
Īśvara instrui Devī a seguir para o oeste, desde Gaurī-tapovana, até o eminente Prabhāseśvara. Delimita o local num raio de “sete comprimentos de arco” e identifica o grande liṅga como tendo sido स्थापितcido pelo oitavo Vasu, Prabhāsa. O capítulo narra o motivo de Prabhāsa—o desejo de ter descendência—, sua instalação do mahāliṅga e a longa austeridade chamada “Āgneyī” por cem anos divinos. Rudra, satisfeito, concede a graça pedida. Um aparte genealógico apresenta Bhuvanā (irmã de Bṛhaspati) como consorte de Prabhāsa e associa sua linhagem a Viśvakarmā, o artífice-criador cósmico, e a Takṣaka, notável por poder extraordinário. Ao final, prescreve-se um rito para peregrinos: no mês de Māgha, no décimo quarto dia lunar, banhar-se na confluência do oceano, realizar japa do Śatarudrīya, manter disciplina (dormir no chão e jejuar), banhar o liṅga com pañcāmṛta, adorar segundo a regra e, opcionalmente, doar um touro. O fruto prometido é purificação e prosperidade plena.
Verse 1
ईश्वर उवाच । ततो गच्छेद्वरारोहे प्रभासेश्वरमुत्तमम् । गौरीतपोवनाद्देवि पश्चिमे समुदाहृतम्
Īśvara disse: Então, ó Deusa de belos quadris, deve-se ir ao supremo Prabhāseśvara, que é dito situar-se a oeste do bosque de austeridades de Gaurī.
Verse 2
धनुषां सप्तके देवि नातिदूरे व्यवस्थितम् । स्थापितं तन्महालिंगं वसूनामष्टमेन हि
Ó Deusa, não está longe—à distância de sete comprimentos de arco. Esse grande Liṅga foi, de fato, estabelecido pelo oitavo dos Vasus.
Verse 3
प्रभास इति नाम्ना हि शिवपूजारतेन वै । स पुत्रकामो देवेशि प्रभासक्षेत्रमागतः
De fato, havia alguém chamado Prabhāsa, devotado ao culto de Śiva. Desejando um filho, ó Senhora dos deuses, ele veio ao sagrado campo de Prabhāsa.
Verse 4
प्रतिष्ठाप्य महालिङ्गं चचार विपुलं तपः । आग्नेयमिति विख्यातं दिव्याब्दानां शतं प्रिये
Depois de consagrar o grande Liṅga, ele empreendeu vastas austeridades—no santuário conhecido como “Āgneya”—por cem anos divinos, ó amada.
Verse 5
ततस्तस्य महादेवि सम्यक्छ्रद्धान्वि तस्य वै । तुतोष भगवान्रुद्रो ददौ यन्मनसीप्सितम्
Então, ó Grande Deusa, satisfeito com a fé verdadeira e bem firmada dele, o Bem-aventurado Rudra concedeu-lhe o que desejava no coração.
Verse 6
बृहस्पतेस्तु भगिनी भुवना ब्रह्मवादिनी । प्रभासस्य तु सा भार्या वसूनामष्टमस्य च
Bhuvanā, mulher devotada ao saber sagrado, era irmã de Bṛhaspati. Ela tornou-se esposa de Prabhāsa, o oitavo entre os Vasus.
Verse 7
विश्वकर्मा सुतस्तस्याः सृष्टिकर्ता प्रजापतिः । देवानां तक्षको विद्वान्मनोर्मातामहः स्मृतः
Dela nasceu Viśvakarmā, o Prajāpati que molda a criação. Aquele sábio Takṣaka, célebre como artífice dos deuses, é lembrado como o avô materno de Manu.
Verse 8
तक्षकः सूर्यबिंबस्य तेजसः शातनो महान् । एवं तस्याऽभवत्पुत्रो वसूनामष्टमस्य वै
Esse grande Takṣaka foi um poderoso moderador do fulgor abrasador do disco do Sol. Assim, dele nasceu um filho, de fato o oitavo entre os Vasus.
Verse 9
प्रभासनाम्नो देवेशि तल्लिंगाराधनोद्यतः । इति ते कथितं देवि प्रभासेश्वरसूचकम्
Ó Rainha dos deuses, ele se dedicou à adoração do liṅga chamado Prabhāsa. Assim, ó Devī, eu te narrei aquilo que indica e revela Prabhāseśvara.
Verse 10
माहात्म्यं सर्वपापघ्नं सर्वकामप्रदं शुभम् । यस्तं पूजयते भक्त्या सम्यक्छ्रद्धासमन्वितः
Este Māhātmya é auspicioso: destrói todos os pecados e concede todos os desejos dignos. Quem O adora com devoção, dotado de fé correta, alcança o seu fruto.
Verse 11
भूमिशायी निराहारो जपन्वै शतरुद्रियम् । माघे मासि चतुर्दश्यां स्नात्वा सागरसंगमे
Dormindo no chão, em jejum, e recitando de fato o Śatarudrīya; depois, no mês de Māgha, no décimo quarto dia lunar, tendo-se banhado na confluência com o oceano…
Verse 12
पंचामृतेन संस्नाप्य पूजयित्वा विधानतः
Tendo banhado (a deidade) com pañcāmṛta e tendo prestado culto segundo o rito devido…
Verse 13
य एवं कुरुते देवि सम्यग्यात्रामहोत्सवम् । स मुक्तः पातकैः सर्वैः सर्वकामैः समृद्ध्यते । वृषस्तत्रैव दातव्यः सम्यग्यात्राफलेप्सुभिः
Ó Deusa, quem assim realiza o grande festival da peregrinação correta é libertado de todos os pecados e se enriquece com todos os fins desejados. Os que buscam o fruto de uma yātrā bem-sucedida devem, ali mesmo, dar um touro em caridade.
Verse 110
इति श्रीस्कांदे महापुराण एकाशीतिसाहस्र्यां संहितायां सप्तमे प्रभासखण्डे प्रथमे प्रभासक्षेत्रमाहात्म्ये प्रभासेश्वरमाहात्म्यवर्णनंनाम दशोत्तरशततमोऽध्यायः
Assim termina o capítulo centésimo décimo, chamado “A Descrição da Grandeza de Prabhāseśvara”, na primeira parte, o Prabhāsakṣetra Māhātmya, dentro do sétimo livro, o Prabhāsa Khaṇḍa, do santo Skanda Mahāpurāṇa, na compilação de oitenta e um mil versos.