Adhyaya 47
Prabhasa KhandaArbudha KhandaAdhyaya 47

Adhyaya 47

Pulastya orienta o rei a seguir para o célebre Gautama Āśrama, um eremitério santificado onde o sábio Gautama outrora praticou austeridades. Gautama, descrito como um muni de retidão exemplar, adorou Mahādeva com devoção; por essa graça, um grande liṅga irrompe ao perfurar a terra, sinal de uma manifestação local da presença de Śiva. Uma voz incorpórea vinda do céu (ākāśavāṇī) ordena que o liṅga seja venerado e convida a pedir uma dádiva. Gautama solicita a proximidade divina perpétua no āśrama e um benefício salvífico para os devotos: quem contemplar Śiva ali com bhakti sincera alcançará Brahmaloka. Acrescenta-se uma indicação calendárica: ver a deidade no 14º dia lunar (caturdaśī) da quinzena escura de Māgha concede o estado supremo (parā gati). O capítulo enumera ainda recursos rituais e méritos adjacentes: um reservatório sagrado (kuṇḍa) cujo banho eleva a linhagem; o śrāddha realizado ali—especialmente no tempo de indusaṃkṣaya (declínio/conjunção lunar, possivelmente ligado a eclipse)—equivale ao mérito do Gayā-śrāddha. A doação de gergelim (tila-dāna) concede longa permanência celeste proporcional ao número de sementes. Por fim, o texto compara frutos de peregrinação, citando o banho no Godāvarī durante o Siṃhastha de Júpiter e outras imersões famosas, inserindo este tīrtha numa economia mais ampla de méritos e calendário ritual.

Shlokas

Verse 1

पुलस्त्य उवाच । ततो गच्छेन्नृपश्रेष्ठ सुपूर्णं गौतमाश्रमम् । यत्र पूर्वं तपस्तप्तं गौतमेन महात्मना

Pulastya disse: “Depois, ó melhor dos reis, vai ao āśrama de Gautama, plenamente provido. Ali, outrora, o sábio Gautama, de grande alma, praticou austeridades (tapas).”

Verse 2

पुराऽसीद्गौतमो नाम मुनिः परमधार्मिकः । स भक्त्याऽराधयामास देवदेवं महेश्वरम्

Em tempos antigos houve um sábio chamado Gautama, supremamente justo no dharma. Com devoção (bhakti), ele adorou Maheśvara, o Deus dos deuses.

Verse 3

भक्त्याऽराधयमानस्य निर्भिद्य धरणीतलम् । समुत्तस्थौ महल्लिंगं परं माहेश्वरं नृप

Enquanto ele adorava com devoção, a superfície da terra se fendeu, e ergueu-se um grande Liṅga—supremo, pertencente a Maheśvara—ó rei.

Verse 4

एतस्मिन्नेव काले तु वागुवाचाशरीरिणी । पूजयैतन्महल्लिंगं त्वद्भक्त्या समुपस्थितम् । वरं वरय भद्रं ते यत्ते मनसि वर्तते

Naquele exato momento, uma voz incorpórea falou: «Venera este grande Liṅga que se manifestou por tua devoção. Escolhe uma dádiva—que a auspiciosidade seja tua—o que quer que repouse em tua mente.»

Verse 5

गौतम उवाच । अत्राश्रमपदे देव त्वया शम्भो जगत्पते । सदा कार्यं हि सान्निध्यं यदि तुष्टो मम प्रभो

Gautama disse: «Ó Deus—ó Śambhu, Senhor do mundo—se estás satisfeito comigo, estabelece aqui, neste lugar de eremitério, a tua presença constante.»

Verse 6

यस्त्वां पश्यति सद्भक्त्या ब्रह्मलोकं स गच्छतु

Quem te contemplar com devoção verdadeira—que alcance Brahmaloka.

Verse 7

आकाशवाण्युवाच । माघमासे चतुर्द्दश्यां योऽत्र मां वीक्षयिष्यति । कृष्णायां ब्राह्मणश्रेष्ठ स यास्यति परां गतिम्

A voz celeste disse: «No mês de Māgha, no décimo quarto dia lunar da quinzena escura, quem me contemplar aqui—ó melhor dos brāhmaṇas—alcançará o estado supremo.»

Verse 8

एवमुक्त्वा ततो वाणी विरराम महीपते । तत्रास्ति कुण्डमपरं पवित्रं जलपूरितम् । तत्र स्नातो नरः सद्यः कुलं तारयतेऽखिलम्

Tendo dito isso, ó rei, a voz silenciou. Ali há também outro tanque sagrado, puro e cheio de água límpida. Quem nele se banha, de imediato liberta toda a sua linhagem.

Verse 9

यस्तत्र कुरुते श्राद्धं विशेषादिन्दुसंक्षये । गयाश्राद्धफलं तस्य सकलं जायते ध्रुवम्

Quem quer que realize ali o śrāddha—especialmente no minguar da lua, no tempo de amāvasyā (lua nova)—obtém com certeza, por inteiro, o fruto do śrāddha realizado em Gayā.

Verse 10

तत्र दानं प्रशंसंति तिलानां मुनिपुंगवाः । तिलसंख्यानि वर्षाणि दानात्स्वर्गे वसेन्नृप

Ali os mais eminentes sábios louvam a doação de sementes de gergelim (tila). Por essa caridade, ó rei, habita-se no céu por tantos anos quanto o número de sementes oferecidas.

Verse 11

अर्बुदे गौतमी यात्रा सिंहस्थे च बृहस्पतौ । अमायां सोमवारेण द्विषड्गोदावरीफलम्

Em Arbuda, a peregrinação à Gautamī (Godāvarī) quando Bṛhaspati (Júpiter) está em Leão (Siṃhastha), se realizada no dia de amāvasyā que cai numa segunda‑feira, concede mérito igual ao fruto de banhar-se seis vezes na Godāvarī.

Verse 12

षष्टिवर्षसहस्राणि भागीरथ्यवगाहने । सकृद्गोदावरीस्नानात्सिंहस्थे च बृहस्पतौ

Imersão na Bhāgīrathī (Bhāgīrathī—o Gaṅgā) por sessenta mil anos—tal é o mérito que se diz nascer de um único banho na Godāvarī quando Bṛhaspati (Júpiter) está em Leão (Siṃhastha).

Verse 47

इति श्रीस्कान्दे महापुराण एकाशातिसाहस्र्यां संहितायां सप्तमे प्रभासखण्डे तृतीयेऽर्बुदखण्डे गौतमाश्रमतीर्थमाहात्म्यवर्णनंनाम सप्तचत्वारिंशोऽध्यायः

Assim termina o quadragésimo sétimo capítulo, chamado “Descrição da Grandeza do Gautamāśrama Tīrtha”, no Arbuda Khaṇḍa —a terceira subdivisão— dentro do sétimo, o Prabhāsa Khaṇḍa, do venerável Skanda Mahāpurāṇa, na Ekāśīti-sāhasrī Saṃhitā.