Adhyaya 6
Ashtama SkandhaAdhyaya 639 Verses

Adhyaya 6

The Lord Appears to the Devas and Instructs the Truce; Mandara Is Brought for Churning

Dando continuidade à aflição dos devas e ao seu apelo por refúgio divino, Hari (Viṣṇu) manifesta-Se diante de Brahmā, Śiva e da assembleia dos semideuses com uma efulgência avassaladora que lhes ofusca a visão. Brahmā e Śiva percebem a forma do Senhor, de tonalidade esmeralda, adornada com o Kaustubha, com Lakṣmī e com armas divinas; os devas prostram-se em reverência. Brahmā oferece preces de teor filosófico, afirmando que o Senhor transcende as guṇas, é a origem–sustento–fim do cosmos, e que o bhakti-yoga é o meio de aproximar-se d’Ele. Os devas pedem orientação, e o Senhor responde: façam uma trégua estratégica com os asuras (favorecidos pelo tempo), batam o Oceano de Leite usando Mandara como haste e Vāsuki como corda; sejam pacientes, não temam o veneno kālakūṭa que surgirá, nem sejam gananciosos pelos produtos intermediários. Após o desaparecimento do Senhor, os devas procuram Bali, que aceita a proposta de Indra inspirada por Viṣṇu; ambos os lados arrancam Mandara. Exaustos, deixam-no cair, esmagando muitos; Viṣṇu chega sobre Garuḍa, reanima os caídos e transporta Mandara sem esforço até o oceano, preparando o capítulo seguinte do batimento e das manifestações subsequentes.

Shlokas

Verse 1

श्रीशुक उवाच एवं स्तुत: सुरगणैर्भगवान् हरिरीश्वर: । तेषामाविरभूद् राजन्सहस्रार्कोदयद्युति: ॥ १ ॥

Śrī Śukadeva Gosvāmī disse: Ó rei Parīkṣit, assim adorado com preces pelos semideuses e por Brahmā, o Senhor Supremo, Hari, apareceu diante deles. O fulgor de Seu corpo parecia o nascer simultâneo de mil sóis.

Verse 2

श्रीएवं उक्त्वा हरिवंशेण शकुन्तला पुरो हृषीकेशम् । अभ्युपगम्य महाभागा हर्षेणाभिवाद्य भास्करम् ॥ २ ॥

O fulgor do Senhor bloqueou a visão dos semideuses. Assim, não viam o céu, as direções, a terra, nem a si mesmos; quanto mais ver Hṛṣīkeśa, presente diante deles.

Verse 3

विरिञ्चो भगवान्‍द‍ृष्ट्वा सह शर्वेण तां तनुम् । स्वच्छां मरकतश्यामां कञ्जगर्भारुणेक्षणाम् ॥ ३ ॥ तप्तहेमावदातेन लसत्कौशेयवाससा । प्रसन्नचारुसर्वाङ्गीं सुमुखीं सुन्दरभ्रुवम् ॥ ४ ॥ महामणिकिरीटेन केयूराभ्यां च भूषिताम् । कर्णाभरणनिर्भातकपोलश्रीमुखाम्बुजाम् ॥ ५ ॥ काञ्चीकलापवलयहारनूपुरशोभिताम् । कौस्तुभाभरणां लक्ष्मीं बिभ्रतीं वनमालिनीम् ॥ ६ ॥ सुदर्शनादिभि: स्वास्त्रैर्मूर्तिमद्भ‍िरुपासिताम् । तुष्टाव देवप्रवर: सशर्व: पुरुषं परम् । सर्वामरगणै: साकं सर्वाङ्गैरवनिं गतै: ॥ ७ ॥

Brahmā, junto com Śiva, viu a forma pessoal do Senhor Supremo: límpida como cristal, escura como a gema marakata, com olhos avermelhados como o interior do lótus; vestido com seda amarela como ouro fundido; de membros belos e serenos, rosto encantador e sobrancelhas graciosas. Usava uma coroa de grandes joias, braceletes nos braços; as faces brilhavam pelos brincos e Seu rosto era como um lótus. Cinto, pulseiras, colar e guizos nos tornozelos O adornavam; trazia a gema Kaustubha e a guirlanda da floresta, com Lakṣmī ao Seu lado; e Suas armas, como Sudarśana, pareciam personificadas, servindo-O. Ao ver essa forma, Brahmā, Śiva e todos os devas prostraram-se imediatamente, oferecendo reverências.

Verse 4

विरिञ्चो भगवान्‍द‍ृष्ट्वा सह शर्वेण तां तनुम् । स्वच्छां मरकतश्यामां कञ्जगर्भारुणेक्षणाम् ॥ ३ ॥ तप्तहेमावदातेन लसत्कौशेयवाससा । प्रसन्नचारुसर्वाङ्गीं सुमुखीं सुन्दरभ्रुवम् ॥ ४ ॥ महामणिकिरीटेन केयूराभ्यां च भूषिताम् । कर्णाभरणनिर्भातकपोलश्रीमुखाम्बुजाम् ॥ ५ ॥ काञ्चीकलापवलयहारनूपुरशोभिताम् । कौस्तुभाभरणां लक्ष्मीं बिभ्रतीं वनमालिनीम् ॥ ६ ॥ सुदर्शनादिभि: स्वास्त्रैर्मूर्तिमद्भ‍िरुपासिताम् । तुष्टाव देवप्रवर: सशर्व: पुरुषं परम् । सर्वामरगणै: साकं सर्वाङ्गैरवनिं गतै: ॥ ७ ॥

O Senhor Brahmā, junto com o Senhor Śiva, viu a forma pessoal do Supremo: límpida como cristal, de tonalidade escura como a gema marakata, com olhos avermelhados como o âmago do lótus. Vestia sedas amarelas como ouro derretido; todo o Seu corpo era encantador, com rosto sereno e sobrancelhas belas.

Verse 5

विरिञ्चो भगवान्‍द‍ृष्ट्वा सह शर्वेण तां तनुम् । स्वच्छां मरकतश्यामां कञ्जगर्भारुणेक्षणाम् ॥ ३ ॥ तप्तहेमावदातेन लसत्कौशेयवाससा । प्रसन्नचारुसर्वाङ्गीं सुमुखीं सुन्दरभ्रुवम् ॥ ४ ॥ महामणिकिरीटेन केयूराभ्यां च भूषिताम् । कर्णाभरणनिर्भातकपोलश्रीमुखाम्बुजाम् ॥ ५ ॥ काञ्चीकलापवलयहारनूपुरशोभिताम् । कौस्तुभाभरणां लक्ष्मीं बिभ्रतीं वनमालिनीम् ॥ ६ ॥ सुदर्शनादिभि: स्वास्त्रैर्मूर्तिमद्भ‍िरुपासिताम् । तुष्टाव देवप्रवर: सशर्व: पुरुषं परम् । सर्वामरगणै: साकं सर्वाङ्गैरवनिं गतै: ॥ ७ ॥

Viram em Sua cabeça uma coroa cravejada de grandes joias e, em Seus braços, braceletes (keyūra). Suas faces brilhavam por causa dos brincos, e Seu rosto de lótus se iluminava com um sorriso; assim Brahmā, com Śiva, contemplou a forma de Hari.

Verse 6

विरिञ्चो भगवान्‍द‍ृष्ट्वा सह शर्वेण तां तनुम् । स्वच्छां मरकतश्यामां कञ्जगर्भारुणेक्षणाम् ॥ ३ ॥ तप्तहेमावदातेन लसत्कौशेयवाससा । प्रसन्नचारुसर्वाङ्गीं सुमुखीं सुन्दरभ्रुवम् ॥ ४ ॥ महामणिकिरीटेन केयूराभ्यां च भूषिताम् । कर्णाभरणनिर्भातकपोलश्रीमुखाम्बुजाम् ॥ ५ ॥ काञ्चीकलापवलयहारनूपुरशोभिताम् । कौस्तुभाभरणां लक्ष्मीं बिभ्रतीं वनमालिनीम् ॥ ६ ॥ सुदर्शनादिभि: स्वास्त्रैर्मूर्तिमद्भ‍िरुपासिताम् । तुष्टाव देवप्रवर: सशर्व: पुरुषं परम् । सर्वामरगणै: साकं सर्वाङ्गैरवनिं गतै: ॥ ७ ॥

Viram o cinto em Sua cintura, as pulseiras em Seus braços, o colar em Seu peito e os guizos em Seus tornozelos. Seu pescoço era adornado com a gema Kaustubha; Ele trazia guirlandas de flores e tinha a deusa Lakṣmī ao Seu lado.

Verse 7

विरिञ्चो भगवान्‍द‍ृष्ट्वा सह शर्वेण तां तनुम् । स्वच्छां मरकतश्यामां कञ्जगर्भारुणेक्षणाम् ॥ ३ ॥ तप्तहेमावदातेन लसत्कौशेयवाससा । प्रसन्नचारुसर्वाङ्गीं सुमुखीं सुन्दरभ्रुवम् ॥ ४ ॥ महामणिकिरीटेन केयूराभ्यां च भूषिताम् । कर्णाभरणनिर्भातकपोलश्रीमुखाम्बुजाम् ॥ ५ ॥ काञ्चीकलापवलयहारनूपुरशोभिताम् । कौस्तुभाभरणां लक्ष्मीं बिभ्रतीं वनमालिनीम् ॥ ६ ॥ सुदर्शनादिभि: स्वास्त्रैर्मूर्तिमद्भ‍िरुपासिताम् । तुष्टाव देवप्रवर: सशर्व: पुरुषं परम् । सर्वामरगणै: साकं सर्वाङ्गैरवनिं गतै: ॥ ७ ॥

Ao ver o Purusha Supremo, servido e adorado por Suas armas personificadas, como Sudarśana, Brahmā—o principal entre os devas—com Śiva e todos os semideuses imediatamente prostrou-se por completo no chão e entoou louvores.

Verse 8

श्रीब्रह्मोवाच अजातजन्मस्थितिसंयमाया- गुणाय निर्वाणसुखार्णवाय । अणोरणिम्नेऽपरिगण्यधाम्ने

Disse Brahmā: Embora Tu nunca nasças, Tua manifestação e Teu recolhimento como avatāra não cessam. Estás além das guṇas e és o refúgio do oceano de bem-aventurança do nirvāṇa; és o mais sutil entre os mais sutis, e Tua existência é inconcebível. A Ti, o Supremo, oferecemos nossas reverências.

Verse 9

रूपं तवैतत् पुरुषर्षभेज्यं श्रेयोऽर्थिभिर्वैदिकतान्त्रिकेण । योगेन धात: सह नस्त्रिलोकान् पश्याम्यमुष्मिन्नु ह विश्वमूर्तौ ॥ ९ ॥

Ó melhor dos seres, ó supremo regente! Aqueles que aspiram ao bem supremo adoram esta forma de Vossa Senhoria segundo os Tantras védicos. Senhor, em Vossa forma de Viśvamūrti vemos os três mundos.

Verse 10

त्वय्यग्र आसीत् त्वयि मध्य आसीत् त्वय्यन्त आसीदिदमात्मतन्त्रे । त्वमादिरन्तो जगतोऽस्य मध्यं घटस्य मृत्स्‍नेव पर: परस्मात् ॥ १० ॥

Meu Senhor, sempre plenamente independente: toda esta manifestação cósmica surge de Vós, em Vós se sustenta e em Vós termina. Vossa Senhoria é o começo, a manutenção e o fim de tudo, como a argila que causa o pote, o sustenta e, quando ele se quebra, o pote por fim retorna à argila.

Verse 11

त्वं माययात्माश्रयया स्वयेदं निर्माय विश्वं तदनुप्रविष्ट: । पश्यन्ति युक्ता मनसा मनीषिणो गुणव्यवायेऽप्यगुणं विपश्चित: ॥ ११ ॥

Ó Supremo, Tu és independente em Ti mesmo e não precisas de auxílio alheio. Pela Tua própria potência, crias esta manifestação cósmica e nela entras. Os sábios, purificados pelo bhakti-yoga, firmes no śāstra e de mente límpida, veem que, embora presentes nas transformações das guṇas, permaneces nirguṇa, intocado por elas.

Verse 12

यथाग्निमेधस्यमृतं च गोषु भुव्यन्नमम्बूद्यमने च वृत्तिम् । योगैर्मनुष्या अधियन्ति हि त्वां गुणेषु बुद्ध्या कवयो वदन्ति ॥ १२ ॥

Assim como se obtém fogo da lenha, leite da vaca, grãos e água da terra, e prosperidade do trabalho e dos empreendimentos, do mesmo modo, pela prática do bhakti-yoga, mesmo neste mundo material pode-se alcançar o Teu favor e aproximar-se de Ti com inteligência. Os poetas piedosos assim o afirmam.

Verse 13

तं त्वां वयं नाथ समुज्जिहानं सरोजनाभातिचिरेप्सितार्थम् । द‍ृष्ट्वा गता निर्वृतमद्य सर्वे गजा दवार्ता इव गाङ्गमम्भ: ॥ १३ ॥

Ó Senhor, ó Sarojanābha, de cujo umbigo brota o lótus: ao ver-Te hoje, a Ti que por tanto tempo desejamos contemplar, todos alcançamos júbilo transcendental, como elefantes aflitos por um incêndio na floresta se alegram ao encontrar a água do Ganges.

Verse 14

स त्वं विधत्स्वाखिललोकपाला वयं यदर्थास्तव पादमूलम् । समागतास्ते बहिरन्तरात्मन् किं वान्यविज्ञाप्यमशेषसाक्षिण: ॥ १४ ॥

Ó Senhor, protetor de todos os mundos! Nós, os semideuses, viemos à raiz de Teus pés de lótus por um propósito; cumpre-o. Tu és a testemunha por dentro e por fora; nada Te é desconhecido, portanto é desnecessário informar-Te novamente.

Verse 15

अहं गिरित्रश्च सुरादयो ये दक्षादयोऽग्नेरिव केतवस्ते । किं वा विदामेश पृथग्विभाता विधत्स्व शं नो द्विजदेवमन्त्रम् ॥ १५ ॥

Eu (Brahmā), Giritra (Śiva) e os demais semideuses, com os prajāpatis como Dakṣa, não passamos de faíscas iluminadas por Ti, o Fogo original. Ó Senhor, sendo partes Tuas, que podemos saber do nosso próprio bem? Ó Supremo, concede-nos o meio de libertação apropriado aos brāhmaṇas e aos devas.

Verse 16

श्रीशुक उवाच एवं विरिञ्चादिभिरीडितस्तद् विज्ञाय तेषां हृदयं यथैव । जगाद जीमूतगभीरया गिरा बद्धाञ्जलीन्संवृतसर्वकारकान् ॥ १६ ॥

Śukadeva Gosvāmī continuou: Quando o Senhor foi assim louvado pelos semideuses, liderados por Brahmā, Ele compreendeu o propósito em seus corações. Então, com uma voz profunda como o ribombar das nuvens, respondeu aos semideuses, que estavam atentos com as mãos postas.

Verse 17

एक एवेश्वरस्तस्मिन्सुरकार्ये सुरेश्वर: । विहर्तुकामस्तानाह समुद्रोन्मथनादिभि: ॥ १७ ॥

Embora a Suprema Personalidade de Deus, senhor dos semideuses, pudesse realizar sozinho as atividades dos devas, Ele quis desfrutar o passatempo de agitar o oceano. Por isso, falou-lhes assim.

Verse 18

श्रीभगवानुवाच हन्त ब्रह्मन्नहो शम्भो हे देवा मम भाषितम् । श‍ृणुतावहिता: सर्वे श्रेयो व: स्याद् यथा सुरा: ॥ १८ ॥

A Suprema Personalidade de Deus disse: Ó Brahmā, ó Śambhu, ó devas, ouvi Minhas palavras com grande atenção, pois o que Eu disser trará bem-aventurança e boa fortuna a todos vós.

Verse 19

यात दानवदैतेयैस्तावत् सन्धिर्विधीयताम् । कालेनानुगृहीतैस्तैर्यावद् वो भव आत्मन: ॥ १९ ॥

Enquanto ainda não prosperais, fazei uma trégua com os dānava e daitya, agora favorecidos pelo tempo, para resguardar o vosso próprio bem.

Verse 20

अरयोऽपि हि सन्धेया: सति कार्यार्थगौरवे । अहिमूषिकवद् देवा ह्यर्थस्य पदवीं गतै: ॥ २० ॥

Quando o objetivo é de grande importância, até com os inimigos se deve fazer trégua. Ó devas, pelo próprio interesse, agi segundo a lógica da serpente e do rato.

Verse 21

अमृतोत्पादने यत्न: क्रियतामविलम्बितम् । यस्य पीतस्य वै जन्तुर्मृत्युग्रस्तोऽमरो भवेत् ॥ २१ ॥

Empreendei imediatamente, sem demora, o esforço de produzir o amṛta; quem o beber, mesmo tomado pela morte, torna-se imortal.

Verse 22

क्षिप्‍त्वा क्षीरोदधौ सर्वा वीरुत्तृणलतौषधी: । मन्थानं मन्दरं कृत्वा नेत्रं कृत्वा तु वासुकिम् ॥ २२ ॥ सहायेन मया देवा निर्मन्थध्वमतन्द्रिता: । क्लेशभाजो भविष्यन्ति दैत्या यूयं फलग्रहा: ॥ २३ ॥

Ó devas, lançai no Oceano de Leite toda espécie de vegetais, ervas, trepadeiras e plantas medicinais. Depois, fazendo do monte Mandara a haste de bater e de Vāsuki a corda, com a Minha ajuda, batei o Oceano de Leite sem distração.

Verse 23

क्षिप्‍त्वा क्षीरोदधौ सर्वा वीरुत्तृणलतौषधी: । मन्थानं मन्दरं कृत्वा नेत्रं कृत्वा तु वासुकिम् ॥ २२ ॥ सहायेन मया देवा निर्मन्थध्वमतन्द्रिता: । क्लेशभाजो भविष्यन्ति दैत्या यूयं फलग्रहा: ॥ २३ ॥

Assim, os daitya suportarão o labor do batimento; mas vós, ó devas, recebereis o fruto: o amṛta surgido do oceano será vosso.

Verse 24

यूयं तदनुमोदध्वं यदिच्छन्त्यसुरा: सुरा: । न संरम्भेण सिध्यन्ति सर्वार्था: सान्‍त्वया यथा ॥ २४ ॥

Ó semideuses, com paciência e paz tudo se realiza; com ira a meta não é alcançada. Portanto, concordai com a proposta dos asuras, seja qual for o pedido.

Verse 25

न भेतव्यं कालकूटाद् विषाज्जलधिसम्भवात् । लोभ: कार्यो न वो जातु रोष: कामस्तु वस्तुषु ॥ २५ ॥

Do Oceano de Leite surgirá um veneno chamado kālakūṭa; não o temais. E quando diversos produtos forem extraídos, não sejais gananciosos, nem ansiosos por obtê-los, nem irados.

Verse 26

श्रीशुक उवाच इति देवान्समादिश्य भगवान् पुरुषोत्तम: । तेषामन्तर्दधे राजन्स्वच्छन्दगतिरीश्वर: ॥ २६ ॥

Śukadeva Gosvāmī continuou: Ó rei Parīkṣit, após aconselhar assim os semideuses, a Suprema Personalidade de Deus, Puruṣottama, o Senhor independente, desapareceu de sua presença.

Verse 27

अथ तस्मै भगवते नमस्कृत्य पितामह: । भवश्च जग्मतु: स्वं स्वं धामोपेयुर्बलिं सुरा: ॥ २७ ॥

Então Brahmā, o Pitāmaha, e Bhava (Śiva), após oferecerem reverentes obeisâncias ao Senhor, retornaram às suas moradas. Em seguida, todos os semideuses aproximaram-se do Mahārāja Bali.

Verse 28

द‍ृष्ट्वारीनप्यसंयत्ताञ्जातक्षोभान्स्वनायकान् । न्यषेधद् दैत्यराट् श्लोक्य: सन्धिविग्रहकालवित् ॥ २८ ॥

Embora visse seus comandantes agitados e prestes a matar os semideuses, Mahārāja Bali—o célebre rei dos asuras, que sabia quando fazer paz e quando lutar—ao notar que os semideuses vinham sem atitude beligerante, proibiu-os de atacá-los.

Verse 29

ते वैरोचनिमासीनं गुप्तं चासुरयूथपै: । श्रिया परमया जुष्टं जिताशेषमुपागमन् ॥ २९ ॥

Os semideuses aproximaram-se de Bali Mahārāja, filho de Virocana, e sentaram-se perto dele. Bali, protegido pelos comandantes dos asuras, resplandecia em suprema opulência e havia conquistado todo o universo.

Verse 30

महेन्द्र: श्लक्ष्णया वाचा सान्‍त्वयित्वा महामति: । अभ्यभाषत तत् सर्वं शिक्षितं पुरुषोत्तमात् ॥ ३० ॥

Mahendra, com palavras suaves, agradou ao sábio Bali e, com toda a cortesia, apresentou-lhe todas as propostas que aprendera do Purusottama, o Senhor Viṣṇu.

Verse 31

तत्त्वरोचत दैत्यस्य तत्रान्ये येऽसुराधिपा: । शम्बरोऽरिष्टनेमिश्च ये च त्रिपुरवासिन: ॥ ३१ ॥

As propostas apresentadas por Indra foram imediatamente aceitas por Bali, rei dos daityas. Śambara, Ariṣṭanemi, os demais chefes asuras e todos os habitantes de Tripura também as aprovaram de pronto.

Verse 32

ततो देवासुरा: कृत्वा संविदं कृतसौहृदा: । उद्यमं परमं चक्रुरमृतार्थे परन्तप ॥ ३२ ॥

Ó Mahārāja Parīkṣit, castigador de inimigos, depois disso semideuses e demônios firmaram uma trégua em espírito de amizade. Então empreenderam um grande esforço para obter o néctar da imortalidade.

Verse 33

ततस्ते मन्दरगिरिमोजसोत्पाट्य दुर्मदा: । नदन्त उदधिं निन्यु: शक्ता: परिघबाहव: ॥ ३३ ॥

Depois, demônios e semideuses, todos muito poderosos e de braços longos e robustos como maças, embriagados de orgulho, arrancaram com grande força a montanha Mandara. Bradando alto, levaram-na em direção ao Oceano de Leite.

Verse 34

दूरभारोद्वहश्रान्ता: शक्रवैरोचनादय: । अपारयन्तस्तं वोढुं विवशा विजहु: पथि ॥ ३४ ॥

Por carregarem a montanha imensa por longa distância, Śakra (Indra), Vairochana (Bali) e os demais devas e asuras ficaram exaustos. Incapazes de sustentá-la, deixaram-na pelo caminho.

Verse 35

निपतन्स गिरिस्तत्र बहूनमरदानवान् । चूर्णयामास महता भारेण कनकाचल: ॥ ३५ ॥

Então o monte Mandara, pesadíssimo e como se fosse de ouro, caiu e, com seu enorme peso, esmagou muitos devas e asuras.

Verse 36

तांस्तथा भग्नमनसो भग्नबाहूरुकन्धरान् । विज्ञाय भगवांस्तत्र बभूव गरुडध्वज: ॥ ३६ ॥

Eles ficaram desalentados, e seus braços, coxas e ombros estavam quebrados. Sabendo disso, o Bhagavān onisciente, o Senhor de estandarte Garuḍa, apareceu ali.

Verse 37

गिरिपातविनिष्पिष्टान्विलोक्यामरदानवान् । ईक्षया जीवयामास निर्जरान् निर्व्रणान् यथा ॥ ३७ ॥

Ao ver os devas e asuras esmagados pela queda da montanha, o Senhor lançou sobre eles Seu olhar e lhes devolveu a vida. Ficaram livres de aflição, sem sequer um hematoma no corpo.

Verse 38

गिरिं चारोप्य गरुडे हस्तेनैकेन लीलया । आरुह्य प्रययावब्धिं सुरासुरगणैर्वृत: ॥ ३८ ॥

Com uma só mão, o Senhor ergueu a montanha como uma brincadeira e a colocou sobre as costas de Garuḍa. Depois, também montou Garuḍa e seguiu ao Oceano de Leite, cercado por devas e asuras.

Verse 39

अवरोप्य गिरिं स्कन्धात् सुपर्ण: पततां वर: । ययौ जलान्त उत्सृज्य हरिणा स विसर्जित: ॥ ३९ ॥

Em seguida, Garuḍa, o mais excelso entre as aves, descarregou o monte Mandara de seu ombro e o levou para perto das águas. Então, por ordem do Senhor Hari, deixou aquele lugar e partiu.

Frequently Asked Questions

The chapter states that the asuras were ‘favored by time’ (kāla), so direct confrontation would not yield the devas’ welfare. Viṣṇu teaches upāya-kauśalya: for a higher objective (amṛta and restoration of cosmic balance), one may adopt a temporary truce—even with enemies—while remaining internally steady and dharmically guided.

He is described as radiantly effulgent (blinding like thousands of suns), yet personally beautiful: marakata-like dark complexion, lotus-reddish eyes, yellow garments, jeweled helmet, ornaments, garlands, Kaustubha, weapons, and Lakṣmī. The theological point is that Bhagavān is simultaneously transcendent (beyond guṇas and ordinary perception) and personal (sac-cid-ānanda vigraha), approachable through devotion rather than material vision.

Viṣṇu’s warning frames the churning as a process where dangerous and distracting byproducts appear before the final goal (amṛta). It teaches steadiness (kṣānti/śānti), freedom from fear and greed, and trust in divine oversight—an ethical and spiritual template for pursuing higher ends without being derailed by intermediate crises or temptations.

Bali Mahārāja, son of Virocana, is the asura king portrayed as politically discerning—knowing when to fight and when to make peace. He accepts because the devas approach without hostility and because the proposal promises a strategic advantage (participation in producing nectar), aligning with statecraft even within asuric power politics.