Adhyaya 9
Vishnu KhandaVasudeva MahatmyaAdhyaya 9

Adhyaya 9

Skanda narra um período de inversão do dharma (dharma-viparyāsa) movido pela força do tempo, no qual a prosperidade—Śrī—se retira dos três mundos e até as regiões divinas parecem diminuídas. Os suportes materiais do bem-estar—alimentos, remédios, laticínios, tesouros e confortos—declinam, gerando fome e desagregação social. Sob a fome, muitos seres passam a matar animais e comer carne; contudo, certos sábios fiéis ao saddharma recusam tal alimento, mesmo à beira da morte. Os ṛṣis mais antigos então ensinam um “āpaddharma” (dharma em tempos de calamidade) com referência aos Vedas, visando a sobrevivência na emergência. Mas o relato mostra como ocorre o deslizamento interpretativo: termos ambíguos e linguagem védica indireta são tomados ao pé da letra, normalizando sacrifícios violentos. A matança ritual se expande, inclusive em grandes ritos emblemáticos; os restos do sacrifício tornam-se justificativa alimentar, e as motivações se deslocam para riqueza, fins domésticos e mera subsistência. Daí decorrem a erosão das normas sociais, casamentos mistos por pobreza e ruptura, o crescimento do adharma e a produção de textos posteriores que, pela tradição, tratam essa ética de crise como autorizada. Após longo tempo, o rei dos deuses recupera a prosperidade ao adorar Vāsudeva; pela graça de Hari, o saddharma é restaurado, embora alguns continuem a privilegiar a antiga norma de emergência. A narrativa conclui enquadrando a difusão do sacrifício sangrento como fenômeno historicamente contingente, ligado à calamidade.

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