Upanishads - Maitreya
samnyasaYajur31 Verses

Maitreya

samnyasaYajur

O Maitreya Upanishad é um Upanishad de sannyāsa associado ao Yajurveda, enfatizando o desapego (vairāgya), a disciplina interior e a atma-vidyā como via para a libertação (mokṣa). O texto tende a considerar o ritual externo como preparatório, afirmando a primazia da brahma-vidyā como conhecimento libertador. Aqui, sannyāsa não é apenas um sinal externo ou um estatuto social, mas uma transformação interior: abandonar o sentido de “eu” e “meu”, dissolver o orgulho de ser o agente e permanecer como consciência-testemunha. Reconhecer o Ātman como não nascido, imperecível, não ligado e auto-luminoso é o núcleo da superação do cativeiro. O Upanishad também destaca suportes éticos e meditativos—ahiṃsā, veracidade, simplicidade, equanimidade, controle dos sentidos e contemplação—estruturando o ideal renunciante num horizonte vedântico de orientação não dual.

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Key Teachings

- Saṃnyāsa as an inner renunciation: abandonment of ego

possessiveness

and doership rather than mere external change

- Primacy of Brahma-vidyā (Self-knowledge) over ritual action; karma as preparatory

jñāna as liberating

- Ātman–Brahman non-difference: the Self is self-luminous

unattached

and beyond birth and death

- Avidyā as the root of bondage; viveka (discrimination) and vairāgya (dispassion) as core disciplines

- Mind-control and sense-restraint as supports for contemplation; equanimity amid pleasure and pain

- Ethical foundations of the renouncer: ahiṃsā

satya

simplicity

fearlessness

and compassion

- Meditation on the witness-consciousness (sākṣin) leading to jīvanmukti (freedom while living)

Adhyayas

This Upanishad is organized into 4 adhyayas.

Adhyaya: Adhyāya 2

Nesta seção, a Upaniṣad volta o olhar para o corpo e o descreve como preso aos elementos, uma “grande doença”, morada instável do pecado e campo de mudanças incessantes. Por isso se repete que, após tocá-lo, prescreve-se o “banho”: não apenas como higiene, mas como método para despertar desapego. Em seguida, o corpo é apresentado como uma “cidade de nove portas” que, por natureza e conforme o tempo, expele impurezas continuamente; é associado a mau cheiro e sujeira, de modo que o contato com ele requer purificação. Por fim, o texto liga o corpo ao sūtaka, a impureza ritual ligada ao nascimento e à morte: ele nasce junto com o sūtaka materno e, por ser perecível, é como se procedesse da impureza da morte. O ensinamento conduz o buscador a abandonar a identificação com o corpo e a permanecer no Ātman puro, intocado por nascer e morrer.

Adhyaya 1

No primeiro adhyāya, o rei Bṛhadratha entrega o reino ao filho mais velho e, ao reconhecer a impermanência do corpo e do mundo, retira-se para a floresta com desapego (vairāgya). Ele pratica uma austeridade intensa, de braços erguidos e com o olhar fixo no Sol como símbolo da luz que tudo permeia; quando seu tapas amadurece, o sábio Śākāyanya se aproxima. O rei contempla a instabilidade do saṃsāra—montanhas que desabam, oceanos que secam, a estrela polar que vacila—para mostrar que até o que parece firme muda. Pergunta então como os prazeres sensoriais poderiam dar satisfação duradoura num mundo assim, pois o gozo retorna repetidamente à sede do desejo e ao cansaço. Em seguida, analisa o corpo com franqueza: nascido do ato sexual, preso por pele, ossos e carne, cheio de impurezas e de múltiplos doṣas. Não é mera repulsa, mas discernimento (viveka): o apego ao corpo é a raiz do medo e da dor. Por isso ele pede o ensinamento do Ātman. Śākāyanya, satisfeito com a maturidade do rei, abre a porta da brahma-vidyā com a pergunta: “Qual é o Si mesmo que deve ser ensinado?” Este capítulo estabelece os requisitos do conhecimento libertador: discriminação, desapego, austeridade e prontidão para receber a orientação do mestre.

Adhyaya 2

Neste segundo adhyāya, Maitreya vai ao Kailāsa e pede a Mahādeva o segredo supremo da Realidade. Śiva responde voltando a busca para dentro: o corpo é um templo, e o jīva que nele habita é, em verdade, o próprio Śiva; por isso, deve-se abandonar a “guirlanda” da ignorância e adorar com a convicção “so’ham” (Eu sou Ele). O capítulo redefine as disciplinas: conhecimento é a visão da não-diferença, meditação é uma mente sem objetos, “banho” é remover a impureza mental, e “pureza” é o domínio dos sentidos. Recomenda-se vida simples: receber a esmola como “néctar de Brahman”, preservar o corpo apenas como suporte da realização e morar na solidão onde não há dualidade. Ao contemplar que o corpo nasce e morre, é impuro e sede de prazer e dor, surge o desapego; cessando a identificação com o corpo, permanece-se como o Ser puro e alcança-se a libertação.

Adhyaya 3

O terceiro adhyāya é uma proclamação contínua de realização direta: o buscador fala a partir do ponto de vista do Si mesmo, repetindo “aham asmi” não como vanglória do ego, mas como a voz de Brahman reconhecido como a própria essência. Ao afirmar “sou Brahman, sou a origem, estou em todos os mundos”, a identidade limitada se desfaz e a certeza não dual se firma. A realização é indicada por uma sequência de apontamentos: o Si mesmo é perfeito (siddha), puro (śuddha), supremo (parama), eterno (nitya), sem mancha (vimala), da natureza da consciência (caitanya) e equânime (sama). Termos como “Soma” funcionam como símbolos de plenitude, luminosidade e néctar de inteireza. Em seguida, o texto nega os eixos do cativeiro: além de honra e desonra, além dos guṇa, além dos pares de opostos (dvandva), e até além de se apegar a dualidade/não dualidade como posições conceituais. A libertação não é um evento no tempo, mas o reconhecimento do que sempre é livre. Assim, o capítulo é uma ladainha meditativa para nididhyāsana: uma afirmação repetida que queima a superimposição (adhyāsa) e estabelece a ausência de tristeza. Ao ver o Si mesmo como a única realidade que permeia tudo, imutável e idêntica a Śiva sem atributos, medo e sofrimento se dissolvem.

Verses of the Maitreya

31 verses with Sanskrit text, transliteration, and translation.

Verse 0

तृतीयोऽध्यायः

Capítulo Terceiro.

Textual division (adhyāya-pariccheda)

Verse 1

अहमस्मि परश्चास्मि ब्रह्मास्मि प्रभवोऽस्म्यहम् । सर्वलोकगुरुश्चास्मि सर्वलोकेऽस्मि सोऽस्म्यहम् ॥१॥

Eu sou; e sou também o Supremo. Eu sou Brahman; eu sou a Fonte de tudo. Sou ainda o Mestre de todos os mundos; estou em todos os mundos. Eu sou Aquilo; eu sou.

Atman–Brahman identity; non-duality (Advaita)

Verse 2

अहमेवास्मि सिद्धोऽस्मि शुद्धोऽस्मि परमोऽस्म्यहम् । अहमस्मि सोमोऽस्मि नित्योऽस्मि विमलोऽस्म्यहम् ॥२॥

Só Eu sou. Sou o realizado, o perfeito. Sou puro. Sou o Supremo. Eu sou; eu sou Soma. Sou eterno. Sou imaculado.

Nitya-śuddha-buddha-mukta nature of Ātman; self-luminosity and purity beyond guṇas

Verse 3

विज्ञानोऽस्मि विशेषोऽस्मि सोमोऽस्मि सकलोऽस्म्यहम् । शुभोऽस्मि शोकहीनोऽस्मि चैतन्योऽस्मि समोऽस्म्यहम् ॥३॥

Eu sou o conhecimento consciente (vijñāna). Sou o distinto (viśeṣa). Sou Soma. Sou o inteiro, o completo. Sou auspicioso. Sou livre de tristeza. Sou Consciência (caitanya). Sou equânime.

Cit (consciousness) as Ātman; ānanda and śānti beyond śoka; equanimity (samatva)

Verse 4

मानावमानहीनोऽस्मि निर्गुणोऽस्मि शिवोऽस्म्यहम् । द्वैताद्वैतविहीनोऽस्मि द्वन्द्वहीनोऽस्मि सोऽस्म्यहम् ॥४॥

Estou além de honra e desonra; sou sem atributos; sou Śiva. Estou além de dualidade e não-dualidade; livre dos pares de opostos; eu sou Aquilo.

Ātman–Brahman identity; nirguṇatva; dvandvātīta (transcendence of opposites)

Verse 5

भावाभावविहीनोऽस्मि भासाहीनोऽस्मि भास्म्यहम् । शून्याशून्यप्रभावोऽस्मि शोभनाशोभनोऽस्म्यहम् ॥५॥

Estou além do ser e do não-ser; sem aparência/luz objetificada, e contudo eu resplandeço. Sou o fundamento e o poder do vazio e do não-vazio; sou o belo e o não-belo.

Self-luminosity of consciousness (svayaṃ-prakāśatva); transcendence of sat/asat predicates; non-dual ground of phenomena

Verse 6

तुल्यातुल्यविहीनोऽस्मि नित्यः शुद्धः सदाशिवः । सर्वासर्वविहीनोऽस्मि सात्त्विकोऽस्मि सदास्म्यहम् ॥६॥

Estou além de igualdade e desigualdade; sou eterno, puro, sempre-auspicioso, Sadāśiva. Estou além de “tudo” e “não-tudo”; sou sāttvico; eu sempre sou.

Nitya-śuddha-buddha-mukta nature of Ātman; transcendence of relational predicates; sattva as purity/clarity (not guṇa-bound identity)

Verse 7

एकसङ्ख्याविहीनोऽस्मि द्विसङ्ख्यावाहनं न च । सदसद्भेदहीनोऽस्मि सङ्कल्परहितोऽस्म्यहम् ॥७॥

Estou além da categoria do «um»; e não sou veículo da categoria do «dois». Estou livre da distinção entre ser e não-ser; estou sem volição, sem saṅkalpa.

Brahman/Ātman beyond number, duality, and conceptual construction (nirvikalpa; advaita)

Verse 8

नानात्मभेदहीनोऽस्मि ह्यखण्डानन्दविग्रहः । नाहमस्मि न चान्योऽस्मि देहादिरहितोऽस्म्यहम् ॥८॥

Estou, de fato, livre da distinção entre muitos eus; sou, por assim dizer, a própria forma da bem-aventurança indivisa. Não sou este «eu» empírico, nem sou um outro; estou sem corpo e sem o restante.

Akhaṇḍānanda (undivided bliss) and non-difference of Ātman; dehātīta (beyond body)

Verse 9

आश्रयाश्रयहीनोऽस्मि आधाररहितोऽस्म्यहम् । बन्धमोक्षादिहीनोऽस्मि शुद्धब्रह्मास्मि सोऽस्म्यहम् ॥९॥

Estou sem o que sustenta e sem o que é sustentado, livre da relação de substrato e dependente; estou sem qualquer base. Estou além de cativeiro, libertação e semelhantes. Sou Brahman puro; sou Ele, sou Isso.

Asaṅgatva (non-relation), śuddha-brahman, transcendence of bondage/liberation as conceptual categories

Verse 10

चित्तादिसर्वहीनोऽस्मि परमोऽस्मि परात्परः । सदा विचाररूपोऽस्मि निर्विचारोऽस्मि सोऽस्म्यहम् ॥१०॥

Sou desprovido de tudo o que começa pela mente (citta) e do restante; sou o Supremo, além do além. Sou sempre da natureza do discernimento e da investigação (vicāra); estou livre da investigação discursiva; Eu sou Aquilo — eu sou.

Ātman–Brahman identity; nirvikalpa (thought-free) realization; transcendence of antaḥkaraṇa

Verse 11

अकारोकाररूपोऽस्मि मकारोऽस्मि सनातनः । धातृध्यानविहीनोऽस्मि ध्येयहीनोऽस्मि सोऽस्म्यहम् ॥११॥

Sou da forma de “A” e “U”; sou “M”, o Eterno. Estou desprovido de meditação no Criador/Sustentador (dhātṛ); estou desprovido de um objeto de meditação; Eu sou Aquilo — eu sou.

Oṃ as Brahman; non-dual awareness beyond meditator–meditated duality

Verse 12

सर्वपूर्णस्वरूपोऽस्मि सच्चिदानन्दलक्षणः । सर्वतीर्थस्वरूपोऽस्मि परमात्मास्म्यहं शिवः ॥१२॥

Sou da natureza da plenitude total, caracterizado como Ser–Consciência–Bem-aventurança. Sou da natureza de todos os tīrthas, os lugares sagrados de passagem. Sou o Si Supremo; sou Śiva.

Brahman as sat-cit-ānanda; pūrṇatva (plenitude); Śiva as auspicious non-dual Self

Verse 13

लक्ष्यालक्ष्यविहीनोऽस्मि लयहीनरसोऽस्म्यहम् । मातृमानविहीनोऽस्मि मेयहीनः शिवोऽस्म्यहम् ॥१३॥

Sou desprovido do visado e do não-visado; sou a essência (rasa) sem dissolução (laya). Sou desprovido do medidor/conhecedor (mātṛmāna); sou Śiva, desprovido do mensurável (meya).

Non-duality (Advaita): transcendence of pramātṛ–prameya (knower–known) and nirvikalpa nature of Ātman/Brahman

Verse 14

न जगत्सर्वद्रष्टास्मि नेत्रादिरहितोऽस्म्यहम् । प्रवृद्धोऽस्मि प्रबुद्धोऽस्मि प्रसन्नोऽस्मि परोऽस्म्यहम् ॥१४॥

Não sou o que tudo vê no mundo; sou sem olhos e sem os demais órgãos dos sentidos. Sou pleno e completo; sou desperto; sou sereno; sou o Supremo.

Ātman as nirindriya (beyond senses), sākṣin (witness) and para (supreme) consciousness

Verse 15

सर्वेन्द्रियविहीनोऽस्मि सर्वकर्मकृदप्यहम् । सर्ववेदान्ततृप्तोऽस्मि सर्वदा सुलभोऽस्म्यहम् ॥१५॥

Sou desprovido de todos os sentidos e, ainda assim, sou o realizador de todas as ações. Estou saciado por todo o Vedānta; sou sempre de fácil alcance.

Ātman/Brahman as akartā (non-agent) yet basis of all action; mokṣa as immediate and ever-available; Vedānta as culminating knowledge

Verse 16

मुदितामुदिताख्योऽस्मि सर्वमौनफलोऽस्म्यहम् । नित्यचिन्मात्ररूपोऽस्मि सदा सच्चिन्मयोऽस्म्यहम् ॥१६॥

Sou chamado “muditāmudita”, o sempre jubiloso; sou o fruto de todo silêncio. Sou da forma da Consciência eterna, somente; e sou sempre constituído de Ser e Consciência.

Ātman/Brahman as sat-cit (pure being-consciousness) and the fruition of mauna (inner silence)

Verse 17

यत्किञ्चिदपि हीनोऽस्मि स्वल्पमप्यति नास्म्यहम् । हृदयग्रन्थिहीनोऽस्मि हृदयाम्भोजमध्यगः ॥१७॥

Não sou deficiente em coisa alguma; nem sou excessivo de modo algum, ainda que minimamente. Estou livre do nó do coração; permaneço no centro do lótus do coração.

Mokṣa as freedom from hṛdaya-granthi (knot of ignorance/ego) and inner abidance of the Self

Verse 18

षड्विकारविहीनोऽस्मि षट्कोषरहितोऽस्म्यहम् । अरिषड्वर्गमुक्तोऽस्मि अन्तरादन्तरोऽस्म्यहम् ॥१८॥

Sou isento das seis modificações; sou livre das seis bainhas. Estou liberto do grupo sêxtuplo de inimigos; sou o interior, mais interior que o interior.

Neti-neti negation of upādhis; Ātman as the innermost witness beyond vikāras, kośas, and inner enemies

Verse 19

देशकालविमुक्तोऽस्मि दिगम्बरसुखोऽस्म्यहम् । नास्ति नास्ति विमुक्तोऽस्मि नकारहितोऽस्म्यहम् ॥१९॥

Estou livre de lugar e de tempo; sou a bem-aventurança do Si mesmo sem limites, vestido apenas pelas direções. Não há “é” nem “não é”; sou liberto, isento do “não”, isto é, de negação e limitação.

Mokṣa; Ātman as beyond deśa-kāla (space-time) and all limiting predicates

Verse 20

अखण्डाकाशरूपोऽस्मि ह्यखण्डाकारमस्म्यहम् । प्रपञ्चमुक्तचित्तोऽस्मि प्रपञ्चरहितोऽस्म्यहम् ॥२०॥

Sou da natureza do espaço indiviso; de fato, sou de forma não fragmentada. Sou aquele cuja mente foi libertada do múltiplo fenomênico; sou isento do próprio fenômeno.

Brahman/Ātman as akhaṇḍa (indivisible) and prapañca-śūnya (free of phenomenal projection)

Verse 21

सर्वप्रकाशरूपोऽस्मि चिन्मात्रज्योतिरस्म्यहम् । कालत्रयविमुक्तोऽस्मि कामादिरहितोऽस्म्यहम् ॥२१॥

Sou da natureza da iluminação de tudo; sou a luz que é pura Consciência. Estou livre dos três tempos; estou isento do desejo e de tudo o mais.

Ātman/Brahman as self-luminous consciousness (svayaṃ-prakāśa), beyond time, free from kāma (desire)

Verse 22

कायिकादिविमुक्तोऽस्मि निर्गुणः केवलोऽस्म्यहम् । मुक्तिहीनोऽस्मि मुक्तोऽस्मि मोक्षहीनोऽस्म्यहं सदा ॥२२॥

Estou liberto do corpo e de todos os demais condicionamentos; sou sem atributos; eu, só, sou. Sou sem libertação e sou liberto; e sempre estou além da mokṣa.

Ātman/Brahman as nirguṇa and kevala; transcendence of mokṣa as a conceptual category (Advaita)

Verse 23

सत्यासत्यादिहीनोऽस्मि सन्मात्रान्नास्म्यहं सदा । गन्तव्यदेशहीनोऽस्मि गमनादिविवर्जितः ॥२३॥

Estou além do verdadeiro e do falso e do que lhes é semelhante; e jamais sou outro senão o puro Ser. Não tenho lugar a alcançar; estou livre de ir e de tudo o que se lhe assemelha.

Non-duality beyond dvandvas (pairs of opposites); sat (pure Being) as Ātman/Brahman; akartṛtva/niṣkriyatva (actionlessness)

Verse 24

सर्वदा समरूपोऽस्मि शान्तोऽस्मि पुरुषोत्तमः । एवं स्वानुभवो यस्य सोऽहमस्मि न संशयः ॥२४॥

Sou sempre da mesma forma; sou paz; sou o Ser supremo. Aquele cuja experiência direta é assim, esse sou eu—sem dúvida.

Samarūpatva (unchanging identity), śānti (peace), puruṣottama as highest Self; aparokṣānubhava (direct realization) and identity of knower with Brahman

Verse 25

यः शृणोति सकृद्वापि ब्रह्मैव भवति स्वयम् इत्युपनिषत् ॥२५॥

Aquele que ouve este ensinamento, ainda que uma só vez, torna-se por si mesmo somente Brahman — assim declara a Upaniṣad.

Mokṣa through śravaṇa (hearing) of Brahma-vidyā; identity of jīva and Brahman

Verse 26

पाषाणलोहमणिमृण्मयविग्रहेषु पूजा पुनर्जननभोगकरी मुमुक्षोः । तस्माद्यतिः स्वहृदयार्चनमेव कुर्याद्बाह्यार्चनं परिहरेदपुनर्भवाय ॥२६॥

A adoração prestada a imagens de pedra, metal, gema ou barro é, para o buscador da libertação, causa de novo nascimento e de contínua fruição mundana. Por isso, o renunciante deve realizar o culto somente no próprio coração e abandonar o culto externo, visando o não-retorno (a liberdade do renascer).

Mokṣa; antaryāga (inner worship); vairāgya; sādhanā as inward contemplation

Verse 27

अन्तःपूर्णो बहिःपूर्णः पूर्णकुम्भ इवार्णवे । अन्तःशून्यो बहिःशून्यः शून्यकुम्भ इवाम्बरे ॥२७॥

Pleno por dentro e pleno por fora, como um vaso cheio no oceano; vazio por dentro e vazio por fora, como um vaso vazio no céu.

Pūrṇatā (fullness) of Brahman/Ātman; inner-outer non-difference; śūnyatā as privation (absence of realization) in Vedāntic framing

Verse 28

मा भव ग्राह्यभावात्मा ग्राहकात्मा च मा भव । भावनामखिलं त्यक्त्वा यच्छिष्टं तन्मयो भव ॥२८॥

Não te tornes da natureza do “apreendido” (o objeto), nem te tornes da natureza do “apreensor” (o sujeito). Tendo abandonado toda construção mental (bhāvanā), torna-te da natureza daquilo que permanece.

Advaita; sākṣin (witness) beyond subject-object; nirvikalpa (freedom from conceptualization); aparokṣa-jñāna

Verse 29

द्रष्टृदर्शनदृश्यानि त्यक्त्वा वासनया सह । दर्शनप्रथमाभासमात्मानं केवलं भज ॥२९॥

Tendo abandonado o que vê, o ver e o visto, juntamente com as vāsanās (impressões latentes), adora e refugia-te somente no Si-mesmo, a primeira aparição que sustenta a percepção.

Atman; non-duality beyond the tripuṭī (knower–knowing–known); vāsanā-kṣaya

Verse 30

संशान्तसर्वसंकल्पा या शिलावदवस्थितिः । जाग्रन्निद्राविनिर्मुक्ता सा स्वरूपस्थितिः परा ॥३०॥

Aquele estado em que todos os saṅkalpas (vontades e formações mentais) se aquietam por completo, que permanece como uma rocha e está livre de vigília e sono—esse é o supremo permanecer na própria natureza.

Mokṣa as svarūpa-sthiti; saṅkalpa-nirodha; turiya/transcending states

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