Adhyaya 3
Saptama SkandhaAdhyaya 338 Verses

Adhyaya 3

Hiraṇyakaśipu’s Austerities and Brahmā’s Boons (The Architecture of ‘Conditional Immortality’)

Nārada continua a instruir o Mahārāja Yudhiṣṭhira, descrevendo como Hiraṇyakaśipu, ardendo no desejo de tornar-se inconquistável, empreende um tapas terrível no Monte Mandara—de pé na ponta dos pés, com os braços erguidos, por cem anos celestiais. O calor e o fulgor de sua penitência desestabilizam o cosmos: os planetas se abrasam, os oceanos se revolvem, e os devas fogem a Brahmā em busca de alívio. Brahmā, com os sábios, encontra o asura envolto num formigueiro, reanima-o com água do kamaṇḍalu e, admirado por sua resistência, concede-lhe uma dádiva. Hiraṇyakaśipu louva Brahmā como criador do universo e controlador do tempo, e então pede, com estratégia, proteções em camadas contra a morte—negando condições de lugar, tempo, agente, arma e categoria de ser—além de soberania sem rival e perfeições ióguicas. Este capítulo estabelece a tensão para o próximo movimento: a dádiva quase inexpugnável do asura será o palco onde se manifestará o desígnio superior de Bhagavān, culminando mais adiante na intervenção extraordinária do Senhor para proteger Prahlāda, honrando as palavras de Brahmā.

Shlokas

Verse 1

श्रीनारद उवाच हिरण्यकशिपू राजन्नजेयमजरामरम् । आत्मानमप्रतिद्वन्द्वमेकराजं व्यधित्सत ॥ १ ॥

Śrī Nārada disse: Ó rei, Hiraṇyakaśipu desejava tornar-se invencível, sem velhice nem morte, sem rival, e ser o único soberano de todo o universo.

Verse 2

स तेपे मन्दरद्रोण्यां तप: परमदारुणम् । ऊर्ध्वबाहुर्नभोद‍ृष्टि: पादाङ्गुष्ठाश्रितावनि: ॥ २ ॥

No vale do monte Mandara, ele praticou uma austeridade extremamente severa: apoiado nos dedos dos pés, com os braços erguidos e o olhar fixo no céu.

Verse 3

जटादीधितिभी रेजे संवर्तार्क इवांशुभि: । तस्मिंस्तपस्तप्यमाने देवा: स्थानानि भेजिरे ॥ ३ ॥

De seus cabelos emaranhados emanou um fulgor insuportável, como os raios do sol no tempo da dissolução. Vendo tal penitência, os devas retornaram às suas moradas.

Verse 4

तस्य मूर्ध्न: समुद्भ‍ूत: सधूमोऽग्निस्तपोमय: । तीर्यगूर्ध्वमधोलोकान् प्रातपद्विष्वगीरित: ॥ ४ ॥

Por causa de suas austeridades severas, de sua cabeça surgiu fogo com fumaça, que se espalhou para cima, para baixo e em todas as direções, aquecendo intensamente os mundos.

Verse 5

चुक्षुभुर्नद्युदन्वन्त: सद्वीपाद्रिश्चचाल भू: । निपेतु: सग्रहास्तारा जज्वलुश्च दिशो दश ॥ ५ ॥

Pelo poder de sua severa austeridade, rios e oceanos se agitaram; a terra, com montanhas e ilhas, começou a tremer; estrelas e planetas caíram, e as dez direções arderam em chamas.

Verse 6

तेन तप्ता दिवं त्यक्त्वा ब्रह्मलोकं ययु: सुरा: । धात्रे विज्ञापयामासुर्देवदेव जगत्पते । दैत्येन्द्रतपसा तप्ता दिवि स्थातुं न शक्नुम: ॥ ६ ॥

Queimados e profundamente perturbados pelas severas penitências de Hiraṇyakaśipu, os semideuses deixaram suas moradas e foram a Brahmaloka. Ali suplicaram ao Criador: «Ó Deus dos deuses, Senhor do universo! O fogo da austeridade que emana de sua cabeça nos consome; não podemos permanecer em nossos planetas e viemos buscar teu abrigo.»

Verse 7

तस्य चोपशमं भूमन् विधेहि यदि मन्यसे । लोका न यावन्नङ्‌‌क्ष्यन्ति बलिहारास्तवाभिभू: ॥ ७ ॥

Ó grande senhor, se assim o julgares apropriado, faz cessar esta perturbação destinada a destruir tudo, antes que teus súditos obedientes e os mundos sejam aniquilados.

Verse 8

तस्यायं किल सङ्कल्पश्चरतो दुश्चरं तप: । श्रूयतां किं न विदितस्तवाथापि निवेदितम् ॥ ८ ॥

Ele empreendeu uma austeridade extremamente difícil—tal é seu intento. Embora seu plano não te seja desconhecido, roga-se que escutes o que viemos expor sobre suas intenções.

Verse 9

सृष्ट्वा चराचरमिदं तपोयोगसमाधिना । अध्यास्ते सर्वधिष्ण्येभ्य: परमेष्ठी निजासनम् ॥ ९ ॥ तदहं वर्धमानेन तपोयोगसमाधिना । कालात्मनोश्च नित्यत्वात्साधयिष्ये तथात्मन: ॥ १० ॥

“Pela austeridade, pelo yoga místico e pelo samādhi, Brahmā, o Parameṣṭhī, criou este universo de seres móveis e imóveis e, então, assentou-se em seu próprio trono, acima de todas as moradas. Como o tempo e o eu são eternos, eu também aumentarei austeridade, yoga e transe por incontáveis nascimentos, e assim ocuparei o mesmo posto que Brahmā ocupa.”

Verse 10

सृष्ट्वा चराचरमिदं तपोयोगसमाधिना । अध्यास्ते सर्वधिष्ण्येभ्य: परमेष्ठी निजासनम् ॥ ९ ॥ तदहं वर्धमानेन तपोयोगसमाधिना । कालात्मनोश्च नित्यत्वात्साधयिष्ये तथात्मन: ॥ १० ॥

Pela força da austeridade, do yoga e do samādhi, Brahmā, o Paramesthī, criou este universo de seres móveis e imóveis e assentou-se em seu trono supremo, tornando-se o mais venerável dentro da criação. Sendo eternos o tempo e a alma, também eu praticarei tais austeridades, yoga e transe por incontáveis nascimentos, até ocupar o mesmo posto de Brahmā.

Verse 11

अन्यथेदं विधास्येऽहमयथा पूर्वमोजसा । किमन्यै: कालनिर्धूतै: कल्पान्ते वैष्णवादिभि: ॥ ११ ॥

Pelo poder da minha severa austeridade, farei com que este mundo não seja como antes, mas de modo diverso, segundo minha força. Inverterei os frutos das ações piedosas e impiedosas e derrubarei as práticas estabelecidas. No fim do kalpa, até Dhruvaloka é varrida pelo tempo; de que serve isso? Eu prefiro o posto de Brahmā.

Verse 12

इति शुश्रुम निर्बन्धं तप: परममास्थित: । विधत्स्वानन्तरं युक्तं स्वयं त्रिभुवनेश्वर ॥ १२ ॥

Ó Senhor, ouvimos de fontes fidedignas que Hiraṇyakaśipu está agora empenhado em austeridades extremas para obter o teu posto. Tu és o mestre dos três mundos; portanto, sem demora, toma as medidas que considerares apropriadas.

Verse 13

तवासनं द्विजगवां पारमेष्ठ्यं जगत्पते । भवाय श्रेयसे भूत्यै क्षेमाय विजयाय च ॥ १३ ॥

Ó Brahmā, Senhor do universo, teu assento de Paramesthī é de fato auspicioso para o bem, o mérito, a prosperidade, a segurança e a vitória, especialmente para as vacas e os brāhmaṇas. Em tua posição, a cultura brāhmânica e a proteção das vacas são exaltadas, e toda felicidade e opulência aumentam por si mesmas; mas se Hiraṇyakaśipu ocupar teu trono, tudo se perderá.

Verse 14

इति विज्ञापितो देवैर्भगवानात्मभूर्नृप । परितो भृगुदक्षाद्यैर्ययौ दैत्येश्वराश्रमम् ॥ १४ ॥

Ó Rei, assim informado pelos semideuses, o poderosíssimo Brahmā, o Ātmabhū, acompanhado por Bhṛgu, Dakṣa e outros grandes sábios, partiu imediatamente para o āśrama do rei dos asuras, onde Hiraṇyakaśipu realizava suas austeridades.

Verse 15

न ददर्श प्रतिच्छन्नं वल्मीकतृणकीचकै: । पिपीलिकाभिराचीर्णं मेदस्त्वङ्‌मांसशोणितम् ॥ १५ ॥ तपन्तं तपसा लोकान् यथाभ्रापिहितं रविम् । विलक्ष्य विस्मित: प्राह हसंस्तं हंसवाहन: ॥ १६ ॥

O Senhor Brahmā, conduzido por seu cisne, com os devas, a princípio não pôde ver Hiraṇyakaśipu, pois seu corpo estava coberto por um formigueiro, capim e varetas de bambu; devido à longa austeridade, as formigas haviam devorado sua pele, gordura, carne e sangue. Depois o avistaram como o sol encoberto por nuvens, aquecendo os mundos por sua penitência; Brahmā, maravilhado, sorriu e lhe falou.

Verse 16

न ददर्श प्रतिच्छन्नं वल्मीकतृणकीचकै: । पिपीलिकाभिराचीर्णं मेदस्त्वङ्‌मांसशोणितम् ॥ १५ ॥ तपन्तं तपसा लोकान् यथाभ्रापिहितं रविम् । विलक्ष्य विस्मित: प्राह हसंस्तं हंसवाहन: ॥ १६ ॥

O Senhor Brahmā, conduzido por seu cisne, com os devas, a princípio não pôde ver Hiraṇyakaśipu, pois seu corpo estava coberto por um formigueiro, capim e varetas de bambu; devido à longa austeridade, as formigas haviam devorado sua pele, gordura, carne e sangue. Depois o avistaram como o sol encoberto por nuvens, aquecendo os mundos por sua penitência; Brahmā, maravilhado, sorriu e lhe falou.

Verse 17

श्रीब्रह्मोवाच उत्तिष्ठोत्तिष्ठ भद्रं ते तप:सिद्धोऽसि काश्यप । वरदोऽहमनुप्राप्तो व्रियतामीप्सितो वर: ॥ १७ ॥

Disse o Senhor Brahmā: “Ergue-te, ergue-te, ó filho de Kaśyapa; que te sobrevenha o bem. Alcançaste a perfeição na austeridade; vim como doador de bênçãos. Pede o dom que desejas.”

Verse 18

अद्राक्षमहमेतं ते हृत्सारं महदद्भ‍ुतम् । दंशभक्षितदेहस्य प्राणा ह्यस्थिषु शेरते ॥ १८ ॥

Vi tua resistência extraordinária. Embora vermes e formigas tenham mordido e devorado teu corpo, teu prāṇa permanece e circula dentro dos ossos; isto é, de fato, maravilhoso.

Verse 19

नैतत्पूर्वर्षयश्चक्रुर्न करिष्यन्ति चापरे । निरम्बुर्धारयेत्प्राणान् को वै दिव्यसमा: शतम् ॥ १९ ॥

Tamanha austeridade não foi realizada pelos ṛṣis de outrora, nem alguém a realizará no futuro. Quem, nos três mundos, pode sustentar a vida sem beber água por cem anos celestiais?

Verse 20

व्यवसायेन तेऽनेन दुष्करेण मनस्विनाम् । तपोनिष्ठेन भवता जितोऽहं दितिनन्दन ॥ २० ॥

Ó filho de Diti, com tua grande determinação e tua austeridade difícil, realizaste o que é árduo até para grandes sábios; assim, certamente me venceste.

Verse 21

ततस्त आशिष: सर्वा ददाम्यसुरपुङ्गव । मर्तस्य ते ह्यमर्तस्य दर्शनं नाफलं मम ॥ २१ ॥

Ó melhor dos asuras, por isso estou pronto a conceder-te todas as bênçãos conforme o teu desejo. Eu pertenço ao mundo celeste dos imortais; embora sejas mortal, tua audiência comigo não será em vão.

Verse 22

श्रीनारद उवाच इत्युक्त्वादिभवो देवो भक्षिताङ्गं पिपीलिकै: । कमण्डलुजलेनौक्षद्दिव्येनामोघराधसा ॥ २२ ॥

Śrī Nārada Muni continuou: Depois de dizer isso, o Senhor Brahmā, o ser primordial do universo, de poder infalível, aspergiu com água divina e espiritual de seu kamaṇḍalu o corpo de Hiraṇyakaśipu, corroído por formigas e traças; e assim o reanimou.

Verse 23

स तत्कीचकवल्मीकात् सहओजोबलान्वित: । सर्वावयवसम्पन्नो वज्रसंहननो युवा । उत्थितस्तप्तहेमाभो विभावसुरिवैधस: ॥ २३ ॥

Assim que foi aspergido com a água do vaso de Brahmā, Hiraṇyakaśipu ergueu-se do formigueiro, dotado de vigor e força, com o corpo completo e membros tão firmes que suportariam o golpe de um raio. Com brilho de ouro em fusão, surgiu jovem, como o fogo que salta da lenha.

Verse 24

स निरीक्ष्याम्बरे देवं हंसवाहमुपस्थितम् । ननाम शिरसा भूमौ तद्दर्शनमहोत्सव: ॥ २४ ॥

Ao ver Brahmā presente no céu, levado por seu cisne, Hiraṇyakaśipu ficou extremamente jubiloso. Tomando aquela visão como um grande festival, prostrou-se de imediato, com a cabeça no chão, e ofereceu reverência.

Verse 25

उत्थाय प्राञ्जलि: प्रह्व ईक्षमाणो द‍ृशा विभुम् । हर्षाश्रुपुलकोद्भ‍ेदो गिरा गद्गदयागृणात् ॥ २५ ॥

Então o chefe dos Daityas ergueu-se do chão, uniu as mãos e, ao ver o Senhor Brahmā diante de si, ficou tomado de júbilo. Com lágrimas nos olhos, o corpo arrepiado e a voz trêmula, começou a orar humildemente para satisfazer Brahmā.

Verse 26

श्रीहिरण्यकशिपुरुवाच कल्पान्ते कालसृष्टेन योऽन्धेन तमसावृतम् । अभिव्यनग्जगदिदं स्वयञ्‍ज्योति: स्वरोचिषा ॥ २६ ॥ आत्मना त्रिवृता चेदं सृजत्यवति लुम्पति । रज:सत्त्वतमोधाम्ने पराय महते नम: ॥ २७ ॥

Disse Hiraṇyakaśipu: No fim do kalpa, quando este universo é coberto pela densa escuridão criada pelo tempo, o Senhor auto-refulgente o manifesta novamente por seu próprio esplendor.

Verse 27

श्रीहिरण्यकशिपुरुवाच कल्पान्ते कालसृष्टेन योऽन्धेन तमसावृतम् । अभिव्यनग्जगदिदं स्वयञ्‍ज्योति: स्वरोचिषा ॥ २६ ॥ आत्मना त्रिवृता चेदं सृजत्यवति लुम्पति । रज:सत्त्वतमोधाम्ने पराय महते नम: ॥ २७ ॥

Ele mesmo, por meio da energia material de três guṇas, cria, mantém e dissolve este cosmos. Minhas reverências ao grandioso Brahmā, abrigo de sattva, rajas e tamas.

Verse 28

नम आद्याय बीजाय ज्ञानविज्ञानमूर्तये । प्राणेन्द्रियमनोबुद्धिविकारैर्व्यक्तिमीयुषे ॥ २८ ॥

Ofereço reverências a Brahmā, a semente primordial, forma de conhecimento e realização. Pelas transformações de prāṇa, sentidos, mente e inteligência, o universo torna-se visível; ele é a causa de toda manifestação.

Verse 29

त्वमीशिषे जगतस्तस्थुषश्च प्राणेन मुख्येन पति: प्रजानाम् । चित्तस्य चित्तैर्मनइन्द्रियाणां पतिर्महान् भूतगुणाशयेश: ॥ २९ ॥

Ó Senhor, Tu és o prāṇa principal e o mestre de todos os seres, móveis e imóveis, neste mundo. Inspiras sua consciência; sustentas a mente e os sentidos de ação e de conhecimento. Assim, és o grande controlador dos elementos, de suas qualidades e de todos os desejos.

Verse 30

त्वं सप्ततन्तून् वितनोषि तन्वा त्रय्या चतुर्होत्रकविद्यया च । त्वमेक आत्मात्मवतामनादि- रनन्तपार: कविरन्तरात्मा ॥ ३० ॥

Ó Senhor, Tu, como personificação dos Vedas, e por meio do conhecimento da trayi e da ciência do catur-hotra, estendes os sete fios do sacrifício, tendo o Agniṣṭoma à frente. Tu inspiras os brāhmaṇas yajñicos a cumprir os ritos prescritos nos três Vedas. Sendo o Paramātmā, o Antaryāmī de todos, és sem começo, sem fim e onisciente, além do tempo e do espaço.

Verse 31

त्वमेव कालोऽनिमिषो जनाना- मायुर्लवाद्यवयवै: क्षिणोषि । कूटस्थ आत्मा परमेष्ठ्यजो महां- स्त्वं जीवलोकस्य च जीव आत्मा ॥ ३१ ॥

Ó meu Senhor, Tu és o Tempo eternamente desperto, que não pisca e tudo observa. Por tuas partes—instantes, segundos, minutos e horas—reduzes a duração da vida de todos os seres. Contudo, permaneces imutável como o Paramātmā Kūṭastha, Testemunha e Senhor Supremo, não nascido e onipenetrante, causa da vida de todos.

Verse 32

त्वत्त: परं नापरमप्यनेज- देजच्च किञ्चिद्‌‌व्यतिरिक्तमस्ति । विद्या: कलास्ते तनवश्च सर्वा हिरण्यगर्भोऽसि बृहत्‍त्रिपृष्ठ: ॥ ३२ ॥

Nada existe separado de Ti, seja superior ou inferior, imóvel ou móvel. O conhecimento dos Vedas, como os Upaniṣads, e todos os ramos e artes auxiliares da sabedoria védica, formam como Teu corpo externo. Tu és Hiraṇyagarbha, o reservatório do universo; e, ainda assim, como controlador supremo, transcendes o mundo material das três guṇas.

Verse 33

व्यक्तं विभो स्थूलमिदं शरीरं येनेन्द्रियप्राणमनोगुणांस्त्वम् । भुङ्‌क्षे स्थितो धामनि पारमेष्ठ्ये अव्यक्त आत्मा पुरुष: पुराण: ॥ ३३ ॥

Ó Senhor, embora permaneças imutável em Tua morada suprema, expandes nesta manifestação cósmica Tua forma universal, grosseira e manifesta, como se provasses o mundo material por meio dos sentidos, do prāṇa, da mente e das guṇas. Contudo, Tu és o Ātman não manifesto, o Puruṣa primordial: Brahman, Paramātmā e Bhagavān.

Verse 34

अनन्ताव्यक्तरूपेण येनेदमखिलं ततम् । चिदचिच्छक्तियुक्ताय तस्मै भगवते नम: ॥ ३४ ॥

Ofereço minhas reverências ao Bhagavān Supremo, que, em Sua forma ilimitada e não manifesta, expandiu toda a manifestação cósmica. Ele possui a energia interna (cit-śakti), a energia externa (acit-śakti) e a energia marginal (taṭasthā), composta por todas as jīvas.

Verse 35

यदि दास्यस्यभिमतान् वरान्मे वरदोत्तम । भूतेभ्यस्त्वद्विसृष्टेभ्यो मृत्युर्मा भून्मम प्रभो ॥ ३५ ॥

Ó meu Senhor, ó supremo doador de bênçãos; se Te dignares conceder-me o dom que desejo, que eu não encontre a morte por nenhum ser vivo criado por Ti.

Verse 36

नान्तर्बहिर्दिवा नक्तमन्यस्मादपि चायुधै: । न भूमौ नाम्बरे मृत्युर्न नरैर्न मृगैरपि ॥ ३६ ॥

Concede-me não morrer nem dentro nem fora de morada alguma, nem de dia nem de noite, nem na terra nem no céu; e que minha morte não seja causada por arma alguma, nem por homem, nem por animal.

Verse 37

व्यसुभिर्वासुमद्भ‍िर्वा सुरासुरमहोरगै: । अप्रतिद्वन्द्वतां युद्धे ऐकपत्यं च देहिनाम् ॥ ३७ ॥ सर्वेषां लोकपालानां महिमानं यथात्मन: । तपोयोगप्रभावाणां यन्न रिष्यति कर्हिचित् ॥ ३८ ॥

Concede-me não encontrar a morte por coisa alguma, viva ou inerte; e que nem os devas, nem os asuras, nem as grandes serpentes dos mundos inferiores possam matar-me. Assim como no campo de batalha não tens rival, faze que eu também fique sem adversário. Dá-me o senhorio único sobre todos os seres e os regentes dos mundos, a glória desse posto, e todos os poderes místicos obtidos por austeridade e yoga, que jamais se perdem.

Verse 38

व्यसुभिर्वासुमद्भ‍िर्वा सुरासुरमहोरगै: । अप्रतिद्वन्द्वतां युद्धे ऐकपत्यं च देहिनाम् ॥ ३७ ॥ सर्वेषां लोकपालानां महिमानं यथात्मन: । तपोयोगप्रभावाणां यन्न रिष्यति कर्हिचित् ॥ ३८ ॥

Concede-me a glória de todos os regentes dos mundos (até como a Tua), e também os poderes da austeridade e do yoga, cujo efeito jamais se perde.

Frequently Asked Questions

Within Bhāgavata theology, devas like Brahmā are administrators who respond to severe tapas with boons, acknowledging the power generated by austerity. Brahmā’s granting does not imply moral approval; it reflects the cosmic rule that tapas yields results. The narrative then demonstrates that such boons remain limited and cannot override Bhagavān’s ultimate sovereignty, especially in matters of Poṣaṇa (protecting devotees).

He asks to avoid death by any being created by Brahmā, to avoid death in or out of a residence, by day or night, on earth or in the sky, by weapon, and by human or animal—plus supremacy and siddhis. It is strategic because it attempts to fence off every ordinary category through which death occurs, creating a logic of ‘conditional immortality.’ The later narrative resolves this by showing the Supreme Lord acting in a category-transcending way while still respecting the boon’s wording.

His stuti frames Brahmā as the cosmic engineer operating through material nature and time: creation, maintenance, and dissolution occur via prakṛti invested with sattva, rajas, and tamas. This aligns with Bhāgavata cosmology where Brahmā, as Hiraṇyagarbha and secondary creator, presides over visarga (secondary creation) under the Supreme’s sanction, while remaining distinct from the ultimate source.