Adhyaya 228
Raja-dharmaAdhyaya 22832 Verses

Adhyaya 228

Chapter 228 — स्वप्नाध्यायः (Svapnādhāyaḥ / Chapter on Dreams)

Puṣkara ensina um svapna-śāstra (ciência dos sonhos) estruturado no quadro de rāja-dharma/nīti: os sonhos são classificados como auspiciosos, inauspiciosos e dissipadores de tristeza, e imagens corporais e sociais são tratadas como presságios. O capítulo lista sinais adversos: poeira/cinzas na cabeça, raspar o cabelo, nudez, roupas sujas, besuntar-se de lama; cair de alturas; e portentos como eclipses, a queda do estandarte de Indra, reentrar no ventre, subir a uma pira funerária, doença, derrota, desabamento da casa e atos transgressores. Prescreve respostas para restaurar pureza e ordem: banho, honrar brāhmaṇas e mestres, homa com gergelim, culto a Hari–Brahmā–Śiva–Sūrya–Gaṇas, recitação de hinos e japa do Puruṣa-sūkta. Registra ainda variantes manuscritas e afirma que certos sonhos favoráveis (beber/imersão em substância oleosa, guirlandas vermelhas, unções) são especialmente benéficos quando não são narrados. Uma doutrina temporal liga o momento do sonho ao seu fruto: primeira vigília ≈ um ano; depois seis meses, três meses, meia quinzena; e perto da aurora, até dez dias. Aconselha não dormir novamente após um sonho auspicioso e aponta sinais de prosperidade: ver ao fim do sonho rei/elefante/cavalo/ouro; vestes brancas, água límpida, árvores frutíferas e céu sem mancha. Assim, a predição é integrada à disciplina ritual e à ética de governo: os presságios não são fatalismo, mas gatilhos para correção conforme o dharma.

Shlokas

Verse 1

इत्य् आग्नेये महापुराणे यात्रा नाम सप्तविंशत्यधिकद्विशततमो ऽध्यायः अथाष्टाविंशत्यधिकशततमो ऽध्यायः स्वप्नाध्यायः पुष्कर उवाच स्वप्नं शौभाशुभं वक्ष्ये दुःखप्रहरणन्तथा नाभिं विनान्यत्र गात्रे तृणवृक्षसमुद्भवः

Assim, no Agni Mahāpurāṇa encerra-se o capítulo duzentos e vinte e sete, intitulado “Yātrā (Jornada)”. Agora começa o capítulo duzentos e vinte e oito, o “Capítulo sobre os Sonhos”. Puṣkara disse: “Exporei os sonhos—auspiciosos e inauspiciosos—bem como aqueles que afastam a tristeza. (Há uma regra:) exceto o umbigo, se em qualquer outra parte do corpo aparecer o brotar de ervas ou de árvores (num sonho), deve-se entender isso como um presságio.”

Verse 2

चूर्णं मूर्ध्नि कांस्यानां मुण्डनं नग्नता तथा मलिनाम्बरधारित्वमभ्यङ्गः पङ्कदिग्धता

Pó (poeira/cinzas) sobre a cabeça, o uso (ou porte) de vasos de bronze, o rapar da cabeça, a nudez, o vestir de roupas sujas, a unção do corpo e o estar besuntado de lama—tais são enumeradas como observâncias/condições exteriores.

Verse 3

उच्चात् प्रपतनञ्चैव विवाहो गीतमेव च तन्त्रीवाद्यविनोदश् च दोलारोहणमेव च

Incluem-se ainda: saltar de uma altura, as festividades do casamento, o canto, o entretenimento pela música de instrumentos de cordas e o balançar-se num baloiço.

Verse 4

अर्जनं पद्मलोहानां सर्पाणामथ मारणं शरद्यश्चेति ञ , ट च रक्तपुष्पद्रुमाणाञ्च चण्डालस्य तथैव च

“(Sob as sílabas) ña e ṭa” indicam-se: a aquisição/coleta de padma-loha, a morte de serpentes e o “śaradya” (assuntos outonais); do mesmo modo se mencionam as árvores de flores vermelhas e também o caṇḍāla.

Verse 5

वराहाश्वखरोष्ट्राणां तथा चारोहणक्रिया भक्षणं पक्षिमांसानां तैलस्य कृशरस्य च

Do mesmo modo, (há restrições) quanto ao ato de montar javalis, cavalos, burros e camelos, e quanto a comer carne de aves, bem como óleo e kṛśara (preparação de arroz com leguminosas).

Verse 6

मातुः प्रवेशो जठरे चितारोहणमेव च शक्रध्वजाभिपतनं पतनं शशिसूर्ययोः

Entrar novamente no ventre materno, subir à pira funerária (citā), a queda do estandarte de Śakra (Indra) e a “queda” da Lua e do Sol como num eclipse—tudo isso é contado como presságios funestos.

Verse 7

दिव्यान्तरीक्षभौमानामुत्पातानाञ्च दर्शनं देवद्विजातिभूपानां गुरूणाङ्कोप एव च

A observação de presságios (utpāta) celestes, atmosféricos e terrestres, bem como a ira dos deuses, dos dvija (duas-vezes-nascidos), dos reis e dos mestres, deve ser entendida como importantes indicadores de mau agouro.

Verse 8

नर्तनं हसनञ्चैव विवाहो गीतमेव च तन्त्रीवाद्यविहीनानां वाद्यानामपि वादनं

A dança e o riso, bem como o casamento e o canto; e também o tocar de instrumentos, mesmo quando sem acompanhamento de instrumentos de corda (tantrī), tudo isso é contado como execução musical.

Verse 9

स्रोतोवहाधोगमनं स्नानं गोमयवारिणा पङ्कोदकेन च तथा मशीतोयेन वाप्यथ

A purificação também se efetua ao mover-se rio abaixo ao longo de um curso d’água corrente, e ao banhar-se com água misturada com esterco de vaca; do mesmo modo com água lodosa, ou até com água misturada com cinzas.

Verse 10

आलिङ्गनं कुमारीणां पुरुषाञ्च मैथुनं हानिश् चैव स्वगात्राणां विरेको वमनक्रिया

Abraçar donzelas não casadas, ter cópula com homens, e igualmente mutilar o próprio corpo—tais atos (diz-se que) requerem purgação (vireka) e a emese terapêutica (vamana).

Verse 11

दक्षिणाशाप्रगमनं व्याधिनाभिभवस् तथा फलानामुपहानिश् च धातूनां भेदनं तथा

O movimento em direção ao sul, ser dominado pela doença, a perda dos frutos (resultados) esperados, e também a desagregação ou perturbação dos dhātu (tecidos corporais)—tudo isso é dito ocorrer.

Verse 12

गृहाणाञ्चैव पतनं गृहसम्मार्जनन्तथा क्रीडा पिशाचक्रव्यादवानरान्त्यनरैर् अपि

Também ocorrem o desabamento das casas, a varredura/purificação do lar e travessuras perturbadoras—causadas até por piśācas, seres devoradores de carne, ādas, macacos e homens vis ou hostis.

Verse 13

परादभिभवश् चैव तस्माच्च व्यसनोद्भवः काषायवस्त्रधारित्वं तद्वस्त्रैः क्रीडनं तथा

E há também derrota pelas mãos de outros; disso nasce a desventura oriunda do vício. (Outro sinal é) vestir roupas de cor ocre e, do mesmo modo, brincar com tais vestes.

Verse 14

तन्त्रीवाद्यविनोदश्चेत्यादिः, तैलस्य कृशरस्य चेत्यन्तः पाठः छ , झ पुस्तकद्वये नास्ति विवाहोत्सव एव चेति ज तासामेव च मैथुनमिति ज हानिश् चैवेत्यादिः क्रीडनं तथेत्यन्तः पाठः ज पुस्तके नास्ति स्नेहपानावगाहौ च रक्तमाल्यानुलेपनं इत्यधान्यानि स्वप्नानि तेषामकथनं शुभं

«Começando por “deleite na música de instrumentos de corda” e terminando em “(sonhos de) óleo e papa de arroz”»: esta leitura não se encontra nos manuscritos Cha e Jha. O manuscrito Ja lê: «apenas um festival de casamento»; e também: «união sexual com essas mesmas (mulheres)». O manuscrito Ja não traz a passagem que começa com «perda…» e termina com «brincadeira». Quanto a (sonhos como) beber ghee/óleo, banhar-se ou imergir em substâncias untuosas, usar guirlandas vermelhas e ungir o corpo com unguentos—estes e outros sonhos semelhantes são auspiciosos se não forem narrados (a outrem).

Verse 15

भूजश् च स्वपनं तद्वत् कार्यां स्नानं द्विजार्चनं तिलैर् होमो हरिब्रह्मशिवार्कगणपूजनं

Deve-se também alimentar-se e dormir (na medida devida). Deve-se realizar o banho ritual, a veneração dos duas-vezes-nascidos (brāhmaṇas), a oferenda ao fogo (homa) com sementes de sésamo, e o culto a Hari (Viṣṇu), Brahmā, Śiva, ao Sol e às Gaṇas.

Verse 16

तथा स्तुतिप्रपठनं पुंसूक्तादिजपस् तथा स्वप्नास्तु प्रथमे यामे संवत्सरविपाकिनः

Do mesmo modo, a recitação de hinos de louvor (stuti) e o japa do Puruṣa-sūkta e de fórmulas védicas semelhantes. E os sonhos que ocorrem na primeira vigília da noite frutificam após (cerca de) um ano.

Verse 17

षड्भिर्मासैर् द्वितीये तु त्रिभिर्मासैर् त्रियामिकाः चतुर्थे त्वर्धमासेन दशाहादरुणोदये

No segundo grau, o resultado é alcançado em seis meses; no terceiro, em três meses; no quarto, em meio mês; e, no caso supremo, em dez dias—no tempo da aurora (aruṇodaya).

Verse 18

एकस्यामथ चेद्रात्रौ शुभं वा यदि वाशुभं पश्चादृष्टस्तु यस्तत्र तस्य पाकं विनिर्दिशेत्

Se, numa única noite, se vê um presságio—auspicioso ou inauspicioso—então deve-se predizer com precisão o amadurecimento do resultado conforme o que ali se veja depois.

Verse 19

तस्मात्तु शोभने स्वप्ने पश्चात्स्वापो न शस्यते शैलप्रासादनागाश्ववृषभारोहणं हितं

Por isso, após um sonho auspicioso, não se recomenda voltar a dormir. É benéfico sonhar que se monta uma montanha, um palácio, um elefante, um cavalo ou um touro.

Verse 20

द्रुमाणां श्वेतपुष्पाणां गगने च तथा द्विज द्रुमतृणोद्भवो नाभौ तथा च बहुबाहुता

Ó duas-vezes-nascido (dvija), entre os presságios do sonho estão: ver no céu árvores de flores brancas; ver do umbigo brotarem rebentos de árvores e ervas; e possuir muitos braços—sinais descritos neste contexto.

Verse 21

तथा च बहुशीर्षत्वं पलितोद्भव एव च सुशुक्रमाल्यधारित्वं सुशुक्लाम्बरधारिता

E do mesmo modo: ter muitas cabeças; e o surgimento de cabelos grisalhos; usar uma grinalda de branco imaculado; e estar trajado com vestes de branco puro.

Verse 22

चन्द्रार्कताराग्रहणं परिमार्जनमेव च शक्रध्वजालिङ्गनञ्च ध्वजोच्छ्रायक्रिया तथा

Também se prescrevem observâncias ligadas aos eclipses da lua, do sol e das estrelas/planetas; atos de limpeza e purificação; o rito cerimonial de abraçar ou tocar o estandarte de Indra; e, do mesmo modo, o rito de içar a bandeira.

Verse 23

भूम्यबुधाराग्रहणं शत्रूणाञ्चैव विक्रिया जयो विवादे द्यूते च सङ्ग्रामे च तथा द्विज

A tomada proveitosa de terras e de cursos de água, e igualmente a desmoralização dos inimigos—tais sinais prenunciam vitória em litígios, no jogo e também na guerra, ó duas‑vezes‑nascido (dvija).

Verse 24

भक्षणञ्चार्द्रमांसानाम्पायसस्य च भक्षणं दर्शनं रुधिरस्यापि स्नानं वा रुधिरेण च

Comer carne úmida (crua/não seca) e também comer pāyasa (arroz-doce com leite); ver sangue; ou ainda banhar-se em sangue—tudo isso é descrito aqui como sinais adversos e infaustos.

Verse 25

प्रथमे भागे इति ख भूम्यम्बुधीनां ग्रहणमिति क , छ , ञ च सरारुधिरमद्यानां पानं क्षीरस्य वाप्यथ अस्त्रैर् विचेष्टनं भूमौ निर्मलं गगनं तथा

Na primeira divisão deste ensinamento, enuncia-se a sílaba “kha”; e “ka”, “cha” e “ña” são ensinadas como sinais mantricos para a tomada ou o domínio da terra e dos oceanos. Depois, diz-se que se pode beber intoxicantes—licor misturado com sangue, etc.—ou até mesmo leite; e que, por meio de armas fortalecidas por tais mantras, pode-se provocar movimentos anormais sobre o solo e, igualmente, tornar o céu imaculado, límpido.

Verse 26

मुखेन दोहनं शस्तं महिषीणां तथा गवां सिंहीनां हस्तिनीनाञ्च बडवानां तथैव च

A ordenha pela boca (extrair o leite por sucção) é prescrita como apropriada para búfalas e também para vacas; e igualmente para leoas, elefantas e éguas.

Verse 27

प्रसादो देवविप्रेभ्यो गुरुभ्यश् च तथा द्विज अम्भसा चाभिषेकस्तु गवां शृङ्गच्युतेन च

Ó duas-vezes-nascido, deve-se distribuir o prasāda santificado aos deuses, aos brâmanes eruditos e igualmente aos mestres; e deve-se realizar o abhiṣeka, o banho de consagração, com água—também com a água que escorreu das pontas dos chifres das vacas.

Verse 28

चन्द्राद् भ्रष्टेन वा राम ज्ञेयं राज्यप्रदं हि तत् राज्याभिषेकश् च तथा छेदनं शिरसो ऽप्यथ

Ó Rāma, mesmo quando (o presságio) tenha caído da Lua, deve-se saber que isso concede realeza; do mesmo modo, indica a consagração régia (rājābhiṣeka) e, depois, também a decapitação.

Verse 29

मरणं वह्निलाभश् च वह्निदाहो गृहादिषु लब्धेश् च राजलिङ्गानां तन्त्रीवाद्याभिवादनं

A morte; a obtenção do fogo; o incêndio na casa e semelhantes; a aquisição de insígnias reais; e as saudações acompanhadas por instrumentos de corda e outras músicas—(tudo isso) é declarado como sinais/presságios significativos.

Verse 30

यस्तु पश्यति स्वप्नान्ते राजानं कुञ्जरं हयं हिरण्यं वृषभङ्गाञ्च कुटुम्बस्तस्य वर्धते

Quem, ao fim de um sonho, contempla um rei, um elefante, um cavalo, ouro, e também touros e membros ou sinais auspiciosos, para essa pessoa o lar e a família prosperam.

Verse 31

वृषेभगृहशैलाग्रवृक्षारोहणरोदनं घृटविष्ठानुलेपो वा अगम्यागमनं तथा

Chorar ou clamar ao subir sobre um touro, uma casa, o cume de uma montanha ou o topo de uma árvore; ou ungir-se com ghṛta (manteiga clarificada) ou com excremento; e igualmente aproximar-se do que é proibido aproximar-se—(tudo isso) é listado como atos transgressores/impuro.

Verse 32

सितवस्त्रं प्रसन्नाम्भः फली वृक्षो नभो ऽमलं

Vestes brancas, água límpida e serena, uma árvore frutífera e um céu sem mancha—são sinais auspiciosos.

Frequently Asked Questions

Dreams are treated as śubha (auspicious), aśubha (inauspicious), and duḥkha-praharaṇa (sorrow-dispelling), with specific images and bodily/social scenarios mapped to predicted outcomes.

Bathing and purification, honoring brāhmaṇas and gurus, sesame homa, worship of Hari–Brahmā–Śiva–Sūrya–Gaṇas, hymn-recitation, and japa of the Puruṣa-sūkta and related formulas.

By the watch of the night: first watch results mature about a year later; second in six months; third in three months; fourth in half a month; and some culminate within ten days near dawn (aruṇodaya).

It presents a rule that certain prosperity-linked dreams (e.g., unctuous drinking/immersion, red garlands, anointments) retain auspicious potency when kept private, implying restraint and ritual containment of omen-power.

Examples include white garments, clear water, a fruit-bearing tree, a spotless sky, and—toward the end of a dream—seeing a king, elephant, horse, and gold, which is linked to household prosperity.