devoção firme e a reverência ao divino se tornam fonte de bons presságios e bem-estar.
Verse 141
ऊरुभ्यामर्धमाग्नेयं सोमर्थध च शिवा तनु: । आत्मनोडर्थ तथा चाग्नि: सोमो<र्थ पुनरुच्यते
Disse Vyāsa: Das coxas para baixo, o corpo de Śiva é descrito como a metade semelhante a Agni (ígnea, terrível); acima disso, como a metade semelhante a Soma (fresca, auspiciosa). Algumas autoridades afirmam ainda que, segundo outra contagem, metade de todo o seu corpo é chamada “Agni” e a outra metade “Soma”. A passagem apresenta Śiva como a união de poderes opostos—terrível e benfazejo—sugerindo que a ordem cósmica se sustenta pelo equilíbrio, e não por um só lado.
Verse 142
तैजसी महती दीप्ता देवेभ्यो5स्य शिवा तनु: । भास्वती मानुषेष्वस्य तनुर्घोराग्निरुच्यते
Disse Vyāsa: Sua forma auspiciosa, ardendo com imenso esplendor ígneo, é para os deuses. Mas entre os seres humanos, sua forma radiante e terrível é chamada “Agni” (Fogo). A passagem ressalta que a mesma realidade divina se manifesta de modo diverso conforme o reino e conforme a capacidade de quem a contempla—benfazeja e digna de culto num contexto, assombrosa e temível noutro.
Verse 143
ब्रह्मचर्य चरत्येष शिवा यास्य तनुस्तया । यास्य घोरतरा मूर्ति: सर्वानित्ति तयेश्वर:
Disse Vyāsa: Essa forma auspiciosa de Śiva, pela qual ele resguarda o mundo, permanece em brahmacarya (continência disciplinada). Contudo, há também sua forma mais terrível—por essa manifestação pavorosa, o Senhor Śaṅkara consome (destrói) o mundo inteiro. O verso ressalta a dupla função cósmica de Śiva: proteger pela contenção e dissolver por um poder avassalador.
Verse 144
यन्निर्दहति यत् तीक्ष्णो यदुग्रो यत् प्रतापवान् । मांसशोणितमज्जादो यत् ततो रुद्र उच्यते
Essa divindade que queima todas as coisas, extremamente aguda e feroz, e poderosa em seu ímpeto—que até consome carne, sangue e medula—por isso é chamada “Rudra”, assim nomeada por sua natureza terrível e irada, sobretudo quando se manifesta no tempo da dissolução.
Verse 145
एष देवो महादेवो यो5सौ पार्थ तवाग्रत: । संग्रामे शात्रवान् निष्नंस्त्वया दृष्ट:ः पिनाकधूक्
Vyāsa disse: “Ó Pārtha! Aquele que viste diante de ti no campo de batalha—abatendo os guerreiros inimigos—não era outro senão o próprio Deus, Mahādeva, Śiva, portador do arco Pināka. Ó Arjuna, foi o próprio Śiva que apareceu como o matador de teus adversários.”
Verse 146
सिन्धुराजवधार्थाय प्रतिज्ञाते त्वयानघ । कृष्णेन दर्शित: स्वप्रे यस्तु शैलेन्द्रमूर्थनि
Vyāsa disse: “Ó irrepreensível! Quando fizeste o voto de matar o rei Sindhu, a divindade que o Senhor Kṛṣṇa te mostrou em sonho no cume de uma montanha era o mesmo Senhor Śaṅkara. Agora, nesta batalha, ele avança à tua frente, abrindo o caminho. Foi ele quem te concedeu aquelas armas divinas com as quais destruíste os Dānavas.”
Verse 147
एष वै भगवान् देव: संग्रामे याति तेडग्रत: । येन दत्तानि ते<स्त्राणि यैस्त्वया दानवा हता:
Vyāsa disse: “Eis: este mesmo Senhor bendito, o divino, vai à tua frente na batalha. Foi ele quem te deu aquelas armas celestes com as quais abateste os Dānavas.”
Verse 148
धन्यं यशस्यमायुष्य॑ पुण्य॑ वेदैश्व सम्मितम् । देवदेवस्य ते पार्थ व्याख्यातं शतरुद्रियम्
Vyāsa disse: “Ó Pārtha, o Śatarudriya—explicado aqui em louvor de Śiva, o Deus dos deuses—é abençoado, concede fama, prolonga a vida, é de mérito supremo e, em santidade, comparável aos Vedas. É um hino sagrado cuja recitação e compreensão são tidas como capazes de aumentar prosperidade, renome e longevidade por meio da devoção ao Senhor supremo.”
Verse 149
सर्वार्थसाथन पुण्यं सर्वकिल्बिषनाशनम् | सर्वपापप्रशमनं सर्वदुःखभयापहम्
Vyāsa declara: “Este hino sagrado é um meio universal para realizar os fins legítimos. Por sua recitação, destrói todas as manchas morais, apazigua todo pecado e afasta toda espécie de tristeza e temor.”
Verse 150
चतुर्विधमिदं स्तोत्र यः शुणोति नर: सदा । विजित्य शत्रून् सर्वान् स रुद्रलोके महीयते
Vyāsa disse: Quem escuta continuamente este hino quádruplo—que proclama o Senhor Śaṅkara em seus múltiplos aspectos—conquista todos os inimigos e, tendo prevalecido, é honrado e estabelecido no mundo de Rudra.
Verse 151
चरितं महात्मनो नित्यं सांग्रामिकमिदं स्मृतम् । पठन् वै शतरुद्रीयं शृण्वंश्ष सततोत्थित:
Vyāsa disse: Isto é lembrado como o relato sempre eficaz e vitorioso na guerra daquele Senhor de grande alma. Quem, sempre atento e preparado, recita e escuta o Śatarudrīya, e qualquer pessoa que continuamente adore o Senhor Viśveśvara com devoção—quando o Śiva de Três Olhos se compraz—alcança todo desejo excelente.
Verse 152
भक्तो विश्वेश्वरं देव॑ं मानुषेषु च यः सदा । वरान् कामान् स लभते प्रसन्ने उ5यम्बके नर:
Vyāsa diz: Quem, entre os homens, é sempre devoto do divino Senhor Viśveśvara, adorando-o com fé constante, obtém dádivas excelentes e os dons desejados quando Tryambaka (Śiva) se compraz.
Verse 153
गच्छ युद्धयस्व कौन्तेय न तवास्ति पराजय: । यस्य मन्त्री च गोप्ता च पार्श्वस्थो हि जनार्दन:
Vyāsa disse: “Vai, ó filho de Kuntī, e entra na batalha. A derrota não pode ser tua, pois ao teu lado está Janārdana—o próprio Śrī Kṛṣṇa—teu conselheiro, teu protetor e teu companheiro constante.”
Verse 154
संजय उवाच एवमुकक््त्वार्जुनं संख्ये पराशरसुतस्तदा । जगाम भरतश्रेष्ठ यथागतमरिंदम
Sañjaya disse: Tendo assim falado a Arjuna no campo de batalha, o filho de Parāśara (Vyāsa) então partiu, ó melhor dos Bhāratas, domador de inimigos, retornando pelo mesmo caminho por onde viera.
Verse 155
युद्ध कृत्वा महद् घोरं पज्चाहानि महाबल: । ब्राह्मणो निहतो राजन् ब्रह्मलोकमवाप्तवान्,राजन! पाँच दिनोंतक अत्यन्त घोर युद्ध करके महाबली ब्राह्मण द्रोणाचार्य मारे गये और ब्रह्मलोकमें चले गये
Sañjaya disse: “Ó rei, após travar por cinco dias uma batalha grande e terrível, o poderoso brâmane Droṇācārya foi morto; e, ao cair, alcançou Brahmaloka.”
Verse 156
स्वधीते यत् फल वेदे तदस्मिन्नपि पर्वणि । क्षत्रियाणामभीरूणां युक्तमत्र महद् यश:
Sañjaya disse: “O mesmo mérito que se obtém pelo estudo do Veda também se alcança ao recitar e ouvir esta seção. Aqui se celebra, com justiça, a grande fama dos kṣatriyas destemidos que entram na batalha sem hesitar.”
Verse 157
य इदं पठते पर्व शृणुयाद् वापि नित्यश: । स मुच्यते महापापै: कृतैघोरिश्व॒ कर्मभि:,जो प्रतिदिन इस पर्वको पढ़ता अथवा सुनता है, वह पहलेके किये हुए बड़े-बड़े पापों तथा घोर कर्मोसे मुक्त हो जाता है
Sañjaya disse: “Quem recita regularmente esta seção, ou mesmo a escuta diariamente, é libertado de grandes pecados e de atos terríveis cometidos anteriormente.”
Verse 158
यज्ञावाप्तिब्रद्विणस्येह नित्यं घोरे युद्धे क्षत्रियाणां यशश्नव । शेषौ वर्णों काममिष्टं लभेते पुत्रान् पौत्रान् नित्यमिष्टांस्तथैव
Sañjaya disse: “Ao recitar e ouvir isto regularmente neste mundo, um brâmane obtém o fruto do sacrifício; um kṣatriya, em meio à guerra terrível, alcança glória afamada. As duas ordens restantes também obtêm o que desejam—filhos e netos, e outras bênçãos queridas.”
Verse 201
इस प्रकार श्रीमहाभारत द्रोणपर्वके अन्तर्गत नारायणास्त्रगोक्षपर्वमें व्यासवाक्य तथा शतरुद्रिय स्घुतिविषयक दो सौ एकवाँ अध्याय पूरा हुआ
Sañjaya disse: “Assim, no Śrī Mahābhārata, dentro do Droṇa Parva—em particular, na seção referente à proclamação da arma Nārāyaṇa Astra—conclui-se o capítulo duzentos e um, acerca da fala de Vyāsa e da recitação do hino Śatarudrīya.”
Verse 202
इति श्रीमहाभारते द्रोणपर्वणि नारायणास्त्रमोक्षपर्वणि द्वायधिकद्धिशततमो< ध्याय:,इस प्रकार श्रीमह्ा भारत द्रोणपर्वके अन्तर्गत नारायणास्त्रगोक्षपर्वमें दो सौ दोवाँ अध्याय पूरा हुआ
Sañjaya disse: Assim, no Śrī Mahābhārata, dentro do Droṇa Parva, na seção referente ao disparo da arma de Nārāyaṇa, conclui-se o capítulo ducentésimo segundo. (Este é um colofão que assinala o fim do capítulo e situa a narrativa no quadro ético e marcial da guerra.)
Verse 276
इहलोके सुखं प्राप्य ते यान्ति परमां गतिम् | जो भक्त मनुष्य सदा अनन्यभावसे वरदायक देवता कल्याणस्वरूप
Vyāsa disse: Aqueles que alcançam felicidade neste mundo seguem para o estado supremo. Os devotos que, com fé indivisa, veneram a divindade que concede dádivas—Rudra, o Auspicioso Senhor de tudo, Umānātha—gozam de bem-estar aqui e, ao fim, atingem o destino supremo. O ensinamento ressalta que a devoção firme e exclusiva ao Senhor supremo concede tanto o bem mundano quanto a libertação última.
Verse 493
नीलकण्ठाय पिज्ञाय स्वर्णकेशाय वै नमः । जलपति तथा देवपतिको नित्य नमस्कार है। पूषाके दाँत तोड़नेवाले
Vyāsa oferece uma saudação prolongada a Śiva: ao Senhor de garganta azul (Nīlakaṇṭha), de tom fulvo e cabelos dourados; soberano das águas e senhor dos deuses. Ele se curva diante da divindade de três olhos, doadora de dádivas, que outrora quebrou os dentes de Pūṣan—invocando o poder de Śiva para conter a arrogância e sustentar a ordem cósmica. O hino apresenta a devoção como refúgio moral em meio à violência da guerra, buscando firmeza, proteção e força que guie pelo caminho justo.
Verse 673
पीडयन्त्यधिकं लोक॑ यस्मात् ते वरदर्पिता: । इन्द्रसहित सम्पूर्ण देवताओंने महात्मा भगवान् शंकरसे कहा--'प्रभो! ब्रह्माजीसे वरदान पाकर ये त्रिपुरनिवासी घोर दैत्य सम्पूर्ण जगत्को अधिकाधिक पीड़ा दे रहे हैं; क्योंकि वरदान प्राप्त होनेसे उनका घमंड बहुत बढ़ गया है
E, por terem recebido tal dádiva, afligem o mundo com sofrimento cada vez maior. Então todos os deuses, juntamente com Indra, disseram ao magnânimo Bhagavān Śaṅkara: “Senhor! Esses terríveis daityas, habitantes de Tripura, após obterem de Brahmā uma bênção, vêm atormentando cada vez mais o universo inteiro; pois, com a graça recebida, seu orgulho cresceu desmedidamente.”
Verse 803
अतिष्ठत् स्थाणुभूत: स सहस्र॑ परिवत्सरान् | पार्थ! उस समय सम्पूर्ण देवता और तपोधन महर्षि भगवान् शंकरकी स्तुति करने लगे। उन भगवानने उस अनुपम एवं दिव्य माहेश्वर स्थान (रथ)-का निर्माण करके उसपर एक हजार वर्षोतक स्थिरभावसे खड़े रहे
Vyāsa disse: Ele permaneceu imóvel como um pilar por mil anos. Ó Pārtha, então todos os deuses e os grandes ṛṣis, ricos em austeridade, começaram a louvar Śaṅkara. Aquele Senhor, tendo construído uma estação māheśvara incomparável e divina—seu carro—ali ficou, firme e inamovível, por um milênio inteiro. A passagem ressalta a força ética de um tapas inabalável e o poder da devoção que atrai presença e auxílio divinos.
Verse 816
त्रिपर्वणा त्रिशल्येन तदा तानि बिभेद सः । जब वे तीनों पुर आकाशमें एकत्र हुए, तब उन्होंने तीन गाँठ और तीन फलवाले बाणसे उन तीनों पुरोंको विदीर्ण कर डाला
Vyāsa disse: Quando aquelas três cidades aéreas se reuniram no céu no momento determinado, ele as traspassou e as despedaçou com uma única flecha, dotada de três juntas e três farpas — um feito que evidencia um poder decisivo e disciplinado, voltado para remover uma grave ameaça.
Verse 823
शरं कालाग्निसंयुक्त विष्णुसोमसमायुतम् । उस समय दानव उन नगरोंकी ओर और कालाग्निसे संयुक्त एवं विष्णु तथा सोमकी शक्तिसे सम्पन्न उस बाणकी ओर भी आँख उठाकर देख न सके
Vyāsa disse: Uma única flecha —carregada com a força consumidora do Fogo do Tempo e fortalecida pelo poder de Viṣṇu e de Soma— tornou-se tão avassaladora que os Dānavas não conseguiram sequer erguer os olhos para aquelas cidades, nem para o próprio projétil em chamas. A cena mostra como o adharma, ao enfrentar um poder sancionado pelo divino, desaba não só na batalha, mas também na coragem e na percepção.
Verse 956
अयं श्रेष्ठ इति ज्ञात्वा ववन्दे तं पितामह: । तदनन्तर ब्रह्माजीने निकट जाकर भगवान् महेश्वरको देखा और ये ही सबसे श्रेष्ठ हैं, ऐसा जानकर उनकी वन्दना की
Reconhecendo: “Este é o supremo”, o Ancião primordial inclinou-se diante dele. Em seguida, aproximando-se do assento sagrado associado a Brahmā (a “pele de Brahmā”), contemplou o Bem-aventurado Maheśvara (Śiva); e, sabendo: “Ele é de fato o mais alto de todos”, ofereceu-lhe reverente homenagem.
Verse 1116
स मोचयति सुप्रीतः शरण्य: शरणागतान् । जो सब प्रकारकी ग्रहबाधाओंसे पीड़ित हैं और सम्पूर्ण पापोंमें डूबे हुए हैं
Vyāsa disse: O Senhor, refúgio de todos, quando grandemente satisfeito, liberta aqueles que buscaram abrigo. Mesmo os afligidos por toda espécie de opressão —desde influências funestas dos astros até a perseguição de forças demoníacas— e submersos em todos os pecados, se vierem em busca de amparo, pela graça de Śiva, o Senhor que ama os que nele se refugiam, são libertos do pecado e do sofrimento.
Verse 1126
स ददाति मनुष्येभ्य: स चैवाक्षिपते पुन: । वे ही प्रसन्न होनेपर मनुष्योंको आयु, आरोग्य, ऐश्वर्य, धन और प्रचुरमात्रामें मनोवांछित पदार्थ देते हैं तथा वे ही कुपित होनेपर फिर उन सबका संहार कर डालते हैं
Vyāsa disse: Eles concedem aos seres humanos, e também tornam a retirar. Pois, quando estão satisfeitos, outorgam longa vida, saúde, soberania, riqueza e abundantes deleites desejados pelo coração; mas, quando irados, esses mesmos poderes destroem tudo isso outra vez.
Verse 3636
सहस्रबाहवे चैव सहस्रचरणाय च । जिनके बहुत-से रूप हैं
Vyāsa oferece reverente saudação ao Senhor Śaṅkara, de mil braços e mil pés—de incontáveis formas, sustentáculo e protetor do universo, e ainda assim austero e desapegado, cingido apenas pelo simples pano do asceta. De mil cabeças, mil olhos, mil braços e mil passos: a esse Bhagavān Śaṅkara, minha reverência.
Verse 9436
सप्रजापतय: सर्वे बालार्कसदृशप्रभम् । उस बालकके रूपमें ये सर्वलोकेश्वर प्रभु भगवान् महादेव ही थे, किंतु प्रजापतियोंसहित सम्पूर्ण देवता बालसूर्यके सदृश कान्तिमान् उन जगदीश्वरको पहचान न सके
Disse Vyāsa: Todos os Prajāpatis contemplaram um ser radiante, brilhando como o sol recém-nascido. Mas aquela forma de criança não era outro senão o próprio Bhagavān Mahādeva—o Senhor, soberano de todos os mundos. Ainda assim, toda a hoste dos deuses, junto com os Prajāpatis, não conseguiu reconhecer aquele luminoso Jagadīśvara.
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