Adhyaya 14
Upodghata PadaAdhyaya 1429 Verses

Adhyaya 14

Lalitopākhyāna: Devagaṇa-samāgamaḥ and Śrīnagaryāḥ Nirmāṇam (Assembly of Devas; Construction and Splendor of the Divine City)

Este adhyāya, no fluxo do diálogo Hayagrīva–Agastya do Lalitopākhyāna, descreve uma grande convergência: Brahmā chega com os sábios para contemplar a Devī; Viṣṇu vem montado em Garuḍa (Vinatāsuta) e Śiva chega sobre o touro (vṛṣa). Devarṣis liderados por Nārada, apsaras, gandharvas (como Viśvāvasu) e yakṣas reúnem-se ao redor da Mahādevī. Brahmā encarrega Viśvakarmā de construir uma cidade divina comparável a Amarāvatī, com muralhas, portais, vias reais, estábulos e residências para oficiais, soldados, dvijas e classes de serviço. Em seguida, o texto focaliza a iconografia de uma “corte cósmica”: um palácio central radiante e um salão navaratna (nove gemas) com um trono feito de cintāmaṇi, auto-luminoso como o sol nascente. Brahmā reflete sobre a soberania e a potência do trono—sugerindo que a proximidade desse assento eleva o status através dos mundos—e conclui com uma formulação normativa sobre realeza/abhiseka, unindo preceptores auspiciosos, marcas ideais e a presença de uma consorte sustentadora, mostrando o governo como co-constituído por rito e cosmos.

Shlokas

Verse 1

इति श्रीब्रह्माण्डमहापुराणे उत्तरभागे हयग्रीवागस्त्यसंवादे ललितोपाख्याने ललितास्तवराजो नाम त्रयोदशो ऽध्यायः हयग्रीव उवाच एतस्मिन्नेव काले तु ब्रह्मा लोकपितामहः / आजगामाथ देवेशीं द्रष्टुकामो महर्षिभिः

Assim, no Śrī Brahmāṇḍa Mahāpurāṇa, na parte Uttara… o décimo terceiro capítulo chamado “Lalitāstavarāja”. Disse Hayagrīva: Nesse mesmo tempo, Brahmā, o Pitāmaha do mundo, veio com os grandes ṛṣis, desejoso de contemplar a Devīśī.

Verse 2

आजगाम ततो विष्णुरारूढो विनतासुतम् / शिवो ऽपि वृषमारूढः समायातो ऽखिलेश्वरीम्

Depois veio Viṣṇu, montado em Garuḍa, filho de Vinatā; e Śiva também, montado no touro, chegou à presença de Akhileśvarī, a Soberana de tudo.

Verse 3

देवर्षयो नारदाद्याः समाजग्मुर्महेश्वरीम् / आययुस्तां महादेवीं सर्वे चाप्सरसां गणाः

Os devarṣi, com Nārada à frente, reuniram-se junto de Maheśvarī; e todas as hostes de apsarās também vieram àquela Mahādevī.

Verse 4

विश्वावसुप्रभृतयो गन्धर्वाश्चैव यक्षकाः / ब्रह्मणाथ समादिष्टो विश्वकर्मा विशांपतिः

Havia os Gandharvas, com Viśvāvasu à frente, e também os Yakṣas; por ordem de Brahmā foi incumbido Viśvakarmā, senhor dos seres.

Verse 5

चकार नगरं दिव्यं यथामरपुरं तथा / ततो भगवती दुर्गा सर्वमन्त्राधिदेवता

Ele construiu uma cidade divina, tal qual Amarapurī; então Bhagavatī Durgā, a deusa regente de todos os mantras, manifestou-se.

Verse 6

विद्याधिदेवता श्यामा समाजग्मतुरंबिकाम् / ब्राहयाद्या मातरश्चैव स्वस्वभूतगणावृताः

Śyāmā, deusa regente da Vidyā, aproximou-se de Ambikā; e as Mães, começando por Brāhmī, chegaram cercadas por seus próprios séquitos de bhūtas.

Verse 7

सिद्धयो ह्यणिमाद्याश्च योगिन्यश्चैव कोटिशः / भैरवाः क्षेत्रपालाश्च महाशास्ता गणाग्रणीः

As siddhis como Aṇimā e outras, e incontáveis Yoginīs por koṭis; os Bhairavas, os Kṣetrapālas e Mahāśāstā, líder das hostes, também estavam presentes.

Verse 8

महागणेश्वरः स्कन्दो बटुको वीरभद्रकः / आगत्य ते महादेवीं तुष्टुवुः प्रणतास्तदा

Vieram também Skanda, o grande senhor das hostes, Baṭuka e Vīrabhadra; então, prostrados, entoaram louvores à Mahādevī.

Verse 9

तत्राथ नगरीं रम्यां साट्टप्राकारतोरणाम् / गजाश्वरथशालाढ्यां राजवीथिविराजिताम्

Então ele contemplou uma cidade formosa, ornada de altas muralhas e pórticos; rica em estábulos de elefantes, cavalos e carros, e resplandecente por suas vias reais.

Verse 10

सामन्तानाममात्यानां सैनिकानां द्विजन्म नाम् / वेतालदासदासीनां गृहाणि रुचिराणि च

Ali havia casas formosas dos vassalos, ministros, soldados e dos duas-vezes-nascidos; e também dos servidores de Vetāla, de escravos e de escravas.

Verse 11

मध्यं राजगृहं दिव्यं द्वारगोपुरभूषितम् / शालाभिर्बहुभिर्युक्तं सभा भिरुषशोभितम्

No centro havia um palácio real divino, ornado de portas e torres-gopura; dotado de muitas salas e embelezado por seus salões de assembleia.

Verse 12

सिंहासनसभां चैव नवरत्नमयीं शुभाम् / मध्ये सिंहासनं दिव्यं चिन्तामणिवीनिर्मितम्

Ali havia uma sala do trono auspiciosa, feita de nove gemas; ao centro erguia-se um trono divino, moldado com a joia Cintāmaṇi.

Verse 13

स्वयं प्रकाशमद्वन्द्वमुदयादित्यसंनिभम् / विलोक्य चिन्तयामास ब्रह्मा लोकपितामहः

Ao ver aquele fulgor que brilha por si, além de toda dualidade, semelhante ao sol nascente, Brahmā, o Pitāmaha do mundo, ficou imerso em contemplação.

Verse 14

यस्त्वेतत्समधिष्ठाय वर्तते बालिशो ऽपिवा / पुरस्यास्य प्रभावेण सर्वलोकाधिको भवेत्

Quem se apoia nesta cidade sagrada e nela vive, ainda que ingênuo, pelo poder desta purī torna-se superior a todos os mundos.

Verse 15

न केवला स्त्री राज्यार्हा पुरुषो ऽपि तया विना / मङ्गलाचार्यसंयुक्तं महापुरुषलक्षणम् / अनुकूलाङ्गनायुक्तमभिषिञ्चेदिति श्रुतिः

Não é só a mulher que é digna do reino; sem ela, o homem também não o é. A Śruti declara: deve-se consagrar aquele que possui os sinais do Mahāpuruṣa, acompanhado por ācāryas auspiciosos e unido a uma esposa favorável.

Verse 16

विभातीयं वरारोहा भूर्ता शृङ्गारदेवता / वरो ऽस्यास्त्रिषु लोकेषु न चान्यः शङ्करादृते

Esta donzela de porte nobre resplandece, como se a deidade do Śṛṅgāra tivesse tomado forma. Nos três mundos, não há para ela outro esposo senão Śaṅkara.

Verse 17

जडिलो मुण्डधारी च विरूपाक्षः कपालभृत् / कल्माषी भस्मदिग्धाङ्गः श्मशानास्थिविभूषणः

Ele é de jaṭā, de cabeça rapada, Virūpākṣa, portador de crânio; manchado, com o corpo ungido de cinza, e ornado com ossos do crematório.

Verse 18

अमङ्गलास्पदं चैनं वरयेत्सा सुमङ्गला / इति चिन्तयमानस्य ब्रह्मणो ऽग्रे महेश्वरः

“Ele parece ser assento do inauspicioso; e, ainda assim, a Sumangalā o escolherá por esposo”: enquanto Brahmā assim refletia, Maheśvara manifestou-se diante dele.

Verse 19

कोटिकन्दर्पलावण्ययुक्तो दिव्य शरीरवान् / दिव्यांबरधरः स्रग्वी दिव्यगन्धानुलेपनः

Dotado da beleza de milhões de Kandarpa, possuía corpo divino; trajava vestes celestes, trazia guirlanda e estava ungido com fragrâncias sagradas.

Verse 20

किरीटहारकेयूरकुण्डलाद्यैरलङ्कृतः / प्रादुर्बभूव पुरतो जगन्मोहन रुपधृक्

Adornado com coroa, colar, braceletes, brincos e outras joias, ele surgiu diante deles, assumindo uma forma que encantava todo o universo.

Verse 21

तं कुमारमथालिङ्ग्य ब्रह्मा लोकपितामहः / चक्रे कामेश्वरं नाम्ना कमनीयवपुर्धरम्

Então Brahma, o Pitamaha do mundo, abraçou aquele jovem e o estabeleceu com o nome de ‘Kameshvara’, de corpo encantador.

Verse 22

तस्यास्तु परमाशक्तेरनुरूपो वरस्त्वयम् / इति निश्चित्य तेनैव सहितास्तामथाययुः

Decidindo: “Este é o esposo condizente com a Paramā-Śakti”, levaram-no consigo e então foram até Ela.

Verse 23

अस्तुवंस्ते परां शक्तिं ब्रह्मविष्णुमहेश्वराः / तां दृष्ट्वा मृगशावाक्षीं कुमारो नीललोहितः / अभवन्मन्मथाविष्टो विस्मृत्य सकलाः क्रियाः

Brahma, Vishnu e Maheshvara entoaram louvores à Suprema Śakti. Ao ver aquela de olhos como os de um filhote de cervo, o jovem Nīlalohita foi tomado por Manmatha e esqueceu todas as suas ações.

Verse 24

सापि तं वीक्ष्य तन्वङ्गो मूर्तिंमन्तमिव स्मरम् / मदनाविष्टसर्वाङ्गी स्वात्मरूपममन्यत / अन्योन्यालोकनासक्तौ तावृभौ मदनातुरौ

Ela também, ao fitá-lo—como Smara, o Amor em forma—foi tomada por Madana em todos os membros e o julgou como a própria imagem de si. Ambos, presos ao olhar mútuo, ardiam de desejo.

Verse 25

सर्वभावविशेषज्ञौ धृतिमन्तौ मनस्विनौ / परैरज्ञातचारित्रौ मुहूर्तास्वस्थचेतनौ

Ambos conheciam as nuances de todos os estados do ser, eram firmes e de mente elevada; sua conduta era desconhecida dos outros, e por alguns instantes a consciência lhes ficou inquieta.

Verse 26

अथोवाच महादेवीं ब्रह्मा लोकैकनायिकाम् / इमे देवाश्च ऋषयो गन्धर्वाप्सरसां गणाः / त्वामीशां द्रष्टुमिच्छन्ति सप्रियां परमाहवे

Então Brahmā disse à Mahādevī, única soberana do mundo: “Estes deuses, estes ṛṣis e as hostes de gandharvas e apsaras, ó Senhora, desejam contemplar-te com teu amado na assembleia suprema.”

Verse 27

को वानुरूपस्ते देवि प्रियो धन्यतमः पुमान् / लोकसंरक्षणार्थाय भजस्व पुरुषं परम्

Ó Deusa, quem é o homem mais afortunado, digno de ti e amado por ti? Para a proteção do mundo, escolhe o Puruṣa supremo.

Verse 28

राज्ञी भव पुरस्यास्य स्थिता भव वरासने / अभिषिक्तां महाभागैर्देवार्षे भिरकल्मषैः

Sê a rainha desta cidade; permanece no assento mais excelente. Que os devarṣis, puros e afortunados, te consagrem com o sagrado abhiṣeka.

Verse 29

साम्राज्यचिह्नसंयुक्तां सर्वाभरणसंयुताम् / सप्रियामासनगतां द्रष्टुमिच्छामहे वयम्

Desejamos contemplar a Deusa, portadora dos emblemas da soberania, ornada com todas as joias, e sentada no trono junto de seu amado.

Frequently Asked Questions

It is narrated by Hayagrīva within the Hayagrīva–Agastya saṃvāda of the Lalitopākhyāna, describing a ceremonial convergence of deities and attendant beings around the Mahādevī.

The chapter enumerates layered divine classes—Trimūrti, devarṣis, apsarases, gandharvas, yakṣas, mātr̥kās, siddhis, yoginīs, bhairavas, kṣetrapālas, and major gaṇa leaders (Gaṇeśa, Skanda, Vīrabhadra). This functions as cosmological metadata, mapping the Devī’s court as a totalizing hierarchy of beings.

The divine city (built by Viśvakarmā) and the self-luminous cintāmaṇi throne encode Shākta sovereignty: the Devī’s seat becomes a cosmogram of authority, where ritual enthronement, auspicious order, and the presence of the consort motif articulate sacral kingship and cosmic legitimacy.