
Mārkaṇḍeya descreve um eminente lugar de peregrinação chamado Śikhitīrtha, caracterizado como um tīrtha principal e como um excelente arranjo de culto «pañcāyatana» (um complexo devocional centrado numa divindade, com adorações associadas). Apresenta-se a origem: Havyavāhana (Agni) realiza austeridades nesse tīrtha para obter a «śikhā» (crista/chama/topete), torna-se conhecido como «Śikhī» e estabelece ali a presença de Śiva sob o nome «Śikha-ākhyā», ligado ao sentido de śikhā. Em seguida vem a instrução calendárica: num momento lunar específico do mês de Āśvayuja, o peregrino deve ir ao tīrtha, banhar-se nas águas do Narmadā, oferecer tarpaṇa aos deuses, aos ṛṣi e aos ancestrais com água e gergelim; dar ouro a um brāhmaṇa e honrar, saciar o fogo. O rito culmina na pūjā a Śiva com fragrâncias, guirlandas e incenso. A phalaśruti declara que a adoração correta conduz à ascensão ao reino de Rudra num veículo aéreo da cor do sol, acompanhado de apsaras e louvado por gandharvas; e, no mundo, concede também frutos como a destruição dos inimigos e a obtenção do próprio tejas, o brilho e vigor interior.
Verse 1
मार्कण्डेय उवाच । तस्यैवानन्तरं चान्यच्छिखितीर्थमनुत्तमम् । प्रधानं सर्वतीर्थानां पञ्चायतनमुत्तमम्
Mārkaṇḍeya disse: «Logo em seguida há outro vau sagrado sem igual, chamado Śikhitīrtha, o principal entre todos os lugares santos, e um excelente santuário pañcāyatana (complexo sagrado de cinco divindades)».
Verse 2
तत्र तीर्थे तपस्तप्त्वा शिखार्थं हव्यवाहनः । शिखां प्राप्य शिखी भूत्वा शिखाख्यं स्थापयञ्छिवम्
Nesse tīrtha, Havyavāhana (Agni) praticou austeridades para obter a crista (śikhā). Tendo-a alcançado e tornando-se «Śikhī», ali estabeleceu Śiva, dando-Lhe o nome de «Śikhākhya» (Śiva conhecido como Śikhākhya).
Verse 3
प्रतिपच्छुक्लपक्षे या भवेदाश्वयुजे नृप । तदा तीर्थवरे गत्वा स्नात्वा वै नर्मदाजले
Ó rei, quando no mês de Āśvayuja ocorrer o primeiro dia lunar (pratipat) da quinzena clara, então deve-se ir a esse excelente tīrtha e banhar-se, de fato, nas águas do Narmadā.
Verse 4
देवानृषीन् पित्ःंश्चान्यांस्तर्पयेत्तिलवारिणा । हिरण्यं ब्राह्मणे दद्यात्संतर्प्य च हुताशनम्
Com água misturada com gergelim, ofereça-se tarpaṇa aos devas, aos ṛṣis, aos antepassados e aos demais. Depois de também satisfazer Hutāśana (o fogo sagrado), dê-se ouro como dāna a um brāhmaṇa.
Verse 5
गन्धमाल्यैस्तथा धूपैस्ततः सम्पूजयेच्छिवम् । अनेन विधिनाभ्यर्च्य शिखितीर्थे महेश्वरम्
Em seguida, deve-se venerar Śiva plenamente com fragrâncias, guirlandas e incenso. Tendo assim adorado Maheśvara em Śikhitīrtha segundo este rito, o devoto alcança o fruto prometido.
Verse 6
विमानेनार्कवर्णेन ह्यप्सरोगणसंवृतः । गीयमानस्तु गन्धर्वैर्रुद्रलोकं स गच्छति
Cercado por hostes de apsarās e louvado em canto pelos gandharvas, ele vai ao mundo de Rudra num carro celeste de cor solar.
Verse 7
शत्रुक्षयमवाप्नोति तेजस्वी जायते भुवि
Alcança a destruição dos inimigos e nasce na terra radiante e poderoso.
Verse 202
अध्यायः
Capítulo (marcador).