Adhyaya 11
Vidyesvara SamhitaAdhyaya 1169 Verses

Liṅga-pratiṣṭhāvidhiḥ — Installation Standards and Auspicious Parameters for Liṅga Worship

O Adhyāya 11 é estruturado como um diálogo técnico de perguntas e respostas: os ṛṣis indagam sobre (i) o procedimento de estabelecer o liṅga (pratiṣṭhā), (ii) os sinais de um “vāta” auspicioso—condições favoráveis de vento e presságios ambientais para o momento ritual— e (iii) a forma correta de culto conforme deśa (lugar) e kāla (tempo). Sūta responde priorizando o enquadramento propício: śubha kāla e locais sagrados de mérito, os puṇya tīrtha, e depois passa às especificações práticas: escolha do tipo de liṅga (móvel ou fixo), materiais adequados (terra/pedra/metal) e a necessidade de um desenho coerente entre liṅga e pīṭha para uma instalação estável. O capítulo apresenta normas proporcionais (medida ideal: doze aṅgulas para o artesão), afirma que a falta reduz o fruto do culto, enquanto o excesso não é considerado falha, e introduz preparativos arquitetônicos—construção do vimāna e preparo de um garbhagṛha firme e purificado—mostrando que o pūjā-phala nasce do alinhamento entre forma (lakṣaṇa), medida (pramāṇa) e circunstância auspiciosa.

Shlokas

Verse 1

ऋषय ऊचुः । कथं लिंगं प्रतिष्ठाप्यं कथं वातस्य लक्षणम् । कथं वा तत्समभ्यर्च्यं देशे काले च केन हि

Os sábios disseram: “Como deve ser devidamente instalada a Śiva-liṅga? Quais são as características do voto sagrado (vrata) e de suas observâncias corretas? E como deve ser adorada essa Liṅga—por quem, e segundo que lugar e tempo?”

Verse 2

सूत उवाच । युष्मदर्थं प्रवक्ष्यामि बुद्ध्यतामवधानतः । अनुकूले शुभे काले पुण्ये तीर्थे तटे तथा

Sūta disse: “Por vossa causa eu o exporei; compreendei com discernimento atento. (Deve ser feito) em tempo favorável e auspicioso, e também num tīrtha santo, na sua margem sagrada.”

Verse 3

यथेष्टं लिंगमारोप्यं यत्र स्यान्नित्यमर्चनम् । पार्थिवेन तथाप्येनं तैजसेन यथारुचि

Tendo instalado o Liṅga conforme o desejo, num lugar onde se possa realizar a adoração diária, deve-se cultuá-lo continuamente—seja com um Liṅga de terra (pārthiva) ou, do mesmo modo, com a forma ígnea (taijasa)—segundo a capacidade e a inclinação do devoto.

Verse 4

कल्पलक्षणसंयुक्तं लिंगं पूजाफलं लभेत् । सर्वलक्षणसंयुक्तं सद्यः पूजाफलप्रदम्

Ao venerar o Śiva-liṅga dotado das características prescritas pelas escrituras, alcança-se o fruto do culto. Porém o Liṅga que reúne todos os sinais auspiciosos concede imediatamente o fruto da adoração.

Verse 5

चरे विशिष्यते सूक्ष्मं स्थावरे स्थूलमेव हि । सलक्षणं सपीठं च स्थापयेच्छिवनिर्मितम्

Na forma móvel (portátil), o emblema é preferível quando é sutil; mas na forma imóvel (fixa), é de fato preferível que seja grande. Deve-se instalar o emblema feito/sancionado por Śiva, com seus sinais próprios e juntamente com o pedestal (pīṭha).

Verse 6

मंडलं चतुरस्रं वा त्रिकोणमथवा तथा । खट्वांगवन्मध्यसूक्ष्मं लिंगपीठं महाफलं

O maṇḍala de adoração pode ser feito quadrado ou triangular. O pedestal do Liṅga deve ser moldado com um centro sutil e refinado, como um bastão khaṭvāṅga; e tal Liṅga-pīṭha concede grande fruto espiritual.

Verse 7

प्रथमं मृच्छिलादिभ्यो लिगं लोहादिभिः कृतम् । येन लिंगं तेन पीठं स्थावरे हि विशिष्यते

Primeiro, o Liṅga é moldado de argila, pedra e semelhantes, ou é feito de metais e materiais afins. Seja qual for o material do Liṅga, o pedestal (pīṭha/yoni) deve ser feito desse mesmo material; isto é considerado especialmente apropriado para uma instalação fixa.

Verse 8

लिंगं पीठं चरे त्वेकं लिंगं बाणकृतं विना । लिंगप्रमाणं कर्तृणां द्वादशांगुलमुत्तमम्

O Liṅga e o seu pedestal (pīṭha) devem ser talhados como uma única peça unificada, exceto no caso de um Liṅga feito de bāṇa (pedra formada naturalmente). Para os artífices, a melhor medida do Liṅga é de doze aṅgulas (larguras de dedo).

Verse 9

न्यूनं चेत्फलमल्पं स्यादधिकं नैव दूष्यते । कर्तुरेकांगुलन्यूनं चरेपि च तथैव हि

Se a oferenda for insuficiente, o fruto torna-se pequeno; mas se for em excesso, não é tido como defeito. Do mesmo modo, ainda que falte apenas um aṅgula à medida prescrita para o oficiante, o resultado diminui na mesma proporção.

Verse 10

आदौ विमानं शिल्पेन कार्यं देवगणैर्युतम् । तत्र गर्भगृहे रम्ये दृढे दर्पणसंनिभे

Primeiro, o vimāna (a superestrutura do templo) deve ser construído segundo a ciência sagrada da arquitetura, ornado com as hostes divinas. Dentro dele, no belo garbha‑gṛha (santuário), firme e brilhante como um espelho, deve-se estabelecer a presença venerável de Śiva.

Verse 11

इति श्रीशिवमहापुराणे विद्येश्वरसंहितायांएकदशोऽध्यायः

Assim termina o Décimo Primeiro Capítulo na Vidyeśvara‑saṁhitā do Śrī Śiva Mahāpurāṇa.

Verse 12

मुक्ताप्रवालगोमेदवज्राणि नवरत्नकम् । मध्ये लिंगं महद्द्रव्यं निक्षिपेत्सहवैदिके

Deve-se colocar o navaratna, as nove gemas preciosas—pérolas, coral, gomedaka (hessonita) e diamante, entre outras—com a santidade védica; e, no meio delas, deve-se instalar a grande substância sagrada: o Liṅga.

Verse 13

संपूज्य लिंगं सद्याद्यैः पंचस्थाने यथाक्रमम् । अग्नौ च हुत्वा बहुधा हविषास कलं च माम्

Tendo adorado devidamente o liṅga de Śiva com as cinco oferendas que começam por sadyā, nos cinco lugares prescritos e na ordem correta, deve-se então lançar muitas oblações no fogo sagrado com ghee e outras oferendas—assim se cultua a Mim, o Senhor, em Meu poder manifestado (kalā).

Verse 14

अभ्यर्च्य गुरुमाचार्यमर्थैः कामैश्च बांधवम् । दद्यादैश्वर्यमर्थिभ्यो जडमप्यजडं तथा

Tendo honrado devidamente o próprio guru e ācārya—bem como os parentes—com recursos justos e serviços apropriados, deve-se conceder prosperidade aos que a pedem; assim, até o que é obtuso torna-se não obtuso, refinado e desperto.

Verse 15

स्थावरं जंगमं जीवं सर्वं संतोष्य यत्नतः । सुवर्णपूरिते श्वभ्रे नवरत्नैश्च पूरिते

Tendo diligentemente satisfeito todo ser vivo—o imóvel e o móvel—deve-se preparar uma cova cheia de ouro, e também cheia das nove gemas preciosas (navaratna).

Verse 16

सद्यादि ब्रह्म चोच्चार्य ध्यात्वा देवं परं शुभम् । उदीर्य च महामंत्रमओंकारं नादघोषितम्

Tendo proferido a fórmula sagrada de Brahman que começa com «sadyaḥ…», e meditado na Divindade Suprema e auspiciosa, deve então entoar o grande mantra—o Oṃkāra—ressoando como corrente sonora (nāda).

Verse 17

लिंगं तत्र प्रतिष्ठाप्य लिगं पीठेन योजयेत् । लिंगं सपीठं निक्षिप्य नित्यलेपेन बंधयेत्

Tendo instalado ali o Liṅga, deve-se unir o Liṅga ao seu pedestal (pīṭha). Colocando o Liṅga juntamente com o pedestal, deve-se fixá-lo firmemente aplicando o reboco de ligação prescrito (nitya-lepa) de modo contínuo.

Verse 18

एवं बेरं च संस्थाप्यं तत्रैव परमं शुभम् । पंचाक्षरेण बेरं तु उत्सवार्थं वहिस्तथा

Assim, deve-se instalar ali mesmo o bera (o ícone consagrado de Śiva) da forma mais auspiciosa. E, para o culto festivo, deve-se também levar o bera para fora, santificando-o continuamente com o mantra Pañcākṣarī: «Namaḥ Śivāya».

Verse 19

बेरं गुरुभ्यो गृह्णीयात्साधुभिः पूजितं तु वा । एवं लिंगे च बेरे च पूजा शिवपदप्रदा

Deve-se receber a Berā (emblema/imagem consagrada para o culto) dos Gurus, ou então uma que já tenha sido adorada por santos devotos. Assim, a adoração oferecida tanto ao Liṅga quanto à Berā torna-se doadora de Śivapada, o estado supremo de Śiva (libertação).

Verse 20

पुनश्च द्विविधं प्रोक्तं स्थावरं जंगमं तथा । स्थावरं लिंगमित्याहुस्तरुगुल्मादिकं तथा

Novamente, declara-se que há dois tipos: o imóvel (sthāvara) e o móvel (jaṅgama). O imóvel é chamado Liṅga—como árvores, arbustos e semelhantes, venerados como a presença estável de Śiva.

Verse 21

जंगमं लिंगमित्याहुः कृमिकीटादिकं तथा । स्थावरस्य च शुश्रूषा जंगमस्य च तर्पणम्

Declaram que o «liṅga móvel» é, de fato, os seres vivos — até vermes, insetos e semelhantes. O serviço prestado ao imóvel (Śiva-liṅga) e a oferta de alimento que sacia o móvel (os seres) devem ambos ser considerados atos de adoração.

Verse 22

तत्तत्सुखानुरागेण शिवपूजां विदुर्बुधाः । पीठमंबामयं सर्वं शिवलिंगं च चिन्मयम्

Os sábios sabem que o culto a Śiva deve ser realizado com devoção amorosa voltada para a bem-aventurança suprema. Compreendem todo o pīṭha como permeado pela Mãe Divina (Ambā) e o Śiva-liṅga como sendo da própria natureza da Consciência pura (cinmaya).

Verse 23

यथा देवीमुमामंके धृत्वा तिष्ठति शंकरः । तथा लिंगमिदं पीठं धृत्वा तिष्ठति संततम्

Assim como Śaṅkara permanece para sempre, sustentando a Deusa Umā em seu regaço, do mesmo modo este pīṭha sagrado permanece continuamente, suportando este liṅga.

Verse 24

एवं स्थाप्य महालिंगं पूजयेदुपचारकैः । नित्यपूजा यथा शक्तिध्वजादिकरणं तथा

Assim, tendo instalado devidamente o Grande Liṅga, deve-se adorá-lo com os upacāras—ofertas e serviços prescritos. Deve-se também realizar a pūjā diária na devida ordem e, do mesmo modo, dispor a bandeira de Śakti, o estandarte e os demais acessórios costumeiros, conforme a capacidade e a regra.

Verse 25

इति संस्थापयेल्लिंगं साक्षाच्छिवपदप्रदम् । अथवा चरलिंगं तु षोडशैरुपचारकैः

Assim deve-se estabelecer o Liṅga, que concede diretamente o estado de Śiva (a libertação). Ou então pode-se adorar o liṅga móvel com os dezesseis serviços rituais (ṣoḍaśopacāra).

Verse 26

पूजयेच्च यथान्यायं क्रमाच्छिवपदप्रदम् । आवाहनं चासनं च अर्घ्यं पाद्यं तथैव च

Deve-se adorar segundo a norma, passo a passo, de modo a alcançar o estado de Śiva: começando pela invocação (āvāhana), a oferta do assento (āsana), a oblação respeitosa (arghya) e também a água para os pés (pādya).

Verse 27

तदंगाचमनं चैव स्नानमभ्यंगपूर्वकम् । वस्त्रं गंधं तथा पुष्पं धूपं दीपं निवेदनम्

Em seguida, faça-se o ācamana para esses membros purificados e o banho (snāna), precedido de unção com óleo. Depois ofereçam-se ao Senhor vestes, fragrância (pasta de sândalo), flores, incenso, lâmpada e naivedya, a oferenda de alimento.

Verse 28

नीराजनं च तांबूलं नमस्कारो विसर्जनम् । अथवाऽर्घ्यादिकं कृत्वा नैवेद्यां तं यथाविधि

Em seguida, realize-se o nīrājana, o acenar das luzes, ofereça-se o tāmbūla (bétel), faça-se a reverente prostração e conclua-se com o visarjana, a despedida ritual. Ou então, após oferecer devidamente o arghya e os demais itens, apresente-se a Ele o naivedya conforme o rito prescrito.

Verse 29

अथाभिषेकं नैवेद्यं नमस्कारं च तर्पणम् । यथाशक्ति सदाकुर्यात्क्रमाच्छिवपदप्रदम्

Depois disso, conforme a própria capacidade, deve-se sempre realizar, na devida ordem: o abhiṣeka (abluição), o naivedya (oferta de alimento), o namaskāra (prostração reverente) e o tarpaṇa (rito de satisfação). Feitos em sequência, concedem o estado de Śiva (Śivapada).

Verse 30

अथवा मानुषे लिंगेप्यार्षे दैवे स्वयंभुवि । स्थापितेऽपूर्वके लिंगे सोपचारं यथा तथा

Ou então, quer o Liṅga seja feito por mãos humanas, estabelecido por um Ṛṣi, de natureza divina, ou svayambhū (auto-manifesto), quando um Liṅga assim, inédito e recém-instalado, tiver sido colocado, deve ser venerado com os devidos serviços e oferendas (sopacāra), conforme o modo prescrito.

Verse 31

पूजोपकरणे दत्ते यत्किंचित्फलमश्नुते । प्रदक्षिणानमस्कारैः क्रमाच्छिवपदप्रदम्

Quando alguém oferece mesmo um pequeno item ligado ao culto, participa de algum fruto espiritual. Por meio da pradakṣiṇā (circumambulação) e do namaskāra (prostrações reverentes), em sua ordem, esse mérito torna-se gradualmente doador de Śivapada—o estado de Śiva.

Verse 32

लिंगं दर्शनमात्रं वा नियमेन शिवप्रदम् । मृत्पिष्टगोशकृत्पुष्पैः करवीरेण वा फलैः

Mesmo o simples contemplar do Śiva-liṅga—quando feito com a devida observância—concede Śiva, sua graça e a realização auspiciosa. Do mesmo modo, a adoração oferecida com materiais simples, como um emblema de argila, flores preparadas com esterco de vaca, flores de karavīra ou mesmo frutos, torna-se um meio para que Śiva conceda bênçãos.

Verse 33

गुडेन नवनीतेन भस्मनान्नैर्यथारुचि । लिंगं यत्नेन कृत्वांते यजेत्तदनुसारतः

Com jaggery (açúcar mascavo), com manteiga fresca, com bhasma (cinza sagrada) ou com grãos de alimento—conforme a inclinação—deve-se moldar o Liṅga com diligência; e, tendo-o feito, adorá-lo segundo o modo apropriado à própria substância e método.

Verse 34

अंगुष्ठादावपि तथा पूजामिच्छंति केचन । लिंगकर्मणि सर्वत्र निषेधोस्ति न कर्हिचित्

Alguns devotos até desejam realizar a adoração começando pelo polegar e pelos demais dedos (conforme o modo prescrito). Em todos os atos ligados ao Śiva-liṅga, jamais há proibição em tempo algum — tal culto é sempre permitido.

Verse 35

सर्वत्र फलदाता हि प्रयासानुगुणं शिवः । अथवा लिंगदानं वा लिंगमौल्यमथापि वा

Em toda parte, Śiva é de fato o doador dos frutos na proporção do esforço sincero. Assim, quer seja a doação de um Liṅga, quer seja até a oferta do seu valor (como seu preço), tudo se torna meritório.

Verse 36

श्रद्धया शिवभक्ताय दत्तं शिवपदप्रदम् । अथवा प्रणवं नित्यं जपेद्दशसहस्रकम्

Aquilo que é dado com fé a um devoto de Śiva torna-se concedente do Śiva-pada (o estado de Śiva, a libertação). Ou então, deve-se diariamente repetir em japa o Praṇava (Oṁ) dez mil vezes.

Verse 37

संध्ययोश्च सहस्रं वा ज्ञेयं शिवपदप्रदम् । जपकाले मकारांतं मनःशुद्धिकरं भजेत्

Nas duas sandhyā, ao amanhecer e ao entardecer, saiba-se que mil repetições concedem o estado e a morada de Śiva. Durante o japa, adore-se o mantra que termina em “ma”, isto é, o pentassílabo “namaḥ śivāya”, pois ele purifica a mente.

Verse 38

समाधौ मानसं प्रोक्तमुपांशु सार्वकालिकम् । समानप्रणवं चेमं बिंदुनादयुतं विदुः

No samādhi, declara-se que a repetição mental (mānasa-japa) é o modo adequado; a repetição sussurrada (upāṃśu-japa) é apropriada em todos os momentos. Sabe que este japa está unido ao mesmo Praṇava, “Oṃ”, e é dotado de bindu e nāda (a semente sutil e o som interior).

Verse 39

अथ पंचाक्षरं नित्यं जपेदयुतमादरात् । संध्ययोश्च सहस्रं वा ज्ञेयं शिवपदप्रदम्

Portanto, deve-se recitar constantemente, com reverência, o mantra de cinco sílabas (Pañcākṣara)—dez mil vezes; ou então, nas duas sandhyā (aurora e crepúsculo), mil vezes. Saiba-se que esta é a prática que concede o estado (morada) de Śiva.

Verse 40

प्रणवेनादिसंयुक्तं ब्राह्मणानां विशिष्यते । दीक्षायुक्तं गुरोर्ग्राह्यं मंत्रं ह्यथ फलाप्तये

O mantra que começa com o Praṇava (Oṁ) é especialmente prescrito aos brāhmaṇas. E, para alcançar seu fruto verdadeiro, o mantra deve ser recebido do Guru, devidamente dotado de dīkṣā (iniciação).

Verse 41

कुंभस्नानं मंत्रदीक्षां मातृकान्यासमेव च । ब्राह्मणः सत्यपूतात्मा गुरुर्ज्ञानी विशिष्यते

Aquele que realizou o sagrado kumbha-snāna (banho do kumbha), recebeu a mantra-dīkṣā e praticou o Mātṛkā-nyāsa (instalação das letras Mātṛkā)—tal brāhmaṇa, cujo íntimo é purificado pela verdade, distingue-se como verdadeiro Guru, conhecedor da sabedoria espiritual.

Verse 42

द्विजानां च नमःपूर्वमन्येषां च नमोन्तकम् । स्त्रीणां च क्वचिदिच्छंति नमो तं च यथाविधि

Para os dvija (os duas-vezes-nascidos), a saudação deve ser proferida com “namaḥ” no início; para os demais, deve ser dita com “namo” ao final. Em certos casos, as mulheres também desejam essa mesma saudação respeitosa—portanto, oferece-a corretamente, conforme o rito prescrito.

Verse 43

विप्रस्त्रीणां नमः पूर्वमिदमिच्छंति केचन । पंचकोटिजपं कृत्वा सदा शिवसमो भवेत्

Alguns primeiro desejam esta saudação: «Reverência às esposas dos brāhmaṇas». Tendo completado cinco crores de japa do mantra, a pessoa torna-se para sempre semelhante a Śiva, alcançando o Śiva-sāyujya por Sua graça.

Verse 44

एकद्वित्रिचतुःकोट्याब्रह्मादीनां पदं व्रजेत् । जपेदक्षरलक्षंवा अक्षराणां पृथक्पृथक्

Ao realizar japa na medida de um, dois, três ou quatro koṭi, alcança-se o estado excelso alcançado até por Brahmā e pelos demais deuses. Ou então, deve-se fazer uma lakh de repetições das sílabas, recitando cada sílaba separadamente.

Verse 45

अथवाक्षरलक्षं वा ज्ञेयं शिवपदप्रदम् । सहस्रं तु सहस्राणां सहस्रेण दिनेन हि

Ou então, saiba-se que a recitação que totaliza uma lakh (100.000) das sílabas do mantra concede o Śiva-pada, o estado supremo de Śiva. De fato, mil recitações por dia completam os milhares requeridos em mil dias.

Verse 46

जपेन्मंत्रादिष्टसिद्धिर्नित्यं ब्राह्मणभोजनात् । अष्टोत्तरसहस्रं वै गायत्रीं प्रातरेव हि

Deve-se praticar japa; a realização prescrita do mantra é assegurada ao alimentar regularmente os brāhmaṇas. De fato, recite-se a Gāyatrī mil e oito vezes, sobretudo pela manhã.

Verse 47

ब्राह्मणस्तु जपेन्नित्यं क्रमाच्छिवपदप्रदान् । वेदमंत्रांस्तु सूक्तानि जपेन्नियममास्थितः

Mas o brāhmaṇa deve, diariamente, realizar japa, na devida ordem, dos mantras de Śiva que concedem o estado de Śiva; e, firme nas observâncias (niyama), deve também recitar os mantras védicos e os hinos (sūkta).

Verse 48

एकं दशार्णं मंत्रं च शतोनं च तदूर्ध्वकम् । अयुतं च सहस्रं च शतमेकं विना भवेत्

Para o mantra de dez sílabas, a contagem deve ser de cem, e acima disso; também é prescrita como dez mil, mil, ou cento e um. Jamais se deve fazê-la sem um número definido e completo.

Verse 49

वेदपारायणं चैव ज्ञेयं शिवपदप्रदम् । अन्यान्बहुतरान्मंत्राञ्जपेदक्षरलक्षतः

A recitação dos Vedas deve ser compreendida como doadora de Śivapada, o estado de Śiva. Do mesmo modo, devem-se repetir muitos outros mantras, realizando japa na medida de cem mil sílabas.

Verse 50

एकाक्षरांस्तथा मंत्राञ्जपेदक्षरकोटितः । ततः परं जपेच्चैव सहस्रं भक्तिपूर्वकम्

Deve-se repetir os mantras de uma só sílaba (bīja) e outros mantras por koṭis de sílabas, isto é, em número imenso. Depois disso, deve-se ainda realizar mil repetições, feitas com devoção.

Verse 51

एवं कुर्याद्यथाशक्ति क्रमाच्छिव पदं लभेत् । नित्यं रुचिकरं त्वेकं मंत्रमामरणांतिकम्

Procedendo assim conforme a própria capacidade e em ordem gradual, a pessoa alcança pouco a pouco o Śivapada, o estado de Śiva. Portanto, deve-se tomar diariamente um único mantra, agradável ao coração, e mantê-lo com firmeza até o fim da vida.

Verse 52

जपेत्सहस्रमोमिति सर्वाभीष्टं शिवाज्ञया । पुष्पारामादिकं वापि तथा संमार्जनादिकम्

Por ordem de Śiva, deve-se repetir “Om” mil vezes, e assim alcançar todos os objetivos desejados. Pode-se também servi-Lo com obras como cuidar de jardins de flores e semelhantes, bem como varrer e limpar o recinto sagrado.

Verse 53

शिवाय शिवकार्याथे कृत्वा शिवपदं लभेत् । शिवक्षेत्रे तथा वासं नित्यं कुर्याच्च भक्तितः

Ao realizar obras para Śiva, por amor a Śiva, alcança-se o estado (morada) de Śiva. Do mesmo modo, com devoção, deve-se habitar sempre num Śiva-kṣetra, um lugar santo de Śiva.

Verse 54

जडानामजडानां च सर्वेषां भुक्तिमुक्तिदम् । तस्माद्वासं शिवक्षेत्रे कुर्यदामरणं बुधः

Para todos os seres—sejam obtusos ou perspicazes—esse kṣetra sagrado de Śiva concede tanto bhukti (plenitude mundana) quanto mukti (libertação). Portanto, o sábio deve habitar no santo kṣetra de Śiva até o fim da vida.

Verse 55

लिंगाद्धस्तशतं पुण्यं क्षेत्रे मानुषके विदुः । सहस्रारत्निमात्रं तु पुण्यक्षेत्रे तथार्षके

Os sábios declaram que, num recinto sagrado estabelecido por humanos, a área meritória se estende por cem hastas a partir do Śiva-liṅga. Mas num kṣetra verdadeiramente santo, santificado pelos ṛṣis, ela se estende até mil raios (do sol).

Verse 56

दैवलिंगे तथा ज्ञेयं सहस्रारत्निमानतः । धनुष्प्रमाणसाहस्रं पुण्यं क्षेत्रे स्वयं भुवि

Do mesmo modo, no caso do Daiva-liṅga, deve-se compreender sua extensão como de mil aratnis (côvados). E na própria terra, por sua simples presença, o kṣetra torna-se meritório, abrangendo ao redor mil medidas de dhanu (comprimento de arco).

Verse 57

पुण्यक्षेत्रे स्थिता वापी कूपाद्यं पुष्कराणि च । शिवगंगेति विज्ञेयं शिवस्य वचनं यथा

Qualquer vāpī (poço em degraus), poço e outros reservatórios de água situados num lugar sagrado devem ser compreendidos como “Śiva-Gaṅgā”, conforme a própria declaração do Senhor Śiva.

Verse 58

तत्र स्नात्वा तथा दत्त्वा जपित्वा हि शिवं व्रजेत् । शिवक्षेत्रं समाश्रित्य वसेदामरणं तथा

Ali, após banhar-se, oferecer as dádivas devidas e realizar o japa, deve-se de fato ir a Śiva. Tomando refúgio no kṣetra sagrado de Śiva, deve-se ali habitar igualmente, alcançando o estado além da morte (imortalidade).

Verse 59

दाहं दशाहं मास्यं वा सपिंडीकरणं तु वा । आब्दिकं वा शिवक्षेत्रे क्षेत्रे पिंडमथापि वा

Seja o rito da cremação, a observância do décimo dia, o rito mensal, a cerimônia de sapiṇḍīkaraṇa ou o śrāddha anual—se forem realizados no kṣetra sagrado de Śiva, então até a oferta de piṇḍas ali se torna espiritualmente eficaz.

Verse 60

सर्वपाप विनिर्मुक्तः सद्यः शिवपदं लभेत् । अथवा सप्तरात्रं वा वसेद्वा पंचरात्रकम्

Liberto de todos os pecados, alcança-se de imediato o estado de Śiva. Ou então, deve-se permanecer ali por sete noites—ou ao menos por cinco noites.

Verse 61

त्रिरात्रमेकरात्रं वा क्रमाच्छिवपदं लभेत् । स्ववर्णानुगुणं लोके स्वाचारात्प्राप्नुते नरः

Observando (o rito prescrito) por três noites—ou mesmo por uma única noite—o homem gradualmente alcança o estado de Śiva. Neste mundo, cada um obtém o fruto condizente com sua própria condição (varna) por meio de uma conduta fiel à sua disciplina e aos seus votos.

Verse 62

वर्णोद्धारेण भक्त्या च तत्फलातिशयं नरः । सर्वं कृतं कामनया सद्यः फलमवाप्नुयात्

Ao extrair e contemplar com devoção as sílabas sagradas (varṇoddhāra), a pessoa alcança a excelência dos frutos. Tudo o que é feito com uma intenção desejada (kāmanā) obtém seu fruto imediatamente.

Verse 63

सर्वं कृतमकामेन साक्षाच्छिवपदप्रदम् । प्रातर्मध्याह्नसायाह्नमहस्त्रिष्वेकतः क्रमात्

Tudo isto, quando realizado sem desejo egoísta, concede diretamente o estado de Śiva. Deve ser empreendido na devida ordem nos três tempos sagrados—manhã, meio-dia e entardecer—cada um como uma observância completa.

Verse 64

प्रातर्विधिकरं ज्ञेयं मध्याह्नं कामिकं तथा । सायाह्नं शांतिकं ज्ञेयं रात्रावपि तथैव हि

O culto da manhã deve ser compreendido como aquele que sustenta o dharma e a correta observância dos ritos. O culto do meio-dia é dito realizador dos desejos. O culto do entardecer deve ser conhecido como apaziguador e doador de paz; e o culto realizado à noite é igualmente dessa mesma natureza pacificadora.

Verse 65

कालो निशीथो वै प्रोक्तोमध्ययामद्वयं निशि । शिवपूजा विशेषेण तत्कालेऽभीष्टसिद्धिदा

O tempo chamado Niśītha é declarado como as duas vigílias centrais da noite. A adoração ao Senhor Śiva, realizada especialmente nesse momento, torna-se doadora das realizações desejadas.

Verse 66

एवं ज्ञात्वा नरः कुर्वन्यथोक्तफलभाग्भवेत् । कलौ युगे विशेषेण फलसिद्धिस्तु कर्मणा

Sabendo assim, a pessoa que pratica conforme o prescrito torna-se legítima participante dos frutos enunciados. E, especialmente no Kali Yuga, a obtenção dos resultados se realiza por meio do karman executado corretamente, de acordo com o ensinamento.

Verse 67

उक्तेन केनचिद्वापि अधिकारविभेदतः । सद्वृत्तिः पापभीरुश्चेत्ततत्फलमवाप्नुयात्

Ainda que isto tenha sido dito por quem quer que seja, permanece verdadeiro conforme as diferenças de aptidão espiritual dos buscadores. Aquele que tem boa conduta e teme o pecado alcança o fruto correspondente.

Verse 68

ऋषय ऊचुः । अथ क्षेत्राणि पुण्यानि समासात्कथयस्व नः । सर्वाः स्त्रियश्च पुरुषा यान्याश्रित्य पदं लभेत्

Os sábios disseram: “Agora, conta-nos de modo conciso sobre os kṣetra sagrados, os lugares santos—aqueles nos quais, tomando refúgio, todas as mulheres e todos os homens podem alcançar o estado supremo (mokṣa).”

Verse 69

सूत योगिवरश्रेष्ठ शिवक्षेत्रागमांस्तथा । सूत उवाच । शृणुत श्रद्धया सर्वक्षेत्राणि च तदागमान्

Sūta disse: «Ó o melhor entre os yogins excelsos, ouvi com fé todos os Śiva-kṣetra, os lugares sagrados de Śiva, e os āgama, os ensinamentos autorizados ligados a esses santuários.»

Frequently Asked Questions

Rather than a mythic episode, the chapter presents a theological-ritual argument: Śiva’s worship becomes reliably efficacious when the liṅga is installed and maintained according to śāstric parameters (deśa–kāla suitability, lakṣaṇa, and pramāṇa), converting metaphysical doctrine into verifiable liturgical procedure.

The liṅga–pīṭha ensemble functions as a symbolic and operative axis: the liṅga signifies Śiva’s transcendent presence while the pīṭha stabilizes that presence in the world of form; measurements, shapes (maṇḍala/caturasra/trikoṇa), and sanctum construction encode the principle that cosmic order (ṛta) must be mirrored in ritual geometry for grace and ‘phala’ to manifest.

The emphasis is on Śiva as present through the installed liṅga (a non-anthropomorphic manifestation suited to continuous worship), with no single anthropomorphic form of Śiva or a distinct form of Gaurī foregrounded in the sampled discourse; the chapter’s focus is procedural consecration rather than icon-specific mythology.