Adhyaya 49
Vastu-Pratishtha & Isana-kalpaAdhyaya 4927 Verses

Adhyaya 49

Chapter 49 — मत्स्यादिलक्षणवर्णनम् (Description of the Characteristics of Matsya and the Other Incarnations)

O Senhor Agni (como Bhagavān) inicia uma exposição técnica, porém impregnada de devoção, sobre o pratima-lakṣaṇa: os traços canônicos que identificam as imagens sagradas dos Daśāvatāra e de manifestações vaiṣṇavas correlatas, adequadas para a consagração/instalação (pratiṣṭhā) nos contextos de Vāstu e Īśāna-kalpa. O capítulo segue forma a forma: Matsya e Kūrma pelo tipo corporal; Varāha com a iconografia de erguer a Terra, figuras acompanhantes (Kṣmā/Dharā, Ananta e Śrī) e os frutos espirituais e mundanos declarados (soberania e travessia do saṃsāra). Narasiṃha é especificado tanto em postura dramática narrativa quanto na forma padrão de quatro braços com emblemas. Vāmana e múltiplas configurações de Rāma/Balarāma são detalhadas por esquemas de colocação de armas. Buddha e Kalki são caracterizados por porte, vestimenta e função escatológica. Em seguida, o discurso se amplia dos avatāra ao grupo nonário Vāsudevādi e a formas afins (Brahmā, Viṣṇu sobre Garuḍa, Viśvarūpa, Hari com cabeça de cavalo à maneira de Hayagrīva, Dattātreya e Viśvaksena), incluindo variantes manuscritas, mostrando a preocupação śāstrica do Purāṇa com a exatidão da transmissão e com a utilidade ritual.

Shlokas

Verse 1

इत्य् आदिमहापुराणे आग्नेये चतुर्विंशतिमूर्तिस्तोत्रं नाम अष्टाचत्वारिंशो ऽध्यायः अथोनपञ्चाशो ऽध्यायः मत्स्यादिलक्षणवर्णनं भगवानुवाच दशावतारं मत्स्यादिलक्षणं प्रवदामि ते मत्स्याकारस्तु मत्स्यः स्यात् कूर्मः कार्माकृलिर्भवेत्

Assim, no Agni Purāṇa, encerra-se o quadragésimo oitavo capítulo intitulado “Hino às Vinte e Quatro Formas”. Agora começa o quadragésimo nono capítulo: “Descrição das características de Matsya e das demais (encarnações)”. O Senhor Bem-aventurado disse: “Eu te exporei as características dos dez avatāras, começando por Matsya. Aquele que tem forma de peixe é chamado Matsya; o avatāra Kūrma tem forma de tartaruga.”

Verse 2

शङ्खपद्मी इति ग, ङ, चिह्नितपुस्तकद्वयपाठः नराङ्गो वाथ कर्तव्यो भूवराहो गदादिभृत् दक्षिणे वामके शङ्खं लक्ष्मीर्वा पद्ममेव वा

Segundo a leitura dos dois manuscritos assinalados (ga e ṅa), o nome é dado como «Śaṅkha-padmī». A imagem deve ser feita com corpo humano, ou como Varāha, o Javali que sustenta a Terra, portando a maça e outros emblemas. Na mão direita e na esquerda, deve segurar a concha sagrada (śaṅkha); e deve haver Lakṣmī, ou então apenas um lótus.

Verse 3

श्रीवामकूर्परस्था तु क्ष्मानन्तौ चरणानुगौ वराहस्थापनाद्राज्यं भवाब्धितरणं भवेत्

Śrī (Lakṣmī) deve ser colocada sobre o cotovelo esquerdo; a Terra (Kṣmā) e Ananta devem ser mostrados seguindo e assistindo aos pés. Ao instalar uma imagem de Varāha assim, alcança-se a soberania (domínio régio) e obtém-se um meio de atravessar o oceano da existência mundana.

Verse 4

नरसिंहो विवृत्तास्यो वामोरुक्षतदानवः तद्वक्षो दारयन्माली स्फुरच्चक्रगदाधरः

Narasimha, de boca bem aberta, abateu o demónio com a sua coxa esquerda; ornado com grinalda, rasgou o peito daquele, enquanto empunhava o disco fulgurante (cakra) e a maça (gadā).

Verse 5

छत्री दण्डी वामनः स्यादथवा स्याच्चतुर्भुजः रामश्चापेषुहस्तः स्यात् कड्गी परशुनान्वितः

Vāmana deve ser representado segurando um guarda-sol (chatra) e um bastão (daṇḍa), como um anão, ou então com quatro braços. Rāma deve ser mostrado com arco e flechas nas mãos; (podendo também) portar espada e estar munido de um machado (paraśu).

Verse 6

रामश्चापी शरी खड्गी शङ्खी वा द्विभुजः स्मृतः गदालाङ्गलधारी च रामो वाथ चतुर्भुजः

Rāma é também lembrado como de dois braços (dvibhuja), portando arco, flechas, espada ou a concha sagrada (śaṅkha). Alternativamente, Rāma pode ser de quatro braços (caturbhuja), segurando ainda a maça (gadā) e o arado (lāṅgala).

Verse 7

वामोर्ध्वे लाङ्गलं दद्यादधः शङ्खं सुशोभनं मुषलं दक्षिणोर्ध्वे तु चक्रञ्चाधः सुशोभनं

No alto à esquerda deve-se colocar o arado; abaixo dele, a esplêndida concha (śaṅkha). No alto à direita deve-se colocar o pilão (muṣala); e abaixo, o esplêndido disco (cakra).

Verse 8

शान्तात्मा लम्बकर्णश् च गौराङ्गश्चाम्बरावृतः ऊर्ध्वपद्मस्थितो बुद्धो वरदाभयदायकः

O Buddha é de espírito sereno, de orelhas longas, de membros claros e envolto em manto; está sentado sobre um lótus elevado e concede varada (a dádiva) e abhaya (a destemidez).

Verse 9

धनुस्तूणान्वितः कल्की म्लेच्छोत्सादकरो द्विजः अथवाश्वस्थितः खड्गी शङ्खचक्रशरान्वितः

Kalki—um dvija (nascido duas vezes)—virá munido de arco e aljava, promovendo o extermínio dos mleccha. Ou então, montado a cavalo, espada em punho, estará provido de concha, disco e flechas.

Verse 10

लक्षणं वासुदेवादिनवकस्य वदामि ते दक्षिणोर्ध्वे गदा वामे वामोर्ध्वे चक्रमुत्तमं

Eu te direi os sinais distintivos do grupo de nove que começa com Vāsudeva: na mão superior direita está a maça (gadā); na mão esquerda, na posição superior, segura-se o excelente disco (cakra).

Verse 11

ब्रह्मेशौ पार्श्वगौ नित्यं वासुदेवोस्ति पूर्ववत् शङ्खी स वरदो वाथ द्विभुजो वा चतुर्भुजः

Brahmā e Īśa (Śiva) devem ser colocados sempre aos lados; Vāsudeva é como foi descrito antes. Ele porta a concha e pode ser mostrado concedendo dádivas; pode ser representado com dois braços ou com quatro.

Verse 12

लाङ्गली मुषली रामो गदापद्मधरः स्मृतः वामोरुहृतदानव इति ङ, चिह्नितपुस्तकपाठः गौराङ्गश्चायुधावृत इति ख, ग, चिह्नितपुस्तकद्वयपाठः धनुर्वाणान्वित इति ङ, चिह्नितपुस्तकपाठः प्रद्युम्नो दक्षिणे वज्रं शङ्खं वामे धनुः करे

Balarāma é lembrado como aquele que porta o arado e o muśala (clava), e como quem sustém a gadā (maça) e o lótus. (Numa leitura de manuscrito assinalado: “o que removeu o dānava da coxa esquerda”; em duas outras leituras assinaladas: “de corpo claro e cercado por armas”; e noutra leitura assinalada: “dotado de arco e flechas”.) Pradyumna segura o vajra na mão direita, a concha (śaṅkha) na esquerda e um arco em sua mão.

Verse 13

गदानाभ्यावृतः पीत्या प्रद्युम्नो वा धनुःशरी चतुर्भुजो निरुद्धः स्यात्तथा नारायणो विभुः

Pradyumna deve ser meditado como circundado (na altura do umbigo) por uma maça, resplandecente com tonalidade amarela; e Aniruddha como o portador de quatro braços, com arco e flechas. Do mesmo modo, deve-se contemplar Nārāyaṇa, o Senhor que tudo permeia.

Verse 14

चतुर्मुखश् चतुर्बाहुर्वृहज्जठरमण्डलः लम्बकूर्चो जटायुक्तो व्रह्मा हंसाग्रवाहनः

Brahmā é de quatro faces e quatro braços, com um ventre amplo e arredondado; possui longas madeixas pendentes e está adornado com jata, os cabelos emaranhados. Sua montaria principal é o haṃsa (cisne/ganso).

Verse 15

दक्षिणे चाक्षसूत्रञ्च स्रुवो वामे तु कुण्डिका आज्यस्थाली सरस्वती सावित्री वामदक्षिणे

À direita deve estar o akṣasūtra (rosário); à esquerda, o sruva (concha ritual) e a kuṇḍikā (vaso de água). Deve-se colocar também a ājyasthālī, o recipiente do ghee, e as deusas Sarasvatī e Sāvitrī devem ser dispostas à esquerda e à direita.

Verse 16

विष्णुरष्टभुजस्तार्क्षे करे खड्गस्तु दक्षिणे गदाशरश् च वरदो वामे कार्मुकखेटके

Viṣṇu, de oito braços, deve ser visualizado montado sobre Tārkṣya (Garuḍa). Em suas mãos direitas há uma espada; (ele porta) também a maça e a flecha; e com as mãos esquerdas concede dádivas, enquanto (segura) igualmente um arco e um escudo.

Verse 17

चक्रशङ्खौ चतुर्बाहुर् नरसिंहश् चतुर्भुजः शङ्खचक्रधरो वापि विदारितमहासुरः

Narasimha deve ser representado com quatro braços, portando o disco (cakra) e a concha (śaṅkha); ou então como o portador de concha e disco que dilacerou o grande asura.

Verse 18

अचतुर्बाहुर्वराहस्तु शेषः पाणितले धृतः धारयन् बाहुना पृथ्वीं वाम्नेन कमलाधरः

Varāha (o Javali) não é de quatro braços; ele sustém Śeṣa sobre a palma da mão. Com um braço apoia a Terra, e com o esquerdo porta um lótus.

Verse 19

पादलग्ना धरा कार्या पदा लक्ष्मीर्व्यवस्थिता त्रैलोक्यमोहनस्तार्क्ष्ये अष्टबाहुस्तु दक्षिणे

Dharā (a deusa Terra) deve ser moldada como aderida aos pés; e Lakṣmī deve ser mostrada de pé junto aos pés. Sobre Tārkṣya (Garuḍa) deve ser figurado o «Encantador dos Três Mundos»; e, no lado direito, a divindade deve ter oito braços.

Verse 20

चक्रं खड्गं च मुषलं अङ्कुशं वामके करे शङ्खशार्ङ्गगदापाशान् पद्मवीणासमन्विते

Na mão esquerda (ela porta) o disco, a espada, o pilão/porrete (muṣala) e o aguilhão (aṅkuśa); e está munida da concha, do arco Śārṅga, da maça (gadā), do laço (pāśa), do lótus e da vīṇā.

Verse 21

लक्ष्मीः सरस्वती कार्ये विश्वरूपो ऽथ दक्षिणे मुद्गरं च तथा पाशं शक्तिशूलं शरं करे

Lakṣmī e Sarasvatī devem ser colocadas no lado esquerdo; e no lado direito está Viśvarūpa. Na mão (ele é mostrado segurando) um malho/maça (mudgara), bem como um laço (pāśa), uma lança (śakti), um tridente (śūla) e uma flecha.

Verse 22

वामे शङ्खञ्च शार्ङ्गञ्च गदां पाशं च तोमरं दक्षिणे चक्रमिति ङ, चिह्नितपुस्तकपाठः गदी रत्यावृत इति ङ, चिह्नितपुस्तकपाठः लम्बभ्रुव इति ङ, चिह्नितपुस्तकपाटः धारयन्नाकुलां पृथ्वीं वामेन कमलामध इति ङ, चिह्नितपुस्तकपाठः लाङ्गलं परशुं दण्डं छुरिकां चर्मक्षेपकं

Na mão esquerda estão a concha (śaṅkha) e o arco Śārṅga, a maça (gadā), o laço (pāśa) e o dardo (tomara); na direita, o disco (cakra)—assim lê uma variante de manuscrito assinalado. Outra leitura marcada traz: «segurando a maça, envolto por Rati». Outra: «de sobrancelhas longas». Outra: «sustentando a terra perturbada; com a esquerda (segurando) Lakṣmī abaixo». (Listam-se ainda:) o arado, o machado, o bastão, a adaga e uma arma de arremesso de couro (instrumento de correia/escudo).

Verse 23

विंशद्बाहुश् चतुर्वक्त्रो दक्षिणस्थोथ वामके त्रिनेत्रे वामपार्श्वे न शयितो जलशाय्यपि

Ele tem vinte braços e quatro faces; está colocado à direita e também à esquerda. É de três olhos; no lado esquerdo não é representado deitado, nem mesmo na forma daquele «que repousa sobre as águas» (jalāśāyī).

Verse 24

श्रिया धृतैकचरणो विमलाद्याभिरीडितः नाभिपद्मचतुर्वक्त्रो हरिशङ्करको हरिः

Hari—cujo um pé é sustentado por Śrī (Lakṣmī), louvado por Vimalā e pelas demais deusas; de cujo lótus do umbigo surgiu o de quatro faces (Brahmā); e que é a própria fonte tanto de Hari quanto de Śaṅkara—esse Hari supremo, e só ele, deve ser venerado.

Verse 25

शूलर्ष्टिधारी दक्षे च गदाचक्रधरो पदे रुद्रकेशवलक्ष्माङ्गो गौरीलक्ष्मीसमन्वितः

Na mão direita ele traz o tridente (śūla) e a lança (aṣṭi); na mão esquerda traz a maça (gadā) e o disco (cakra). Seu corpo ostenta os sinais de Rudra e de Keśava, juntamente com Lakṣmī; e ele é acompanhado por Gaurī e Lakṣmī.

Verse 26

शङ्खचक्रगदावेदपाणिश्चाश्वशिरा हरिः वामपादो धृतः शेषे दक्षिणः कूर्मपृष्ठगः

Hari, de cabeça de cavalo, segura em suas mãos a concha, o disco, a maça e o Veda; seu pé esquerdo é sustentado por Śeṣa, enquanto o direito repousa sobre o dorso da Tartaruga (Kūrma).

Verse 27

दत्तात्रेयो द्विबाहुः स्याद्वामोत्सङ्गे श्रिया सह विश्वक्सेनश् चक्रगदी हली शङ्खी हरेर्गणः

Dattātreya deve ser representado com dois braços, tendo Śrī (Lakṣmī) sentada em seu colo esquerdo. E Viśvaksena—assistente de Hari—deve portar o disco e a maça, o arado e a concha sagrada (śaṅkha).

Frequently Asked Questions

It codifies pratima-lakṣaṇa—precise iconographic markers (forms, arms, weapons, attendants, postures) for the Daśāvatāra and allied Vaiṣṇava forms, intended for correct visualization and installation.

For Varāha installation, the text states attainment of sovereignty (rājya) and a means to cross the ocean of worldly existence (bhavābdhi-taraṇa).

It gives weapon-by-weapon placement rules, alternative acceptable iconographic configurations (e.g., two-armed vs four-armed), and even records manuscript variants, indicating concern for standardization and transmission.

No. Narrative motifs (e.g., Narasiṃha tearing the demon) are translated into canonical visual specifications so that the myth becomes a reproducible ritual-visual form used in worship and consecration.