Adhyaya 11
Rudra SamhitaSati KhandaAdhyaya 1151 Verses

देवीयोगनिद्रास्तुतिḥ तथा चण्डिकायाः प्रादुर्भावः | Hymn to Devī Yogānidrā and the Manifestation of Caṇḍikā

O capítulo inicia-se com Nārada perguntando a Brahmā o que ocorreu após a partida de Viṣṇu e o que Brahmā realizou em seguida. Brahmā responde descrevendo seu ato deliberado de louvar a Devī, identificada por predicados teológicos em camadas: vidyā–avidyātmikā, śuddhā, parabrahmasvarūpiṇī, jagaddhātrī, Durgā e Śambhupriyā. A stuti afirma a onipresença da Deusa, sua natureza auto-sustentada e seu papel como Mãe da tríade divina (tridevajanani), apresentando-a também como o princípio supremo de consciência e bem-aventurança (citiḥ, paramānandā) e como paramātmasvarūpiṇī. Em resposta a esse louvor, Devī como Yogānidrā manifesta-se diante de Brahmā como Caṇḍikā, descrita com precisão iconográfica: quatro braços, montaria de leão, gesto de conceder dádivas, ornamentos luminosos, rosto semelhante à lua e três olhos. Brahmā oferece novas saudações, correlacionando-a explicitamente aos processos cósmicos—pravṛtti e nivṛtti, sarga e sthiti—e situando-a como o poder duradouro que encanta e governa o universo móvel e imóvel. Os versos restantes (não fornecidos) presumivelmente continuam o diálogo, detalhando a resposta de Devī, o pedido ou comissão de Brahmā e as implicações cosmológicas e rituais decorrentes.

Shlokas

Verse 1

नारद उवाच । ब्रह्मन् तात महाप्राज्ञ वद नो वदतां वर । गते विष्णौ किमभवदकार्षीत्किं विधे भवान्

Nārada disse: “Ó Brahmā, pai venerável, ó grandemente sábio—o melhor entre os que falam—dize-nos: quando Viṣṇu partiu, o que então aconteceu? E depois, que fizeste tu, ó Vidhātṛ, o Criador?”

Verse 2

ब्रह्मोवाच । विप्रनन्दनवर्य त्वं सावधानतया शृणु । विष्णौ गते भगवति यदकार्षमहं खलु

Brahmā disse: “Ó melhor entre os filhos dos sábios, escuta com plena atenção. Quando o Bem-aventurado Senhor Viṣṇu partiu, eu te direi, em verdade, o que fiz.”

Verse 3

विद्याविद्यात्मिकां शुद्धां परब्रह्मस्वरूपिणीम् । स्तौमि देव जगद्धात्रीं दुर्गां शम्भुप्रियां सदा

Ó Deusa, eu louvo sempre Durgā—a Pura, a própria essência tanto do conhecimento quanto da ignorância; cuja natureza é o Parabrahman; sustentadora dos mundos; e eternamente amada por Śambhu (Śiva).

Verse 4

सर्वत्र व्यापिनीं नित्यां निरालंबां निराकुलाम् । त्रिदेवजननीं वंदे स्थूलस्थूलामरूपिणीम्

Eu me prostro diante da Deusa eterna que tudo permeia—sem apoio, sempre serena e imperturbável—Mãe dos Três Devas; e embora esteja presente até nas formas mais densas, em verdade é sem forma.

Verse 5

त्वं चितिः परमानंदा परमात्मस्वरूपिणी । प्रसन्ना भव देवेशि मत्कार्यं कुरु ते नमः

Tu és a própria Consciência pura, a Bem‑aventurança suprema, encarnada como a natureza do Ser mais elevado. Ó Deusa, soberana dos deuses, sê graciosa—cumpre o meu intento. Saudações a ti.

Verse 6

ब्रह्मोवाच । एवं संस्तूयमाना सा योगनिद्रा मया मुने । आविर्बभूव प्रत्यक्षं देवर्षे चंडिका मम

Brahmā disse: “Assim louvada por mim, ó sábio, aquela Sonolência Ióguica—minha própria Caṇḍikā—manifestou‑se direta e visivelmente diante do vidente divino.”

Verse 7

स्निग्धांजनद्युतिश्चारुरूपा दिव्यचतुर्भुजा । सिंहस्था वरहस्ता च मुक्तामणिकचोत्कटा

Ela brilhava com o fulgor lustroso do colírio, de forma primorosamente bela, divina e de quatro braços. Sentada sobre um leão, com uma mão concedia dádivas, e resplandecia adornada de pérolas e gemas.

Verse 8

शरदिंद्वानना शुभ्रचन्द्रभाला त्रिलोचना । सर्वावयवरम्या च कमलांघ्रिनखद्युतिः

Seu rosto era como a lua do outono; sua fronte brilhava como um crescente imaculado. Era de três olhos, encantadora em cada membro, e o fulgor das unhas de seus pés de lótus cintilava intensamente.

Verse 9

समक्षं तामुमां वीक्ष्य मुने शक्तिं शिवस्य हि । भक्त्या विनततुंगांशः प्रास्तवं सुप्रणम्य वै

Ó sábio, ao ver Umā diante de si—ela que é, de fato, a Śakti divina do próprio Śiva—ele se curvou em devoção, dobrando seus nobres membros; e, após uma profunda prostração, começou a entoar o seu hino de louvor.

Verse 10

ब्रह्मोवाच । नमो नमस्ते जगतःप्रवृत्तिनिवृतिरूपे स्थितिसर्गरूपे । चराचराणां भवती सुशक्तिस्सनातनी सर्वविमोहनीति

Brahmā disse: Reverência, reverência a Ti—Tu que és a forma do agir exterior do mundo e do recolhimento interior, a forma da preservação e da criação. Para todos os seres móveis e imóveis, Tu és a Śakti supremamente poderosa, eterna, aquela que lança sobre tudo o véu da ilusão.

Verse 11

इति श्रीशिवपुराणे द्वितीयायां रुद्रसंहितायां सतीखण्डे दुर्गास्तुतिब्रह्मवरप्राप्तिवर्णनो नामेकादशोऽध्यायः

Assim, no Śrī Śiva Purāṇa, no Segundo Livro, na Rudra Saṃhitā, dentro do Satī-khaṇḍa, encerra-se o Capítulo Décimo Primeiro, intitulado: «Descrição do hino de louvor a Durgā e da obtenção da dádiva de Brahmā».

Verse 12

या योगिनां वै महिता मनोज्ञा सा त्वं न ते परमाणुसारे । यमादिपूते हृदि योगिनां या या योगिनां ध्यानपथे प्रतीता

Tu és essa Realidade deleitosa e excelsa, louvada pelos iogues. Não se chega a Ti apenas seguindo rastros sutis como átomos. Tu és Aquela que é realizada no coração dos iogues, purificado por yama e outras disciplinas—Tu, conhecida no caminho do seu dhyāna, a meditação.

Verse 13

प्रकाशशुद्ध्यादियुता विरागा सा त्वं हि विद्या विविधावलंबा । कूटस्थमव्यक्तमनंतरूपं त्वं बिभ्रती कालमयी जगंति

Tu és esse Conhecimento (Vidyā), dotado de clareza luminosa e pureza, firmado no desapego, amparando os seres de múltiplas maneiras. Tu sustentas os mundos como o próprio Tempo (Kāla), trazendo em ti o imutável (kūṭastha), o não manifesto (avyakta) e o Uno de formas infinitas.

Verse 14

विकारबीजं प्रकरोपि नित्यं गुणान्विता सर्वजनेषु नूनम् । त्वं वै गुणानां च शिवे त्रयाणां निदानभूता च ततः परासि

Ó Śivā (Devī), tu és de fato a semente primordial da transformação, sempre presente, permeando todos os seres como os guṇa. Verdadeiramente, tu és a causa originária dos três guṇa; e, por isso, também estás além deles—transcendente.

Verse 15

सत्वं रजस्तामस इत्यमीषां विकारहीना समु वस्तितीर्या । सा त्वं गुणानां जगदेकहेतुं ब्रह्मांतरारंभसि चात्सि पासि

Sattva, rajas e tamas—ainda que sejam chamados os três guṇa—na verdade não trazem mudança alguma em Ti, ó Devī, que estás além deles. Por meio desses guṇa, Tu és a única causa do universo; e, em cada ciclo de Brahmā, inicias a criação, a sustentas e também a conduzes à dissolução.

Verse 16

अशेषजगतां बीजे ज्ञेयज्ञानस्वरूपिणि । जगद्धिताय सततं शिवपत्नि नमोस्तु ते

Ó consorte de Śiva—semente e causa de todos os mundos, cuja natureza é ao mesmo tempo o cognoscível e a consciência que conhece; sempre dedicada ao bem do universo, a ti minhas reverências.

Verse 17

ब्रह्मोवाच । इत्याकर्ण्य वचः सा मे काली लोक विभाविनी । प्रीत्या मां जगतामूचे स्रष्टारं जनशब्दवत्

Disse Brahmā: Tendo assim ouvido minhas palavras, aquela Kāḷī—que manifesta e ilumina os mundos—falou-me com afeição, a mim, criador dos seres, com voz como a do povo, isto é, simples e direta.

Verse 18

देव्युवाच । ब्रह्मन्किमर्थं भवता स्तुताहमवधारय । उच्यतां यदि धृष्योसि तच्छीघ्रं पुरतो मम

A Deusa disse: «Ó Brahmā, compreende bem isto—por que me louvaste? Se tens ousadia, dize-o depressa, aqui, diante de mim.»

Verse 19

प्रत्यक्षमपि जातायां सिद्धिः कार्यस्य निश्चिता । तस्मात्त्वं वांछितं ब्रूहि या करिष्यामि भाविता

Mesmo quando já se tornou evidente, a realização do empreendimento é certa. Portanto, diz-me o que desejas; com firme intenção, eu o cumprirei.

Verse 20

ब्रह्मोवाच । शृणु देवि महेशानि कृपां कृत्वा ममोपरि । मनोरथस्थं सर्वज्ञे प्रवदामि त्वदाज्ञया

Brahmā disse: Ó Deusa, ó Maheśānī, tem compaixão de mim e escuta. Ó Onisciente, que habitas no intento do meu coração, falarei conforme o teu mandamento.

Verse 21

यः पतिस्तव देवेशि ललाटान्मेऽभवत्पुरा । शिवो रुद्राख्यया योगी स वै कैलासमास्थितः

Ó Deusa, o Senhor que outrora se tornou teu esposo—Śiva, o Iogue célebre pelo nome de Rudra, que surgiu da minha fronte—agora, de fato, habita no monte Kailāsa.

Verse 22

तपश्चरति भूतेश एक एवाविकल्पकः । अपत्नीको निर्विकारो न द्वितीयां समीहते

Bhūteśa (o Senhor Śiva) pratica austeridades—sozinho, sem divisão interior nem alternativa. Sem consorte e imutável, ele nem sequer deseja uma segunda (companhia).

Verse 23

तं मोहय यथा चान्यां द्वितीयां सति वीक्षते । त्वदृते तस्य नो काचिद्भविष्यति मनोहरा

“Ilude-o de tal modo que Satī possa olhar para outra mulher como uma segunda possibilidade. Contudo, além de ti, para ele jamais haverá outra mulher encantadora.”

Verse 24

तस्मात्त्वमेव रूपेण भवस्व हरमोहिनी । सुता भूत्वा च दक्षस्य रुद्रपत्नी शिवे भव

Portanto, só tu deves assumir essa mesma forma que encanta Hara (Śiva). Nascendo como filha de Dakṣa, ó Deusa auspiciosa, torna-te a esposa de Rudra (Śiva).

Verse 25

यथा धृतशरीरा त्वं लक्ष्मीरूपेण केशवम् । आमोदयसि विश्वस्य हितायैतं तथा कुरु

Assim como tu, ao assumires um corpo na forma de Lakṣmī, alegras Keśava (Viṣṇu) para o bem do universo—do mesmo modo realiza este ato para o bem dos mundos.

Verse 26

कांताभिलाषमात्रं मे दृष्ट्वाऽनिंदद्वृषध्वजः । स कथं वनितां देवी स्वेच्छया संग्रहीष्यति

Ao ver em mim apenas o mais leve desejo por uma amada, Vṛṣadhvaja (Śiva), o irrepreensível, nem sequer o aprovou. Então como poderia aquela Deusa—ou qualquer mulher do mundo—ser aceita por ele de livre vontade?

Verse 27

हरे गृहीतकांते तु कथं सृष्टिश्शुभावहा । आद्यंतमध्ये चैतस्य हेतौ तस्मिन्विरागिणि

Ó Hari, se tu aceitaste a tua amada (Lakṣmī), como poderá prosseguir a criação—dita auspiciosa—quando a sua própria causa, Aquele que está no começo, no fim e no meio de tudo, permanece um renunciante desapegado (Śiva)?

Verse 28

इति चिंतापरो नाहं त्वदन्यं शरणं हितम् । कृच्छ्रवांस्तेन विश्वस्य हितायैतत्कुरुष्व मे

Assim, absorvido em ansiosa reflexão, não encontro refúgio salutar além de ti. Portanto, embora seja difícil, para o bem-estar do mundo inteiro, faz isto por mim.

Verse 29

न विष्णुस्तस्य मोहाय न लक्ष्मीर्न मनोभवः । न चाप्यहं जगन्मातर्नान्यस्त्वां कोपि वै विना

Nem Viṣṇu, nem Lakṣmī, nem Manobhava (Kāma) podem lançar ilusão sobre Ele. Nem eu posso. Ó Mãe dos mundos—em verdade, não há ninguém além de Ti que o possa fazer.

Verse 30

तस्मात्त्वं दक्षजा भूत्वा दिव्यरूपा महेश्वरी । तत्पत्नी भव मद्भक्त्या योगिनं मोहयेश्वरम्

Portanto, ó Grande Deusa Mahēśvarī, torna-te filha de Dakṣa, assumindo uma forma divina. Pela devoção a Mim, torna-te sua esposa e, ó Senhora do Senhor, encanta esse iogue—Śiva, o Senhor supremo.

Verse 31

दक्षस्तपति देवेशि क्षीरोदोत्तरतीरगः । त्वामुद्दिश्य समाधाय मनस्त्वयि दृढव्रतः

Ó Deusa, Senhora dos Devas, Dakṣa realiza austeridades na margem setentrional do Oceano de Leite. Com voto firme, recolhe a mente em samādhi, meditando somente em Ti.

Verse 32

ब्रह्मोवाच । इत्याकर्ण्य वचस्सा चिंतामाप शिवा तदा । उवाच च स्वमनसि विस्मिता जगदम्बिका

Brahmā disse: Ao ouvir essas palavras, Śivā caiu então em profunda reflexão. A Mãe do universo—assombrada—falou dentro do próprio coração, para si mesma.

Verse 33

देव्युवाच । अहो सुमहदाश्चर्यं वेदवक्तापि विश्वकृत् । महाज्ञानपरो भूत्वा विधाता किं वदत्ययम्

A Deusa disse: “Ah, que maravilha imensa! Embora Brahmā seja o proclamador dos Vedas e o criador do mundo, e permaneça em grande conhecimento, que é que este Criador está dizendo?”

Verse 34

विधेश्चेतसि संजातो महामोहोऽसुखावहः । यद्वरं निर्विकारं तं संमोहयितुमिच्छति

Na mente de Vidhe (Brahmā) surgiu uma grande ilusão, portadora de sofrimento; e ele desejou confundir Aquele Excelso, imutável e livre de toda modificação.

Verse 35

हरमोहवरं मत्तस्समिच्छति विधिस्त्वयम् । को लाभोस्यात्र स विभुर्निर्मोहो निर्विकल्पकः

Dizes que Vidhi (Brahmā) busca de mim a dádiva de iludir Hara. Que ganho haveria nisso? Esse Senhor que tudo permeia é livre de ilusão e está além de toda alternativa conceitual.

Verse 36

परब्रह्माख्यो यश्शंभुर्निर्गुणो निर्विकारवान् । तस्याहं सर्वदा दासी तदाज्ञावशगा सदा

Śambhu, conhecido como o Brahman Supremo, sem atributos e livre de toda mudança—eu sou para sempre sua serva, sempre sob o seu comando.

Verse 37

स एव पूर्णरूपेण रुद्रनामाभवच्छिवः । भक्तोद्धारणहेतोर्हि स्वतंत्रः परमेश्वरः

Ele mesmo—Śiva—manifestou-se em sua forma plena e passou a ser conhecido pelo nome de Rudra. De fato, o Senhor Supremo, plenamente independente, assim o fez para elevar e libertar os seus devotos.

Verse 38

हरेर्विधेश्च स स्वामी शिवान्न्यूनो न कर्हिचित् । योगादरो ह्यमायस्थो मायेशः परतः परः

Ele é o Senhor até mesmo de Hari (Viṣṇu) e do Ordenador (Brahmā), e jamais, de modo algum, é inferior a Śiva. Devotado ao Yoga, estabelecido além da ilusão; Senhor de Māyā, e o Supremo para além de todo supremo.

Verse 39

मत्वा तमात्मजं ब्रह्मा सामान्यसुरसंनिभम् । इच्छत्ययं मोहयितुमतोऽज्ञानविमोहितः

Brahmā, tomando-o por seu próprio filho e julgando-o semelhante a um deva comum, iludido pela ignorância, desejou confundi-lo.

Verse 40

न दद्यां चेद्वरं वेदनीतिर्भ्रष्टा भवेदिति । किं कुर्यां येन न विभुः क्रुद्धस्स्यान्मे महेश्वरः

“Se eu não conceder a dádiva, a ordem justa prescrita pelos Vedas será violada. Que devo fazer para que o Senhor todo-poderoso—Mahādeva—não se ire comigo?”

Verse 41

ब्रह्मो वाच । विचार्य्येत्थं महेशं तं सस्मार मनसा शिवा । प्रापानुज्ञां शिवस्याथोवाच दुर्गा च मां तदा

Brahmā disse: Tendo assim refletido, Śivā (Satī) recordou interiormente aquele Maheśa. Então, após obter a permissão de Śiva, Durgā falou comigo naquele momento.

Verse 42

दुर्गोवाच । यदुक्तं भवता ब्रह्मन् समस्तं सत्यमेव तत् । मदृते मोहयित्रीह शंकरस्य न विद्यते

Durgā disse: “Ó brâmane, tudo o que disseste é inteiramente verdadeiro. Fora de mim, não existe aqui poder algum de ilusão que possa confundir Śaṅkara (Śiva).”

Verse 43

हरेऽगृहीतदारे तु सृष्टिनैषा सनातनी । भविष्यतीति तत्सत्यं भवता प्रतिपादितम्

“Ó Hari, enquanto não aceitares uma esposa, esta criação primordial não pode prosseguir no seu curso eterno. Portanto, é verdadeiro o que declaraste: que ela de fato há de acontecer.”

Verse 44

ममापि मोहने यन्नो विद्यतेस्य महाप्रभोः । त्वद्वाक्याद्विगुणो मेद्य प्रयत्नोऽभूत्स निर्भरः

Mesmo em minha própria ilusão, eu não compreendia de fato esse grande Senhor. Mas, por tuas palavras, meu esforço sincero foi duplicado, e apliquei-me com plena determinação.

Verse 45

अहं तथा यतिष्यामि यथा दारपरिग्रहम् । हरः करिष्यति विधे स्वयमेव विमोहितः

“Esforçar-me-ei de tal modo que Hara (Śiva) aceite uma esposa. Ó Vidhe (Brahmā), iludido por minha māyā, ele o fará por sua própria vontade.”

Verse 46

सतीमूर्तिमहं धृत्वा तस्यैव वशवर्तिनी । भविष्यामि महाभागा लक्ष्मीर्विष्णोर्यथा प्रिया

Assumindo a forma de Satī, tornar-me-ei totalmente devota e submissa somente a Ele, ó afortunado—querida ao Senhor Śiva, assim como Lakṣmī é amada por Viṣṇu.

Verse 47

यथा सोपि मयैवेय वशवर्ती सदा भवेत् । तथा यत्नं करिष्यामि तस्यैव कृपया विधे

“Para que ele também permaneça sempre sob meu domínio, assim me esforçarei—pela própria graça dele, ó Vidhe (Brahmā).”

Verse 48

उत्पन्ना दक्षजायायां सतीरूपेण शंकरम् । अहं सभाजयिष्यामि लीलया तं पितामह

Nascida da esposa de Dakṣa na forma de Satī, honrarei Śaṅkara (Śiva) como um līlā divino; e, assim, honrarei também a ti, ó Avô (Brahmā).

Verse 49

यथान्यजंतुरवनौ वर्तते वनितावशे । मद्भक्त्या स हरो वामावशवर्ती भविष्यति

Assim como uma criatura comum na terra vive sob o domínio de uma mulher, do mesmo modo—pela devoção (bhakti) a Mim—Hara (Śiva) virá a ficar sob a Minha influência.

Verse 50

ब्रह्मोवाच । मह्यमित्थं समाभाष्य शिवा सा जगदम्बिका । वीक्ष्यमाणा मया तात तत्रैवांतर्दधे ततः

Brahmā disse: “Tendo-me falado assim, aquela Śivā—Mãe do universo—enquanto eu a contemplava, ó querido, desapareceu ali mesmo, naquele instante.”

Verse 51

तस्यामंतर्हितायां तु सोहं लोकपितामहः । अगमं यत्र स्वसुतास्तेभ्यस्सर्वमवर्णयम्

Quando ela (Satī) assim se ocultou da vista, eu—Brahmā, o avô dos mundos—fui ao lugar onde estavam meus próprios filhos e lhes narrei tudo o que ocorrera.

Frequently Asked Questions

Brahmā narrates that after Viṣṇu’s departure he praised Devī (Yogānidrā/Durgā), whereupon she manifested visibly as Caṇḍikā before him.

It treats Devī as both the liberating principle (vidyā) and the veiling/operative power (avidyā), while also affirming her identity with the supreme absolute (parabrahman), integrating metaphysics with devotional address.

Devī is praised as Durgā, Umā, Śambhupriyā, and Yogānidrā, and appears as Caṇḍikā with four arms, lion-mount, boon-giving hand, three eyes, moonlike face, and radiant ornaments—signifiers of protective sovereignty and cosmic agency.